Argentina: Telefe prepara estreias de “Lado a Lado” e “Amor à Vida”

Argentina: Telefe prepara estreias de "Lado a Lado" e "Amor à Vida"

A Telefe, uma das principais emissoras de TV da Argentina, está preparando a estreia de duas novelas brasileiras para as próximas semanas.

A emissora, que conquistou expressivos índices com “Avenida Brasil”, firmou um acordo de exclusividade com a Globo e acaba de acertar as escalações de “Amor à Vida” e “Lado a Lado”.

Os dois folhetins devem ser lançados num intervalo próximo de dias. Ambas histórias devem ir ao ar à tarde, substituindo “A Vida da Gente” e “Flor do Caribe”.

Nesta decisão, a Telefe surpreende pela escolha de “Lado a Lado”, que não teve bons índices de audiência no Brasil e que também não vem indo bem em Portugal, ainda que por lá já tenha sido exibida na TV fechada.

A trama de João Ximenes Braga e Claudia Lage tem o respaldo do Emmy de Melhor Novela, porém seu texto não é popular como a maioria dos outros produzidos pela Globo.

Já a escolha de “Amor à Vida”, que por lá terá o título de “Rastro de Mentiras”, não surpreende. Há vários meses a Telefe anunciou a novela de Walcyr Carrasco. Restava apenas a decisão de quando sua estreia viria a ocorrer e em que faixa.

NaTelinha

Lado a Lado vai estrear no SIC

“Lado a Lado”, de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, vencedora do Emmy de melhor telenovela do mundo em 2013, vai estrear na portuguesa SIC…
… Já no comecinho de setembro, passará a dividir a faixa das 11 da noite com “O Rebu”.
Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Globo vendeu Lado a Lado , Flor do Caribe e outras atrações para vários países

 

Outros títulos também do catálogo da Globo chamaram atenção na mesma feira, como a ganhadora do Emmy, “Lado a Lado”, “Flor do Caribe”, “Serra Pelada” e os filmes “Até que a Sorte nos Separe” 1 e 2.

Programadores de diversos países já apresentaram interesse no licenciamento desses produtos.

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Novelas da Globo não decepcionam no Natal; veja comparativo com 2012

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Conhecida por ser uma data crucial para as novelas no quesito audiência, os três folhetins inéditos na Globo não chegaram a decepcionar como em anos anteriores.
Entre “Joia Rara”, “Além do Horizonte” e “Amor à Vida”, a mais prejudicada foi “Amor à Vida”. “Joia Rara” e “Além do Horizonte” tiveram índices similares aos que conquistam em dias normais e mantiveram boa parte do público cativo.
Na faixa das 18h, a novela de Thelma Guedes e Duca Rachid alcançou média de 15 pontos ante 4,5 da Band, 4 da Record – que optou por não exibir o “Cidade Alerta” e escalou “Todo Mundo Odeia o Chris” – , e 3 do SBT.
Comparando com “Lado a Lado”, última novela das seis exibida em uma noite de Natal, percebe-se a manutenção do Ibope. A média na ocasião também foi de 15 pontos.
Já às 19h, “Além do Horizonte” também fechou com 15 pontos de média ante 5 da Band, 4 da Record e 3 do SBT.
Em um novo comparativo, desta vez com “Guerra dos Sexos”, também não se percebe uma grande diferença. “Guerra” teve 16 pontos neste mesmo dia. A atual trama das sete também já registrou 15 pontos de média em outros quatro capítulos mesmo sem a interferência de uma data comemorativa ou que justificasse a baixa.
Por fim, “Amor à Vida” obteve 23,5 pontos de média contra 2 do SBT e da Record. Diferente das outras duas novelas, que tiveram índices similares aos que costumam marcar, a história de Walcyr Carrasco perdeu pelo menos um terço de seus telespectadores – o que se justifica também pelo horário avançado e próximo da Ceia de Natal.
No entanto, comparando com “Salve Jorge”, “Amor” leva a melhor. A história de Glória Perez teve apenas 19 pontos no capítulo exibido no dia 24 de dezembro.
Esses índices são prévios e são baseados na preferência de um grupo de telespectadores da Grande São Paulo. Dados consolidados podem variar para mais ou para menos.

