“Guerra dos Sexos” acerta ao focar no melodrama

Guilhermina Guinle e Reynaldo Gianecchini em “Guerra dos Sexos” (Foto: TV Globo)

Muita coisa rolou depois de mais de três meses da estreia do remake de “Guerra dos Sexos“. A trama de Silvio de Abreu enfrentou o Horário Político, enfrenta o Horário de Verão e a atual fraca audiência em todo o horário nobre na TV aberta brasileira. Teve a rejeição do público órfão da novela anterior, o sucesso “Cheias de Charme”. Lidou com todas as comparações possíveis com a versão original da novela, de 1983 – de elenco a tramas. Foi criticada pelo tema anacrônico (feminismo versus machismo), pela comédia sem graça, por algumas atuações do elenco, etc.

Mas, apesar dos percalços, a novela parece ter encontrado seu caminho. Quase em sua metade, “Guerra dos Sexos” já não causa mais o estranhamento do início. Talvez parte do público tenha se acostumado com a interpretação dos atores e embarcado na trama. Talvez os atores tenham encontrado o ponto de seus personagens. Reynaldo Gianecchini já não parece mais imitar o Pascoal, seu papel em “Belíssima”. Drica Moraes está mais à vontade em sua Nieta. Tony Ramos já soa menos histriônico. Edson Celulari não parece mais tão bobalhão com seu Felipe. Bianca Bin já não faz mais caras e bocas.

O elenco de “Guerra dos Sexos”, com poucas exceções, está afinado com a trama de Silvio, que já desce mais redonda, está agradável de se acompanhar. O autor tem focado nos romances e no melodrama, em detrimento ao humor, o que é um acerto. Nos últimos capítulos, vimos o caso de Wânia (Luana Piovani) e Felipe (Edson Celulari) ser descoberto por Charlô (Irene Ravache), que demitiu sua funcionária. Tudo pelas mãos da ardilosa Carolina (Bianca Bin). Em seguida, foi a vez de Juliana (Mariana Ximenes) ter seu caso com Fábio (Paulo Rocha) descoberto pela mulher dele, a neurótica Manuela (Guilhermina Guinle), que brindou o público com um barraco daqueles. Manuela ainda sofreu um acidente de carro que envolveu sua filha pequena, Cissa (Jesuela Moro). E Felipe não quer perdoar a filha Juliana, por se sentir traído. Quanto drama!

É claro que o horário da sete pede humor. Mas folhetim, independente da proposta, é folhetim: o melodrama ainda é a base. E, historicamente falando, em raras exceções, é sempre o drama que pode socorrer uma novela. Silvio já tem experiência com isso. Em 1990, “Rainha da Sucata” entrou para a história porque o autor percebeu a tempo que tinha que focar no melodrama, em detrimento ao humor que vinha aplicando. Na verdade, não existe uma receita para o sucesso. Mas certas premissas devem ser respeitadas. Janete Clair já pregava a boa dosagem do drama e comédia. E – parece – “Guerra dos Sexos” encontrou seu ponto certo.

 

Nilson Xavier com colaboração de Fábio Dias