No Ceará, público e renda caem em 2014

Boa campanha do time alvinegro foi incapaz de motivar a torcida a igualar os números da Série B do ano passado.

1-[22-11] Ceará 2 x 1 Portuguesa - 10  (Foto: Christian Alekson/CearáSC.com)

Ao longo da Série B, o Ceará esteve no G4 por 18 rodadas e liderou a competição por nove delas, chegando a terminar o 1º turno, ou 19 rodadas, na liderança. Mas nem a campanha da equipe foi capaz de motivar a torcida alvinegra a um comparecimento compatível com a colocação.

O Alvinegro já fez seu último jogo em casa na competição – o clube definirá seu acesso ou não no Mato Grosso, diante do Luverdense – e levou ao todo 213.884 torcedores ao estádio, proporcionando uma fraca média de público de 11.257 pessoas por jogo.

Quanto à arrecadação, o Ceará conseguiu o montante de R$ 2.776.490,00. A média de arrecadação girou em torno de 146 mil reais por jogo.

Comparativo

Os números são mais decepcionantes ainda se compararmos com a campanha na Série B de 2013, quando o Vovô não ocupou o G4 por nenhuma rodada, apesar de disputar o acesso até a última rodada.

Naquele ano, a média de público foi maior – 13.837 – e a equipe arrecadou 2 milhões de reais a mais: R$ 4.708.695,00.

O presidente do Ceará, Evandro Leitão, analisou a baixa média de público da equipe na atual Série B, após 19 jogos.

“Pelo lado do torcedor, há uma frustração muito grande de ver o time caindo de produção no returno; estamos no ano do centenário e estivemos bem em boa parte da Série B, criando muita expectativa, então entendo e concorro com o que deixaram de ir ao estádio”, analisou.

Só que o prejuízo no público e renda, comparados ao ano passado, não pode nem ser creditado ao desempenho ruim no returno da Série B, quando a equipe conquistou apenas 22 pontos em 18 jogos, vencendo apenas seis vezes, com um aproveitamento de pontos de apenas 40%.

No 1º turno, quando viveu sua melhor fase na Série B, o Ceará teve uma média de público, em dez jogos disputados em casa, de 9.679 pagantes.

No returno, quando sua campanha de declinou, o clube mandou nove partidas, a média foi até maior: 12.990 torcedores.

Ou seja, o comparecimento da torcida alvinegra não foi influenciado pela campanha da equipe, ela se manteve instável no decorrer da Série B.

Durante a boa fase da equipe na Série B, no 1º turno, o maior publico registrado foi na partida que valia a liderança, contra o Joinville no PV: 17.834

No returno, a média aumentou devido aos dois maiores públicos da equipe na competição: 21.062 pagantes ante o Sampaio Correa, pela 28ª rodada, e na 35ª rodada, este o maior público da equipe, os 30.256 pagante contra o Vasco, que elevaram a média da equipe no returno.

Sobre o prejuízo de 2 milhões de diferença de arrecadação das edições de 2013 para 2014, Evandro afirmou que a diretoria atualmente busca novas formas de angariar recursos.

“Acho que o Ceará vem se fortalecendo e buscando recursos além da arrecadação em dia de jogos. Hoje, o clube tem outros recursos para honrar seus compromissos e não só as rendas das partidas”, finalizou o mandatário alvinegro.

Vladimir Marques
Repórter

 

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Diário do Nordeste – Jogada – 25/11/2014

Ministério Púbhlico tem indícios de que dirigentes da Portuguesa levaram dinheiro para escalar Héverton, diz jornal

Investigação do Ministério Público aponta para corrupção no caso que rebaixou Lusa para a Série B em 2013

por O Globo

Presidente da Lusa: “Não quero ser exagerado, mas desse jeito vamos virar um Botafogo”

Jogador procura aliança perdida no gramado (FOTO: Sandro Hiroshi)

Jogador procura aliança perdida no gramado
(FOTO: Sandro Hiroshi)

O presidente da Portuguesa, Roberto Leal, está desolado. Após o rebaixamento da Lusa para a Série C, Leal não escondeu a raiva, a frustração e a preocupação com o futuro do tradicional time paulista. Tomado pelo calor do momento, já que a entrevista ocorreu poucas horas depois da confirmação do descenso, o mandatário disse que se o time continuar decadente desta forma, poderá se transformar em um Botafogo.

