Retrospectiva 2015 – Rodrigo x Juninho Pernambucano

Transcrição das declarações de Rodrigo e Juninho Pernambucano

RODRIGO:

“Agora, ô Juninho, você. Uma pessoa como você, cara. No jogo você falou que eu cobro o tiro de meta. Eu cobrei o tiro de meta porque o nosso goleiro não estava aguentando mais, entendeu? Então eu cobro falta porque o treinador determina. E tudo o que você fala, que ‘fala pro goleiro cair’ porque o Guiñazú estava sangrando no jogo passado e por isso ele caiu. Tá? Um abraço, todo mundo.”

JUNINHO PERNAMBUCANO:

“Agradeço a participação do Rodrigo. Aqui é assim, o que a gente fala ele tem o direito de responder. Eu sou comentarista e vou analisar do jeito que eu quero. Continuo dizendo o que eu acho. Tá empolgado, liderança exagerada no time, mas é um direito dele.”

(Para conhecer as declarações de Juninho, dadas no dia 13/07, que resultaram na resposta de Rodrigo, clique aqui.)

Juninho critica Rodrigo por ironizar torcida e fala sobre situação do Vasco no Brasileiro

O clima no Vasco é o pior possível com a péssima campanha no Campeonato Brasileiro. As críticas não param de chegar e atingem todos os setores da equipe e do clube que parece não esboçar poder de reação diante da difícil situação. Juninho Pernambucano, ídolo da Colina, voltou a criticar pesado a diretoria do Vasco, mas desta vez sobrou também para o zagueiro Rodrigo. Durante o Futebol de Verdade desta segunda (13), o Reizinho da Colina se mostrou revoltado com a atitude do jogador que teria ironizado torcedores do Vasco de dentro do ônibus durante o protesto do último domingo, no desembarque da delegação após a derrota para o Grêmio. Juninho levanta suspeitas sobre o “poder exagerado” que o experiente jogador exerce dentro do grupo e, principalmente, durante os jogos. Para ele, “há algo muito estranho nisso”.

“Fiquei sabendo que o Rodrigo ironizou a torcida do ônibus. O Rodrigo tem que perder a braçadeira de capitão (na verdade o capitão é Guiñazu, mas Rodrigo assume a braçadeira na ausência do argentino), e se desculpar com a torcida do Vasco. O capitão não ironiza sua torcida. Esse poder que ele tem sobre o time no campo me chama a atenção, é um poder exagerado. O Rodrigo bate falta, tiro de meta, manda o goleiro cair, enfim, tem algo por trás disso. E isso não é legal”, esbravejou Juninho.

O ex-jogador voltou a criticar duramente o presidente Eurico Miranda. Juninho afirma que o Vasco está plantando o que plantou, ironiza negociação com Ronaldinho Gaúcho e alerta: se os reforços não entrarem rapidamente em forma, o clube será rebaixado pela terceira vez em sua história.

“É uma das mais vergonhosas da história do Vasco. Levou seis gols e não fez nenhum. Sempre acham uma desculpa para encobrir os erros e a fraqueza do time. Mais uma vez, o presidente anuncia que Ronaldinho é 90% do Vasco, aí agora ele vai ser apresentado pelo Fluminense justamente contra o Vasco. O clube está colhendo tudo o que plantou há anos. O Eurico é o responsável, montou um time para ganhar o Carioca. Poderia ter trazido esses jogadores que chegaram agora, no início do ano. É melhor perder o estadual para ir bem no Brasileiro, que ganhar no estadual e ser rebaixado de novo.Tem que assumir que a luta é contra o rebaixamento. É uma repetição de erros. Esses jogadores foram campões cariocas e comemoram como se fossem um título mundial. Agora, eles perderam a confiança. A direção tem que parar de falar besteira, o Vasco é muito maior que vocês. Se esses jogadores não entrarem em forma rápido, será mais um rebaixamento na história do clube”, concluiu Juninho.

Fonte: Rádio Globo

Elogiado, Juninho Pernambucano negocia permanência na Globo após Copa

Elogiado, Juninho Pernambucano negocia permanência na Globo após Copa

 

Ex-jogador do Vasco, Olympique de Lyon (FRA) e Sport Recife, Juninho Pernambucano foi uma das surpresas na mídia nesta Copa do Mundo.

Os seus comentários em partidas da Rede Globoe na Rádio Globo foram bastante elogiados pelas pessoas nas redes sociais. Em entrevista para o jornal O Globo, Juninho falou sobre sua atuação no Mundial: “Geralmente se dá bem o jogador que gosta de se expressar. Eu sempre fui capitão dos meus times, sou um líder nato. O Ricardo Rocha, que comenta no SporTV, é um bom exemplo também. Ele foi capitão da seleção brasileira”.

Neste domingo (13), dia da final entre Alemanha e Argentina, Juninho ficará ao vivo por muito tempo: ele comentará no “Esporte Espetacular” e estará também na “Central da Copa”, com Alex Escobar, Tiago Leifert e Roger Flores.

Até o momento, o ex-jogador ainda não tem uma definição se irá ficar na emissora após o Mundial, mas as chances são boas e reuniões estão marcadas para acertar algo nas próximas semanas.

