Fala de Nelson Barbosa sobre Selic e espera por anúncio do PMDB elevam Ibovespa; dólar sobe

Notícia Publicada em 29/03/2016 13:18

Alta de Petrobras e bancos muda rumo do índice; queda de commodities fica em segundo plano

Perspectiva de mudança de governo anima mercado brasileiro de ações (Flickr/Caliel Costa)
Perspectiva de mudança de governo anima mercado brasileiro de ações (Flickr/Caliel Costa)

SÃO PAULO – Declarações do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, contribuem para a virada do Ibovespa nesta terça-feira (29). A expectativa em relação ao anúncio do PMDB sobre sua saída do governo da presidente Dilma Rousseff também atribui otimismo aos agentes locais.

Durante participação em audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos), do Senado Federal, Barbosa disse que o governo já tem dados que indicam o início de reequilíbrio das contas públicas e que espera a volta do crescimento em 2017, com manutenção nos anos seguintes.

Para isso, o ministro espera a aprovação no Congresso Nacional de medidas enviadas pelo Executivo como as mudanças do ajuste fiscal. Além disso, Barbosa declarou que se o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) confirmar a tendência, é possível um corte da taxa Selic ainda em 2016.

De acordo com Aldo Moniz, analista da Um Investimentos, “as declarações do ministro mostram que a equipe econômica está um pouco mais à vontade para trabalhar e estabelecer medidas em prol das contas públicas”.

A expectativa de que o PMDB anuncie sua saída da base aliada do governo federal enfraquece o governo petista e aumenta as chances de o impeachment da presidente Dilma sair do papel, o que anima o mercado.

O movimento de saída do PMDB da base governista deu seu primeiro passo na noite de segunda-feira (28) com o pedido de demissão do ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). Ele foi o primeiro dos sete ministros do PMDB a deixar o governo da presidente Dilma Rousseff.

A expectativa de que outras siglas acompanhem a decisão do PMDB e deixem de fazer parte da base aliada do governo federal também impulsiona o índice doméstico. O PSD liberou seus 31 deputados federais para votarem como quiserem no impeachment. O líder do PSD na Câmara, Rogério Rosso (DF), está afastado do posto para se dedicar à presidência da comissão especial que analisa o pedido de impeachment.

Na cena externa, há expectativa pelo discurso da presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano), Janet Yellen, no qual o mercado busca pistas sobre o futuro do juro nos Estados Unidos.

Neste contexto, a virada dos papéis da Petrobras e de bancos ajuda na mudança de rumo do Ibovespa. Por volta de 13h05, o Índice Bovespa avançava 0,80%, a 51.248 pontos. As ações da Petrobras (PETR4) subiam 1,89%, enquanto os papéis do Itaú Unibanco (ITUB4) e do Banco do Brasil (BBAS3) tinham alta de 1,35% e 1,64%, nesta ordem.

Câmbio

O dólar opera em alta nesta terça-feira (29) após a interferência do Banco Central no mercado com a intenção de evitar novas valorizações do real ante a moeda norte-americana.

Foi realizado um leilão de swap cambial reverso, que equivale a compra futura, entre 9h30 e as 9h40. Dos 20 mil contratos ofertados, foram negociados 19.520 no valor de US$ 750 milhões.

“Esse resultado mostra que o mercado está em busca de proteção mesmo. A intenção do BC era essa: represar um pouco da valorização do real. O BC já havia sinalizado que não quer dólar abaixo de R$ 3,60”, afirma Ricardo Gomes da Silva, superintendente da SLW Corretora.

A valorização do dólar em dia de convenção do PMDB que decidirá o rumo do partido no governo sinaliza que o mercado já conta com a saída da sigla da base aliada. “A formalização da saída do PMDB não vai mudar o nível de preço”, diz Silva.

Neste contexto, o dólar à vista tinha alta de 1,13%, cotado a R$ 3,6692.

 

O FINANCISTA

Barbosa diz que ações do governo para estabilizar a economia dependem do Congresso

Notícia Publicada em 24/03/2016 20:20

Ministro diz que tudo o que governo precisa fazer nesse momento envolve autorização do Congresso

"Precisamos atuar com algumas medidas de crédito", acrescentou Nelson Barbosa (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
“Precisamos atuar com algumas medidas de crédito”, acrescentou Nelson Barbosa
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse nesta quinta-feira (24) que o governo federal depende do Congresso Nacional para adotar medidas que busquem a estabilização da economia e retomada do crescimento.

