Croácia 1 x 3 México

Croácia 1 x 3 México

O México domou a Croácia na Arena Pernambuco, dizimou os discursos autoconfiantes dos adversários na véspera. A vitória por 3 a 1 foi a melhor resposta a uma certa falta de respeito à tradição da camisa verde. Sim, o México está nas oitavas de final de uma Copa do Mundo pela sexta vez consecutiva. A Croácia volta para casa eliminada ainda na primeira fase pela terceira vez em quatro participações.

O meia do Real Madrid Luka Modric chegou a dizer que a Croácia tinha melhor time, melhores valores individuais e que iria provar em campo. Mordeu a língua. Ele e o artilheiro Mandzukic foram meras sombras diante do organizado time mexicano. Rafa Márquez, Guardado e Chicharito Hernandez marcaram os três gols do México, todos no segundo tempo.

Só no fim, já aos 43, Perisic descontou. Já não havia mais tempo para nada. A Arena Pernambuco estava em festa, ninguém se importou com o fato de o goleiro Ochoa ter sido vazado pela primeira vez.  Era tempo de festejar. A bagunça mexicana que invadiu Recife continuará espalhada Brasil afora. Pelo menos até domingo. Classificado em segundo lugar no Grupo A, por conta do saldo de gols inferior ao do Brasil, o México enfrenta a Holanda nas oitavas de final, no domingo, às 13h, na Arena Castelão.

Primeiro tempo sem sal

A Croácia teve bola no pé no primeiro tempo, 59% da posse, mas não conseguiu achar os espaços. Pranjic, Rakitic, Modric, Perisic e Srna cansaram de trocar passes. Mais uma vez, o sistema defensivo mexicano esteve seguro à frente de Ochoa. Mandzukic simplesmente não finalizou. Nenhuma vez sequer. Os companheiros arriscaram chutes de fora da área sem sucesso.

Perigoso mesmo foi o México. Herrera acertou o travessão aos 15 minutos – e a Arena Pernambuco quase veio abaixo. Pouco depois, Peralta perdeu um gol cara a cara com Pletikosa. Mais rápido e objetivo, o México, diferentemente da Croácia, achava os espaços.
O resultado a favor e o sistema implatado por Miguel Herrera deixavam a seleção tricolor cada vezmais à vontade, apesar da postura precavida na maior parte do tempo. Não foi um primeiro tempo de encher os olhos, longe disso.

A mexida de Niko Kovac na escalação não deu certo. O meia brasileiro Sammir, titular na goleada sobre Camarões, perdeu a posição para Vrsaljko, escalado na lateral esquerda, enquanto Pranjic foi deslocado para o meio.

Segundo tempo temperado

Logo no início da segunda etapa, o técnico croata trocou Vrsaljko pelo volante Kovavic, do Inter de Milão. Rebic substituiria Olic minutos depois. No México, entraram Chicharito Hernández, Mario Fabiane e Carlos Peña. O atropelo se deu a partir dos 25 minutos. O México precisou de menos da metade de um tempo para construir o resultado. Mas quando Rafa Márquez marcou de cabeça, após cobrança de escanteio, parecia que o árbitro já havia apitado o fim da partida.

A certeza da classificou se espalhou pelo ar, na euforia de cada mexicano presente na Arena Pernambuco. Afinal, um gol tem valido como goleada para quem tem uma defesa tão segura. A expressão dos jogadores croatas refletia isso em campo. A vaga virou certeza absoluta quatro minutos depois. Guardado anotou o segundo gol mexicano após bela troca de passes. No fim, aos 36, Chicarito Hernández, oportunista, ainda aumentou a festa ao escorar um desvio de Rafa Márquez. O gol de Perisic só serviu para constar.

 

GLOBO ESPORTE.COM

Seleção mexicana divulga convocação para a Copa; Chicharito comanda equipe

mexico

Seleção mexicana enfrentará o Brasil no dia 17 de junho Foto: Agência Reuters

O técnico Miguel Herrera divulgou, nesta sexta-feira (9), a lista dos atletas convocados da seleção mexicana para a Copa do Mundo. Sem grandes novidades, a base da equipe é formada por jogadores que atuam em times locais. Os destaques ficam por conta de Chicarito Hernández, atacante do Manchester United, e o carrasco do Brasil nas Olimpíadas de 2010, Oribe Peralta.

