Joinville 0 x 2 Grêmio

Grêmio faz a sua parte e vence o JEC, mas termina Brasileirão em terceiro

Com gols de Marcelo Olviveira e Bobô, gremistas vencem por 2 a 0, mas triunfo do Galo não permite o segundo lugar e diminui premiação em R$ 2 milhões aos gaúcho

A ambição do Grêmio era termina o Campeonato Brasileiro em segundo lugar, e com R$ 2 milhões a mais no bolso. Jogou para isso, ganhou por 2 a 0 do JEC, sem ligar se os donos da Arena Joinville não tinha pretensão alguma – já rebaixados como lanternas. Porém, com o triunfo do Atlético-MG sobre a Chapecoense, os gremistas concluiram o Campeonato Brasileiro na terceira posição.

Os tricolores do Rio Grande do Sul exerceram pressão nos minutos iniciais e conseguiram abrir o placar com o lateral Marcelo Oliveira. Com o que sobrou do desmanche do elenco deste ano, a maioria com contratos em vigor, o Joinville chegou a colocar duas bolas na trave. A última delas, porém aponta para a má fase. A afastada virou contra-ataque com ajuda das poças geradas pelas fortes chuvas e Bobô anotou o segundo.

O Joinville termina a temporada como vice-campeão Catarinense, eliminado na primeira da fase na Copa do Brasil e na Sul-Americana e na lanterna da Série A. O Grêmio conclui 2016 também como vice estadual, eliminado nas quartas da Copa do Brasil e em terceiro no Brasileirão, classificado à Libertadores do próximo ano.

Joinville x Grêmio (Foto: Carlos Jr/Futura Press/Estadão Conteúdo)

O jogo

De semelhança do jogo de ida, apenas a pressão gremista. Se em Porto Alegre ela ocorreu no segundo tempo, com o time em desvantagem, na Arena Joinville foi desde o início. Não tardou para fazer efeito: aos 12 minutos o placar estava aberto. Depois de escanteio, e jogada de Geromel, o lateral-esquerdo Marcelo Oliveira apareceu na área e desviou para as redes. O jogo era do Grêmio, melhor em campo e com a torcida fazendo mais barulho que os tricolores da casa.

Ficou só no barulho, porque aos 20 minutos o Joinville cresceu, se colocou no campo de ataque e ofereceu perigo. Não estava morto, e Mariano Trípodi e Edigar Junio lutavam muito, também contra as poças causadas pela forte chuva no Norte de Santa Catarina. O jeito era chutar de fora. Na finalização do volante Anselmo, a bola desviou e ficou na trave. Ficou também o 1 a 0 para os visitantes a etapa inicial.

Com o campo pesado, o técnico Roger Machado tirou o leve Everton e colocou Edinho em campo. Era para ganhar no físico e passou a jogar no contra-ataque. Na despedida da Série A do Campeonato Brasileiro, o rebaixado Joinville ganhou um argumento para reclamar da sorte na campanha. Aos 14, Mario Sérgio fez bela jogada e botou na área. Ítalo mandou o voleio na trave. A afastada da defensiva gremista virou contra-ataque, e água no campo traiu o JEC. A bola ficou perdeu força ao quicar na gramada e deixou Agenor no meio de caminho. Foi assim que Bobô carregou a bola sozinho até o fundo das redes para anotar o segundo.

Depois disso, foram pouco mais de 30 minutos com os gremistas administrando o placar e o Joinville, sem forças, ainda tentando algo. Capitão do título da Série B, no ano passado, o meia Marcelo Costa entrou em campo para se despedir do torcedor. Foi a última lembrança da estada do JEC na elite do futebol nacional.

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OFICIAL: Todo time que já foi Palestra Itália treme contra o Atlético Mineiro

Marcelo chacoalhando (FOTO: Pratto)

Marcelo chacoalhando
(FOTO: Pratto)

Palestra Itália, eu sei que você treme! A derrota do Palmeiras contra o Atlético provou um fato muito interessante: todo time que já foi Palestra Itália treme diante do Galo. O fato incontestável foi divulgado pelo jornalista Paulo Vinicius Rabbit, o PVR.

“O Egidio chegou a sair no intervalo de tanto que tremia o coitado. Se isso não é tremelique, não sei o que é. Como Cruzeiro e Palmeiras foram Palestra Itália, podemos concluir que todo time que já foi Palestra treme diante do Galão da Massa”, disse PVR.

