Renato Maurício Prado comenta chances do Flamengo eliminar o Atlético Mineiro da Copa do Brasil

Se o Flamengo entrou com quatro volantes, contra a Chapecoense, no Maracanã, quantos usará no jogo decisivo de amanhã, diante do Atlético Mineiro, em Belo Horizonte? No domingo, pelo Brasileiro, após um primeiro tempo insosso, os gols saíram e a vitória por 3 a 0 exorcizou o fantasma do rebaixamento. Mas no Mineirão, pela Copa do Brasil, será bem mais complicado…

Dá para o Flamengo voltar de Minas com a vaga para a final? Claro que dá. Mas não será fácil, especialmente, se o time pisar o gramado preocupado apenas em defender a vantagem de dois gols. Aí é que entram as histórias dos zilhões de cabeças-de-área e dos desfalques. Mesmo sem Leonardo Moura, Alecsandro e, possivelmente, Gabriel e Éverton, Vanderlei precisa armar uma equipe que seja capaz também de atacar. Se virar ataque contra defesa, as possibilidades de a casa cair são muito grandes.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 04/11/2014

Flamengo 2 x 0 Atlético Mineiro

2 x 0

Semifinal
FLAMENGO VENCE O ATLÉTICO-MG NO MARACANÃ E SAI NA FRENTE NA SEMIFINAL
Com Gabriel inspirado, Rubro-Negro supera ótima noite de Victor e faz 2 a 0. Galo terá que repetir feito contra o Corinthians para sonhar com a decisão
Empurrado pela torcida, o Flamengo deu um passo importante na disputa por uma vaga na final da Copa do Brasil. Na noite desta quarta-feira, num Maracanã animado por mais de 45 mil pessoas, o Rubro-Negro contou com uma noite inspirada de Gabriel para superar a muralha Victor, fazer 2 a 0 no Atlético-MG e quebrar uma sequência de seis jogos invictos do adversário. O ensaboado meia-atacante deu o passe para o gol de Cáceres e, após fazer fila em linda arrancada, sofreu o pênalti convertido por Chicão. Agora, os cariocas vão para Belo Horizonte em vantagem. E com uma motivação extra: nas quatro vezes em que superaram o Galo em um confronto eliminatório, faturaram o título. Já o Alvinegro, para continuar sonhando com a inédita conquista, precisará repetir o feito que conseguiu diante do Corinthians, quando perdeu o primeiro duelo pelo mesmo placar e, depois, venceu por 4 a 1.

Foi um jogo nervoso, típico da rivalidade acirrada nos anos 80 entre os dois clubes, com muita marcação. Por sinal, os dois gols do jogo foram marcados por jogadores de defesa. A preocupação de Levir Culpi era tanta que ele adotou uma esquema mais defensivo, tirando Luan para a entrada de um segundo volante: Pierre, que perdeu tragicamente o irmão no início da semana, assassinado no interior da Bahia. Mas nem isso, tampouco os milagres de Victor, foram suficientes para segurar um Fla empurrado por 40.909 pagantes (45.642 presentes). A renda da partida foi de R$ 2.858.215,00. A torcida atleticana também compareceu em grande número ao Maracanã.

Flamengo e Atlético-MG voltam a campo para a partida decisiva, valendo uma vaga na final do torneio, na próxima quarta-feira no Mineirão. Antes, porém, os dois têm compromissos importantes no domingo pelo Campeonato Brasileiro. O Rubro-Negro recebe a Chapecoense às 19h30 (de Brasília) no Maracanã atrás de uma vitória que deixaria o time praticamente sem riscos de rebaixamento. No mesmo horário, o Galo visita o Atlético-PR na Arena da Baixada para defender sua posição na zona de classificação para a Libertadores.

Flamengo x Atlético-MG - Chicão (Foto: André Durão)
Cáceres (ao fundo) e Chicão: os autores dos gols da vitória rubro-negra no Maracanã (Foto: André Durão)

Victor faz milagres e segura o Fla

O primeiro lance agudo do jogo já era sinal de qual seria a tônica do duelo: velocidade da parte rubro-negra, representada pela chance clara de gol com um minuto de bola rolando; e a muralha alvinegra, simbolizada por Victor ao salvar o fim da jogada cara a cara com Eduardo da Silva. Foi só o primeiro milagre da noite do goleiro, que evitou o gol de Everton e o de Jemerson, que seria contra, ao tentar cortar um cruzamento. Tudo isso com menos de meia hora. O Galo demorou a encaixar a marcação e a escapar da adversária. Tardelli flutuava em campo para tentar fugir dos carrapatos Chicão e Cáceres. Maicosuel tentou usar a habilidade, mas se passava por um, dois, lá vinha o terceiro para desarmar. Estava difícil.