“Não quero parecer exagerado, muito menos preocupar ainda mais a nossa torcida, mas do jeito que a coisa está indo, vamos virar um Botafogo. A diferença é que ainda existem entidades que ajudam o Botafogo, enquanto todos parecem fazer questão de nos derrubar para salvar outros clubes”, disse.

O mandatário ainda reforçou que a sorte da Portuguesa é que ainda tem torcida para sustentar a equipe: “Se for analisar, temos cerca de 100 torcedores. Se perdermos 48, vamos nos igualar ao Botafogo. Essa realidade não está distante”, finalizou Leal.

 

PORTUGUESA: Após rebaixamento, time jogará a série C com o uniforme do Fluminense

Prévia do uniforme da Lusa 2015 (FOTO: Danilo Fernandes)

Prévia do uniforme da Lusa 2015
(FOTO: Marcos Assunção)

Foi inevitável. Mesmo com a contratação de hipnólogo, agente motivacional, bicho maior para o elenco e outras medidas desesperadas da diretoria, a Lusa não conseguiu frear a crise, despencou pela tabela e está matematicamente rebaixada para a série C, transformando a maior injustiça do futebol nacional em tragédia. O time paulista, que foi penalizado pelo STJD em favor ao Fluminense, não suportou a segunda divisão e agora já começa a traçar as estratégias para retornar a elite do futebol nos próximos anos:

“Ora pois, a Portuguesa foi roubada, todos sabem disso. Infelizmente o time não conseguiu dar retorno em campo e iremos protestar. Já está certo que no ano que vem jogaremos a série C com o uniforme do clube que deveria estar no nosso lugar, o Tapetense”, disse um dos diretores de futebol do clube, Pero Vaz Caminha.

A medida será um protesto claro contra a decisão do STJD que sentenciou a Portuguesa ao rebaixamento e provocou uma crise financeira no time, acarretando o mau futebol e o péssimo clima no clube. A torcida da Lusa, os poucos que ainda mantém a paixão pelo time, mostrou-se favorável a esta ação: “Vamos usar as cores do tricolor carioca e nas nossas padarias não terão tapete na entrada. Além disso, se em alguma padaria um torcedor do Fluminense quiser tomar café, não será permitido que ele se sente pois a qualquer momento ele pode virar a mesa”, falou o padeiro Pedro A. Cabral, presidente da torcida organizada Lusitanos Inteligentes e da Associação de Padeiros Portugueses do Brasil.

O novo uniforme estará disponível nas melhores lojas de material esportivo e padarias em todo o Brasil.

 

Do tapetão à bancarrota, como a Portuguesa despencou até o fundo do poço

Clube tradicional de São Paulo e do Brasil, Portuguesa vive fundo do poço

“Mexeu a Lusa: Wanderson dá lugar para Heverton”. Foi assim, de forma despretensiosa, que o Twitter Oficial da Portuguesa anunciou a substituição, aos 32 minutos do segundo tempo daquele jogo contra o Grêmio. Oito de dezembro de 2013, última rodada do Brasileiro, em jogo que nada valia aos dois clubes na classificação final. Será que alguém imaginava que começava ali a maior crise da história de um dos mais queridos times de São Paulo?

Pois nesta terça-feira, 28 de outubro de 2014, ou 324 dias depois, a agremiação lusitana despencou à terceira divisão do futebol brasileiro pela primeira vez. Com uma vergonhosa participação de apenas três vitórias em 33 partidas disputadas ao longo da Série B, em campanha que não foi nem de longe o que de pior ocorreu com a Lusa nos últimos meses. Greve, problemas na Justiça, salários atrasados, ameaça de falência e até calote em hipnólogo marcaram o pior dos 94 anos de vida da Portuguesa. Coisas para se esquecer.

Voltando àquele 8 de dezembro, o Canindé estava em festa. Oras, a Portuguesa tinha garantido dentro de campo permanência na elite nacional. Alegria que durou pouco, após a denúncia de que Heverton tinha jogado de forma irregular contra o Grêmio. Como assim? Quem, de fato, errou em um dos episódios mais insólitos do futebol brasileiro? Até hoje ninguém soube explicar. A equipe rubro-verde brigou no STJD, mas de nada adiantou, afinal, um atleta foi realmente mandado a campo de forma irregular. A Lusa acabou punida em quatro pontos, livrou o Fluminense da degola e foi rebaixada.