“Gostei demais do que fiz, foi uma experiência maravilhosa. E me senti confortável, pois estávamos num clima de equipe. Claro que houve as derrotas também, quando deixei meu microfone ligado ou a vez em que desliguei o do Luis Roberto (narrador). Mas a gente aprende”, encerrou Juninho.

 

NaTelinha

Juninho ganha homenagem, chora e resume adeus: ‘Não ia mais conseguir’

Reizinho se despede do futebol em São Januário, recebe título de sócio proprietário benfeitor e se emociona ao lembrar da carreira: ‘Fiz sempre com amor e paixão’

O reinado chegou ao fim. Com os olhos marejados e emoção nas palavras, Juninho Pernambucano colocou um ponto final em sua vitoriosa carreira na tarde desta segunda-feira, em São Januário, sua principal casa durante os últimos 20 anos. Ao lado do diretor executivo de futebol do Vasco, Rodrigo Caetano, do presidente Roberto Dinamite e do vice-presidente Antônio Peralta, o Reizinho foi homenageado e chorou. Vestindo uma camisa que incentivava a doação de medula óssea, ele recebeu das mãos de Dinamite o título de sócio-proprietário benfeitor.

Pouco depois, deu início a um discurso sobre a decisão mais difícil que já tomou. Falou da vida pós-futebol, dos arrependimentos, da decisão de se aposentar da última lesão, de sua forte ligação com o Vasco… E, em cerca de 40 minutos de entrevista, não conseguiu conter as lágrimas ao lembrar o início de sua caminhada no Sport.

Juninho já havia adiado a aposentadoria no início de 2014 para disputar, ao menos, o Campeonato Carioca. Assinou recentemente um contrato até o dia 30 de maio, mas o acordo previa que o jogador poderia encerrar a carreira a qualquer momento. O Reizinho estava a sete jogos de completar a expressiva marca de 400 com a camisa do Vasco, clube que mais defendeu em campo: 393 partidas, com 76 gols.

– Eu já tinha decidido parar depois de minha última lesão no fim do Campeonato Brasileiro. Acabei me recuperando e sendo convencido pelo Rodrigo e pelo presidente a tentar disputar o Carioca. Até pela possibilidade real de uma conquista antes de parar. Mas os treinos foram difíceis. Meu corpo não estava mais reagindo como antes. Eu não ia mais conseguir ser competitivo como sempre fui. Algumas vezes parecia que ia dar, que seria mais fácil, mas preferi tomar essa decisão. Honestamente? Não estava mais disposto a aceitar e passar pelo sacrifício de jogar em alto nível. Sempre falei que ia parar quando perdesse a vontade de treinar e me preparar para jogar. Não é fácil. Mas assumo que está sendo um pouco mais fácil do que eu imaginava. Hoje não dá mais para se divertir e brincar no futebol. Nunca me diverti jogando. Fiz sempre com amor, paixão e responsabilidade. Fui um péssimo perdedor, mas sempre tentei respeitar os adversários. Entendi cedo minhas deficiências, e isso me levou até aonde cheguei. Se o Roberto parou, o Romário, Zico, não teria como esse dia não chegar. Convivi sendo o vovô do time, eu sempre brincava porque no dia a dia era o mais velho, mas na escola para buscar meus filhos era o pai mais novo. Era engraçado – disse Juninho.

Juninho Pernambucano despedida Vasco (Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo)Juninho Pernambucano se emociona ao falar de sua carreira no futebol (Foto: Alexandre Cassiano/Agência O Globo)

Ao lembrar a carreira, o ídolo vascaíno se emocionou. Principalmente ao falar do início no Sport. Em um misto de saudade e decepção, Juninho chorou. Recordou seus primeiros anos no futebol e de um episódio na Ilha do Retiro em 2012. Após marcar um gol de falta com a camisa do Vasco pelo Campeonato Brasileiro, o camisa 8 mandou beijos na direção de seus familiares que estavam na arquibancada. A torcida do Leão não perdoou e xingou os parentes do jogador (relembre no vídeo no fim da matéria).

– Minha volta ao Vasco após a passagem pelo Catar não foi perfeita pela ausência de conquistas. Gostaria de agradecer também ao Sport… (começa a chorar). Me desculpem, mas a emoção é grande. Foi onde tudo começou. Joguei pouco tempo como profissional por lá. Eles nunca entenderam minha preferência pelo Vasco. Lamento por isso. Mas reconheço a importância do clube e sou grato pelo início da minha carreira. Mas foi no Vasco onde eu me realizei, onde eu me tornei um jogador completo, onde terminei minha formação. Meu melhor momento como jogador foi no Lyon. Lá joguei praticamente sempre em alto nível. Talvez a página que tenha faltado foi um título mundial. Faltou isso, mas não me incomoda. No Al Gharafa, eu me recuperei para voltar ao Vasco. Nos Estados Unidos, eu tive tecnicamente o pior momento da minha carreira. Não me arrependo pela experiência de vida. Esse foi o resumo da minha carreira. Agora começa uma nova fase. Não sei como, não sei onde, mas vou estar nos jogos acompanhando o Vasco – frisou o ídolo vascaíno.