Egídio, Dudu,  Mattos e Marcelo Oliveira saíram do Cruzeiro, mas o Cruzeiro não saiu deles

 

 

Coritiba 0 x 1 Grêmio – Copa do Brasil 2015

Grêmio vence o Coxa no Couto e leva vantagem para o jogo de volta: 1 a 0

Coxa é superior no primeiro tempo, mas tropeça na falta de pontaria. Tricolor marca com Marcelo Oliveira e sai em vantagem para a partida decisiva, na próxima quinta

O Coritiba fez um dos seus melhores jogos de 2015, mas foi o Grêmio quem saiu com o resultado positivo. No jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, no Couto Pereira, o Tricolor Gaúcho derrotou o Coxa por 1 a 0 com um golaço do lateral-esquerdo Marcelo Oliveira e leva boa vantagem para o confronto em Porto Alegre. Um empate sem gols na Arena do Grêmio classifica o time gaúcho.

O inconstante Coritiba conseguiu anular o badalado Grêmio de Roger no primeiro tempo. Dono do jogo e com a posse de bola, o time paranaense criou grandes chances de abrir o placar, mas não conseguiu acertar a pontaria. E como já diz o ditado, quem não faz leva. O Tricolor voltou com outra postura no segundo tempo, e marcou um golaço com Marcelo Oliveira.

Coritiba Grêmio (Foto: Giuliano Gomes/ Agência PR PRESS)
Com gol de Marcelo Oliveira, Grêmio leva a melhor contra o Coritiba no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil (Foto: Giuliano Gomes/ Agência PR PRESS)

 

O jogo de volta está marcado para a próxima quinta-feira (27), na Arena do Grêmio. Pelo Campeonato Brasileiro, as equipes já entram em campo no final de semana. O Coxa encara a Chapecoense, às 11h (de Brasília) de domingo, no Couto Pereira, e o Grêmio viaja para enfrentar a Ponte Preta, no mesmo horário, no Moisés Lucarelli.

Superioridade do Coritiba

O jogo começou intenso no Couto Pereira. Logo no primeiro minuto, um lance polêmico tirou a torcida do Coxa do sério. Negueba lançou para Evandro dentro da área, Galhardo deu um tapa na bola e a arbitragem marcou falta no atacante. Mesmo assim, a superioridade seguiu pelo lado dos mandantes. Apesar das cinco mudanças no time do técnico Ney Franco, a equipe mostrou entrosamento, qualidade e por muito pouco não abriu o placar. O Grêmio tentou levar perigo à meta defendida por Bruno nos contra-ataques, porém, não conseguiu superar a forte marcação alviverde. Em 45 minutos, o time de Roger não conseguiu finalizar sequer uma vez.

Falta de pontaria alviverde e golaço de Marcelo Oliveira

No segundo tempo, o Grêmio subiu para o gramado com outra postura. Disposto a levar vantagem para Porto Alegre, o time gaúcho passou a pressionar a equipe alviverde, abusou das faltas e mesmo assim não conseguiu criar nenhuma chance clara de gol. Já o Coxa, seguiu com a posse de bola, mas era pouco efetivo no ataque. E como já diz o ditado, quem não faz leva. Aos 26 minutos, o lateral-esquerdo Marcelo Oliveira arriscou da intermediária e marcou um golaço. O gol tricolor desanimou o Coxa, que caiu de rendimento, e pouco fez nos 15 minutos finais.

 

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Marcelo Oliveira foi obrigado a deixar o Cruzeiro para ganhar um clássico

Quantos anos sem ganhar do Galo? (FOTO: Tardelli)

Quantos anos sem ganhar do Galo?
(FOTO: Tardelli)

A vida é feita de decisões e, por menor que sejam, podem mudar completamente a vida das pessoas. Sem dúvida é por isso que, muitas vezes, é tão difícil tomar uma decisão.

Recentemente, o técnico do Palmeiras, Marcelo Oliveira, passou por um momento como esse. Há dois anos sem ganhar clássicos pelo Cruzeiro, o treinador se viu obrigado a deixar a Toca da Raposa para, finalmente, sair vitorioso de um jogo contra um rival. Satisfeito, Oliveira comentou a situação.