“Todas as coisas que o governo precisa fazer nesse momento envolvem autorização do Congresso para que possamos manter alguns programas e manter alguns investimentos em uma situação em que a receita está caindo”, disse Barbosa em entrevista exclusiva ao canal de televisão do governo federal NBR.

“Precisamos atuar com algumas medidas de crédito”, acrescentou, sem especificar quais seriam essas medidas.

Nesta semana, o governo anunciou que enviaria ao Legislativo proposta para flexibilizar a meta fiscal, para que possa fechar o ano com um déficit primário de até 96,65 bilhões de reais. Sem essa flexibilização da meta fiscal, o governo diz que não tem condições de manter alguns investimentos e programas.

“Se o Congresso Nacional nos der os instrumentos, nós vamos estabilizar a economia ainda nesse ano”, disse Barbosa, acrescentando que o desemprego pode parar de subir em meados do ano e a economia poderá crescer a partir do quarto trimestre.

(Reportagem de Natália Scalzaretto; Texto de Raquel Stenzel)

VA

 

O FINANCISTA

Governo propõe flexibilização de meta fiscal

Notícia Publicada em 21/03/2016 18:01

PIB menor que 1% por quatro trimestres justificará economia menor para o pagamento do juro da dívida pública

Nelson Barbosa anunciou medidas estruturais de reforma fiscal (Wilson Dias/Agência Brasil)
Nelson Barbosa anunciou medidas estruturais de reforma fiscal (Wilson Dias/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, anunciou nesta segunda-feira (21) a proposta de flexibilização da meta fiscal anual conforme o desempenho da atividade econômica. A medida é uma das propostas de reforma estrutural da política fiscal de médio e longo prazo e deve ser encaminhada amanhã (22) ao Congresso.

Chamado de REC (Regime Especial de Contingenciamento), a medida deve ser acionada quando a economia tiver baixo crescimento. O critério adotado pelo governo para acionar o REC é de crescimento menor que 1% por quatro trimestres consecutivos.

Além disso, Barbosa também anunciou a proposta de impor um limite para despesas primárias do governo, também como uma proporção em relação ao PIB previsto para cada ano. “Assim, o governo poderá preservar despesas para não ter que cortar água e luz de escola e de hospital”, disse.

Barbosa explicou que se as despesas estiverem se aproximando do limite estabelecido, alguns mecanismos para redução de gastos serão acionados, como a redução de despesas em cargos comissionados e limitação para aumento real de salários de funcionários públicos, entre outros.

O salário mínimo continuará sendo reajustado com base na inflação. “Está garantida a manutenção do poder de compra, como diz a Constituição”, enfatizou o ministro.

 

O FINANCISTA

 

Vale foi empresa aberta que mais perdeu valor de mercado em 2015

Levantamento foi feito pela Economatica.
Bradesco, Itaú Unibanco e Petrobras também ficaram entre maiores perdas.

A Vale foi a empresa com ações negociadas na Bovespa que mais perdeu valor de mercado em 2015, segundo levantamento realizado pela Economatica. A empresa perdeu R$ 45,9 bilhões em valor de mercado, passando de R$ 107 bilhões no final de 2014 para R$ 61,6 bilhões no final do último pregão de 2015 – uma queda de cerca de 42%.

As ações preferencias (que dão ao acionista preferência na distribuição de dividendos) da Vale caíram 43% em 2015, terminando o ano cotadas a R$ 10,25. Já as ações ordinárias (que dão direito a voto em assembleias da empresa) recuaram 37%, a R$ 13,03.

A Petrobras foi a empresa que teve a terceira maior queda, perdendo R$ 26,1 bilhões em valor de mercado – de R$ 127,5 bilhões em 2014 para R$ 101,3 bilhões, segundo a Economatica. Os valores representam perda aproximada de 20%. As ações preferenciais da Petrobras caíram 33%, a R$ 6,70, e as ordinárias, 10,64%, a R$ 8,57%.