Tanto que, mesmo com o Fla se jogando ao ataque, o Galo só conseguiu criar um contragolpe com perigo. Foi no fim do primeiro tempo: Tardelli cruzou, e Marcos Rocha apareceu na área para cabecear tirando tinta da trave de Paulo Victor, que apenas observou. A única chance atleticana foi um grande susto para os rubro-negros, que ficaram mais receosos em avançar nos minutos finais. Gabriel recebeu uma bola no ataque e olhou a sua volta. Viu Eduardo da Silva sozinho na área no meio de quatro marcadores. Estava difícil lá e cá.

Gabriel faz fila, e Paulo Victor brilha

Panorama insuficiente para que nenhum dos técnicos alterasse suas peças. Vanderlei Luxemburgo e Levir Culpi deram um voto de confiança a suas escalações. Mas os cartões amarelos fizeram os treinadores mudarem de ideia rápido. Foram quatro em menos de 15 minutos, dois para cada lado. Canteros e Pierre, amarelados, deram vagas a Amaral e Luan, respectivamente. Já as saídas de Everton e Douglas Santos foram forçadas por problemas musculares. Luiz Antonio e Alex Silva entraram. Só uma das três alterações dos comandantes foi tática: Nixon no lugar de Eduardo da Silva para dar mais velocidade ao ataque rubro-negro, e Marion no de Carlos, pelo mesmo motivo. Em meio a tantas substituições, o Fla abriu o placar aos 15 minutos aproveitando cochilo da defesa.

Flamengo x atlético-MG (Foto: André Durão / Globoesporte.com)
Ensaboado, Gabriel fez fila no segundo tempo e deu trabalho à defesa atleticana (Foto: André Durão)

Começou com Marcos Rocha, que fez uma falta no limite da área em Gabriel e por pouco não foi pênalti. Na cobrança, João Paulo foi cruzar e acertou o travessão. Enquanto zagueiros, volantes e o goleiro ficaram parados, parecendo não entender a jogada, Gabriel pegou a sobra e levantou na cabeça de Cáceres, que ganhou de Edcarlos e fez 1 a 0. Herói no primeiro tempo, Victor dessa vez nem se mexeu e ficou pedindo uma falta no lance. O protagonista da vez passou a ser Gabriel. O ensaboado meia-atacante, na sequência, comprovou a grande fase, escapou de uma falta no meio de campo, driblou Marcos Rocha, deixou Edcarlos para trás, invadiu a área e sofreu pênalti de Josué, que se atirou de cabeça nos pés do jogador para tentar, sem sucesso, o desarme. Chicão cobrou para ampliar o marcador, aos 33 minutos.

Para não ter que subir de novo uma enorme montanha no Mineirão, como fez contra o Corinthians, o Galo foi para o abafa. Um gol seria o suficiente para deixar o Alvinegro na boa. No tudo ou nada, teve uma chance, clara, com Marion. No rebote de um chute de fora da área de Maicosuel, Marion pegou duas vezes na pequena área, mas parou, nas duas, em Paulo Victor. Foi a vez de o goleiro rubro-negro virar herói. Ali, aos 37 minutos, a torcida teve a certeza de que já podia comemorar.

 

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Flamengo 2 x 2 Coritiba

O Flamengo foi melhor no primeiro tempo, o Coritiba se superou no segundo e tirou uma desvantagem de dois gols no placar. No fim, os torcedores que encheram o estádio Mané Garrincha neste sábado, em Brasília, saíram frustrados com o empate por 2 a 2 na estreia do técnico Mano Menezes no comando rubro-negro na volta dos times após a paralisação para a Copa das Confederações. Já o meia Alex não conseguiu comemorar os seus 150 jogos pelo Coxa com uma vitória, mas voltou a ter uma grande atuação, com belos passes, uma assistência e um gol.

O público pagante foi de 52.825 torcedores, o segundo maior do Brasileiro até agora (atrás dos 63.501 de Santos 0 x 0 Flamengo, também em Brasília, na primeira rodada), com renda de R$ 2.705.050.

