“Amor à Vida” irrita público ao denunciar brasileiro preconceituoso

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Divulgação/TV Verdes Mares

Foram feitas neste espaço várias críticas à atual novela das 21h. Seja por falta de verossimilhança em diálogos de algumas cenas, pelos exageros de Walcyr Carrasco e seus personagens ou até por não possuir um núcleo principal capaz de convencer o público, “Amor à Vida” peca em várias coisas.

Apesar disso, é absolutamente necessário vir aqui defender o autor deste turbilhão de críticas que está recebendo por fazer o que poucos tiveram coragem: despir o brasileiro e expor a ele próprio seu preconceito, sua raiva, sua ignorância e estupidez contra… brasileiros, que fogem do “padrão” estabelecido pelo… brasileiro.

Trata-se de uma questão delicada. Bater de frente com seu público não é fácil.

O drama de Perséfone (Fabiana Karla), por exemplo, é o retrato perfeito da hipocrisia de quem critica a história. Negar que mulheres “acima do peso” recebem o mesmo tratamento e são vistas da mesma forma que outras “no peso ideal” é fechar os olhos para nossa realidade.

O preconceito contra pessoas acima do peso é assustador na vida real, muito pior que “Amor à Vida” está mostrando.

Em todos esses meses de novela, assistimos várias classes se manifestarem contra personagens da trama, por julgarem que o telespectador poderia ter uma visão errada do que se acontece na realidade. Foram os médicos, os enfermeiros, os advogadosos veterinários, as ex-chacretes e outros.

Quanto a isso, qualquer explicação é desnecessária por conta da pobreza de argumento dos envolvidos. Seria ridículo, não fosse sério, o que está acontecendo. Não há corrupção dentro dos hospitais? Não existem advogados que orientam seus clientes a mentirem em juízo? Não há clínica psiquiátrica que usa “métodos antigos”?

Nessas questões, “Amor à Vida” não foge do real nem muito menos distorce o que acontece.

É extremamente notável que as cenas de preconceito da trama incomodam parte do público. Não por se afastarem da realidade e representarem o que não existe, mas por denunciar sem precedentes que sobra preconceito ao brasileiro.

O preconceito está na própria sociedade cheia de estereótipos. “Amor à Vida” tem vários defeitos, mas este não é um deles.
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O Observador: “Pecado Mortal” resgata DNA que marcou a Record

 

Estreou na noite desta quarta-feira (25) a “nova superprodução da Record”, como vem sendo chamada pela emissora, “Pecado Mortal”.

A novela é, antes de tudo, um tapa na cara de quem, algum dia, desconfiou que a Record poderia voltar a produzir uma história que se aproximasse do “padrão Globo de qualidade”. E sim, “Pecado Mortal” é carne de primeira.

De qualidade bem distante daquela carne que classifiquei, neste mesmo espaço, quando “Balacobaco” estreou. O folhetim de Gisele Joras começou bem, leve, mas logo caiu no “popularesco” e cada vez mais apostou em clichês, fazendo seu texto perder a qualidade e o telespectador se afastar. “Balacobaco” enganou, ou mais do que isso, se enganou. Na busca da “classe C”, perdeu-se e deixou escorregar das suas mãos o DNA da Record.

E que tal de DNA é esse? A história não é somente uma sucessão de fatos isolados, mas um poderoso material à disposição de quem precisa. Numa rápida retrospectiva, é fácil se dar conta que os maiores sucessos da Record, na área de dramaturgia, apostaram no drama, em crimes e muito suspense para prender seu público. Foram eles “Poder Paralelo”, “Chamas da Vida”, “Vidas Opostas” e “Caminhos do Coração”, para citar alguns.

“Pecado Mortal” pareceu, nesse primeiro capítulo, justamente o resgate do ingrediente que havia em todas as novelas mais vistas da casa. Carlos Lombardi cumpriu as expectativas na parte que lhe cabia: “Pecado” tem um texto de qualidade jamais vista na TV Record, sem clichês, além de possuir uma história original, rechaçando qualquer tipo de cartilha clássica.