O novo presidente Ilídio Lico assumiu diante de um clube devastado. A queda tirou da Portuguesa verbas essenciais, vitais para a sua sobrevivência. Time tradicionalmente sem grande torcida – ou seja, sem arrecadação de bilheteria significativa -, a Lusa perdeu em patrocínio e cotas de TV, e não foi pouco. Documentos obtidos pelo ESPN.com.br apontam que a equipe calcula em R$ 30 milhões o dano ocasionado pelo rebaixamento no tapetão. Quantia exorbitante para uma equipe mediana. “Prejuízos mortais” que empurraram a agremiação “à bancarrota”, conforme a papelada. Não era para menos.

A temporada 2014 foi um inferno. As ações na Justiça de dezenas de torcedores de nada adiantaram e só ajudaram a aumentar a crise Portuguesa-CBF. Sem dinheiro, sem arrecadação e sem clima na entidade, só restava ao time rubro-verde se reerguer dentro de campo, como sempre fez ao longo das décadas. Mas como fazer isso, se os salários atrasavam e “os desmandos e irresponsáveis atitudes administrativas e financeiras” de outras gestões jogavam a Lusa ao fundo do poço?

Gazeta Press

Na Série B, 3 vitórias em 33 jogos
Na Série B de 2014, 3 vitórias em 33 jogos

Antes da Série B, a agremiação ainda tentou, em vão, paralisar o torneio. E como se concentrar no futebol, se ações inexplicáveis começaram a surgir nos tribunais? Pois sobrou até processos por parte do próprio Heverton e do ex-presidente Manuel da Lupa por danos morais contra a Portuguesa. O mesmo mandatário que esteve à frente do clube no ano do rebaixamento e, atualmente, tem cotada a sua expulsão do Canindé por parte de vários conselheiros, conforme apuração do ESPN.com.br, revoltados com tudo o que ocorreu.

Fora acordos obscuros assinados com terceiros que só aumentavam o rombo financeiro. Alguns jogadores, acuados, começaram a sair com ajuda jurídica. A Portuguesa, que tinha feito campanha heróica no final do ano passado e se safado dentro de campo do rebaixamento, agora caía em um abismo sem fim. Até os funcionários entraram em greve, e o hipnólogo contratado como salvador da pátria se mandou por falta de pagamento.

E à torcida, como explicar que um negócio bizarro que fará, na Justiça, a Portuguesa pagar oito vezes mais do que o valor acertado, por exemplo? Como explicar que o governo acusa o clube de ter bloqueado dinheiro público para quitar seus próprios débitos trabalhistas? Como explicar que, pela primeira vez em 94 anos, o time rubro-verde jogará a Série C? Ninguém sabe. Como ninguém ainda sabe explicar o que, de fato, ocorreu naquele dia 8 de dezembro de 2014. E, talvez, nunca saiba. É hora de esquecer… Afinal, vem aí a terceira divisão nacional. Boa sorte, Lusa.

 

Fonte : ESPN

Tom Barros comenta recentes resultados de Vasco e Ceará na Serie B do Campeonato Brasileiro

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Difícil entender

O Vasco, então vice-líder, perdeu para o Vila Nova, então lanterna. O Ceará, querendo voltar a ser líder, só empatou com a Lusa, lanterna. Como avaliar? O Ceará já perdera para o ABC e o Vasco só empatara com o Icasa, que está atolado em problemas e até sofreu ameaça de greve antes de enfrentar os vascaínos. Taí negócio difícil de entender.

 

Tom Barros – Jogada – Diário do Nordeste – 25.08.2014

Tom Barros comenta a necessidade do Ceará derrotar a Portuguesa

Nos dois últimos confrontos entre as duas equipes, foi uma vitória para cada lado

Nos dois últimos confrontos entre as duas equipes, foi uma vitória para cada lado
(Foto: Divulgação/CearaSC.com)

 

Retomada

As duas derrotas seguidas do Ceará criaram a necessidade de o time ter que ganhar hoje da Portuguesa em São Paulo. O ter que ganhar gera pressão que muitas vezes tira do time a tranquilidade. Um empate dará para administrar. Nova derrota gerará perigosa crise, máxime se os concorrentes diretos vencerem.

 

Tom Barros – Jogada – Diário do Nordeste – 23.08.2014

Ponte Preta 0 x 0 Portuguesa

 0 x 0 

PONTE PRETA DOMINA O JOGO EM CASA, MAS EMPATA SEM GOLS COM A LUSA
Macaca criou as principais chances do jogo, mas estreante Rafael Santos faz boas defesas e evita a derrota. Lusa segue na zona do rebaixamento
Os torcedores de Campinas, é claro, sabiam que o jogo não teria o brilho de uma Copa do Mundo. No entanto, 42 dias depois da última partida das equipes, esperavam mais do que o 0 a 0 que o placar marcou no confronto entre Ponte Preta e Portuguesa, na noite desta terça-feira, no Moisés Lucarelli.