Seu último jogo como profissional foi no dia 10 de novembro de 2013, contra o Santos, no Maracanã, pelo Campeonato Brasileiro. O jogador sofreu uma grave lesão muscular na coxa direita durante a partida e perdeu a reta final da competição, que acabou com o rebaixamento do Vasco. Depois de longa recuperação, Juninho vinha seguindo uma programação especial preparada pelo departamento médico do clube para tentar disputar o Carioca. Mas ainda reclamava de dores musculares pelo esforço. Em sua única entrevista em 2014, no dia 15 de janeiro, ele já admitia que estava difícil suportar o ritmo da pré-temporada.

Agora, com a carreira encerrada, o ex-jogador pretende tirar férias e, quando retornar, tem o desejo de seguir trabalhando com futebol.

– Eu não me vejo fora do futebol, não. Só não queria fazer essa transição muito rápida, queria aproveitar um pouco, curtir essas férias mais prolongadas. Ser treinador sempre passou pela minha cabeça, mas a tendência é que eu possa comentar futebol, já fui convidado para isso na Copa. A tendência é que eu continue no futebol, sem definição exata. É claro que sinto falta, mesmo não disposto mais a treinar, a gente começa a procurar uma coisa para suprir necessidade, já comecei a praticar outros esportes, a tendência é voltar ao futebol.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Título que faltou

– A página que faltou, eu sonhava ser campeão do mundo. Mas isso não incomoda. Curti bastante também no Al-Gharafa. Depois seis meses nos Estados Unidos, agradeço por essa oportunidade de vida. Voltei e tudo que recebi aqui foi sempre especial. Agora começo nova vida, não sei como e nem aonde.

Arrependimento

– Se tivesse experiência em algumas situações da vida, seria mais fácil de conduzir algumas situações. Mas o que sempre pedi a Deus era fazer as melhores escolhas na minha vida. Essas escolhas a gente descobre depois se são certas ou erradas. Imaginei na carreira ter parado um pouco antes, ter jogado até os 39 foi um privilégio. Todo esforço feito foi recompensado.

Lesão na última partida

– Pensar, eu pensei, mas a vida é assim (sobre decidir se aposentar após lesão e rebaixamento do Vasco). A gente não a controla. Se meu último jogo eu saí com lesão, não posso lamentar. Quando olho para trás, é para aprender. Não imaginava tantos títulos, ter marcado uma história aqui, no Lyon. Prefiro olhar o que foi conquistado. Poderia ter forçado uma situação, ter entrado ontem no fim, falar que ganhei do Botafogo e parei de jogar.

Postura fora de campo

– Pela orientação que recebi, acredito muito na educação, tive uma educação rígida em casa. Não fiz quase nada, não custa fazer isso, usar camisa de campanha que vai ajudar tanta gente. Nunca fiz nada de especial. Tão pequeno que não consegui pensar que estava fazendo alguma coisa que ajude. Quando tive tempo, participei de campanhas, mas como cidadão deveria ter feito mais.

A decisão

– Quando os treinos foram ficando mais fortes, quando se acelerou o ritmo, tinha dificuldade para treinar no outro dia. O Adilson (Batista, técnico) com toda necessidade de preparar a equipe, precisava de definição, mas sempre me deixou muito à vontade. Cheguei a fazer um coletivo de 60, 70 minutos, mas depois fiquei dois dias sem treinar. Quando vi isso, no começo da semana passada, conversei com a comissão técnica e avisei que tinha decidido parar de jogar.

Participação da família

– Conversava algumas vezes com eles, mas o que foi decisivo mesmo foi essa incapacidade de treinar. No domingo, não falei para ninguém, pensei que primeiro ia comunicar ao Vasco, foi assim que tomei a decisão. Porque sempre disse que o treinamento é fundamental, treinamento é jogo. Todo jogo é uma final, todo treino é jogo. Por isso que tomei a decisão de parar.

Momento mais marcante

– O gol contra o River Plate, que significou muito. Ter feito aquele gol que marcou a minha história, pelo qual recebei homenagens, isso me deixou nas páginas do Vasco.

Sem volta

– É difícil de explicar, mas talvez o fato de ter insistido até o fim, continuar treinando, foi me deixando mais na realidade. Se eu me arrepender no ano que vem, não tem mais tempo, com 40 anos. Eu prefiro pegar os exemplos dos grandes que pararam e deram seguimento à vida.

Juninho e Roberto Dinamite aposentadoria Vasco (Foto: Marcelo Sadio / Flickr do Vasco)Juninho recebe título de sócio-proprietário benfeitor de Dinamite (Foto: Marcelo Sadio / Flickr do Vasco)

Legado

– Meu legado é que sempre entendi que futebol era uma coisa séria, era minha profissão, era o que sustentava minha família. Vivi para o futebol, tive sorte de que a minha família tenha entendido isso. Muitos jogadores têm carreira prejudicada por relacionamento familiar. Me dediquei de corpo e alma, joguei futebol 20 anos. Outro dia foi a primeira vez que fui em Angra, morei oito anos em Lyon e nunca fui na Torre Eiffel. Meu legado é que acredito no trabalho. Foi assim que eu cheguei aonde cheguei. Quando comecei, disseram que eu era muito lento, disseram que não iria me tornar profissional. Dizia para mim que era impossível com a qualidade que tinha isso não acontecer. Aliei o físico à técnica, à  marcação, me tornei mais completo. Pensei que poderia me tornar rápido, fiquei um pouco mais rápido, mas não tanto, pela minha genética. Trabalhando sério e levando com muita seriedade, a chance de se conseguir o que quer é muito grande.