Mas quem faz uma cena não é somente o autor, apesar deste ter grande parte de responsabilidade. Os melhores momentos de “Pecado Mortal” foram protagonizados pelos mais experientes atores que a trama dispõe: Jussara Freire e Betty Lago deram um show em frente às câmeras, assim como Juliana Didone e Maytê Piragibe, que mostraram para que estavam ali.

Poucas vezes na história da Record um primeiro capítulo foi feito com tanta perfeição. A emissora pode dizer, enfim, que tem a novela mais próxima possível do “padrão Globo”, o que tanto quis. E mais do que isso, o maior orgulho da Record tem que ser o reconhecimento de que seu DNA foi resgatado. Finalmente.
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O Observador: “Joia Rara” ainda é um reino encantado sem princesa

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Divulgação/TV Globo

Estreia da semana passada, “Joia Rara” se mostrou ainda no primeiro capítulo uma explosão de novela. Se viu agilidade, fantasia e, claro, romance, componentes esses que não faltariam, em hipótese alguma, num trabalho das competentes autoras Duca Rachid e Thelma Guedes. Coisa de cinema.

O tempo, porém, foi passando e a trama, que estreou muito bem no Ibope, começou a se arrastar. O resultado natural disso foi o que aconteceu em seu primeiro sábado: pior audiência da história, no dia, de uma novela das 18h: apenas 13 pontos de média. O índice, entretanto, não é simplesmente obra do acaso.

A demora em apresentar Pérola (Mel Maia), personagem que servirá de base para a história – interpretada pela atriz mirim que se destacou em “Avenida Brasil” participando de poucos capítulos –, pode não ser a causa do desinteresse do público, mas certamente tem importante participação nisso.

Em linhas gerais, o erro de “Joia Rara”, portanto, está sendo na demora desta introdução, totalmente o contrário do que aconteceu com “Amor à Vida”, que também precisou de uma introdução à história principal, mas fez isso de forma breve – e as vezes até rápida demais.

Aliás, a diretora Amora Mautner fez exatamente isso, a destacar a extrema perfeição e brilhantismo, em “Avenida Brasil”, quando, em um capítulo, o telespectador ficou por dentro da história, entendeu o assunto e se apaixonou pela novela. Em “Joia Rara” tem sido diferente, Amora passou do ponto e os números do Ibope refletem isso.

Todo este cenário será, porém, muito embora preocupante, incapaz de atrapalhar o caminhar dessa superprodução da TV Globo. Os atores estão entrosados, são experientes, brilharam em suas respectivas novelas anteriores. As autoras levam ao público um texto original, que nem sempre se faz necessário, devido à intensidade que os atores transmitem em cena.

Uma joia rara na televisão, convenceu ser esta novela.

Deparado com um reino encantado, uma super novela, o público ainda espera sua protagonista, a grande aposta da Globo, a princesa do castelo. As cortinas já se abriram, a protagonista não apareceu, mas logo estará em cena. Resta-nos torcer para que, aí, não seja tarde demais e todos já tenham deixado o teatro.
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O Observador: Briga entre cantora e atriz expõe equívocos de “Amor à Vida”

Daniela Mercury e Bárbara Paz se desentenderam no “Altas Horas”

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Divulgação/TV Globo

A Globo levou ao ar a tão comentada discussão de Daniela Mercury e Bárbara Paz no “Altas Horas” –a briga das duas já havia sido noticiada e a dúvida era de fato se iria ao ar ou se seria cortada na edição.

O motivo do desentendimento foi a cena em que Félix (Mateus Solano) foi desmascarado pela família, em “Amor à Vida”, e teve sua sexualidade revelada.

Como já disse aqui nesse espaço, a novela por si só é um mar de exageros, criado por Walcyr Carrasco. A cena em questão é ridícula e dispensa demais críticas. Edith (Bárbara Paz) traindo Félix na casa onde a mãe do rapaz, Pilar (Susana Vieira), estava, além de outras pessoas, é algo surreal, inverossímil. Aí o vilão teve a sexualidade exposta e todos se assustaram, como se seu jeito forçado fosse incapaz de revelar que ali se escondia um gay.