Principalmente os ponte-pretanos. Com amplo domínio da partida, a Macaca enfileirou chances durante os 90 minutos e finalizou 15 vezes (contra apenas três do adversário), mas viu o goleiro Rafael Santos fazer uma estreia segura na meta rubro-verde. Jussandro, outro estreante, foi expulso nos minutos finais. Mas o 0 a 0 persistiu.

Com o resultado, a Macaca perde a chance de entrar no G-4, ficando com 17 pontos. Já a Lusa, penúltima colocada, termina a 11ª rodada com dez pontos. Na próxima, os dois times jogam na sexta-feira. Às 19h30, a Lusa recebe o Paraná Clube, no Canindé. Já às 21h50, a Ponte Preta visita o Avaí, na Ressacada.

Ponte Preta e Portuguesa  (Foto: (Rodrigo Villalba / Futura Press)

Estreias na Lusa, reestreia na Ponte e um jogo embolado

Os primeiros 45 minutos após o recesso do Mundial foram fracos de emoções. Dona da casa, a Macaca jogou no campo de ataque, mas só assustou em chutes de Cafu e Edno, defendidos por Rafael Santos. Além do goleiro, a Lusa estreou o zagueiro Brinner, o lateral-esquerdo Jussandro e o atacante Weverton. Ligado no jogo aéreo, o time da capital explorou os contra-ataques, mas o jogo ficou embolado. Com a volta do zagueiro Tiago Alves, que substituiu César (negociado com a Europa) na Macaca, o 0 a 0 foi justo.

Ponte domina o jogo e enfileira chances, mas o placar não muda

Melhor no jogo, a Ponte voltou do intervalo ainda mais dominante. Em poucos minutos, exigiu boas defesas de Rafael Santos em chutes de Alexandro e Daniel Borges. O duelo do goleiro com o lateral-direito da Ponte, aliás, persistiu por todo o jogo, já que Daniel era o responsável pela bola parada. Em um desses lances, bateu escanteio com veneno, buscando o gol olímpico. Rafael evitou com perfeição. Léo Cittadini, mais perto do fim do jogo, também assustou. Mas a noite, que ainda teve Jussandro expulso, não era para gols.

 

GLOBO ESPORTE.COM

Portuguesa perde pontos no São Todos Jumentos Demais , leva multa , mas fica na Serie B

Portuguesa corria risco de ser excluída do torneio por conta do abandono de campo contra o Joinville. Dirigentes são multados, e o treinador é suspenso; cabe recurso .

portuguesa  exibição de prova de video julgamento (Foto: Edgard Maciel de Sá)

Advogado da Lusa (à dir, de costas) pediu computador
emprestado de relator para exibir como prova um vídeo
do YouTube (Foto: Edgard Maciel de Sá)

O abandono de campo no jogo contra o Joinville, em Santa Catarina, dia 18 de abril, pela primeira rodada da Série B do Campeonato Brasileiro, custou muito aos cofres da Portuguesa e de seus dirigentes, mas não resultou na exclusão do clube da competição. Em julgamento que durou mais de quatro horas, na tarde desta quarta-feira, no Rio de Janeiro, a 5ª comissão disciplinar do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou que os três pontos fossem dados ao Joinville (contabilizando vitória por 3 a 0).

Fora a punição nas quatro linhas, o STJD determinou multa de R$ 50 mil para a Lusa, suspensão de quatro jogos para o técnico Argel e gancho de 240 dias para o presidente Ilídio Lico e seu filho, Marcos Rogério, responsável por tirar o time de campo – eles ainda foram multados em R$ 100 mil e R$ 80 mil, respectivamente. Todos os valores precisam ser pagos até sete dias. Mas a decisão nesta quarta-feira foi em primeira instância e cabe recurso. O advogado da Lusa, José Luiz Ferreira, já disse que vai recorrer da suspensão a Argel e que ainda vai analisar as demais.

– Tínhamos como certo de que não cairíamos para a Série C. Não infringimos nenhuma regra para cair de divisão. Agora vamos avaliar os recursos, mas um é certo: o do Argel, pois a suspensão dele foi incabível – disse José Luiz Ferreira, após a decisão.