Entre as empresas que mais perderam valor de mercado no ano também se destacaram bancos. Ainda segundo os números da Economatica, o Bradesco perdeu R$ 45,1 bilhões, passando de R$ 145,5 bilhões para R$ 100,4 bilhões, uma queda de aproximadamente 30%. Já o Itaú Unibanco perdeu R$ 31,7 bilhões, passando de R$ 183 bilhões para R$ 151 bilhões – desvalorização de aproximadamente 17%. O Banco do Brasil foi a quarta maior perda em valor de mercado, recuando R$ 25,3 bilhões – de R$ 66,4 bilhões para R$ 41,1 bilhões, perda de cerca de 38%.

Os maiores ganhos
Na outra ponta, a empresa que mais ganhou em valor de mercado em 2015, ainda considerando o levantamento da Economatica de empresas com ações negociadas na Bovespa, foi a Ambev. No ano, o valor da empresa subiu de R$ 254,8 bilhões para R$ 279,9 bilhões, um aumento de R$ 25 bilhões, ou cerca de 9,8%.

O Banco Santander, ao contrário do Bradesco, Itaú Unibanco e Branco do Brasil, foi destaque de alta. A empresa foi o segundo maior ganho em valor de mercado, subindo de R$ 46,9 bilhões para R$ 60,5 bilhões, um avanço de R$ 13,6 bilhões ou cerca de 28%.

As ações que mais subiram e as que mais caíram
A Economatica também divulgou as maiores variações das ações negociadas na Bovespa. O papel que mais subiu foi o da Fibria, com alta de 71,44%. Em seguida estão as ações da Suzano (68,77%), Braskem (66,18%), Klabin (64,05%) e Sul America (51,7%).

Já a maior queda foi a da ação da construtora PDG Realty, que perdeu 95,82%, passando de R$ 39 em 2014 para R$ 1,63 no fechamento do último pregão de 2015. A segunda maior perda, de 85%, foi da ação da Gerdau, que iniciou o ano cotada a R$ 11,11 e terminou a R$ 1,66. A Viavarejo caiu 83,8%, a Gol, 83,4% e a Oi, 77,3%.

Bovespa fecha o ano no vermelho

bovespa VALE (Foto: G1)

A bolsa fechou no vermelho no último pregão do ano, sessão com liquidez reduzida, seguindo o mau humor nos mercados internacionais conforme os preços do petróleo voltavam a cair, aproximando-se de mínimas em 11 anos. No ano, a Bovespa caiu 13,31%.

O Ibovespa, principal indicador da bolsa paulista, caiu 0,7% nesta quarta-feira (30), aos 43.349 pontos.

“O último pregão do ano é sempre bastante atípico, pois embute ajustes de carteiras e quase nenhuma operação de melhor origem. Também vai escasseando o noticiário econômico e a queda na liquidez dos mercados propicia o surgimento de distorções pontuais”, escreveu o economista-chefe da Modalmais, Álvaro Bandeira, em nota, segundo a Reuters.

No cenário interno, mantinha-se o pessimismo com a situação das contas públicas do país, disse à Reuters o gerente de renda variável da H.Commcor, Ariovaldo Santos.

Bovespa no ano
A queda do principal indicador da bolsa em 2015 foi de 13,31%, considerando a pontuação de fechamento do dia 30 de dezembro de 2014, que foi de 50.007 pontos. Foi a terceira desvalorização anual seguida. A perda anual de 2015 é bem maior que a anterior – em 2014, a Bovespa teve desvalorização de 2,91%. Já em 2013, a queda anual da bolsa foi de 15,5%, na ocasião a maior desde 2011.

A queda mensal de dezembro de 2015 foi de 3,93%.

A bolsa atingiu sua maior pontuação de fechamento de 2015 no dia 27 de março, quando encerrou o dia aos 58.051 pontos após subir 1,22% naquele pregão. Na ocasião, foi a primeira vez que o Ibovespa passou a marca dos 58 mil pontos no fechamento em quase 7 meses. A alta foi puxada pela forte valorização diária das ações da Vale e da Petrobras naquele pregão.

Já o menor patamar de fechamento do ano foi atingido no dia 21 de dezembro, quando o Ibovespa caiu 1,62% e terminou o pregão aos 43.199 pontos. Foi a menor pontuação desde 2009. O pregão daquele dia foi marcado pela repercussão entre os investidores após a troca de comando no Ministério da Fazenda, com Nelson Barbosa assumindo o posto de Joaquim Levy.