Claro que achar a fórmula do sucesso de uma novela não é coisa fácil, sequer sabemos se existe realmente. Mas, hoje em dia, percebe-se que o público cobra certa proximidade da ficção com a realidade. O caso de Félix é o exemplo mais claro de como há ruídos em “Amor à Vida” que atrapalham o “voo” de quem assiste, como dizia Glória Perez na época em que “Salve Jorge” era alvo de um turbilhão de críticas.

A cantora baiana tem razão quando disse à atriz que o texto é cômico e coloca a questão do preconceito de uma forma que pouco se assemelha com o que vemos na vida real. E Bárbara Paz errou ao afirmar que aquela cena é o reflexo da sociedade. Não é. Talvez seja de uma parte dela. A própria Daniela se assumiu gay e teve o apoio da família.

“Amor à Vida” deixa claro que talvez não tenha totais condições de agregar conhecimentos e mostrar ao povo brasileiro que o tabu em torno do gay já não existe mais como antes. Ainda há preconceito? Há, é evidente que sim. Mas não é bem assim, as coisas estão mudando e isso também precisa ser registrado pelo texto do autor.

“Todo esse discurso sobre homossexualidade vai ser antológico para a televisão brasileira”, disse a atriz, no palco do “Altas Horas”. Vai sim. Porque, querendo ou não, “Amor à Vida” já quebrou o protocolo ao possuir tantos personagens gays, sendo que um deles é o vilão.

Em relação ao discurso, todo cuidado é pouco.  “O texto é muito padrão”, comentou Daniela. E isso diz muita coisa.
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O Observador: Corrupção no PSDB: por que a Globo esconde?

 

Com a assinatura de Claudio Dantas Sequeira e Pedro Marcondes de Moura, a revista “IstoÉ” publicou uma reportagem sobre a conta aberta no banco Safdié, que hoje se chama Leumi, operada por pessoas ligadas ao PSDB na Suíça e que movimentou R$ 64 milhões. Uma reportagem bombástica, amparada por documentos oficiais. Um escândalo.

Curiosamente, a TV Globo nada noticiou sobre o fato. No “Jornal Nacional” de sábado (24), nenhuma reportagem, nenhum sinal de fumaça. No “Fantástico” deste domingo (25), nem alguns segundos para falar sobre o caso. O famoso ditado “o silêncio te condena” poderia explicar ou pelo menos indicar o que está acontecendo. Seria “cumplicidade” o motivo da “blindagem”? Deixo aos leitores a honra de responder essa pergunta.

O fato é que essa blindagem é criminosa, um desrespeito a todos os brasileiros. Mais grave ainda se lembrarmos que emissora de TV é concessão pública: interesses particulares devem ficar em segundo plano. Mais do que isso, estamos assistindo somente a comprovação de que a Globo não mudou. O tempo não tem o poder de apagar a história.

E aí, inevitavelmente, o passado retorna às nossas lembranças. A Globo escondeu parte da história do Brasil, como bem lembrou o jornalista Marco Antonio Araújo, até onde pôde. No seu esconderijo, estiveram vários políticos que a desafiaram, como Leonel Brizola, por exemplo – Lula só apareceu quando eleito presidente, porque aí não tinha mais jeito –, estiveram milhões de pessoas que foram às ruas pedir eleições diretas. Além disso, décadas de ditadura militar também foram escondidas.

É um absurdo sem tamanho omitir o chamado “mensalão tucano”, principalmente após ter dedicado, na edição do “Jornal Nacional” do dia 24 de outubro de 2012, 18 dos 32 minutos de sua duração ao julgamento do “mensalão do PT”. Pega mal. Por que dois pesos e duas medidas? Perguntas que o telespectador precisa começar a fazer quando ligar a TV para se informar.