A Lusa abandonou o campo do jogo contra o Joinville, aos 16 minutos do primeiro tempo, baseada numa liminar obtida por um torcedor (cassada dias depois pela CBF), que determinava que a entidade devolvesse ao clube os quatro pontos perdidos no STJD por conta da escalação irregular do meia Héverton, na última rodada da Série A do ano passado.

Em depoimento, Ilídio Lico, e o filho dele, Marcos Rogério, disseram estar arrependidos da atitude. A declaração mais impactante, porém, foi do técnico Argel, que disse ter “certeza de que o que estava fazendo era ilegal”. Ele era contra a decisão de tirar o time de campo e contradisse Ilídio Lico – o presidente afirmou que Argel não sabia da liminar, mas o técnico admitiu ter conhecimento dela.

Eu já sabia que tinha uma liminar. E tinha recebido uma ordem prévia de que o jogo deveria parar se a liminar chegasse. Mesmo não concordando, eu fiz. Era melhor não ter entrado em campo do que entrar e sair no meio
Argel, técnico da Portuguesa

– Eu já sabia que tinha uma liminar. E tinha recebido uma ordem prévia de que o jogo deveria parar se a liminar chegasse. Mesmo não concordando, eu fiz. Era melhor não ter entrado em campo do que entrar e sair no meio – disse Argel.

A Lusa foi denunciada em dois artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD): 205 (impedir o prosseguimento de partida que estiver disputando, por insuficiência numérica intencional de seus atletas ou por qualquer outra forma) e 231 (pleitear, antes de esgotadas todas as instâncias da Justiça Desportiva, matéria referente à disciplina e competições perante o Poder Judiciário, ou beneficiar-se de medidas obtidas pelos mesmos meios por terceiro). Ambos os artigos preveem perda de pontos para o adversário, exclusão do campeonato e multa de até R$ 100 mil em cada artigo.

Além disso, o clube foi enquadrado no artigo 69-2 do Código Disciplinar da Fifa (por ter se beneficiado por medidas obtidas na Justiça comum), o que também abria a possibilidade exclusão do torneio.

Três pessoas também foram denunciadas:Argel, Ilídio Lico e o filho do presidente, Marcos Lico, que tirou o time de campo. Os dois primeiros foram citados no artigo 243-A (atuar de forma contrária àética desportiva, com o fim de influenciar o resultado). O treinador foi suspenso por quatro jogos. Os ganchos para o presidente e seu filho foram de 240 dias, e eles ainda foram multados em R$ 100 mil e R$ 80 mil, respectivamente.

NO YOUTUBE?

OSVALDO SESTARIO no stjd Representantes da Portuguesa (Foto: Edgard Maciel de Sá)
O técnico Argel, o presidente Ilídio e o filho, Marcos Lico, no tribunal (Foto: Edgard Maciel de Sá)

José Luiz Ferreira, advogado da Lusa, iniciou a defesa pedindo um computador para poder exibir um vídeo no YouTube. Um dos relatores disponibilizou seu laptop. Mas ele travou…

– Volta no início e deixa carregando, é melhor – disse um dos relatores, enquanto todos os envolvidos permaneciam em frente ao computadorpara acompanhar a exibição. Houve também um problema no som do vídeo.

Ferreira lamentou.

– As imagens mostram um fato, mas a complementação está no som. No YouTube é possível analisar isso.

Já Roberto Pugliesi Jr, advogado do Joinville, apareceu com um DVD com a transmissão da partida, mostrando o exato momento em que o time da Lusa deixa o gramado, aos 16 minutos do primeiro tempo. As imagens são do SporTV, mostrando detalhes ocorridos depois da paralisação da partida com entrevistas dos envolvidos ainda na Arena Joinville. Após a exibição das provas do Joinville, o advogado da Lusa abriu mão de sua prova de vídeo do YouTube por entender que eram as mesmas imagens.

LICO FAZ APELO

Na sequência, o mandatário da Lusa, Ilídio Lico, foi chamado a depor. O presidente da 5ª Comissão Disciplinar, José Perdiz, esclareceu que Lico não era obrigado a depor, porque não precisava produzir provas contra si mesmo. O dirigente foi parte da ação e não uma testemunha.