Com o resultado, a equipe paranaense segue na liderança do Brasileirão, com 12 pontos, e continua como única invicta. O Flamengo – que perdeu um pênalti, batido por Moreno – chegou aos seis pontos, em 13º, e ainda não venceu na competição como mandante (derrotas para Náutico e Ponte Preta, além do empate deste sábado).

Alex destacou o poder de reação do Coritiba, que levou o segundo gol logo três minutos após a volta do intervalo.

– Nosso time tem várias limitações, mas é organizado. Tomamos o segundo gol, conversamos, acertamos e chegamos ao empate. A busca pelo resultado foi feita em cima da organização.

O Coritiba chegou ao primeiro gol quatro minutos depois, em cabeçada de Chico após cobrança de escanteio de Alex.

– Demos mole na defesa. Foi descuido, desatenção individual, até minha, em bola parada – afirmou o zagueiro Wallace, que na jogada marcava dois adversários. – Depois sofremos outro gol, em seguida, e isso deu uma desestabilizada na equipe.

Na sétima rodada do Brasileiro, no próximo fim de semana, os dois times jogam clássicos. O Coritiba terá pela frente o Atlético-PR, no Couto Pereira, no domingo. No mesmo dia, o  Flamengo enfrenta o Vasco, novamente no Mané Garrincha. Antes disso, no entanto, joga contra o ASA-AL, em Arapiraca, pela partida de ida da terceira fase da Copa do Brasil.

Caceres e Alex Flamengo x Coritiba (Foto: Ed Ferreira / Ag. Estado)
O volante Cáceres disputa a bola pelo alto com Alex, do Coritiba (Foto: Ed Ferreira / Ag. Estado)

Moreno abre o placar para o Fla

Depois de um bom período de treinos em Pinheiral e no Ninho do Urubu, a expectativa era grande pelo que o time de Mano poderia apresentar. No primeiro tempo a equipe ficou bem postada na marcação, com movimentação constante de Gabriel, Paulinho e Carlos Eduardo no ataque. Os volantes apareciam bem como surpresas na frente, sem rifar a bola, um pedido constante de Mano nos treinamentos. Líder do campeonato até o início da rodada, o Coritiba pareceu atordoado diante do bom público no Mané Garrincha. O time paranaense até teve uma cabeçada na trave de Junior Urso logo no início, mas sentiu o golpe do primeiro gol do Fla, aos oito minutos. Em boa trama ofensiva, Moreno deixou a bola passar para Gabriel, depois aproveitou o chute cruzado do meia-atacante e tocou para a rede.

O Flamengo forçou o ritmo e dominou as ações. Sem cometer erros bobos (foram apenas dez passes errados na primeira etapa), poderia ter até matado a partida no primeiro tempo, mas parou no goleiro Vanderlei. Na primeira chance, Marcelo Moreno deu uma bela colaborada. Depois de pênalti duvidoso anotado de Leandro Almeida sobre o boliviano, ele cobrou muito mal e facilitou a defesa. Foi o terceiro pênalti seguido perdido pelo Flamengo (Renato contra a Ponte Preta e Léo Moura contra o São Paulo em amistoso). Pouco depois, o lateral João Paulo fez grande jogada pela esquerda e bateu colocado da marca do pênalti, mas o goleiro do Coxa voltou a salvar.

Alex brilha no segundo tempo

Logo no início da etapa final, o Flamengo ampliou com Cáceres, de cabeça, em cobrança de escanteio, e ficou a sensação de que o jogo ficaria tranquilo para o time de Mano. No entanto, o Coxa mostrou grande poder de reação, contando com boa colaboração da zaga rubro-negra e momentos decisivos do meia Alex. No gol de Chico, o camisa 10 cobrou escanteio com perfeição, e a defesa do Fla parou. Pouco depois, o próprio Alex aproveitou uma bola dentro da área e fuzilou Felipe.

A torcida se calou na arquibancada e começou a perder a paciência. O Flamengo tentou se organizar para reconquistar o comando da partida. No entanto, a entrada do meia Everton Santos no lugar do volante Gil, ainda antes dos gols do Coxa, mudaram a dinâmica do time, que passou a ocupar mais o campo do rival. O Rubro-Negro teve pelo menos mais duas boas chance com Marcelo Moreno e Val, mas o empate se manteve em Brasília.