Já há um arguido na investigação ao incêndio de Pedrógão Grande

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Segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria confirma que foi constituído arguido

Um comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria é o primeiro arguido conhecido no âmbito da investigação do Ministério Público ao incêndio de Pedrógão Grande a 17 de junho, avançou o Diário de Leiria.

Foi o próprio Mário Cerol que confirmou ao jornal que foi constituído arguido, após ser ouvido pelo Ministério Público a 5 de dezembro acrescentando que como arguido não pode adiantar qualquer outro pormenor sobre o caso.

Segundo comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Leiria, Mário Cerol, segundo explica a TSF, foi o terceiro no comando das operações, o que na prática significa que liderou a operação de socorro no combate aos incêndios da tarde de 17 de junho de 2107.

O segundo comandante acrescentou que não está a ter apoio jurídico por parte da Autoridade Nacional de Proteção Civil.

Entretanto, o Correio da Manhã avança que a investigação terá cerca de 10 arguidos, pessoas ligadas à Proteção Civil, GNR e concessionárias de estradas, acusadas de homicídio por negligência.

De acordo com este jornal, os arguidos estão a ser ouvidos pelo Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria.

O Expresso diz que uma dessas pessoas é o comandante dos bombeiros de Pedrógão Grande, Augusto Arnault, o qual será constituído arguido esta tarde depois de ser ouvido no DIAP de Leiria.

A Procuradoria-Geral da República, contactada pelo DN, confirma, pelas 13:00, apenas a existência de um arguido. “Ao abrigo do disposto no art.º 86.º, n.º 13, al. b) do Código de Processo Penal, informa-se que, até ao momento, encontra-se constituído um arguido no âmbito do inquérito relativo ao incêndio de Pedrógão Grande”, diz fonte oficial.

O incêndio de Pedrógão Grande, que deflagrou a 17 de junho e depois se propagou a concelhos vizinhos, fez pelo menos 64 mortos diretos, mais de 250 feridos e cerca de 500 milhões de euros de prejuízos.

Há ainda registo de mais dois mortos, um deles atropelado quando fugia do fogo e outro no hospital, passado cinco meses.

O investigador Xavier Viegas, líder da equipa da Universidade de Coimbra (UC) que elaborou um relatório sobre a tragédia, encomendado pelo Governo, defendeu que algumas das pessoas que acabaram por morrer devido ao incêndio de Pedrógão Grande teriam sobrevivido se não tivesse havido atraso dos meios de socorro.

Nalguns dos casos de pessoas que perderam a vida naquele fogo houve “demora no socorro e no tratamento médico”, reiterou Domingos Xavier Viegas. “Creio que algumas vítimas que acabaram por falecer talvez sobrevivessem” se os meios de socorro tivessem chegado aos locais mais rapidamente, disse.

Dos 64 mortos contabilizados oficialmente, 47 morreram na Estrada Nacional 236, a fugir ao fogo. A devastação terá atingido aproximadamente 500 casas, 169 das quais de primeira habitação, e afetado quase 50 empresas e o emprego de 372 pessoas.

Ao longo de uma semana, este incêndio consumiu cerca de 27 mil hectares de floresta, segundo dados provisórios.

Durante os incêndios, este de junho e o de 15 de outubro, a atuação da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) foi bastante contestada, com várias críticas à falta de coordenação, tendo ainda sido colocada em causa a reestruturação feita na entidade no início do ano, devido à nomeação de novos comandantes pouco tempo antes do início da época de fogos.

Apesar das críticas à sua atuação, o comandante operacional nacional da ANPC, Rui Esteves, manteve-se no cargo, tendo acabado por se demitir, em meados de setembro, devido às polémicas que envolveram a sua licenciatura.

O presidente da ANPC, Joaquim Leitão apresentou a demissão três dias após o incêndio de outubro, em que morreram morreram 45 pessoas e cerca de 70 ficaram feridas. O mesmo fez a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa.

(Atualizada às 11:40 com informação avançada pelo CM e Expresso)

 

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