Idilio Lico Julgamento Portuguesa (Foto: Edgard Maciel)
Idilio Lico depõe no julgamento da Portuguesa no STJD (Foto: Edgard Maciel de Sá)

Lico admitiu que sabia da existência da liminar obtida pelo torcedor Renato de Britto Azevedo e que mandou o time a Joinville imaginando que ela seria cassada antes do jogo. A liminar havia sido obtida na 3ª Vara Cível do Foro Regional da Penha, em São Paulo. Mas apenas a 2ª vara civil da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, poderia emitir uma decisão contrária à do STJD.

Segui as orientações de um conselheiro que é da Justiça, Fernando Guimarães, que fez um terror em mim. Peço que, se alguém tiver de ser penalizado, que seja eu
Ilídio Lico, presidente da Lusa

Mesmo ciente da liminar, o presidente da Lusa relatou que chegou a dar entrevistas garantindo que a equipe jogaria normalmente. Mas, depois da entrevista, passou a receber ligações que o aterrorizaram:

– Falavam que eu seria preso, que deveria tirar o time de campo, que estava descumprindo uma ordem judicial. Meu filho Ricardo começou a tremer, minha mulher passou mal. Segui as orientações de um conselheiro que é da Justiça, Fernando Guimarães, que fez um terror em mim. Peço que, se alguém tiver de ser penalizado, que seja eu – disse Lico.

O dirigente disse que a pressão no clube era para tirar o time de campo. Ele chegou a fazer um apelo aos relatores:

– Todos sabem o que a Portuguesa está passando desde o ano passado. Tenho 90 dias no cargo, não tem problema se tiver que sair da presidência. Mas não penalizem o clube ainda mais, por favor.

O presidente tentou absolver Argel de qualquer culpa, dizendo que o técnico não sabia da liminar. Um dos relatores, porém, lembrou que a informação da liminar estava no site oficial da Lusa.

Eu tinha a convicção de que o que eu estava fazendo era ilegal
Argel, técnico da Lusa

Na sequência foi a vez de Marcos Rogério Lico, filho de Ilídio, dar sua versão dos fatos. Foi ele quem chefiou a delegação da Lusa em Joinville e apareceu com a liminar do torcedor em mãos, mandando o time sair de campo. Ele disse que se sentia “respaldado por uma decisão judicial” e, assim como o pai, negou que o técnico Argel soubesse de algo. Marcos Rogério contou ainda que levou a liminar para o delegado da partida, Laudir Zermiani, a quem responsabilizou pela interrupção do jogo.

ARGEL CONTRADIZ LICO

O depoimento do técnico Argel foi na mesma linha – responsabilizando Zermiani pela interrupção da partida e chamando o delegado de “despreparado”. O treinador afirmou que era contra a paralisação do jogo e, de forma surpreendente, contradisse Ilídio Lico, garantindo que sabia da liminar.

– Eu tinha a convicção de que aquilo que estava fazendo era ilegal. Eu queria voltar, chegamos a aquecer. Eu já sabia que tinha uma liminar. E tinha recebido uma ordem prévia de que o jogo deveria parar se a liminar chegasse. Mesmo não concordando, eu fiz. Era melhor não ter entrado em campo do que entrar e sair no meio – disse Argel, justificando que apenas “cumpria ordens”.

Julgamento Portuguesa - Argel Fucks (Foto: Edgard Maciel de Sa)
Argel contradisse Ilídio Lico e admitiu que sabia
da liminar (Foto: Edgard Maciel de Sa)

O técnico foi sabatinado pelos auditores e se mostrou incomodado. Por várias vezes, defendeu-se, dizendo ter “uma história séria no futebol”. Dentre as muitas perguntas, uma chamou a atenção. Ao ser questionado se o elenco da Lusa era de Série A ou de Série B, Argel disse:

– De Série B.

Terminado o depoimento do treinador, o presidente da 5ª comissão disciplinar, José Perdiz, pediu uma pausa de cinco minutos. Na volta, após 13 minutos, Alessandro Kishino, representando a Procuradoria, pediu o acolhimento integral da denúncia:

– Todos puderam perceber pelas provas trazidas que a ordem judicial não tinha eficácia jurídica. O STJ já tinha determinado que qualquer pendência deveria ser apreciada pela 2ª vara do Rio de Janeiro. Vir ao plenário e dizer que desconhecia essa decisão é uma afirmação leviana. A ordem foi obtida por um torcedor, não pela Portuguesa. Não era necessário o cumprimento.

DEFESA E ATAQUE

Na sequência, os advogados de Lusa e Joinville voltaram a se pronunciar.