“É difícil saber se as nossas escolhas estão corretas ou erradas, apenas o tempo nos diz isso, mas parece que me dei bem ao fechar com o Palmeiras. Ainda bem que as coisas pararam de dar certo no Cruzeiro, porque isso me ajudou muito e finalmente consegui vencer um clássico”, disse, muito aliviado.

O palmeirense ainda comentou a vitória do Cruzeiro sobre o Galo, no início do Brasileirão: “A gente sabe que foi sorte, que foi por acaso. Os últimos dois anos mostraram que não é comum o Cruzeiro vencer o Atlético e no segundo turno deve dar Pratto, Luan e toda aquela turma de novo”, finalizou.

No clássico segundo turno, Luxa não deve mais ser o treinador do Cruzeiro.

 

Renato Maurício Prado comenta a dança das cadeiras no futebol brasileiro

 

Ciranda

A alucinada ciranda dos treinadores mostra com clareza como nossos cartolas continuam os mesmos. Vanderlei, demitido no Fla, ocupou o cargo de Marcelo Oliveira que, por sua vez, está indo para o lugar de Oswaldo de Oliveira que, como contei na nota acima, é sonho de consumo do Fla…

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 12/06/2015

 

Renato Maurício Prado comenta que os nossos craques sumiram

A defesa alvinegra foi muito exigida, mas mostrou força, apesar dos gols sofridos

(Foto: Aldo Carneiro / PE Press)

Os gols da vitória por 2 x 1 foram anotados pelo zagueiro Diego Ivo e pelo meio-campista Nikão

(Foto: Christian Alekson/CearaSC.com)

A respeitada revista inglesa “FourFourTwo” divulgou ontem, como sempre faz em sua edição de dezembro, a lista dos 100 melhores jogadores do mundo. Apenas cinco brasileiros estão nela e Neymar, naturalmente, é o mais bem colocado, na décima quinta colocação. Os outros são Thiago Silva (29º), Oscar (58º), Marcelo (71º), Dante (77º) e Daniel Alves (95º).

Alguma surpresa? Alguma injustiça? Sinceramente, não vejo nada de anormal na relação pois, infelizmente, os craques desapareceram do nosso futebol. Num critério um pouco mais rigoroso, dá pra dizer que fora de série, mesmo, na acepção do termo, podemos classificar apenas Neymar. O resto é bom jogador (alguns poucos, ótimos, vá lá) e ponto final.

Peguemos, por exemplo, o eficiente time do Cruzeiro, com todos os méritos bicampeão brasileiro. Quem é craque no elenco de Marcelo Oliveira? Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart são bons jogadores, em excelente fase, nada além disso. E no São Paulo, vice-campeão, o que se vê são atletas que, atualmente, tem muito mais nome que futebol: Rogério Ceni, Luís Fabiano, Kaká (que acaba de sair) etc. Paulo Henrique Ganso e Alexandre Pato são bem dotados tecnicamente, mas o que vêm jogado justifica o termo craque? Pra mim, não. Ganso, talvez, ainda possa vir a ser um meio-campo excepcional. Por enquanto não passa de promessa, com altos e baixos. E tem a idade de Neymar — 22 anos.

A verdade é que, nas cidades grandes, sumiram os campinhos de pelada e os garotos bom de bola, invariavelmente, acabam procurando as escolinhas dos clubes para desenvolver o talento. E ali o que encontram? Os “professores” a gritar “pega, pega”, “marca, marca” e tome de bronca quando alguém tenta um lance individual e não tem sucesso.

Não é à toa que, exceção feita a Neymar e Oscar, quem são os outros brasileiros da lista? Laterais e zagueiros. Porque a filosofia reinante no nosso futebol agora é “proteger a casinha” e não levar gol. E tal máxima já começa nos fraldinhas, onde o lado lúdico e a diversão deveriam campear, mas o que há são campeonatos e mais campeonatos e cobrança por títulos. E ai do técnico que não os conquiste.

E, para garantir o emprego, tome de garoto fortão e alto. Características que, nessa idade, fazem diferença. Formar craques para o futuro? Ah, deixa pra lá. Isso é coisa de românticos e de poetas que vivem presos ao passado lembrando Pelé, Tostão, Garrincha, Gérson, Zico, Falcão, Rivelino, PC Caju etc.