Despedida com rebaixamento

– Claro que pensava em me despedir diferente, eu pensei em deixar o futebol fazendo gol e sendo campeão, mas a vida é assim. Se minha carreira era para ser vitoriosa, se no meu último jogo tinha que sair com lesão, não tenho como lamentar, prefiro olhar para frente. Não imaginava ter jogado mais de 900 jogos como profissional, ter marcado um clube como Vasco, ter feito história, mais que jogadores que jogaram muito mais do que eu, ter a passagem que tive no Lyon. A despedida com rebaixamento não é nada que me deixa preocupado. Pode ser que daqui a 10 anos eu fale que deveria ter feito diferente, mas hoje penso assim.

Bom Senso FC

– O Bom Senso ainda luta para se equilibrar cada vez mais. Espero que todos entendam o intuito desse grupo de atletas, alguns não jogam mais, como eu, não sei se o Gilberto Silva. O intuito é fazer com que o futebol brasileiro seja tão bom quanto a seleção brasileira, tão atraente para o futebol europeu, que a gente volte a encher os estádios. Ainda lutamos para nos firmar e vou seguir à disposição. Não é porque não jogo mais que vou mudar a maneira de pensar, acho que estamos muito atrasados. Nossos campeonatos precisam melhorar em todos os aspectos. Se fala só que os atletas ganham muito e então devem jogar sempre, mas não é bem assim. Os atletas têm que se preparar da melhor forma, ter melhoria em todas plataformas, lutar pelo Fair Play financeiro, que a gente não veja mais torcida invadir centro de treinamento, jogador sendo agredido, objetos furtados. Se a gente pudesse ir a Brasília e invadir da mesma forma, aceitaria essa troca. Jogador não é marginal. Fico um pouco mais afastado agora, mas como sou torcedor, gostaria de ver o futebol da melhor forma.

O intuito é fazer com que o futebol brasileiro seja tão bom quanto a seleção brasileira, tão atraente para o futebol europeu, que a gente volte a encher os estádios
Sobre o Bom Senso F.C.

Relação com a imprensa

– Esse dia a dia passou a ser mais desgastante para os jogadores. Cansei de dar entrevista com a porta do carro aberta, o profissionalismo é bom para todo mundo. Hoje a informação chega muito rápida, jogador precisa ficar muito mais alerta, ter cuidado com informação, porque isso atrapalha muito a carreira, diria para não se expor tanto. Hoje, vocês leem pensamento praticamente. Isso mexe muito com alguns atletas, muitos não falam, porque não se sentem confortáveis, apesar de serem bem orientados para as assessorias, é um relacionamento importante, mas tem que ter muito cuidado.

Vida na França ou no Brasil?

– Eu gostaria de seguir no Brasil para me preparar mais para as funções que eu vir a exercer. Claro que minha ligação com o Lyon é muito forte e esse carinho deles me deixa feliz. Mas hoje já comecei a trabalhar de algum jeito na França, porque todas as quintas falo de futebol na rádio de lá. Mas a preferência no momento é ficar no Brasil.

Assumir uma equipe neste momento?

– Eu não posso dizer completamente que não, mas que é muito difícil, isso é. Como gosto de desafios, sei que pode acontecer, analisaria, mas não é minha preferência.

Copa do Mundo de 2006

– Era a seleção que achava que seria campeão pelo talento, mas não mereceu talvez. Única coisa que poderia falar é isso. Estava escrito, talvez, a geração que era campeã em 2002, teve dificuldade de repetir o sucesso de 2006. Não conseguimos juntos repetir o sucesso. Talvez tenhamos perdido a noção da força do trabalho. Eram grandes jogadores, foi um privilégio ter feito parte daquela seleção.

Volta para o Vasco

– Desde que saí do Brasil, recebi propostas para voltar. Todo o atleta que sai, tem o Brasil com as portas abertas se vai bem lá fora. Eu queria voltar ao Vasco. Antes eu não tinha condição pelo planejamento de vida. Depois recusei mais dois anos pelo Al-Gharafa e voltei ao Vasco. Eles apostaram em mim em 1995. Eu naquela época não vim de contrapeso do Leonardo, custamos o mesmo. Alguém criou isso. Eu poderia ter vindo em cima de um jumento que jogaria.

Ligação com o clube

– Desde que saí do Brasil recebi inúmeras propostas para voltar. Mas eu queria voltar para o Vasco. Houve oportunidade de voltar antes, mas não tinha condição de voltar pelo meu planejamento de vida, naquele momento não pude recusar a proposta do Catar. Meu pai era sócio do clube em 1958, tenho essa carteira de sócio do meu pai. Ele era da Marinha e vinha ver os jogos do Vasco aos domingo. Não nego que não imaginava que essa identificação se tornasse tão forte, mas foi com trabalho, dedicação, fazendo parte de uma geração vencedora.