– A defesa nega veementemente todas as imputações sacadas contra si, os diretores e o técnico da Portuguesa. Não houve simulação, não houve fraude. O que aconteceu foi o desrespeito do cumprimento de uma liminar por conta da CBF – afirmou José Luiz Ferreira, advogado da Lusa.

Enquanto o advogado da Portuguesa falava, dois dos relatores mexiam em seus celulares, parecendo dar pouca importância ao que ele argumentava

Ele disse ainda que o Flu também se aproveitou de liminares em 2013:

– O Fluminense também deveria ser penalizado ou denunciado naquela época porque também foi beneficiado por liminares envolvendo terceiros.

Enquanto o advogado da Portuguesa falava, dois dos relatores mexiam em seus celulares, parecendo dar pouca importância ao que ele argumentava.

Na sequência, Roberto Pugliesi Jr, advogado do Joinville, criticou a atitude da Lusa, pediu os pontos do jogo, os ressarcimento dos prejuízos daquela partida e a exclusão da Portuguesa do torneio:

– O Joinville está aqui como vítima, mas a principal é o futebol brasileiro. É ridículo. Senti tristeza quando vi a situação. É inexplicável um time sair de campo num Campeonato Brasileiro, com transmissão ao vivo, estádio cheio. Acontece em campeonato amador. Houve violação ao espírito esportivo. A Portuguesa fez a pior escolha que poderia fazer. Entrou em campo e depois abandonou o jogo. É pior do que não ir a campo. Faltou respeito.

VOTO A VOTO

O auditor-relator José Nascimento derrubou as teses elaboradas pela Portuguesa e lembrou que o filho do presidente, Marcos Rogério Lico, não tinha poder para paralisar o jogo com a “cópia de uma liminar”. Nascimento disse também que a decisão da diretoria “desrespeitou os torcedores” e que “a história da Portuguesa foi arranhada”. Ele votou por multar o clube em R$ 50 mil e dar os três pontos do jogo ao Joinville, com vitória por 3 a 0. Sobre Argel, o auditor-relator pediu suspensão de quatro partidas. Ele pediu ainda suspensão por 240 dias para o presidente Ilídio Lico e para o filho dele, Marcos Rogério Lico, além de multa no valor máximo para o pai, de R$ 100 mil, e R$ 80 mil para o filho.

– O comportamento da Lusa tem mais relação a amadorismo do que a vontade de manipular o resultado – disse Nascimento.

Um dos auditores chegou a citar o Tribunal de Nuremberg, responsável pelos julgamentos dos crimes cometidos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial

Na sequência, o auditor Marcio Amaral citou o Tribunal de Nuremberg, responsável pelos julgamentos dos crimes cometidos pelos nazistas durante a II Guerra Mundial:

– Desde aquela época as maiores atrocidades do mundo já eram justificadas com a frase “me mandaram fazer”. Isso não existe – disse Amaral.

O auditor, porém, também não pediu a exclusão da Lusa da competição. Ele acompanhou o voto do auditor-relator, com três pontos para o Joinville, multa de R$ 50 mil para a Lusa, suspensão de quatro jogos para Argel e suspensão de 240 dias para os dois dirigentes, com multas de R$ 100 mil a Ilídio e R$ 80 mil a seu filho.

– A Portuguesa ganhou sua vaga em campo e, infelizmente, a perdeu nos tribunais por um erro. Mas não peço o rebaixamento para a Série C. O STJD não tem que ter destaque. Tem que resolver as questões e ficar atrás do holofote – disse Amaral.

A Portuguesa é vítima de equívocos e erros. A sequência deles se mostrou na denúncia e, para a minha surpresa, foram confirmados hoje quando deveriam ser combatidos
Matheus Gregorini, auditor do STJD

O terceiro a votar foi o auditor Matheus Gregorini, e ele também acompanhou o voto do auditor-relator.

– A Portuguesa é vítima de equívocos e erros. A sequência deles se mostrou na denúncia e, para a minha surpresa, foi confirmada hoje quando deveria ser combatida – disse.

Na sequência, foi a vez de o auditor Otávio Noronha acompanhar o voto do relator. Por último, o presidente da 5ª Comissão Disciplinar, José Perdiz, proferiu o seu voto, também acompanhando o relator:

– Esse julgamento não tem nada a ver com o caso de 2013, que culminou com o rebaixamento da Portuguesa. Todas as liminares, seja a favor de qualquer clube, estão valendo. O que ocorre é a questão da eficácia, hierarquia. Acho estranho o delegado (Laudir Zermiani) da partida não ter sido denunciado.