O México também anunciou a programação para a Copa. A equipe faz quatro amistosos (Israel, no dia 28 de maio, Equador, 31 de maio, Bósnia, 3 de junho, e Portugal, 6 de junho), antes de desembarcar no Brasil no dia 7 de junho, para a preparação em Santos/SP. A equipe comandada por Herrera estreia no Mundial dia 13, contra o Camarões, na Arena das Dunas, em Natal.

Em Fortaleza, a seleção mexicana enfrenta o Brasil no dia 17 de junho, em partida válida pela 2ª rodada do Grupo A. O encerramento na primeira fase acontecerá em Pernambuco, quando os mexicanos enfrentam a Croácia, em 23 de junho.

A ausência mais sentida foi a do atacante Carlos Vela, da Real Sociedad/ESP. Já o nome convocado menos cogitado foi o do experiente defensor Carlos Salcido, de 34 anos. Rafa Márquez e Giovani dos Santos, ambos ex-Barcelona, estarão no Mundial.

Confira a lista completa:

Goleiros: Jesús Corona (Cruz Azul), Guillermo Ochoa (Ajaccio) e Alfredo Talavera (Toluca);

Defensores: Rafael Márquez (León), Diego Reyes (Porto), Héctor Moreno (Espanyol), Paul Aguilar (América), Miguel Layún (América), Carlos Salcido (Tigres), Francisco Maza Rodríguez (América), Miguel Layún (América) e Andrés Guardado (Bayer Leverkusen);

Meias: José Juan Vázquez (León), Juan Carlos Medina (América), Héctor Herrera (Porto), Carlos Peña (León), Luis Montes (León), Marco Fabián (Cruz Azul) e Isaac Brizuela (Toluca);

Atacantes: Oribe Peralta (Santos Laguna), Chicharit Hernández (Manchester United), Raúl Jiménez (América), Alan Pulido (Tigres) e Giovani dos Santos (Villarreal);

 

Blog Diário Na Copa – Diário Na Copa – 09/05/2014

Relembre a trajetória do México a caminho da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014

Um drama mexicano

© EFE

É difícil relembrar muitos momentos positivos na complicada caminhada do México rumo à Copa do Mundo da FIFA 2014. A campanha no hexagonal final da CONCACAF será lembrada principalmente pelas rápidas trocas de técnico, pelo mau desempenho no histórico caldeirão do Estádio Azteca e por um aroma de crise geral que emanava tanto no gramado como nas arquibancadas. O FIFA.com traz o resumo de como o México conseguiu a classificação para a sua 15ª Copa do Mundo da FIFA, com destaque para os momentos mais dramáticos:

Tropeços em casa
Normalmente são os visitantes que sentem a pressão de enfrentar o México no temível Estádio Azteca. No entanto, jogar em casa foi uma verdadeira tortura para a seleção mexicana nas eliminatórias. Desde o começo havia algo errado: o empate sem gols contra a fraca Jamaica teria sido uma derrota, não fosse a exuberante atuação do goleiro Jesús Corona. Os torcedores, no entanto, esperavam que aquele tivesse sido um tropeço isolado, e que logo a equipe pudesse se impor na arena que foi sede de duas finais de Copa do Mundo da FIFA. No entanto, aquele era só o começo de uma série de maus resultados. Os mexicanos obtiveram apenas seis dos seus 11 pontos no hexagonal jogando em casa: três em uma vitória sobre o Panamá e os demais em três empates por 0 a 0.

O auge da desgraça ocorreu no dia 6 de setembro de 2013, uma data que entrou para a história do futebol mexicano pela porta dos fundos. A derrota por 2 a 1 para Honduras foi a segunda do Méxicoem 78 jogos de eliminatórias disputados no Azteca.

