Polícia Federal apreende obras de arte de Sérgio Cabral Filho e Adriana Ancelmo

A COLEÇÃO RECOLHIDA PELA PF INCLUI ESCULTURAS E FOTOGRAFIAS
Publicado: 25 de novembro de 2016 às 13:48 – Atualizado às 13:49
Um Sérgio Cabral Filho (PMDB) alegre e multicolorido, com uma bandeira do Brasil em forma de coração pintada no rosto, sorri. Sua mulher, Adriana Ancelmo, com cabelo pintado em lilás, preto e azul, também mostra o sorriso, marcado pela boca vermelha. Em tom alegre, as duas telas, pintadas supostamente por Romero Britto, contrastam com a situação atual do casal.Cabral foi preso preventivamente pela Polícia Federal e levado para Bangu 8, no Complexo de Gericinó, no Rio, onde divide uma cela com vaso sanitário no chão. Adriana foi conduzida para depor e é investigada pela PF. Os retratos sorridentes estavam entre as obras de arte apreendida em endereços de Cabral, na Operação Calicute. A ação investiga corrupção em obras públicas no Rio de Janeiro durante a gestão do hoje ex-governador.

Além dessas telas, a coleção recolhida na semana passada pela PF inclui esculturas e fotografias – ao todo, seriam 28 peças. Há estátuas em estilo barroco e quadros abstratos. Também foi aprendida prataria.

Todo o material será submetido a perícia, para atestar a autenticidade do material e possivelmente avaliá-lo. A Polícia Federal quer saber se o casal, suspeito de integrar um amplo esquema de desvios de verbas – ambos negam as acusações – usava obras de arte para lavar dinheiro desviado.

Estima-se que o esquema, supostamente chefiado por Cabral e integrado por alguns de seus secretários durante seu governo (janeiro de 2007 a abril de 2014), tenha se apropriado ilegalmente de mais de R$ 200 milhões.

A PF também apreendeu roupas de grifes famosas que pertenciam ao casal. Cabral tinha ternos caros – um deles, de Ermenegildo Zegna, teve seu valor estimado pelos investigadores em R$ 22 mil.

Adriana Ancelmo, cujo escritório de advocacia mantinha contratos com concessionários do Estado, separava seus vestidos por grife. Os policiais também recolheram joias de ouro e pedras preciosas, que o casal comprava em casas de joalherias como H. Stern e Antonio Bernardo.

Em depoimento, Cabral afirmou não se lembrar de tê-las comprado. Os pagamentos eram feitos em dinheiro vivo por Carlos Miranda, um dos outros nove presos na Calicute.

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Sérgio Cabral e Sérgio Cabral Filho foram presos por razões diferentes

PAI FOI PRESO POR DESAFIAR A DITADURA; O FILHO, POR CORRUPÇÃO
Publicado: 18 de novembro de 2016 às 00:00 – Atualizado às 00:13
CABRAL PAI FOI PRESO POR DESAFIAR DITADURA E FILHO POR CORRUPÇÃO
Preso sob a acusação do Ministério Público Federal (MPF) de chefiar a quadrilha que roubou R$ 220 milhões dos cofres públicos do Rio de Janeiro, o ex-governador Sérgio Cabral não é o primeiro membro da família a ir em cana. Seu pai, também Sérgio Cabral, jornalista e compositor, passou dois meses preso, nos anos de chumbo: ele era da turma do semanário de humor Pasquim que desafiava o regime militar. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.Tocando o Pasquim após a prisão dos colegas, o criativo Cabral pai irritou militares ao “revisitar” o Grito do Ipiranga na Semana da Pátria.

Cabral pai publicou na capa do Pasquim a imagem de Pedro I às margens do Ipiranga gritando: “Eu quero é mocotó!” Foi preso também.

Ao contrário do pai, um carioca boa praça, Sérgio Cabral Filho exerceu o poder com truculência e soberba. E fez do enriquecimento sua meta.

 

Site Diário do Poder

Sérgio Cabral Filho chefiou organização criminosa , afirma Ministério Público

VÁRIOS INTEGRANTES DA ‘GANGUE DO GUARDANAPO’ FORAM PRESOS
Publicado: 17 de novembro de 2016 às 10:38 – Atualizado às 10:56
O Ministério Público Federal afirmou em notaque a Operação Calicute, nova fase da Lava Jato, foi deflagrada para “aprofundar investigações sobre organização criminosa chefiada pelo ex-governador Sérgio Cabral – dedicada à prática de atos de corrupção e lavagem de dinheiro, composta por dirigentes de empreiteiras e políticos do alto escalão do seu Governo do Estado do Rio de Janeiro”. Segundo a Procuradoria da República, o “esquema envolvia o pagamento de propinas para a realização de obras públicas no Estado e posterior ocultação desses valores”.Sérgio Cabral foi preso em sua casa, no Leblon, zona sul do Rio. Contra o ex-governador foram expedidos dois mandados de prisão: um da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro e outro da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba.