Não foi outro o motivo dos 7 a 1. Os alemães, quem diria, trocaram a cintura dura pelo talento e acabaram uma vez mais campeões do mundo, goleando impiedosamente, em seu próprio país, a seleção que já foi um dia sinônimo de futebol arte.

Produto em extinção no Brasil, que vive agora das bolas paradas, dos incontáveis centros altos a esmo na área adversária e das “faltas táticas”, que enfeiam e interrompem seguidamente nossos jogos.

Cá entre nós, a “FourFourTwo” está coberta de razão. Acho até que foi generosa, pois incluir o Dante entre os 100, vamos convir…

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 03/12/2014

Marcelo Oliveira perde terceira final de Copa do Brasil seguida e leva troféu Vasco da Gama

Cruzeiro é um especialista em mata mata. Sempre nessas competições mata a torcida de raiva (FOTO: Victor)

Cruzeiro é um especialista em mata mata. Sempre nessas competições mata a torcida de raiva
(FOTO: Victor)

Faça sua festa, Marcelo Olveira! Depois de alcançar o feito de ser tri vice campeão da Copa do Brasil, o treinador do Cruzeiro conquistou a Taça Vasco da Gama de Futebol. Muito feliz, o treinador comemorou o feito.

“É incrível ter uma conquista dessa. É mais um troféu para o meu currículo e dedico esse vice à torcida do Coritiba, já que o clube foi essencial para isso”, disse.

Apesar de dar nome à taça, o Vasco ainda não conquistou este título, principalmente depois de perder o vice da Série B 2014. O clube carioca estuda mudar sua sede para Curitiba, já que a cidade conta com o salão de festas Couto Pereira, do Coritiba, que tem o costume de receber os campeões da Copa do Brasil para jogar, como ocorreu em 2011 e 2012. Desta forma, voltaria a ser vice com certeza.

Com a Tri Vice Coroa, o treinador pensa em mudar seu nome para Marcelo da Gama.

 

Renato Maurício Prado comenta o bom momento de Cruzeiro e Atlético Mineiro

taça Copa do Brasil Flamengo (Foto: Reuters)

Cruzeiro e Atlético-MG decidem o título da Copa do Brasil, no Mineirão (Foto: Reuters)

Desde o ano passado, Cruzeiro e Atlético Mineiro são os times que praticam o futebol mais moderno do Brasil. Tal e qual os melhores europeus, defendem a atacam em bloco e buscam o gol o tempo todo – ao contrário da maioria das outras equipes tupiniquins que continuam a ter como primeira e maior preocupação não sofrer gols.
É óbvio que nem a Raposa, nem o Galo possuem jogadores à altura do Bayern de Munique, do Barcelona, do Real Madrid, do Chelsea etc. Não é disso que estou falando, mas sim do espírito de jogo, da tática e da mentalidade. Marcelo Oliveira, Cuca e Levir Culpi conseguiram incutir esses valores em seus atletas e não à toa têm conseguido excelentes resultados – em 2013, o Atlético conquistou a Libertadores e o Cruzeiro, o Brasileiro. Este ano, o “Trem Azul” se sagrou bi (e quatro vezes campeão do torneio) e o Galo pode vencer a Copa do Brasil, que disputa com o próprio rival no Estado.
O mais interessante disso tudo é perceber como o futebol moderno (basta lembrar as palavras de Guardiola) se parece com o que se jogava no Brasil, nos bons tempos. Agora, ao contrário, somos nós que nos imitamos a forma como os europeus jogavam, no passado, alçando bolas na área, a esmo, incontáveis e insuportáveis vezes em cada partida.
Por isso, Marcelo, Cuca e Levir estão um passo à frente dos demais em atividade no Brasil – inclusive o vitorioso Tite, que chegou ao título mundial colecionando vitórias por 1 a 0.

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 26/11/2014

E se for nos pênaltis? Fábio e Victor lutam contra retrospecto negativo

Penalidades desperdiçadas contra Galo e Cruzeiro na temporada são chutes para fora. Times têm aproveitamento parecido na hora de cobrar; veja levantamento.

Victor não virou São Victor no Atlético-MG por acaso. Foi decisivo na reta final da Libertadores em 2013. Fábio também não é ídolo do Cruzeiro à toa. Além das grandes defesas em quase 10 anos de clube, o camisa 1 da Raposa tem 16 defesas de pênalti com a camisa celeste. O histórico deixa atleticanos e cruzeirenses menos tensos para uma possível decisão por penalidades nesta quarta-feira, no jogo de volta da final da Copa do Brasil. No entanto, a temporada de 2014 não traz um bom retrospecto para os dois goleiros no quesito.