 

G1.COM.BR

Dólar sobe 48% em 2015, maior alta anual em quase 13 anos

A moeda norte-americana subiu 1,83%, a R$ 3,948 para venda.
Já a Bovespa fechou no vermelho e termina 2015 com queda anual de 13%.

dolar VALE (Foto: G1)

O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (30), numa sessão marcada por poucos indicadores econômicos, após a briga para a formação da Ptax e o volume reduzido acentuarem a valorização da moeda norte-americana na última sessão regular do ano.

Em 2015, a moeda subiu 48,49% sobre o real. Segundo a Reuters, foi o maior avanço anual em 13 anos. Em 2002, o dólar subiu pouco mais de 50% em relação ao real. Em dezembro, a alta da moeda foi de 1,58%.

A moeda norte-americana subiu 1,83%, a R$ 3,948 para venda.

Acompanhe a cotação ao longo do dia:
Às 9h09, caía 0,2%, a R$ 3,8688.
Às 9h49, subia 0,4%, a R$ 3,8924.
Às 11h10, subia 0,31%, a R$ 3,8889.
Às 11h19, subia 0,77%, a R$ 3,907.
Às 12h, subia 0,67% a R$ 3,9029.
Às 13h, subia 2,41%, a R$ 3,9705.
Às 13h39, subia 2,67%, a R$ 3,9806.
Às 14h42, subia 3,15%, a R$ 3,9991.
Às 16h12. subia 2,2%, a R$ 3,9622.

A Ptax, taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para uma série de contratos cambiais, fechou a R$ 3,9048 para a venda.

“Acabando a Ptax, o mercado seguiu o cenário doméstico complicado”, disse à Reuters o especialista em câmbio da Icap, Ítalo Abucater. “O (lado) técnico não mudou, o cenário é ruim e o dólar para o primeiro trimestre segue a trajetória de alta”, completou.

dolar (Foto: G1)

Muitos operadores estão afastados das mesas entre os feriados do Natal e do Ano Novo. Por isso, as cotações têm ficado particularmente sensíveis a operações pequenas. “Como tem poucos ‘trades’ no mercado, fica mais fácil (para mexer as cotações)”, afirmou à Reuters o operador da uma corretora nacional, acrescentando que pelo fato de ser o último pregão do ano, muitos investidores trabalhavam para puxar os preços.

Cenário interno
Os investidores seguiam atentos à situação fiscal do país. Nesta tarde, a Secretaria do Tesouro Nacional informou que quitou todas as pedaladas fiscais neste ano.

dolar (Foto: G1)

“A gente já sabe que vai ter esse acerto… É previsível que tenha déficit grande este ano e isso precisa ser ajustado para não ter o mesmo problema no ano que vem”, disse à Reuters o gerente de câmbio da TOV Corretora, Reginaldo Siaca.

O mercado tem reagido com força às incertezas políticas e fiscais no país, temendo que a presidente Dilma Rousseff volte atrás e afrouxe o compromisso com o ajuste fiscal diante da pressão de seu impeachment no Legislativo. Essa percepção foi fortalecida recentemente pela substituição de Joaquim Levy por Nelson Barbosa no Ministério da Fazenda.

O dólar em 2015
A moeda norte-americana subiu 48,49% sobre o real neste ano, considerando a cotação de fechamento de 30 de dezembro de 2014, de R$ 2,6587. Segundo a Reuters, esta foi a maior alta anual desde 2002, quando o dólar subiu mais de 50% no ano por incertezas do mercado envolvendo a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Variação anual do dólar
2008 alta de 31,9%
2009 queda de 25,5%
2010 queda de 4,1%
2011 alta de 12,6%
2012 alta de 8,9%
2013 alta de 15,3%
2014 alta de 12,78%
2015 alta de 48,49%

Este também foi o quinto ano consecutivo de avanço do dólar em relação ao real, com alta acumulada no período de cerca de 137%, ainda de acordo com a Reuters.

Em 2014, a alta anual havia sido de 12,78%. Já em 2013, a valorização anual foi de 15,3% – na ocasião a maior desde 2008.