SESTÁRIO

Osvaldo Sestário Filho, advogado que representou a Portuguesa no julgamento do meia Héverton, antes da última rodada do Campeonato Brasileiro do ano passado, também esteve no STJD nesta quarta-feira. Ele, que costuma defender vários clubes no tribunal, trabalhou em quatro outros casos, um na sequência do outro – defendendo América-MG, Luverdense, Cuiabá e Atlético-GO (todos foram apenas advertidos por atraso na entrada de campo).

OSVALDO SESTARIO defendendo o América-MG com os representantes da Portuguesa atrás (Foto: Edgard Maciel de Sá)
Osvaldo Sestário (de pé) defende o América-MG, observado por representantes da Lusa (Foto: Edgard Maciel de Sá)

No fim do ano passado, em meio à polêmica sobre a decisão do STJD de tirar quatro pontos da Lusa por conta da escalação irregular de Héverton, Sestário chegou a ser acusado pelo então diretor jurídico da Portuguesa, Valdir Rocha da Silva, de omitir a informação sobre o resultado do julgamento de meia – daí o fato de o jogador ter sido escalado na última rodada, diante do Grêmio, no Canindé. Na época acusado também de ter ligação com Fluminense e CBF, o advogado negou. Para tentar provar que havia, sim, comunicado o dirigente da Lusa sobre a suspensão de Héverton, o Sestário chegou a abrir seu sigilo telefônico.

GLOBO ESPORTE .COM

Bragantino 2 x 2 Portuguesa

 2 x 2 

3ª RODADA
COM FINAL FRENÉTICO, BRAGANTINO E PORTUGUESA EMPATAM NO NABIZÃO
Jogo entra em ritmo alucinante com dois gols após os 44 minutos. Com empate por 2 a 2, Braga é o líder provisório da Série B do Brasileiro .
Bragantino e Portuguesa tiveram 60 minutos de futebol sonolento, mas acordaram nos 30 minutos finais, e empataram por 2 a 2 em um confronto eletrizante na noite desta terça-feira, no estádio Nabi Abi Chedid, em Bragança Paulista, pela terceira rodada da Série B do Brasileiro. O Massa Bruta saiu na frente com Gustavo, viu a Lusa virar com Romão e Coutinho, mas aos 47 minutos deixou tudo igual, com Guilherme Mattis, que contou com o desvio de mão de Dejair para enganar o goleiro Gledson.

O resultado coloca o Bragantino na liderança da Série B, pelo menos até sexta-feira, quando a bola volta a rolar pelo torneio. O Braga chega aos cinco pontos, enquanto a Portuguesa tem dois, com apenas dois jogos disputados, e está na 15ª colocação.

As duas equipes só voltam a jogar na próxima semana. A Lusa visita o Boa Esporte, na terça-feira, às 21h50. O Braga pega uma sequência de 11 dias sem jogos. O próximo duelo será apenas no próximo sábado, 10 de maio, às 21h, contra o América-MG.

Antes do jogo chegar aos 15 segundos, o Bragantino apresentou seu cartão visitas à Portuguesa. Com uma entrada dura em Vander, Guilherme Mattis já foi advertido com cartãoamarelo. A entrada dura representou o que foi o primeiro tempo. Duas equipes com muita pegada na marcação e pouca criatividade no ataque. As únicas boas oportunidades de gol saíram em chutes de longa distância. Pelo Massa Bruta, Léo Jaime assustou. Pelos visitantes, Gabriel Xavier tentou chute cruzado, mas parou nas mãos de Leandro Santos.

Bragantino x Portuguesa (Foto: Fabio Moraes / Futura Press)
Bragantino e Portuguesa protagonizaram partida com fim emocionante (Foto: Fabio Moraes / Futura Press)

O início do segundo tempo foi sonolento. A marcação seguiu como prioridade, e as duas equipes cometiam muitas faltas. Mas aos 21 minutos, tudo mudou. O Braga encaixou contra-ataque rápido, Luisinho carimbou o travessão e, no rebote, Gustavo abriu o placar. A Lusa acordou e passou a pressionar. Aos 38 minutos, Romão empatou de cabeça, e aos 44, Coutinho colocou os visitantes na frente. Quando o jogo parecia ganho, Pará cruzou na área. No meio da confusão, Mattis desviou, a bola bateu em Dejair e entrou, aos 47 do segundo tempo para definir o empate em 2 a 2.

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