Lado a Lado derrotou Avenida Brasil na disputa do Emmy

 

Quando aqui se falou, em 16 de outubro passado, que para “Avenida Brasil”, na disputa do Emmy, o perigo morava ao “Lado”, não houve exagero nenhum.

E deu mesmo “Lado a Lado”, de João Ximenes Braga e Cláudia Lage, como melhor novela.

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

O inimigo mora ao lado

 

Dentro da Globo, pelo menos, “Avenida Brasil” não é apontada como favorita absoluta na briga pelo Emmy Internacional. O clima do “já ganhou” não existe, e por razões altamente justificadas e acima de qualquer discussão.  A novela foi, sim, bem de audiência, contou com uma direção inovadora de Amora Mautner e companhia, teve atuações que conseguiram prender o público até o fim e está hoje entre as mais vendidas no mundo. Só que, o tempo todo, ficou naquilo da vingança, muitas vezes, sem sair do lugar.  Até em função disso, há um forte respeito por outra concorrente, da mesma Globo, “Lado a Lado”, escrita por João Ximenes Braga e Cláudia Lage, que apresentou mais originalidade, ao tratar da emancipação feminina e do racismo no início do século XX. As duas brasileiras vão disputar com produções do Canadá e Angola. O resultado será conhecido em cerimônia no dia 25 de novembro, em Nova York .

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

“Avenida Brasil” e “Lado a Lado” disputarão prêmio de melhor novela no Emmy

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Considerado o Oscar da televisão mundial, o Emmy divulgou a lista dos indicados no prêmio Emmy Internacional, que é dado para emissoras de todo o mundo.

Entre os indicados brasileiros está, como já era esperado, a novela “Avenida Brasil”, fenômeno no país e a trama mais exportada para o mercado exterior no último ano.

A história de João Emanuel Carneiro foi indicada na categoria de melhor novela e irá disputar com outro folhetim brasileiro, “Lado a Lado”, de Claudia Lage e João Ximenes Braga. A Globo já venceu essa categoria em 2012, com “O Astro”, e em 2010, com “Caminho das Índias”.

Além desses, a Globo está representada no prêmio com “Como Aproveitar o Fim do Mundo”, de Alexandre Machado e Fernanda Young, como melhor comédia; “O Brado Retumbante”, seriado protagonizado por Domingos Montagner, como melhor drama; e com a atriz Fernanda Montenegro, pelo telefilme “Doce de Mãe”, como melhor atriz.

Quem também concorre ao “Emmy Internacional” é o ator Marcos Palmeira, na categoria melhor ator, mas não por um trabalho global, e sim por protagonizar a série “Mandrake”, da HBO.

Os vencedores do Emmy sairão no próximo dia 25 de outubro.

NaTelinha

No Rio, ‘Flor do Caribe’ estreia com audiência superior à de ‘Guerra dos Sexos’

Enquanto em SP nova trama das seis foi mal, na Cidade Maravilhosa teve Ibope de novela das sete

Henri Castelli vive Cassiano, o mocinho de 'Flor do Caribe': boa estreia no Rio de Janeiro

Henri Castelli vive Cassiano, o mocinho de ‘Flor do Caribe’: boa estreia no Rio de Janeiro

Em sua reta final, enquanto não conseguia engrenar no Ibope de São Paulo, ‘Lado a lado’ vinha conquistando ótimas performances no Rio de Janeiro, chegando a cravar média de 30 pontos em seus capítulos finais.

E, com a estreia de ‘Flor do Caribe’, novela que substitui a trama de época escrita por João Ximenes Braga e Claudia Lage, o perfil de audiência se mostra semelhante.

Enquanto em SP o folhetim de Walther Negrão registrou média de 18 pontos na noite de ontem (11), no Rio ‘Flor do Caribe’ foi muito bem, alcançando média de 25,2 pontos.

