Renato Maurício Prado comenta que as eleições no Flamengo estão desfavoráveis para Patrícia Amorim

Apenas três candidatos disputarão a presidência do Flamengo, no próximo dia 3 de dezembro. Depois de Lysias Itapicurú e Maurício Rodrigues terem fechado com a chapa de Jorge Rodrigues, a chapa de Ronaldo Gomlesky acaba de aderir à de Eduardo Bandeira de Mello, a chapa azul, que era encabeçada por Wallim Vasconcellos.

Desta forma, disputarão a presidência apenas Patrícia Amorim, Eduardo Bandeira de Mello e Jorge Rodrigues, situação que, ao menos teoricamente, parece favorecer a oposição.

Das três chapas que acabaram aderindo a outras, a de Ronaldo Gomlesky era a que aparecia mais bem colocada nas pesquisas, o que reforça ainda mais a candidatura de Eduardo Bandeira de Mello, também sempre líder nas pesquisas, seguido por Patrícia Amorim.

 A união das oposições reforça também a impressão de que a maioria do clube é contra a reeleição da atual presidenta.

Coluna redigida pelo jornalista Renato Maurício Prado para o jornal carioca O GLOBO no dia 27 de novembro de 2012

Renato Maurício Prado analisa os bastidores da eleição no Flamengo

Não há como deixar de considerar golpe o que aconteceu na sexta-feira à noite no Conselho de Administração do Flamengo, na Gávea.

À fria luz do estatuto do clube, nenhuma das três chapas que corriam riscos de impugnação poderia ter sido validadas. Nem a de Patrícia Amorim, que até hoje não teve aprovadas as contas de 2011, nem a de Jorge Rodrigues, que, através de sua empresa (Triunfo), é patrocinador do time de futebol, nem a de Wallim Vasconcelos, que não tem cinco anos consecutivos de vida associativa desde que voltou a ser sócio.

As três chapas, contudo, já tinham sido analisadas e aprovadas nas comissões jurídica e eleitoral do Flamengo. O correto, portanto, seria que fossem aceitas no Conselho de Administração e disputassem, nas urnas, a presidência no triênio de 2013 a 2015.

Mas aí houve o golpe. As chapas de Patrícia e Jorge foram aprovadas, sem sustos (não custa lembrar, foi a atual diretoria quem indiciou 48 dos 100 membros do conselho)e as candidaturas de Wallim e Rodolfo Landim, impugnadas.

Por que? Pelo simples fato de que Wallim era visto como a maior ameaça à reeleição da atual mandatária. Além do apoio maciço da torcida, já contava com crescente simpatia entre os sócios e as pesquisas indicavam que era o favorito da oposição.

Diante disso, a tropa de choque da situação jogou pesado para tirar do caminho o maior obstáculo à reeleição de Patrícia Amorim.

A guerra, porém, ainda não acabou. A chapa “Flamengo campeão do mundo” apenas trocou de candidatos e o administrador de empresas Eduardo Bandeira de Mello, de 59 anos e há 35 como executivo do BNDES, se tornou o substituto de Wallim Vasconcelos. Ele é membro do Conselho Deliberativo do clube e sócio-proprietário desde 1978.

Os próximos capítulos dessa novela na qual vale-tudo e não faltam vilões de todos os tipos, prometem deixar os rubro-negros de cabelos em pé…

Pobre Flamengo!

 

Coluna redigida pelo jornalista Renato Maurício Prado para o jornal carioca O GLOBO