O dólar começou 2015 abaixo dos R$ 3. Passou esse patamar na cotação de fechamento pela primeira vez em março, quando, no dia 5, terminou a sessão cotado a R$ 3,0115. Na ocasião, foi a primeira vez que o dólar fechou acima de R$ 3 desde 2004.

Em setembro, fechou acima do patamar de R$ 4 no dia 22, cotado a R$ 4,0538. Foi a primeira vez que o dólar fechou acima de R$ 4 na história. Na sessão seguinte, fechou no maior valor da história, a R$ 4,1461. Ao todo, a moeda fechou acima dos R$ 4 por seis vezes neste ano.

Expectativas para 2016
Economistas ouvidos pelo G1 esperam que em 2016 o câmbio continue volátil, mas não apontam possibilidade de o dólar voltar a patamares mais baixos.

“O câmbio vai continuar extremamente volátil para cima e para baixo. Se a gente chegar a um equilíbrio econômico, tende dar uma equilibrada num patamar um pouco abaixo do que estamos hoje. Porém, quanto mais tempo demorar para isso acontecer, menor vai ser a redução entre a taxa que estiver vigorando e a taxa que vai vigorar depois do equilíbrio – ou seja, o dólar vai cair menos”, explica o professor Tharcisio Souza Santos, das Faculdades de Economia e de Administração da FAAP.

“Eu não espero nenhum absurdo de subida a não ser que aconteça uma desgraça completa”, acrescenta Santos.

o câmbio de 2015 apenas corrigiu a inflação de 1994 até agora, a dos EUA menos a do Brasil”
Judas Tadeu Grassi Mendes, da EBS Business School

Pedro Rossi, Professor da Unicamp e diretor do Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica, cita ainda como fator que tende a deixar o câmbio volátil em 2016 o cenário internacional, com o mercado de olho no ritmo do aperto monetário nos Estados Unidos após a primeira subida da taxa de juros em quase uma década.

“A situação internacional não se definiu, a política americana ainda não está claramente definida nos seus objetivos”, diz. “A incerteza com relação a esse movimento de juros internacional provavelmente vai ditar uma volatilidade grande na taxa de câmbio.”

O professor Judas Tadeu Grassi Mendes, da EBS Business School, afirma que “o dólar não subiu muito em 2015, e sim voltou ao equilíbrio”. “O câmbio de 2015 apenas corrigiu a inflação de 1994 até agora, a inflação dos Estados Unidos menos a do Brasil.”

Bovespa fechou no vermelho
A bolsa fechou no vermelho no último pregão do ano, com queda de 0,7% nesta quarta-feira, aos 43.349 pontos. No ano, a Bovespa caiu 13,31%. Foi a terceira desvalorização anual seguida. A perda anual de 2015 é bem maior que a anterior – em 2014, a Bovespa teve desvalorização de 2,91%. Já em 2013, a queda anual da bolsa foi de 15,5%, na ocasião a maior desde 2011.

 

G1.COM.BR

Nelson Barbosa assume o comando da Fazenda no lugar de Joaquim Levy

Atual ministro do Planejamento substituirá Joaquim Levy na pasta.
Para Barbosa, ajuste fiscal e recuperação econômica têm de andar juntas.

Joaquim Levy em conversa com jornalistas nesta sexta-feira (18) (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, substituirá Joaquim Levy no comando do Ministério da Fazenda. A troca será oficializada pelo Palácio do Planalto ainda nesta sexta-feira (18).

Com a ida de Barbosa para a Fazenda, ocorrerá uma segunda troca no primeiro escalão. O atual ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Valdir Simão, assumirá o Ministério do Planejamento. Ainda não há previsão de quando Barbosa e Simão serão empossados nos novos postos.

Homem de confiança da presidente Dilma Rousseff, Barbosa assume a chefia da área econômica do governo após discordar de Levy e se impor nos embates sobre as medidas para reestabelecer o reequilíbrio da dívida pública, sobretudo no que diz respeito ao nível da meta de superávit primário (economia para pagar os juros da dívida).

Mais cedo, nesta sexta, a colunista do G1 Cristiana Lôbo já havia adiantado que Barbosa era onome mais cotado para substituir Levy. O colunista do G1 Gerson Camarotti também antecipou que o novo ministro da Fazenda seria o atual titular do Planejamento.