Outras sete pessoas são investigadas “por integrarem organização criminosa destinada à prática de atos de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à realização de obras de engenharia no Estado do Rio de Janeiro”, entre os quais vários integrantes da chamada “gang do lenço”, como Fernando Cavendish, dono da Delta Enegenharia, e vários secretários e assessores de Sérgio Cabral, durante viagem oficial a Paris.

São ainda cumpridos mandados de prisão temporária de outros dois investigados, além de mandados de condução coercitiva de Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral, e outras treze pessoas para serem ouvidas na investigação. São executados 38 mandados de busca e apreensão nos endereços de investigados. Foi determinado o sequestro e arresto de bens do ex-governador e de outras 11 pessoas físicas e 41 pessoas jurídicas.

O Ministério Público Federal afirma que “a partir do aprofundamento das investigações dos casos da Lava Jato no Rio de Janeiro, especialmente da Operação Saqueador e das colaborações de executivos das empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, entre outras provas colhidas, descortinou-se amplo esquema de corrupção e lavagem de dinheiro”.

“Tal esquema consubstanciava o pagamento de expressivos valores em vantagem indevida por parte das empreiteiras ao ex-governador Sérgio Cabral e a pessoas do seu círculo para que fossem garantidos contratos de obras com o Governo do Estado do Rio de Janeiro”, diz a nota da Procuradoria.

As investigações apontam para a prática de corrupção na contratação de obras conduzidas no governo de Sérgio Cabral, entre elas, a reforma do Maracanã para receber a Copa de 2014, o denominado PAC Favelas e o Arco Metropolitano, financiadas ou custeadas com recursos federais.

De acordo com a Procuradoria, apura-se, que, além das já mencionadas empreiteiras Andrade Gutierrez e Carioca Engenharia, outras empresas consorciadas para a execução das obras também teriam efetuado pagamentos de valores solicitados a título de propina, em patamar preliminarmente estimado em R$ 224 milhões.

“Foi identificado que integrantes da organização criminosa de Sérgio Cabral amealharam e lavaram fortuna imensa, inclusive mediante a aquisição de bens de luxo, assim como a prestação de serviços de consultoria fictícios”, diz o Ministério Público Federal.

Investigações em Curitiba

“O desdobramento das investigações da Operação Lava Jato em Curitiba revelou a ocorrência de crimes de corrupção, consistentes no pagamento de vantagens indevidas ao então Governador do Estado do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, em decorrência do contrato celebrado entre a Andrade Gutierrez e a Petrobras, relativamente às obras de terraplanagem no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj)”, afirma o Ministério Público Federal.

Segundo a Lava Jato, “foram colhidas provas que evidenciam que o ex-governador Sérgio Cabral recebeu, entre os anos de 2007 e 2011, ao menos R$ 2,7 milhões, da empreiteira Andrade Gutierrez, por meio de entregas de dinheiro em espécie, realizadas por executivos da empresa para emissários do então Governador, inclusive na sede da empreiteira em São Paulo”.

“Há evidências da prática do crime de lavagem de dinheiro oriundo dos crimes antecedentes. A investigação apurou, por exemplo, que apenas dois investigados, entre os anos de 2009 e 2015, efetuaram pagamentos em espécie, de diversos produtos e serviços, em valores que se aproximam de R$ 1 milhão”, informa a Procuradoria.

O crime de lavagem prevê pena entre 3 e 10 anos de reclusão; o crime de corrupção, entre 2 e 12 anos e o crime de integrar organização criminosa, pena entre 3 e 8 anos.

 

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Populares fazem manifestação em apoio a prisão de Sérgio Cabral Filho

“JE SUIS SÉRGIO CABRAL NA CADEIA JÁ”, DIZ UMA DAS INSCRIÇÕES
Publicado: 17 de novembro de 2016 às 10:43
A prisão do ex-governador Sérgio Cabral atraiu manifestantes para a porta da Superintendência da Polícia Federal, na zona portuária. O desempregado Edson Rosa, de 47 anos, figura conhecida da jornada de protestos de junho de 2013, levou seus cartazes para a PF. “Je suis Sérgio Cabral na cadeia já”, diz uma das inscrições.”Ele é culpado dessa quebradeira do Rio, é o culpado de tudo”, disse o manifestante, que chegou a participar das ocupações na porta da casa da casa do ex-governador em 2013.

O tenente do Corpo de Bombeiros Valdelei Duarte, exonerado por Cabral em 2012 durante manifestação da categoria por melhores condições de trabalho, soltou fogos. “Eu vim aqui comemorar. Ele mandou 12 bombeiros para Bangu 1, no regime diferenciado, coisa que não se faz nem com Fernandinho Beira-Mar assim que ele foi preso. Eu sabia que a Justiça seria feita”.

Pessoas que se exercitam no Boulevard Olímpico também gritavam em direção à PF. “Cabral, você esperou. E a sua hora chegou”. Mais cedo, um homem ficou parado em frente à superintendência com notas de reais presas à roupa. (AE)

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