Dívida do Fortaleza foi feita em 2010 por Renan Vieira e valor era de R$ 235 mil

Renan Vieira foi o presidente do Tetracampeonato cearense (Foto: Arquivo/Diário do Nordeste)

A dívida de empréstimo superior a R$ 4 milhões confirmada pelo presidente do Fortaleza, Osmar Baquit, não foi feita em 2009 e o valor solicitado não foi de R$ 500 mil.

De acordo com o processo, obtido pelo Blog, o empréstimo foi realizado em 09 de fevereiro de 2010 no valor de R$ 235.905,60 e assinado por Renan Vieira, então presidente do Fortaleza, e com a anuência de Jorge Mota, então presidente do Conselho Deliberativo.

O débito foi pago pelo avalista em cinco parcelas de R$ 52.025,37 de 09 de março a 09 de julho de 2010.

Clique nos links abaixo para ver os documentos sobre o empréstimo tricolor.

http://svmar.es/1wepIBV

PS: Os documentos tiveram o nome do avalista apagado para preservar a imagem da pessoa.

 

Blog do Mário Kempes – Diário do Nordeste – 11/12/2014

Cadeira Elétrica no Pici

De 2005 até agora, só Ribamar Bezerra chegou ao final do seu mandato como presidente do Fortaleza

Para muitos simpatizantes do Leão, ser presidente do Fortaleza é ser tão popular quanto o governador do Estado. Uma honra para os tricolores. Por outro lado, a outra faceta do cargo mostra um ser humano sentado como que numa cadeira elétrica ou máquina de triturar, tal a pressão que é exercida sobre ele, especialmente nos dias difíceis de permanência na Série C do Campeonato Brasileiro.

Principal cargo do clube do Pici tem sido alvo central das críticas da torcida FOTO: LUCAS DE MENEZES

Desde quando o time estava na Série A, Ribamar Bezerra conheceu os infortúnios da função, com constantes cobranças para que o time lá se mantivesse.

Vários empresários, profissionais liberais, homens de sucesso nos seus empreendimentos, foram desafiados na guilhotina das emoções dos torcedores, todos ávidos por resultados em quaisquer competições, nem que para isso se sacrificasse a permanência dos dirigentes em seus referidos postos.

Imponderável

Ribamar Bezerra, hoje responsável pelo Centro de Treinamento do Fortaleza, disse que os torcedores não levam em consideração o imponderável que é inerente ao futebol. Para ele, os dirigentes procuram fazer tudo corretamente e até o fazem, mas são traídos pelo que não pode se prever. Com isso, os resultados não aparecem e os torcedores passam a ver como vilões aqueles que entraram no clube com o status de herói. “Não é como você construir um prédio, por exemplo. Além de você precisar ter a capacidade para o cargo, tem que contar também com a sorte”, disse ele.

Para Ribamar Bezerra, há um profissional importantíssimo no clube, que normalmente é negligenciado nas temporadas, que é o contratador, o gerente que vai buscar os jogadores para a campanha de cada ano. “Quem contratar 70% certo tem grandes chances de estar trazendo um time de vencedores. Embora haja o fator sorte envolvido. Mas, quando ocorrem problemas nas campanhas, pode ver que 90% vem de falhas nas contratações. Agora, é muito difícil contratar certo, porque muitas vezes vem um jogador de fora, que você não sabe qual será o nível de comprometimento dele com a causa do clube”, disse.

20% da base

Ribamar diz que seria primordial o clube colocar nos estatutos que 20% dos jogadores do seu elenco teriam que ser obrigatoriamente das categorias de base. “Quando o treinador chegasse ele já receberia a informação de que não poderia importar 100% do elenco, pois os estatutos do clube não permitiriam”, disse.

Um dos homens mais preparados para o cargo – dada a sua vivência no mundo do futebol, o advogado Marcello Desidério passou 19 meses à frente do Fortaleza, na gestão 2007 e 2008, mas não resistiu aos maus resultados do time em campo, durante o período da Série B.

Desidério conseguiu recuperar o estádio Alcides Santos para jogos oficiais, porém o torcedor não perdoou as falhas do time. Sob forte pressão, ele entregou carta-renúncia ao Conselho Deliberativo e passou o comando para o vice, Lúcio Bomfim.

E olhe que Desidério e Bomfim foram da época em que o Leão ganhou os estaduais, sedimentando o caminho para o tetra que viria sob o comando de Renan Vieira em 2010. Como o time não foi bem na Série B, escapando de cair em 2008, mas caindo em 2009, a torcida fez de tudo para mudar as diretorias.

Paulo Artur veio em 2011, tendo como vice, Osmar Baquit. Paulo pediu licença de 90 dias e depois não retornou mais à administração do Tricolor.

Paulo Artur diz que, para um presidente ter sucesso no clube, é necessário dedicação de 100% do seu tempo, pois os problemas são muitos. Com isso, aqueles que estão em plena atividade nas suas atribuições profissionais não podem se dedicar integralmente e aí começam os insucessos no futebol.

O QUE ELES PENSAM

Por que é tão difícil tirar o Fortaleza da Série C?

“O momento atual do Fortaleza preocupa muito. Só tem uma forma de sair dessa situação que é a união de todos os tricolores e acabar com as divisões. Para se ter sucesso como presidente do Fortaleza é preciso trabalhar com planejamento, competência e também ter um grupo à frente de tudo. Vejo que a diretoria ficou apenas com o Osmar Baquit e o Daniel Frota”.

Lúcio Bomfim
Ex-presidente do Fortaleza

“A responsabilidade que se coloca nos ombros da diretoria é muito grande. Essa responsabilidade reflete também no campo. O Fortaleza não poderia ficar nem um ano na Série C e já estamos indo para o quinto ano, por conta dessa ansiedade, dessa pressão para sair. Por conta de tudo isso, o Fortaleza vive um de seus piores momentos, mas em 2010 para mim foi até pior”.

Renan Vieira
Presidente do tetracampeonato do Fortaleza

“Não dá para julgar muito os dirigentes atuais. Quem está lá é que sabe onde o sapato aperta. Mas eu diria que a bola não entrou, apesar de os dirigentes terem feito tudo para tirar o time da Série C. A ansiedade que existe não é boa em nenhuma atividade do homem e isso atrapalha. Mas eu e um grupo de amigos estamos buscando saídas para ajudar o clube”.

Marcello Desidério
Ex-presidente do Fortaleza

“O Fortaleza tem feito um time de Série A ou de Série B para disputar a Série C. Acho que um dos problemas pode ser esse. A Série C tem que ter jogadores com perfil de Série C. Quando você traz muitos jogadores de fora eles acabam tirando o pé das divididas, o que não faz um atleta da casa. O ideal é mesclar a base com alguns experientes para tentar sair da Série C”.

Paulo Artur
Presidente anterior a Osmar Baquit

Ivan Bezerra

Repórter

 

Diário do Nordeste-Jogada-20/10/2013

Tom Barros comenta que os limites da autonomia do departamento de futebol do Fortaleza precisam ser definidos

 

Parceria requer definição clara sobre os limites dos poderes de cada um. Diz Renan Vieira que a caneta (poder) continuará com Osmar Baquit. E não poderia ser diferente. Mas é preciso definir também os limites da autonomia a ser dada ao departamento de futebol.

 

Coluna redigida pelo jornalista Tom Barros para o jornal cearense Diário do Nordeste no dia 16/08/2013