Ficando, por exemplo, um décimo à frente de ‘Guerra dos sexos’, trama das sete horas (faixa que, tradicionalmente, conquista índices de audiência superiores aos das novelas das seis). Basta saber se ‘Flor do Caribe’ conseuirá em São Paulo o mesmo fôlego que já demonstrou logo de cara na Cidade Maravilhosa.

 

Jornal do Brasil Com  Pedro Willmersdorf

Colaborou Beatriz Medeiros

colunaheloisatolipan@gmail.com

 

Final não combina com o que “Lado a Lado” mostrou em seis meses

De longe a melhor novela que a Globo exibiu nos últimos meses, “Lado a Lado” terminou com a punição ou redenção de todos os vilões. A decisão dos autores faz sentido se você pensar no horário da trama, a faixa das 18h, mas não deixa de ser um desvio na rota traçada com coerência ao longo de seis meses.

Um atrás do outro, todos se deram mal: a baronesa Constância (Patrícia Pillar) e seu filho Albertinho (Rafael Cardoso), o senador Bonifácio (Cassio Gabus Mendes) e seu filho bastardo Fernando (Caio Blat), a cantora lírica Catarina (Alessandra Negrini), bem como os moradores da favela Berenice (Sheron Menezes) e Caniço (Marcelo Melo Jr.),

Por meio de quatro vilões, em especial, Claudia Lage e João Ximenes Braga, autores de “Lado a Lado”, mostraram algumas das mazelas que atormentavam o Brasil em 1910.

Constância personificou a elite arrogante, incapaz de aceitar o fim da escravatura. Bonifácio representava o político e empresário de origem social humilde que, uma vez rico e poderoso, passava por cima da lei para alcançar o seu projeto de poder. Berenice e Caniço não viram outra forma de superar a miséria do que servir aos propósitos maldosos de Constância e Bonifácio.

“Lado a Lado” mostrou, ao longo de 154 capítulos, o confronto entre uma certa visão de progresso, baseada em valores liberais, e outra fundada em termos conservadores. Muita gente viu nos conflitos exibidos pela novela reflexos de situações atuais, que o país ainda vive: preconceito racial, corrupção, caos urbano, conflitos morais etc.

O fato de todos os vilões terminarem mal pode dar a impressão de que o que eles personificavam ficou para trás – o que está longe de acontecer, como se sabe.

Várias novelas foram mais ousadas – e realistas – no tratamento final dado a seus vilões. Para lembrar apenas de duas: Marco Aurélio (Reginaldo Farias), o vilão de “Vale Tudo”, de Gilberto Braga, deu uma “banana” para o público antes de fugir do Brasil num jatinho. Bia Falcão (Fernanda Montenegro) termina seus dias de maldade bebendo champanhe em Paris, em “Belissima”, de Silvio de Abreu.

Um detalhe, porém, ficou como sugestão dos autores de “Lado a Lado” ao público. Depois da cena de final, ambientada na favela, onde os heróis Isabel (Camila Pitanga) e Zé Maria (Lazaro Ramos) se casam, a câmera se afasta lentamente, revelando a imagem do Rio atual. Em primeiro plano, o espectador vê uma favela gigantesca e, ao fundo, o centro da cidade. Fica a dica.

Leia mais: Escrevi há duas semanas, na “Folha”, um texto, chamado A regra do jogo,  no qual discuto a dificuldade que “Lado a Lado” enfrentou para encontrar seu público. A novela teve uma das mais baixas médias de audiência do horário. Também recomendo o texto de Nilson Xavier, Faltou coesão a “Lado a Lado”, no qual ele apresenta uma visão diferente da minha, mas com bons argumentos. Vale a pena, ainda, ler a entrevista com Patrícia Pillar, feita pelo repórter James Cimino, na qual ela compara a vilã da novela “à atual elite que tem horror da classe média“. Informações sobre a audiência do capítulo final, que será reprisado neste sábado, podem ser lidas aqui.

 

Maurício Stycer

Faltou coesão a “Lado a Lado”

Cena do último capítulo de “Lado a Lado” (Foto: TV Globo)

Lado a Lado”, a novela das seis da Globo – escrita por João Ximenes Braga e Cláudia Lage – que terminou nesta sexta-feira (08/03), foi muito mais do que um folhetim de época. Retratar eventos históricos do Rio de Janeiro da década de 1910 (poucas vezes vistos anteriormente em TV) foi o seu grande trunfo. E dos mais louváveis.