Decepção com reação da torcida do Sport?

– Decepção foi o tratamento dado à minha família. Mas não guardo mágoa nenhuma, foi lá onde tudo começou. Foi uma coisa que não esperava que acontecesse (lembra do gol em 2012 na Ilha do Retiro e das ofensas dos torcedores aos seus familiares). Minha família estava com a camisa do Sport, eles apenas aplaudiram meu gol de falta, mandei beijo para eles. Fui levado para a Ilha do Retiro pelas minhas irmãs, aquilo foi um ponto decepcionante. Nunca vou esquecer de onde vim, não queria faltar com respeito com um clube, não foi nada disso.

Contrapeso?

– Aliás, é um momento para esclarecer uma história, essa de que eu vim como contrapeso do Leonardo. Não é verdade. Nós dois custamos US$ 1,5 milhão cada um, tínhamos o mesmo contrato. Algum dirigente criou essa historia, mas isso não me machuca, vim trabalhar e buscar meu espaço. Bom explicar isso, embora não faça diferença. Poderia chegar aqui em cima de um jumento que não mudaria minha vontade de vencer.

Jogo de despedida

– Já conversamos alguma coisa, nada definido, porque o time vem em recuperação, tem real condição de ganhar o estadual. Sabemos que tem período de parada entre a Copa do Mundo e o estadual, se der para encaixar alguma coisa, a gente vai fazer para os torcedores que gostam de mim virem me assistir. Mas o momento é de concentração deles para ganharem o estadual. Como adversários, seria bacana um River Plate ou o Lyon, mas vai depender da logística. Se aceitarem o convite, seria legal de fazer com todos ex-jogadores, mas sei que é mais fácil com elenco atual, um jogo de verdade, por isso que vou procurar manter minha forma.

É um momento para esclarecer uma história, essa de que eu vim como contrapeso do Leonardo. Não é verdade. Nós dois custamos US$ 1,5 milhão cada um, tínhamos o mesmo contrato
Sobre sua chegada ao Vasco, em 1995

Futuro

– Fui convidado para ser comentarista na Copa. Não está definido, mas é uma oportunidade de ver a Copa de perto.

Carreira como executivo

– São 20 anos jogando, joguei copa do mundo, campeonatos europeus, conheci o mundo árabe, foram seis meses nos EUA, isso tudo me dá confiança muito grande, por ter escolas diferentes, por ter vivido o dia a dia com muita intensidade. Talvez me preparando seja capaz de fazer um grande trabalho como gestor. Já aprendi muito com Rodrigo Caetano no dia a dia, jogamos juntos pouco tempo, agora voltamos a trabalhar juntos, ele é hoje merecidamente um dos melhores senão o melhor dirigente do país. E ele diz para mim que se preparou muito. Isso que quero fazer também.

Agradecimento e arrependimento

– Sou grato a todos por essa energia, por terem me ajudado a superar as derrotas, porque tenho muita dificuldade nisso. Se me arrependesse de algumas coisas, talvez que fui tantas vezes campeão e comemorei quase nada. Deveria ter curtido mais meus momentos, única coisa que me arrependo. Quando ganhava um campeonato já ficava preocupado com o queria viria depois.

Renato Maurício Prado comenta a aposentadoria de Juninho Pernambucano

futebol perde um pouco da graça. Claro, no natural círculo da vida, outros craques vão surgir e encantar as arquibancadas, mas nem assim serão capazes de apagar totalmente a saudade desse jogador tão especial, que conseguiu a idolatria dos vascaínos e o carinho e o respeito das torcidas rivais.

Juninho é daqueles casos raros, como Pelé, Zico, o próprio Roberto Dinamite (enquanto jogava), Ronaldo, Neymar e outros poucos: amado pelos seus torcedores e admirado e reverenciado por todos os fãs do “velho e violento esporte bretão”. Como conseguiu isso? Jogando uma bola redondinha e se portando como um verdadeiro profissional dentro e fora de campo.

Suas atuações decisivas, nas conquistas da Libertadores de 98, da Mercosul de 2000 e dos Brasileiros de 1997 e 2000 são inesquecíveis. Bem como a emoção genuína demonstrada, ao se despedir dos cruz-maltinos, após ser vendido para o Olympique Lyonnais, clube onde conquistaria sete títulos franceses consecutivos! Se na Colina Histórica, ele é o “reizinho”, imagine em Lyon.