A disputa do título na marca da cal acontecerá somente se o Cruzeiro devolver o placar da primeira partida, 2 a 0. Nesse caso, seria a primeira decisão do torneio dessa maneira, após 25 edições. Em 2014, a Raposa cometeu seis pênaltis. Apenas um foi desperdiçado pelo adversário, mas não porque parou em Fábio. David isolou a chance de empatar o jogo para o Goiás na derrota por 1 a 0 para os mineiros.

O Galo fez cinco pênaltis, e Victor também não pegou nenhum. O único erro de um rival veio nas oitavas da Copa do Brasil, em cobrança para fora de Henrique, do Palmeiras. Vale citar que o goleiro reserva Lee foi vazado em uma das cinco penalidades – contra o Tupi-MG, pelo estadual. Para o camisa 1 atleticano, não é nada que influencie em campo. Ou melhor, ele espera que a decisão não se encaminhe para ter este fim.

– Acho que não é relevante (o fato de ele e Fábio não terem defendido pênaltis). Temos que estar preparados para tudo. Para qualquer tipo de decisão. Tenho que estar focado para isso. É uma realidade, pode acontecer. Tomara que não aconteça. O fato de não ter defendido ainda não é importante. Nada diminui o potencial que eu e o Fábio já mostramos – avalia o goleiro.

O tema dos pênaltis tem bastante importância no Cruzeiro. Marcelo Oliveira exige que seus jogadores treinem cobranças – e não apenas em decisões.

– Acho que pênalti é treinamento e emocional. Só que, se você está muito bem treinado, o seu emocional estará mais equilibrado, vai gerar mais confiança. Treino todos os dias, e aqueles que vão se sobressaindo durante a semana próxima do jogo vão bater. Normalmente na preleção do jogo eu já marco os três jogadores, pela ordem, que estão capacitados para bater – declarou o treinador em entrevista ao GloboEsporte.com em agosto.

info cobranças de pênalti Atlético-MG Cruzeiro (Foto: infoesporte)
Times preferem o canto direito do goleiro: de suas quatro cobranças no local, Galo errou duas (Foto: infoesporte)

Times têm aproveitamento parecido   

No que se refere ao aproveitamento dos cobradores, o Cruzeiro vive melhor ano, mas com pouca vantagem. Foram dois pênaltis perdidos por equipe em 2014. Entretanto, a Raposa teve mais penalidades ao seu favor: 11. Willian e Dagoberto erraram. O Galo contou com nove (Diego Tardelli e Ronaldinho desperdiçaram).

Tomara que não aconteça (disputa de pênaltis). Nada diminui o potencial que eu e o Fábio já mostramos”
Victor

As duas equipes têm um ponto em comum: preferem a cobrança rasteira no canto direito do goleiro. Pelo menos é o que os pênaltis de 2014 mostram. De suas nove penalidades, quatro foram no local, com um erro – de Ronaldinho, diante do Nacional-PAR, na Libertadores. Os jogadores celestes miraram ali em seis de seus 11 pênaltis na temporada. Sempre acertaram.

Apenas um canhoto está entre todos os cobradores das duas equipes: Éverton Ribeiro, que fez um dos gols da vitória do Cruzeiro por 2 a 1 sobre o Bahia na 20ª rodada. Além dele, Marcelo Moreno, Lucas Silva, Dagoberto, Souza e Júlio Baptista fizeram gols em pênaltis. Os três últimos marcaram duas vezes cada.

No Galo, a artilharia é menos democrática. Tardelli fez quatro gols de pênalti. Ronaldinho, que já deixou o clube, Guilherme e André, que está afastado do grupo principal, fizeram os outros três. Sobre os autores das faltas dentro da área, um dado é relevante – e de certa forma é alento para os cruzeirenses. Enquanto no Alvinegro ninguém cometeu mais de uma penalidade no ano, no time celeste Dedé é responsável por três dos seis feitos pelo time de Marcelo Oliveira. Entretanto, o zagueiro é desfalque para a final desta quarta.