E parece que isso está sendo feito, ainda que de forma lenta. Em 12 anos, o “Jornal Nacional” perdeu 33% de sua audiência, enquanto o “Fantástico”, nos últimos 10 anos, viu quase metade do seu público deixar de te assistir.

Uma resposta e tanta à relevante reportagem que não foi ao ar neste final de semana. E para os que compactuaram com isso.
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O Observador: Selo de original em “Rebelde” é indireta para o próprio SBT

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O SBT resolveu “cutucar” a Record, colocando um selo de “original” na chamada da reprise de “Rebelde”, prevista para estrear no dia 2 de setembro. Agora a pergunta: o que tem de original na decisão de reprisar uma novela desgastada, sem garantia de boa audiência, só para atender pedidos dos fãs?

Enquanto as demais emissoras tentam se reinventar, pensar no futuro e fazer diferente, o SBT rema contra a maré e insiste em reprisar novelas antigas na sua grade vespertina e, agora, noturna, em pleno horário nobre.

A situação seria engraçada, se não fosse trágica e, no mínimo, vergonhosa. Com a estreia de “O Privilégio de Amar”, o SBT possui agora uma sequência de quatro novelas mexicanas seguidas na grade – “Marimar” (14h30), “Cuidado com o Anjo” (15h30), “Rubi” (16h30) e “O Privilégio de Amar” (17h30). Isso sem contar “Rebelde”, que voltará ao ar às 21h15.

A situação é tão caótica que não ficaríamos surpresos se depois de “Marimar” for anunciado “Maria do Bairro” e “Maria Mercedes”. E se, no horário das 17h, a substituta de “O Privilegio de Amar” for “A Usurpadora”.

Todo esse absurdo seria ainda maior se a reprise de “Carrossel” se confirmasse uma semana após ter terminado – mas a emissora voltou atrás, numa atitude que pareceu (e tão somente pareceu) ser a ficha caindo e revelando que não cabem brincadeiras e amadorismo na hora de se fazer televisão.

E para quem acha que os números de audiência independem do “bom senso” de quem comanda uma emissora, caiu como uma luva a notícia de que a Record começa a se afastar novamente do SBT no posto de vice-líder da TV aberta no Brasil.

Outro detalhe: apesar de trazer números satisfatórios e muitas vezes deixar a emissora na vice-liderança, essas reprises, apesar de não exigirem custos do canal, não necessariamente significam alto retorno financeiro.

A prova do que já disse algumas vezes nesse espaço: o SBT só será realmente respeitado quando se propor a se dar o respeito. Ou, pelo menos, respeitar o telespectador, que merece mais do que reprises de novelas mexicanas em pleno horário nobre.

O selo “original” na chamada de “Rebelde” não é uma indireta para a Record, é para o próprio SBT.
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O Observador: “Amor à Vida” é um mar de exageros de Walcyr Carrasco

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A grande polêmica sobre o cabelo de Marina Ruy Barbosa e a morte de sua personagem na semana passada só mostraram que “Amor à Vida” está tropeçando cada vez mais em seus próprios erros e, por conta disso, não consegue aumentar seus índices de audiência, que não são ruins, mas também estão longe de serem comemorados.

Em sua estreia, “Amor à Vida” convenceu pela história forte e apresentação dos também fortes personagens, mas Walcyr Carrasco errou a mão no melodrama de sua novela, exagerou nos clichês, transformando alguns personagens em caricaturas ridículas, como o próprio Félix (Mateus Solano), além de ter exagerado também no didatismo do texto, colocando à prova a inteligência do telespectador.

“Amor à Vida” tem uma história que prende o público, que emociona – até demais, o que é um grave erro –, mas é absolutamente infantil em várias oportunidades, como por exemplo na morte de Nicole. Não cabe mais nos dias atuais uma morte em pleno altar, após a mocinha da história descobrir uma traição. Esse tipo de coisa fragiliza ainda mais a trama e afasta aquele telespectador que exige uma coisa mais séria, mais verossímil, mais real.