A troca de bastão no comando da economia brasileira ocorre pouco menos de um ano depois de Joaquim Levy ter assumido o posto. Ministro de perfil técnico, Levy se sentiu desprestigiado na função por ter sido vencido reiteradas vezes em disputas com o colega do Planejamento sobre definições da política econômica.

A trajetória de Nelson Barbosa
Economista de formação e com um perfil mais técnico do que político, Nelson Barbosa tem um perfil mais alinhado ao da presidente, embora seja visto pelo mercado como “desenvolvimentista”, uma vez que ao longo do ano conseguiu convencer a presidente Dilma de medidas e metas menos dolorosas do que as que eram propostas pelo colega Levy.

Com a promoção, Barbosa volta à Fazenda e assume definitivamente o posto de principal nome da equipe econômica e o cargo para o qual o seu nome vem sendo cogitado desde a época da substituição do ex-ministro Guido Mantega.

Desde o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Barbosa vem ocupando diferentes cargos do poder. Entrou no governo em 2003, no Ministério do Planejamento, permanecendo no governo até 2013, quando deixou a Secretaria-Executiva do Ministério da Fazenda após rusgas com Mantega e o ex-secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin.

Na Fazenda, Barbosa já ocupou as secretarias de Acompanhamento Econômico (2007 e 08) e de Política Econômica (2008 e 10), antes de ser levado por Mantega ao posto de secretário-executivo, sucedendo Nelson Machado, em 2011. Antes disso, também ocupou cargos no Ministério do Planejamento e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Na sua passagem anterior na Fazenda, foi responsável, além de negociar a reforma tributária, pelos estudos de medidas para aumentar o nível de atividade e os investimentos, como as desonerações tributárias implementadas pelo governo. Barbosa é apontado também como um dos mentores da chamada, representada por expansão fiscal, tentativa redução forçada de juros e maior controle do câmbio.

Barbosa é bacharel e mestre em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e PhD pela New School for Social Research. Foi remador na juventude no Rio de Janeiro, onde nasceu, e tem 1,90 metro. Barbosa trabalhou no comitê de reeleição do presidente Lula, em 2006, mas não é filiado ao PT. O novo ministro da Fazenda é casado e pai de um filho.

Embate com Levy
Os desentendimentos de Barbosa e Levy ficaram mais evidentes durante as sucessivas revisões das metas fiscais para 2015 e 2016.

O principal embate ocorreu em agosto, quando pela primeira vez na história foi apresentado pelo Planejamento um projeto de Orçamento prevendo gastos maiores que as receitas (déficit).

Após a agência de classificação de risco Standard and Poor’s (S&P) tirar o grau de investimento do Brasil, o governo acabou recuando da ideia, e manteve a proposta de Levy de perseguir um superávit de 0,7% do PIB.

Para perseguir a meta, entretanto, foi anunciado um pacote de cortes e de aumento de receitas, centrado muito mais na recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) do que no corte de despesas, o que representou mais uma vitória de Barbosa.

Ao chegar no Congresso, porém, a meta fiscal para 2016 voltou a enfrentar resistência. E, diante das ameaças de cortes em programas sociais como o Bolsa Família, o governo Dilma acabou decidindo em dezembro pela revisão da meta fiscal para 0,5% do PIB, deixando Levy mais uma vez em descrédito.

No dia seguinte, a Fitch anunciava a retirada do grau de investimento do Brasil, levando o país a perder o selo de país bom pagador em 2 das grandes agências internacionais de classificação de risco.

Em comunicado, o Planejamento minimizou o rebaixamento, afirmando ter “convicção” que a decisão da Fitch é “temporária” e que poderá ser revertida tão logo os resultados das medidas em andamento comecem a ter impacto sobre a economia, levando à recuperação do crescimento, à geração de empregos e ao reequilíbrio fiscal”.

Outras posições do novo ministro
O novo ministro já defendeu uma política de reajustes mais moderados para o msalário mínimo. Ao tomar posse no Planejamento, Barbosa chegou a dizer que iria “propor uma nova regra para 2016 a 2019”. Desautorizado por Dilma, entretanto, ele recuou e no dia seguinte disse que não haverá mudança na forma de cálculo do salário mínimo.