É bom quando um programa de televisão, cujo principal objetivo é o entretenimento, se propõe também a ensinar e informar. Neste quesito, “Lado a Lado” saiu-se muito bem. Direção competente, produção bela e requintada, em uma reconstituição de época das mais perfeitas.

Ótima sacada fazer do personagem Zé Maria, de Lázaro Ramos, uma espécie deForrest Gump (Tom Hanks no filme homônimo) que acompanha ou protagoniza os fatos históricos narrados na novela – entre outros, as revoltas da Vacina e da Chibata, o advento do futebol e do samba, o fim dos cortiços e o processo de favelização do Rio (o Bota Abaixo).

Por outro lado, a novela desviou-se do foco histórico ao desenhar um estilo que dialogou muito com o nosso tempo. Para o seu bem – como a excelente trilha sonora contemporânea – e para o seu mal – como gírias e expressões atuais e personagens muito fincados em 2013 (como a espevitada Neusinha, interpretada por uma Maria Clara Gueiros que abusou dos “adoooro!” e só faltou soltar um “vem cá, eu te conheço?”).

Apesar de seus perfis de “mulheres à frente de seu tempo”, as heroínas Isabel e Laura (Camila Pitanga e Marjorie Estiano) soaram modernas demais para o período da novela: pareciam mulheres de 2013 que foram catapultadas para o passado. Por um lado é bom porque intensifica o perfil das personagens. Por outro, fez – por exemplo – soar estranhos os embates entre a vilã Constância e sua filha moderninha Laura. O tom empostado dos argumentos retrógrados e preconceituosos da ex-baronesa (totalmente condizente com a personagem e sua época) fez Laura parecer um ET quando proferia o seu discurso libertário. Faltou sutileza.

Diga-se de passagem, Patrícia Pillar e Marjorie Estiano brilharam a novela inteira com suas interpretações. Suas personagens representaram bem os extremos dessa ponte entre o passado mostrado na novela e a contemporaneidade. No elenco de “Lado a Lado” destacaram-se também Caio Blat, Milton Gonçalves, Christiana Guinle, Isabela Garcia, Débora Duarte e o novato em televisão Álamo Facó (o Quequé).

Marjorie Estiano e Thiago Fragoso em “Lado a Lado” (Foto: TV Globo)

Dentro de sua proposta histórica, o didatismo de “Lado a Lado” incomodou apenas nos momentos em que o folhetim falhou. As idas e vindas das amigas Laura e Isabel se arrastaram pelos seis meses da novela. O horário e a época pediam uma trama mais ágil. Prejudicada pelas eleições no ano passado e pelo Horário de Verão, a audiência em São Paulo não correspondeu ao capricho da produção: uma média de 18 pontos, muito abaixo do esperado.

Também as personagens protagonistas enervaram em algum momento. Baluartes na luta pelos direitos das mulheres, a negra Isabel e a descasada Laura (muito bem defendidas por suas intérpretes) em algum momento deixaram para trás seus discursos para mostrar um lado bem egoísta, quando defendiam seus interesses particulares. O vai-e-vem de Laura e Edgar (Thiago Fragoso) cansou, pela intransigência dela. E a insistência de Isabel em afastar o filho da avó Constância quase fez com que se torcesse pela vilã.

Em sua fase final, “Lado a Lado” andou em círculos e só despertou na última semana. O último capítulo apresentou uma situação um tanto quanto clichê demais para uma novela que tinha a pretensão de se apoiar em fatos históricos e assim criar links com a realidade: todos os vilões se deram mal.

É necessário um mínimo de coesão e sutileza ao misturar folhetim com História, passado com presente e diálogos entre personagens rebuscados de 1910 com personagens coloquiais atuais. Ainda que uma obra bem acabada – acima da média até – pareceu que “Lado a Lado” não escapou do chavão da metralhadora desgovernada, a que atira para todos os lados sem se preocupar com o foco.

 

Nilson Xavier UOL