Assim como foi absolutamente equivocada a cena na qual Félix foi desmascarado pela família, que “descobriu” seu lado gay. Houve vários erros ali: primeiro o fato de Edith (Bárbara Paz) estar transando com o amante Wagner (Felipe Titto) no quarto da casa onde estão na sala a dona da residência, Pilar (Susana Vieira), e outras pessoas. Irreal, não? Segundo foi a coincidência de alguns acontecimentos, além de, mais uma vez, um fraco texto.

O que aconteceu nos últimos capítulos só reforça algo que falei lá no início da trama: O vilão age sem motivos, Pilar é inocente ao extremo em relação ao seu marido, Paloma (Paola Oliveira) é a mocinha cega, inconsequente, enquanto o público vai se comportando como um estudante de ensino fundamental, diante de um texto carregado de didatismo.

E assim “Amor à Vida” vai passando batida, sendo o cabelo de uma atriz o que mais se comenta sobre a novela. E os exageros do autor explicam isso.

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O Observador: Não vale a pena ver de novo “O Cravo e a Rosa”

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Divulgação/TV Globo

 

A opção por reprisar “O Cravo e a Rosa” em suas tardes a partir desta segunda (05) mostra que resultados ruins não conseguem servir de ensinamento para a TV Globo. Mais do que isso, escalar a novela, sucesso no início dos anos 2000, é assinar um termo aceitando um novo recorde negativo de audiência no horário – depois de “Da Cor do Pecado” e “O Profeta”.

Enquanto todo o público da TV vem pedindo a reprise de sucessos que ainda não foram reapresentados, a Globo rema contra a maré novamente e coloca nas suas tardes novelas que, definitivamente, não valem a pena serem vistas de novo. Não por serem ruins, longe disso, mas porque hoje em dia, o telespectador entende o poder de ter o controle nas mãos. E tem opção.

Colocar uma reprise de reprise novamente – “Da Cor do Pecado” foi reprisada duas vezes, mesmo índice de “O Profeta” –, além de escolher uma novela absolutamente ultrapassada, antiga e talvez inadequada aos novos tempos, é um tapa na cara de quem pediu “Cobras e Lagartos”, um dos maiores sucessos da história do horário das 19h, que segue sem ganhar uma reapresentação no horário da tarde.

O fato de ignorar o desejo do telespectador talvez explique a decadência do “Vale a Pena Ver de Novo” nos últimos anos: a faixa bateu dois recordes negativos, em números de audiência, com as duas últimas tramas reexibidas. Números capazes de comprometer toda a grade vespertina da Globo, como “Vídeo Show” e “Sessão da Tarde”.

Curiosamente, “Chocolate com Pimenta”, que antecedeu o folhetim de João Emanuel Carneiro no horário de novelas vespertino, também estava sendo reprisada pela segunda vez e teve baixo desempenho no Ibope. Difícil entender os critérios que levam a essas escolhas, ou as justificativas que caberiam.

O “Vale a Pena ver de Novo” é um serviço indispensável à TV aberta no Brasil, mas não vem fazendo jus ao nome nos últimos anos, e o telespectador cobra isso.
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O Observador: Reprise de “Carrossel” resgata passado de equívocos do SBT

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Há um grande paradoxo no fato do SBT ter decidido reprisar “Carrossel”, menos de sete dias depois de seu término, a partir da próxima segunda-feira (05). Apesar de surpreender a todos, loucuras como essa são absolutamente previsíveis quando se trata da emissora e seus administradores – e a história está aí pra não me deixar mentir.

As aspas abaixo são de Edir Macedo sobre Silvio Santos, quando o apresentador ainda era sócio da TV Record, no final da década de 80.

“A Record estava indo bem, mas aí vieram aquelas loucuras de Silvio Santos. Ele queria passar três vezes o mesmo filme em um dia. Silvio Santos é um extraordinário vendedor, um homem de grande intuição comercial e um péssimo diretor de programação. Você vê o SBT, aquilo é uma lástima. É extremamente inseguro. Você pode ser escravo do Ibope, mas não pode tirar um programa do ar após um dia”, disse Macedo, no livro “O Bispo”.