Pênaltis a favor do Atlético-MG em 2014:

Brasileirão:
1) Atlético-MG 4 x 0 Flamengo – pênalti sofrido por Douglas Santos. Gol de Tardelli.
2) Figueirense 2 x 2 Atlético-MG – pênalti sofrido por Alex Silva. Gol de Tardelli.
3) Sport 2 x 1 – pênalti sofrido por Tardelli, que fez o gol.
4) Atlético-MG 2 x 1 – pênalti sofrido por Léo Silva. Gol de André

Libertadores:
5) Atlético-MG 1 x 1 Nacional-PAR – pênalti sofrido por Tardelli. Ignacio Don defendeu cobrança de Ronaldinho.
6) Atlético-MG 1 x 1 Nacional-PAR – Melgarejo pôs a mão na bola. Gol de Ronaldinho.

Recopa:
7) Atlético-MG 4 x 3 Lanús – Araújo pôs a mão na bola. Gol de Tardelli.

Campeonato Mineiro
8) Villa Nova 1 x 4 Atlético-MG – pênalti sofrido por Neto Berola. Gol de Guilherme.
9) Atlético-MG 0 x 2 Tombense – pênalti sofrido por Neto Berola. Flávio defendeu cobrança de Tardelli.

Pênaltis marcados contra o Atlético-MG em 2014:

Brasileirão:
1) Flamengo 2 x 1 Atlético-MG – pênalti de Pedro Botelho em Eduardo da Silva. Gol de Léo Moura.

Copa do Brasil:
2) Flamengo 2 x 0 Atlético-MG – pênalti de Josué em Gabriel. Gol de Chicão.
3) Palmeiras 0 x 1 Atlético-MG – pênalti de Jemerson em Mazinho. Henrique chutou para fora.

Libertadores:
4) Nacional-PAR 2 x 2 Atlético-MG – Otamendi pôs a mão na bola. Gol de Torales.

Campeonato Mineiro:
5) Tupi-MG 2 x 0 Atlético-MG – Alex Silva pôs a mão na bola. Gol de Núbio Flávio (Lee era o goleiro).

Pênaltis a favor do Cruzeiro em 2014:

Brasileirão:
1) Cruzeiro 2 x 1 Internacional – pênalti sofrido por Marcelo Moreno. Willian mandou para fora.
2) Coritiba 1 x 2 Cruzeiro – pênalti sofrido por Nilton. Gol de Marcelo Moreno.
3) Cruzeiro 2 x 1 Bahia – pênalti sofrido por Ricardo Goulart. Gol de Éverton Ribeiro.
4) Fluminense 3 x 3 Cruzeiro – pênalti sofrido por Samudio. Gol de Júlio Baptista.
5) Cruzeiro 5 x 0 Figueirense – pênalti sofrido por Ricardo Goulart. Gol de Lucas Silva.
6) Atlético-PR 2 x 3 Cruzeiro – pênalti sofrido por Alisson. Gol de Souza.

Copa do Brasil
7) Santa Rita-AL 1 x 2 Cruzeiro – Selmo Lima pôs a mão na bola. Gol de Júlio Baptista.

Libertadores
8) Defensor-URU 2 x 0 Cruzeiro – pênalti sofrido por Ricardo Goulart. Dagoberto chutou para fora.

Campeonato Mineiro
9) Cruzeiro 4 x 0 Minas Futebol – pênalti sofrido por Nilton. Gol de Dagoberto.
10) Cruzeiro 4 x 1 Nacional-MG – pênalti sofrido por Souza, convertido por ele.
11) Cruzeiro 2 x 1 Boa Esporte – pênalti sofrido por Willian. Gol de Dagoberto.

Pênaltis contra o Cruzeiro em 2014:

Brasileirão:
1) São Paulo 2 x 0 Cruzeiro – pênalti de Dedé em Ganso. Gol de Rogério Ceni.
2) Goiás 0 x 1 Cruzeiro – pênalti de Dedé em Esquerdinha. David chutou para fora.
3) Atlético-MG 2 x 1 Cruzeiro – pênalti de Léo em Léo Silva. Gol de André.
4) Bahia 1 x 2 Cruzeiro – pênalti de Nilton em Rhayner. Gol de Talisca.

Copa do Brasil
5) Santos 3 x 3 Cruzeiro – pênalti de Léo em Rildo. Gol de Gabriel.
6) ABC 3 x 2 Cruzeiro – pênalti de Dedé em Marlon. Gol de Xuxa.