Ele também foi um dos defensores da redução dos repasses do Tesouro Nacional ao BNDES e da elevação da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), que serve de referência para os empréstimos do BNDES ao setor produtivo. A taxa vem sendo elevado desde o início de 2015 e está atualmente em 7,5% ao ano.

Barbosa vem defendendo o aumento dos investimentos em infraestrutura como motor para a retomada do crescimento e estava no comando da segunda etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL), que prevê R$ 198 bilhões nos próximos anos com concessões de aeroportos, rodovias, ferrovias e portos.

A posição defendida por Barbosa é a de que o ajuste fiscal e a recuperação do crescimento precisam andar juntas.

Ao defender na quinta-feira (17) a redução da meta de superávit primário de 2016, Barbosa disse que o objetivo de estabilizar os níveis de investimento do país.

“No momento que a economia brasileira atravessa, nós temos agora o desafio de estabilizar o nível de atividade econômica. E para estabilizar o nível de atividade econômica é crucial estabilizar o investimento”, disse.

 

G1.COM.BR

James Akel comenta a briga entre os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa

Levy e Barbosa no dia em que foram anunciados ministros, em novembro de 2014

Foi feia a briga ontem entre os ministros Joaquim Levy da Fazenda e Nelson Barbosa do Planejamento.

Nelson é protegido da Dilma e foi usado por ela pra agredir Levy.

Acontece que o Levy tinha tido numa entrevista que o corte de orçamento seria entre 70 e 80 bilhões.

Pra tentar desmoralizar Levy a Dilma mandou o Nelson Barbosa falar que o corte seria de 69.9 bilhões.

Tudo porque Levy ao declarar que seria de 70 a 80 não tinha pedido autorização pra Dilma pra falar isto.

Foi uma atitude bem ao modelo Dilminha zangadinha.

Então pra demonstrar sua contrariedade o ministro Levy se recusou a aparecer na entrevista coletiva.

Em telefonema de Nelson Barbosa a Levy só não teve palavrão mas o recado de Levy foi duro pra Nelson e Dilma.

Vamos combinar que ninguém vai conferir se o número vai ser 69,9 ou o que quer que seja.

Porém o grande ato de irresponsabilidade é tirar bilhões de reais da saúde e da segurança.

Se o dinheiro investido atualmente está pouco imagina menos pra tanta coisa.

Tudo isto pela falta de competência de Dilma que foi reeleita misteriosamente pela urna eletrônica venezuelana em apuração secreta comandada por um ministro que foi advogado dos petistas lulistas.

O Brasil está nas mãos desta gente.


Escrito por jamesakel@uol.com.br às 02h56

Rede Record e SporTV irão cortar gastos em 2015

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O momento da economia brasileira, em tempos de troca de comando, desde agora está levando a todos a usar de certa cautela em relação ao que poderá nos esperar no ano que vem.

Os nomes escolhidos, Joaquim Levy e Nelson Barbosa, de acordo com os especialistas, abrem perspectivas das mais interessantes, mas o bom juízo recomenda não tirar os pés do chão.
No mercado na TV, sabe-se, entre o final deste mês e o começo do outro, será anunciado um novo enxugamento na Record, em alguns dos seus mais diferentes setores, especialmente na área das produções. É um trabalho que já está em fase de conclusão.
Na TV paga, o SporTV também promete pisar no freio de gastos no ano que vem. Muitos eventos internacionais, que sempre contaram com as presenças de narrador e comentarista in loco, serão feitos em off-tube. As equipes de Copa América e Pan-Americano, de acordo com o planejamento inicial, estarão reduzidas ao mínimo indispensável. Segundo se comenta, só serão dois narradores em Toronto e um na Copa América. Tudo diferente do que sempre aconteceu.
Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery
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Novo ministro da Fazenda fala em corte de despesas, mas sem pacotes

Fixou meta fiscal de 1,2% do PIB para 2015 e de ao menos 2% em 2016.
Joaquim Levy disse ter autonomia para implementar medidas necessárias.

O ministro da Fazenda nomeado, Joaquim Levy, informou nesta quinta-feira (27) que a meta de superávit primário, a economia feita para pagar juros da dívida pública e tentar manter sua trajetória de queda, será de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) para todo o setor público consolidado (governo, estados e municípios) em 2015. Este ano, a meta fixada inicialmente era de 1,9% do PIB, mas o governo já informou que este objetivo foi abandonado.