Vencido pelo tempo e pelo consequente desgaste físico, Juninho, aos 39 anos, está deixando os gramados. Só nos resta levantar, aplaudir de pé e dizer muito obrigado. Deu gosto vê-lo jogar.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 02/02/2014

SporTV quer contratar Juninho Pernambucano . Ele entende de futebol , ao contrário do Roger Flores

O craque Juninho Pernambucano, do rebaixado Vasco da Gama, permanece nos planos do canal Sportv, e poderá trabalhar como comentarista assim que pendurar definitivamente as chuteiras.
Evidente que o torcedor do clube espera contar com o seu futebol na luta para voltar à divisão principal.
Mas, de qualquer forma, as portas da emissora já estão abertas.
Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

São dois os que sobram

São dois os que sobram

 

O Cruzeiro ainda não é o campeão brasileiro de 2013. Ainda. Mas o domingo já foi de festa quase completa no Mineirão, com direito a bela vitória – 3 a 0 sobre o Grêmio -, confraternização entre os jogadores no gramado e gritos de “é campeão!” vindos das arquibancadas. `

“A gente está muito próximo do nosso objetivo e o grito de campeão está engasgado, mas ainda falta pouco. Fizemos o nosso papel e estamos de parabéns, porque mostramos nossa força no Mineirão. Fico feliz com essa vitória e com a festa maravilhosa. Vamos soltar o grito de campeão agora e confirmar no próximo jogo”, disse o volante Nilton, referindo-se ao duelo diante do Vitória, na quarta-feira, no Barradão, em que uma vitória dos cruzeirenses basta para assegurar de vez a taça. Na mesma noite, o Atlético Paranaense visita o Criciúma.

Após o apito final no Mineirão, o atacante Dagoberto comandou a festa e, mesmo sem a taça, os jogadores deram até volta olímpica. Willian explicou que os atletas resolveram extravasar porque o título dificilmente vai escapar, mas frisou que isso não se trata de falta de respeito com os adversários. “Vamos comemorar, mas sabendo que tem mais um jogo e temos competência para conquistar e comemorar de vez. O grupo é muito forte e, pelo momento, estamos extravasando de uma forma respeitosa. Sabemos que falta um jogo, mas temos tudo para concretizar o título. Por isso, a festa começou hoje.”

A celebração só não foi total e matematicamente assegurada porque, enquanto a Raposa brilha, aquele que é o único time que, em tese, ainda pode alcançar os mineiros na ponta da tabela também vem voando baixo: dias após ter se classificado para a final da Copa do Brasil, o Atlético Paranaense deu mais uma demonstração de sua força ao interromper uma sequência de dez jogos sem derrota do São Paulo.

E não só interromper, mas com sobras: foi também com um 3 a 0 na Vila Capanema que os rubro-negros chegaram a 58 pontos: 13 a menos do que o Cruzeiro, mas, mais importante, já quatro a mais do que o Grêmio e cinco a mais do que Botafogo – que perdeu para o Internacional por 2 a 1 em Caxias do Sul – e Goiás.

Na gangorra de alguns pontinhos que faz um time um dia estar preocupado com rebaixamento e, no outro, pensando em vaga na Copa Libertadores, a vez de se animar é do Vitória: diante de uma Ponte Preta preocupada também com a semifinal da Copa Sul-Americana diante do São Paulo na semana que vem, os baianos se aproveitaram, jogaram bem em Campinas e marcaram 3 a 0 para chegar a 51 pontos, na sexta colocação.

A vez de o Fluminense sofrer
Foi como se a leva de jogos da tarde do domingo se tratasse de um assunto e os da noite, de outro. Porque uma vez feita a festa do Cruzeiro e ratificado o embalo do Atlético Paranaense, o que entrou em campo a partir das 19h30 foi sobretudo pautado por um assunto: o rebaixamento, ou a luta contra ele.

Três equipes em posição tremendamente crítica entraram em campo – para não falar do já rebaixado Náutico, claro – e cada uma delas saiu com um gosto bem diferente. O Vasco recebeu o Santos, esteve perdendo por 2 a 0 e com Juninho Pernambucano fora de campo. Pelas circunstâncias, então, comemorou seu pontinho do empate em 2 a 2 como se de uma vitória se tratasse. Porque vitória mesmo quem teve foi o Criciúma, com um golzinho suado diante do Náutico.

E derrota, no final das contas, só mesmo do Fluminense. Diante do Corinthians, em Araraquara, o atual campeão levou gol de pênalti de Alexandre Pato no final da partida e apertou a corda contra seu pescoço na luta contra a queda para a Série B em 2014.

A briga mais aguda é logo acima do Náutico (17 pontos) e da Ponte Preta (34). Hoje, estariam rebaixados Criciúma e Fluminense, ambos com 36 pontos. Os vascaínos, com o empate, foram a 37, enquanto o Bahia tem 39 e a Portuguesa, 40.

Resultados da 33ª rodada:
Bahia 0 x 0 Atlético Mineiro
Portuguesa 0 x 0 Coritiba
Flamengo 1 x 1 Goiás
Internacional 2 x 1 Botafogo
Ponte Preta 0 x 3 Vitória
Cruzeiro 3 x 0 Grêmio
Atlético-PR 3 x 0 São Paulo
Vasco 2 x 2 Santos
Corinthians 1 x 0 Fluminense
Náutico 0 x 1 Criciúma

 

FIFA.com

A televisão precisa entrar na discussão do futebol

Juninho Pernambucano, Seedorf, Cris, Dida e Paulo André representaram o Bom Senso F.C. em reunião com a CBF

Juninho Pernambucano, Seedorf, Cris, Dida e Paulo André representaram o Bom Senso F.C. em reunião com a CBF

Os jogadores de futebol, através do Bom Senso F.C., se uniram por necessárias mudanças no calendário brasileiro e representados por alguns deles – Seedorf, Paulo André, Dida e Juninho, estiveram com o presidente José Maria Marin, naquele que pode ser considerado o pontapé inicial de um amplo entendimento.