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Final mineira tem rivalidade velada entre Marcelo Oliveira e Kalil

Dispensa do Galo em 2008 pelo dirigente causou mágoa, mas representou independência do treinador, que pode chegar ao auge da carreira contra ex-clube.

Após o apito final do árbitro Luiz Flávio de Oliveira no Mineirão, um gigante do futebol mineiro sorrirá por último. E não será apenas Cruzeiro ou Atlético-MG, finalistas da Copa do Brasil. Alexandre Kalil, presidente do clube alvinegro, e Marcelo Oliveira, técnico da equipe celeste, protagonizam um capítulo à parte nessa história, iniciado em 2008, com os dois do mesmo lado.

Marcelo treinava os profissionais do Atlético-MG pela sexta vez, a segunda como efetivo, em substituição a Alexandre Gallo. Conseguiu evitar o vexame do rebaixamento no Brasileiro, no ano do centenário, após alcançar dez jogos sem derrota. Mas isso não foi suficiente para ser mantido no cargo e iniciar – pela primeira vez – o ano à frente de um time.

– O treinador não tem o perfil do presidente.

Foi com essa justificativa que Alexandre Kalil, assumindo o cargo após a renúncia de Ziza Valadares em meio a dias conturbados para o Galo, decidiu pela não permanência do treinador. Tinha início aí a história de uma rivalidade oculta entre os dois. E tinha início também a trajetória de Marcelo fora do Atlético-MG, após recusar-se a voltar para as categorias de base. Ela pode ter o seu auge nesta quarta-feira, em caso de conquista da tríplice coroa, justamente diante do Galo de Kalil.

O Marcelo cortou o cordão umbilical que tinha (com o Atlético) e se tornou independente no futebol. E o presidente tinha o direito de escolher o treinador com que gostaria de trabalhar
André Figueiredo, auxiliar na época

– O Marcelo cortou o cordão umbilical que tinha (com o Atlético) e se tornou independente no futebol. A própria carreira dele mostra isso. E o presidente tinha o direito de escolher o treinador com que gostaria de trabalhar. Futebol é assim. O Marcelo entendeu e se tornou um dos melhores técnicos do país – avalia André Figueiredo, coordenador das categorias de base do Atlético-MG e auxiliar técnico no Galo em 2008.

Marcelo Oliveira, que na época declarou não estar cheateado com a decisão, passou por Ipatinga, Paraná, Coritiba, Vasco e Cruzeiro. No Coritiba conseguiu dois vice-campeonatos da Copa do Brasil consecutivos. Chegou ao Cruzeiro e se tornou bicampeão brasileiro, além de conquistar o Mineiro desta temporada.

A amigos íntimos, Marcelo Oliveira nunca escondeu que a dispensa em 2008 não foi bem digerida. Ficou a mágoa com Kalil pelo fato de não ter tido a oportunidade de ser efetivado como treinador em 2009. Um caso escancara isso. Após o título atleticano na Libertadores do ano passado, ele foi perguntado se havia torcido pela conquista do ex-clube. E citou Alexandre Kalil como motivo para não ter comemorado.

Montagem Alexandre Kalil e Marcelo Oliveira (Foto: Editoria de arte)
Alexandre Kalil e Marcelo Oliveira terão uma espécie de duelo à parte nesta quarta-feira (Foto: Editoria de arte)

Decisão certa?

Alexandre Kalil, embora tenha se mostrado seguro quanto à saída de Marcelo na época, deu uma declaração como se apostasse num futuro melhor para referendar a decisão tomada.

– Acho que tomei a decisão certa. Espero que tenha tomado a decisão correta – disse o dirigente, que nesta semana afirmou que não falaria sobre qualquer assunto às vésperas da final da Copa do Brasil.

Não foi apenas Marcelo que voou alto após o rompimento. O Atlético-MG, após trabalhos irregulares de Emerson Leão, Geninho, Vanderlei Luxemburgo e Dorival Júnior, se acertou com Cuca. E, curiosamente, teve sucesso muito em decorrência da decisão de manter o treinador, que foi contratado em 2011 e chegou à conquista inédita da Libertadores em 2013.

O título da Copa do Brasil, nesta quarta-feira, pode não ser uma resposta ao episódio de 2008. Mas uma conquista nacional sobre o rival dará mais força a um dos lados de uma relação recheada de uma rivalidade velada.

 

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