Joaquim Levy foi confirmado como próximo ministro da Fazenda nesta quinta pelo Palácio do Planalto, em substituição a Guido Mantega. Também foram confirmados os nomes de Nelson Barbosa como próximo ministro do Planejamento, e a permanência de Alexandre Tombini no comando do Banco Central.

Em 2016 e 2017, segundo Levy, o esforço fiscal não será inferior a 2% do PIB – próximo do patamar registrado em 2013. “Alcançar essa meta será fundamental para o aumento da confiança na economia brasileira”, declarou Levy a jornalistas no Palácio do Planalto. Para atingir essas metas, ele informou que algumas medidas que vêm sendo discutidas são de diminuição de despesas. Entretanto, acrescentou que as medidas serão, “não digo graduais, mas sem pacotes, sem nenhuma surpresa”.

Questionado por jornalistas, o próximo ministro declarou ter ter autonomia para implementar as medidas. “A autonomia está dada. O objetivo é claro. Os meios a gente conhece. Acho que há o suficiente grau de entendimento dentro da própria equipe e maturidade. Então, acho que essa questão vai se responder de uma maneira muito tranquila. Dizer uma coisa ou outra não tem muito sentido agora. A gente vai ver no dia a dia como as coisas ocorrem. Quando uma equipe é escolhida, há confiança”, afirmou.

Levy concedeu entrevista durante anúncio da nova equipe econômica (Foto: Reuters)
Levy concedeu entrevista durante anúncio da nova
equipe econômica (Foto: Reuters)

Contas públicas neste ano
Nos nove primeiros meses deste ano, as contas do setor público registraram um déficit primário – receitas ficaram abaixo das despesas, mesmo sem contar juros da dívida – de R$ 15,28 bilhões, ainda segundo números divulgados pelo BC. Foi a primeira vez desde o início da série histórica do BC, em 2002 para anos fechados, que as contas do setor público registraram um déficit nos nove primeiros meses de um ano.

Considerado ortodoxo, com uma atuação mais tradicional na economia, Levy, de 53 anos, executou um ajuste fiscal na primeira gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que levou o superávit primário a um patamar médio de 3,5% do PIB (série histórica revisada do BC, sem as estatais) – patamar considerado elevado. Ele ficou conhecido como “mãos de tesoura” na ocasião por conta do controle de gastos implementado nas contas públicas. Levy travalhava, até então, na diretoria da administradora de investimentos Bradesco Asset Management.

Redução da dívida pública
“Primeiramente, cabe notar que vir a suceder o mais longevo ministro da Fazenda em período democrático [Guido Mantega] é mais do que uma honra, um privilégio. O objetivo imediato do governo e do Ministério da Fazenda é estabelecer uma meta de superávit primário para os três proximos anos que contemple a estabilização e declínio da dívida pública”, declarou o ministro da Fazenda nomeado.

Joaquim Levy também avaliou que é fundamental para o aumento da confiança da economia brasileira, a consolidação dos avanços sociais e ecomicos e reafirmou o compromisso com transparência e com a divulgação de dados abrangentes.

“As medidas necessárias para o equilíbrio das contas públicas serão tomadas. Como a gente falou, serão tomadas com análise e segurança. Eu acho que o Brasil tem mecanismos capazes disso. É um trabalho que envolve não só o governo federal, mas acho que toda a federação, não só o Poder Executivo, mas todos os poderes. É um trabalho importante pois é o que garante condições de crescimento”, declarou Levy.

Tesouro Nacional?
Levy, ao ser interpelado por jornalistas sobre quem será o novo secretário do Tesouro Nacional, não disse que não falaria sobre isso neste momento. “Vamos manter os ritos. A gente têm desafios, coisas importantes a fazer. A gente não está em nenhuma agonia. Vamos ficar tranquilos. Essa é a maneira boa de lidar com os desafios de um novo governo que começa em primeiro de janeiro”, afirmou.

Rumores dão conta de que o próximo secretário do Tesouro Nacional pode ser Carlos Hamilton Araújo, atualmente na diretoria de Política Econômica do Banco Central.

 

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