No entanto, é preciso considerar que a CBF, embora apresentada como dona do brinquedo, tem até a página três condições de, nesta altura dos acontecimentos, organizar alguma coisa mais humana e justa valendo a partir de 2014.

Ninguém pode esquecer a presença de um componente chamado televisão, que é quem de verdade paga essa conta. Todo e qualquer acordo deve passar necessariamente por ela, que contratou e repassou aos seus patrocinadores um determinado número de datas para o próximo ano.

Houve um pagamento e há o comprometimento para a entrega. O valor do dinheiro em jogo é muito alto, e quebrar uma condição já estabelecida pode implicar sérios prejuízos.

Outra questão – 1

É impossível acreditar que a Globo não tenha, de alguma maneira, abençoado ou participado da decisão da CBF em receber os jogadores. O Marin, que a gente conhece, sem ter este ponto de apoio, dificilmente tomaria tal decisão sozinho.

Outra questão – 2

Tem também o lado da TV fechada que deve ser considerado. Havendo a redução de datas, como se pretende principalmente em relação aos estaduais, muito mais que a Globo ou Bandeirantes, será ela a maior prejudicada.

Outra questão – 3

É, no mínimo, curiosa a situação dos clubes em todo o processo. Eles praticamente se eximiram de qualquer discussão. Preferiram, como sempre, sentar na numerada e não se comprometer com coisa nenhuma, nem mesmo de montar e conservar plantéis que possam tornar as competições mais interessantes.

Por último

Não se pode esquecer que os clubes, ou a maioria deles, já pegaram adiantado da televisão aquilo que têm direito pelas transmissões. Como vão fazer agora? Devolver o dinheiro?

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Renato Maurício Prado comenta Vasco 1 x 1 Ponte Preta

 

Juninho Pernambucano perdeu pênati, mas ainda assim o Vasco ia derrotando a Ponte Preta, em São Januário, graças a um gol de André, que parece estar recuperando a boa forma do início de carreira no Santos. Só que aí surgiu outro ex-atacante da Vila Belmiro, William, para empatar, igualando-se a Maxi Biancucchi na liderança da artilharia. Com a reconhecida carência de bons atacantes, por que nenhum clube grande se interessou por ele?

 

Coluna redigida pelo jornalista Renato Maurício Prado para o jornal carioca O GLOBO no dia 09/08/2013

Amanhã tem Vasco x Botafogo às 18h30

Confronto Guia da Rodada - bolinhas - Vasco x Botafogo (Foto: Editoria de Arte)

DOMINGO, 18H30M – MARACANÃ

 

É um tal de Juninho para lá, Juninho para cá. É um tal de Seedorf para lá, Seedorf para cá. São duas figuras emblemáticas. Chamam a atenção dos jovens, incendeiam a torcida, decidem. Até mesmo quando não entra em campo o Reizinho da Colina é assunto. Não precisou nenhum jornalista perguntar sobre uma possível “Juninhodependência” do Vasco que o técnico Dorival Júnior foi direto ao ponto e admitiu a falta que o meia fez no empate por 0 a 0 com o Goiás. A ausência teve motivo: o treinador queria poupa-lo para ter condição de jogar contra o Botafogo. Afinal, clássico é clássico. E clássico contra o líder é preciso tomar as devidas providências. Tomar providência é com Seedorf. O holandês assume mesmo o posto de principal nome do time. Durante a semana pediu a palavra em entrevista coletiva e convocou a torcida para o triunfo contra o Vitória, por 2 a 0. Pouco mais 19 mil torcedores foram ver o Glorioso reassumir a liderança. Se empolgaram, e a providência tomada parece ter dado certo. Talvez nem precise mais de convite para domingo.

Cartola FC: Juninho Pernambucano retorna ao Vasco no clássico. O “Reizinho” tem disparado a melhor média de pontos do time, com 12.10, e custando apenas C$ 12,86 segue sendo a melhor aposta. Do outro lado, o volante Gabriel apresenta uma boa relação custo-benefício. O jogador do Botafogo vem evoluindo nas roubadas de bola – já tem 18 na competição -, e custa apenas C$ 5,74.
Na TV: PremiereFC 1: Eduardo Moreno e Paulo César Vasconcellos.
Arbitragem: Wagner do Nascimento Magalhães (RJ) apita o jogo, auxiliado por Wagner de Almeida Santos (RJ) e Luiz Antonio Muniz de Oliveira (RJ).
Você sabia que… na última vez que o clássico aconteceu Maracanã o Botafogo venceu? Aconteceu no dia 21 de fevereiro de 2010, pela decisão da Taça Guanabara. O Glorioso fez 2 a 0, gols de Fábio Ferreira e Loco Abreu.