Americanos salvam a (outra) pátria
Por ironia do destino, a classificação do México para a repescagem intercontinental contra a Nova Zelândia foi assegurada graças a uma ajuda do maior rival: os Estados Unidos. Com dois gols nos descontos contra o Panamá na última rodada, os americanos eliminaram os panamenhos e mantiveram os mexicanos na disputa. O depoimento de Christian Martinolli, narrador da TV Azteca, após a partida, entrou para a história das eliminatórias da CONCACAF. “Amamos vocês! Amamos vocês para sempre! Que Deus abençoe os EUA!”, disse o jornalista, antes de criticar duramente o mau desempenho dos jogadores mexicanos na derrota para a Costa Rica.

A ironia não passou despercebida pela Federação Americana de Futebol, que utilizou o Twitter para ironizar a classificação do rival após o jogo. Manchetes sublinhando uma dívida de gratidão em relação aos Estados Unidos foram vistas no dia seguinte em grandes jornais mexicanos. Um deles chegou a exibir uma montagem com Chicharito Hernández (autor de apenas dois gols em dez jogos pelo Méxicono hexagonal) estendendo uma bandeira estadunidense.

Pouco brilho e uma ausência marcante
Em meio à mediocridade geral da campanha, alguns jogadores vestiram a camiseta verde do Méxicocom orgulho. Antes de ser afastado, como o resto dos jogadores que atuam no futebol europeu, para a repescagem, Giovani dos Santos mostrou não apenas a qualidade habitual com a bola nos pés, mas também uma grande vontade de lutar pela classificação. Jesús Corona, goleiro medalha de ouro na Olimpíada de Londres 2012, teve momentos de brilho, bem como Oribe Peralta, atacante do Santos Laguna que marcou três gols nos últimos jogos do hexagonal. O momento mais inspirador, porém, pertenceu a Raul Jiménez, nos instantes finais da única vitória em casa, diante do Panamá. O gol que ele fez de bicicleta deu ao México a única vitória no Azteca, e a vibração dos torcedores indicava que dias melhores estavam por vir. Sem aquele gol, o México não teria se classificado para o Brasil 2014.

Um jogador foi notável pela sua ausência: Carlos Vela. O atacante vive o melhor momento da carreira na Real Sociedad, mas um desentendimento com o técnico anterior o deixou de fora desta caminhada. É um problema que os mexicanos terão de resolver, de uma forma ou de outra.

Troca-troca no comando
Quando a pressão aumenta, a crise costuma estourar no treinador. A constante troca de comando doMéxico durante o hexagonal foi um importante indicador de que as coisas não andavam bem. José Manuel de la Torre recebeu o bilhete azul depois da histórica derrota em casa para Honduras. O assistente José Luis Tena assumiu e durou apenas um jogo, antes de ser substituído por Victor Manuel Vucetich. “O que me interessa mesmo é o México, o México, o México”, disse o treinador, conhecido como “Rei Midas” devido à carreira muito bem-sucedida por clubes mexicanos. No entanto, ele não conseguiu repetir na seleção o sucesso que obteve em clubes. Após dois jogos, veio a demissão. “Quatro técnicos em um mês já diz tudo”, afirmou o frustrado Giovani dos Santos. “A equipe não consegue definir um estilo, uma ideia do que deve fazer em campo.”

A receita caseira de Herrera e o que vem pela frente
O quarto técnico mexicano, Miguel Herrera, enfim deu um prumo à seleção. Deixando de fora Dos Santos e o resto dos astros que atuam na Europa, como Chicharito Hernández, ele formou uma seleção composta apenas por jogadores que atuam no futebol nacional. A base foi o América, equipe que ele treinava antes de assumir a seleção. E deu certo: os comandados de Herrera humilharam a Nova Zelândia na repescagem, marcando cinco gols em casa e quatro em Wellington, e garantindo com sobras um lugar no Brasil. Ao todo, nos dois jogos, o México fez apenas dois gols a menos que em todo o hexagonal. O retorno do capitão Rafa Márquez deu segurança defensiva à seleção. De cara nova, a equipe foi bem mais coesa e estável.

Algumas questões, porém, permanecem abertas na preparação do México para o Brasil 2014: Quem será o técnico (o contrato de Herrera foi para apenas estes dois jogos), como será o futebol da equipe, e até onde esta seleção será capaz de chegar, após a preocupante campanha nas eliminatórias?

FIFA.com