Você pode ser escravo do Ibope, mas não pode reprisar uma novela com menos de sete dias do final de sua exibição inédita, adiciono.

Talvez por ser a TV mais feliz do Brasil, o SBT brinca tanto com sua grade de programação. E mais uma vez, a história está aí, inapagável, indelével. Quem não se lembra? A emissora resolveu engavetar a novela “O Direito de Nascer”, escrita em 1997 e que só foi exibida em 2001. Mais recentemente tivemos “Corações Feridos”, remake de Íris Abravanel que, apesar de gravada totalmente em 2010, foi levada ao ar somente em 2012.

Vou mais longe: além de todo o investimento em jornalismo, teledramaturgia e estrutura, a Record não conseguiu sozinha a vice-liderança no Brasil: o SBT tem uma parte de responsabilidade. Sempre se falou que com o mínimo de investimento, qualquer emissora que se propusesse a tomar o segundo lugar do SBT, conseguiria.

A questão é que, com o sucesso de “Carrossel” – comercial e no Ibope –, além do bom planejamento na produção de “Chiquititas”, achava-se que, pelo menos na parte de dramaturgia, as coisas tinham mudado. Não é o que parece.

A reprise de “Carrossel” pode até conseguir boa audiência, mas ainda assim não justifica acontecer. Quisessem outra novela infantil no lugar de “Carrossel”, que fosse exibida em paralelo com “Chiquititas”, gravassem outro remake ou até uma história original.

Olhando assim, nada me convence que a decisão da reprise não partiu de Cirilo, ou Maria Joaquina. Vai saber.
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O Observador: As Olimpíadas de 2012 e o que a Record não aprendeu com elas

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Quem acompanhou as Olimpíadas de Londres pela TV Record no ano passado percebeu que a emissora tem uma equipe de jornalismo esportivo de ponta, experiente, conhecida e, sobretudo, competente.

A rede trabalhou por anos para ter bons jornalistas que levassem a melhor cobertura das Olimpíadas para o brasileiro. Mas o evento acabou e a grande dúvida é o que restou das Olimpíadas na Record.

Qual foi o legado? Comparar as Olimpíadas na Record com a Copa do Mundo na África do Sul me parece bastante apropriado. A estrutura que a emissora criou para transmitir o evento está lá, mofando, à espera de ser utilizada novamente, bem como os estádios que serviram para a Copa no país africano – estão sem grande utilidade, gerando custos sem retorno -. E aí, claro, vem a dúvida: vale mesmo a pena investir “antes” e “durante”, mas abandonar o “depois”?

É claro que não. Durante as Olimpíadas, a Record alcançou bons índices de audiência, chegando à liderança absoluta no Ibope em diversas oportunidades, com provas de natação, vôlei e futebol (inclusive o feminino), só para citar os mais populares. Então por que não continuar investindo nesses esportes? Por que não entrar na briga pra transmitir campeonatos nacionais e mundiais de vôlei, basquete e natação, por exemplo? Perguntas que ficam sem respostas.

A emissora teve a prova de que o público gosta de acompanhar esporte, principalmente quando o Brasil está competindo – e não necessariamente por entre esses esportes precisa haver futebol -. Isso, porém, não foi suficiente pra fazer o canal aprender.

Equipe competente, que não deve nada a nenhum outro canal no Brasil, a Record tem; estrutura de causar inveja a Record tem; e grande alcance de público também. Sem projeto futuro, os profissionais contratados para as Olimpíadas de 2012 estão começando a sair da emissora, tornando assim inviável competir de igual pra igual com Band e Globo na transmissão dos Jogos de 2016, que será no Brasil.

Resultados futuros são frutos do que se faz no presente. Essa é a lei suprema para qualquer esportista. Medalhas de ouro não caem do céu.

Para saber como se comportaria no futuro, em relação ao esporte brasileiro, as Olimpíadas foram como uma grande prova de vestibular para a Record, que não passou. Vai ter que estudar um pouco mais.
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