Vasco 3 x 2 Criciúma

“Vascaíno, seu destino é o Caldeirão. Rei na Colina merece casa cheia”, anunciava o site do Vasco durante a semana. Pois bem. Foi o que a torcida fez. Ao todo, 18.304 (14.712 pagantes) esriveram presentes em São Januário para assistir ao jogo contra o Criciúma, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro, numa noite de sábado. Casa cheia não era problema. Faltava a presença do rei, tão aclamado. Pois bem. Juninho cobrou falta com dois minutos e fez gol no seu retorno a São Januário após passagem pelo futebol dos EUA – havia marcado também contra o Fluminense, na reestreia, no Maracanã. Também deu assistência, e o Cruz-Maltino, apesar do breve susto com um 2 a 2 no placar, venceu a equipe catarinnese por 3 a 2.

– Passei 13 jogos sem fazer gol nos EUA e não sabia mais nem como vibrar – disse o Reizinho.

Cobrar falta parece que virou moda. O zagueiro Rafael Vaz aprendeu direitinho. Fez o seu. O Criciúma diminuiu também com a bola parada, no chute de Ivo. Empatou com Wellington Paulista, mas Juninho, ele de novo, cobrou falta na medida para Edmílson decretar a vitória. Parece que o destino de Juninho é mesmo fazer a alegria dos cruz-maltinos.

– A gente conversa sempre, treina, e o Juninho confiou em mim, fiquei honrado com isso. Ele é um excelente cobrador de falta, temos muito a ganhar na bola parada – contou Rafael Vaz.

Mas as lembranças do passado não ficaram restritas aos 15 anos – completados esta semana – do lance pela semifinal da Libertadores, contra o River Plate, em 1998, o que rendeu placa para Juninho entregue pelo presidente Roberto Dinamite. Teve a estreia do “uniforme raízes”, lançado no último dia 19 e que faz uma homenagem ao navegador português Vasco da Gama e suas conquistas.

O Vasco chegou a 13 pontos, agora é o sexto colocado. Na próxima quinta-feira vai ao Serra Dourada encarar o Goiás, às 21h. Em 12º, com dez pontos, o Criciúma vai a São Paulo na quarta-feira, quando pega a Portuguesa às 19h30m.

Gol de quem?

São Januário ainda reverenciava o Reizinho quando a corte ficou apreensiva: uma entrada forte de Gílson, com apenas um minuto de jogo, poderia ter tirado Juninho da partida. Não passou de um susto. Após atendimento médico fora de campo, ele voltou. E as faltas seguiram. Até que Fábio Ferreira levou o cartão amarelo. Mal girava o ponteiro do relógio e vinha outra falta, como fez Marlon em Eder Luis a meia distância.

Com Juninho refeito, seria gol de quem? Gol do Juninho – o 35º marcado em 144 jogos em São Januário. Nada monumental como o marcado contra o River Plate em 1998. Foi mais na sorte, na ajudinha do goleiro Bruno, que aceitou o chute. Pouco importa. Dias após a comemoração dos 15 anos do lance contra os argentinos, nada melhor que uma cobrança de falta para a torcida explodir: “Gol do Juninho! Monumental!”

Até metade do primeiro tempo, era um Vasco veloz, com Eder Luis puxando contra-ataque, Henrique bem no apoio, Wendel como elemento surpresa e Rafael Vaz presente nas bolas aéreas. Porém, o Criciúma acordou também com algumas faltas na entrada da área e contragolpes armados por Cassiano, que teve uma chance de ouro, livre. Mas a saída de Diogo Silva salvou o que seria empate.

Rafael Vaz e Juninho gol Vasco x Criciúma (Foto: Celso Pupo / Ag. Estado)
Juninho e Rafael Vaz comemoram o gol do Vasco (Foto: Celso Pupo / Ag. Estado)

Faltas e mais faltas

Não fosse a aparição do recém-contratado Guiñazu num camarote de São Januário, a volta do intervalo teria o mesmo enredo da etapa inicial. Aos dez minutos, falta para o Vasco. Desta vez Rafael Vaz foi abusado. Chamou a responsabilidade e acertou uma cobrança bem colocada.

Aí Ivo deve ter pensado: “Se eles podem, por que eu não posso?”. Em uma falta na lateral da área, mandou direto para o gol. Fábio Ferreira subiu, tentou desviar, mas foi de Ivo o lance que abriria as portas da esperança dos catarinenses.

Então Marlon resolveu cobrar lateral direito na área, com um pequeno desvio no meio do caminho. Diogo Silva, o mesmo que havia salvado o que seria o gol de Cassiano, falhou. Um tapa na bola e deixou na medida para Wellington Paulista acertar uma quase bicicleta: 2 a 2. Daniel Carvalho entrou no lugar de Amaral para dar mais ofensividade.

A torcida se calou. São Januário parou. Juninho voltou. Mais uma falta, agora mais distante. O Reizinho mandou na área, para Edmilson, sozinho, fazer explodir o estádio.

O Vasco adotou um estilo mais cauteloso. Apostou em contra-ataques. Eder Luis foi fominha, a torcida reclamou. Mas o dia era de festa. Cantos para Juninho, cantos de São Januário o Caldeirão, e eufóricos gritos de “o campeão voltou”. Porém nem tudo foi positivo. Bem no fim do jogo uma garrafa de plástico foi arremessada no gramado e o assistente Edilson Frasão Pereira recolheu o objeto.