Votação de impeachment será finalizada no domingo, diz Cunha

Notícia Publicada em 12/04/2016 09:25

Peemedebista informou que se reunirá com os líderes partidários para definir o roteiro para o processo de discussão e votação do processo

Segundo Cunha, a primeira sessão para debate do impeachment deve ser aberta às 9h da próxima sexta-feira (Valter Campanato/Agência Brasil)
Segundo Cunha, a primeira sessão para debate do impeachment deve ser aberta às 9h da próxima sexta-feira
(Valter Campanato/Agência Brasil)

BRASÍLIA – A votação do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados vai ser iniciada na próxima sexta-feira (15) e finalizada no domingo (17), confirmou nesta segunda-feira (11) o presidente da Casa, deputado Eduardo Cunha. O peemedebista informou que se reunirá hoje (12) com os líderes partidários para definir o roteiro para o processo de discussão e votação do processo.

Segundo Cunha, a primeira sessão para debate do impeachment deve ser aberta às 9h da próxima sexta-feira. O formato da votação, no entanto, ainda será decidido pelo colégio de líderes. O peemedebista adiantou, contudo, que o rito será diferente do usado no processo de cassação do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em que os deputados foram chamados para a votação em ordem alfabética.
“Vou chamar pelo nome”, ironizou Cunha. “[A decisão] será comunicada em decisão escrita, lida em plenário”.

Cunha explicou que a ideia é dar palavra para o autor do pedido, depois para a defesa e, em seguida, começar a discussão. “Cada sessão que é convocada, os líderes têm direito de pedir o tempo de liderança, ou seja, isso atrasa e arrasta a sessão. Estou prevendo que na sexta-feira faremos três ou quatro sessões e no sábado três sessões para, no domingo, a gente fazer a sessão derradeira”, disse.

De acordo com o Regimento Interno da Câmara, cada partido têm direito a falar por uma hora, sendo que esse tempo pode ser dividido por até cinco deputados. A previsão do presidente da Casa é que as discussões na sexta e no sábado se arrastem pela madrugada, para que no domingo a votação ocorra durante o dia. Amanhã será feita a leitura do parecer da comissão especial do impeachment e na quarta-feira o documento será publicado no Diário Oficial da Casa.

Perguntado sobre o resultado da votação, Cunha limitou-se a dizer que “não tenho que achar nada” e que “não tem nenhuma surpresa”.

(Por Iolando Lourenço – Colaborou Ivan Richard)

 

O FINANCISTA

Michel Temer se põe no seguro: “Brasil enfrentará sacrifícios” em seu governo

Notícia Publicada em 11/04/2016 19:22

Em áudio vazado, vice-presidente evita imagem de salvador da pátria e cita “governo de transição”

Ai , ai , ai , ai

está chegando a hora

O dia já vem raiando meu bem

e a Dilma já vai embora…

SÃO PAULO – O vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) não quer ser visto como nenhum super-herói, capaz de salvar o país com um raio milagroso, caso venha a assumir o comando do país, após uma possível aprovação do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Em um áudio supostamente enviado por engano por Temer a um grupo de whatsapp, o peemedebista procura conter o entusiasmo com uma eventual troca de governo, e afirma que o país não mudará da noite para o dia. Segundo Temer, fazer o Brasil voltar a crescer “significará sacrifícios iniciais ao povo”.

“Não quero gerar expectativas falsas”, disse. “Não se pode pensar que, havendo um novo governo, tudo estará resolvido em três ou quatro meses; nesse prazo, pode-se começar a encaminhar as soluções”, acrescentou. Temer, que também é o presidente nacional do PMDB, citou que seu governo será de “transição” em alusão à disposição de promover um pacto de reconciliação nacional. O vice-presidente sinalizou com a possibilidade de tocar as tão citadas reformas, como a política e a tributária.

O peemedebista, que é acusado pelo PT de ser o principal mentor do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, procurou também garantir que manterá “as conquistas sociais dos últimos tempos”. Temer lembrou o temor, difundido por parte dos governistas e dos movimentos sociais, de que, uma vez no Palácio do Planalto, cortaria programa como o Bolsa Família, o Pronatec e o Fies.

“Tudo isso é falso e mentiroso”, disse, no áudio. “Isso é fruto da política mais rasteira que tomou conta do país”, completou. Temer afirmou que, em vez de acabar com os programas, pretende ampliá-los até que o Brasil chegue a um momento em que não necessite mais deles.

 

O FINANCISTA

Em áudio, Temer fala como se impeachment já tivesse sido aprovado, diz Folha

Notícia Publicada em 11/04/2016 16:16

Vice-presidente se dirige ao povo brasileiro após ter se recolhido há mais de um mês

Vice-presidente Michel Temer enviou discurso de 15 minutos a parlamentares de maneira "acidental" (Valter Campanato/Agência Brasil)
Vice-presidente Michel Temer enviou discurso de 15 minutos a parlamentares de maneira “acidental” (Valter Campanato/Agência Brasil)

SÃO PAULO – O vice-presidente Michel Temer enviou um discurso de 15 minutos a parlamentares de seu partido, o PMDB, em que fala como se o processo de impeachment da presidente Dilmna Rousseff já tivesse sido aprovado pela Câmara dos Deputados. A informação é do jornal Folha de S. Paulo.

Temer se dirige ao povo brasileiro e diz que, após ter se recolhido há mais de um mês – “para não aparentar que eu tivesse cometendo algum ato com vistas a ocupar o lugar da senhora presidente da República” -, muitos o procuraram em busca de uma resposta preliminar, por estarem preocupados com a situação do país.

Em trecho da gravação, Temer afirma: “agora, quando a Câmara dos Deputados decide por uma votação significativa declarar a autorização para a instauração de processo de impedimento contra a senhora presidente.”

Fonte próxima ao peemedebista indicou que o vice-presidente enviou o aúdio para o grupo errado no WhatsApp. Temer teria gravado uma mensagem para ser avaliada por sua equipe de comunicação com um eventual pronunciamento que ele distribuiria caso a continuidade do impeachment de Dilma fosse confirmado e o processo fosse encaminhado ao Senado.

Como os destinatários foram alguns peemedebistas favoráveis ao impeachment da presidente, estes teriam tratado de espalhar a fala de Temer.

“Acidente”

Procurada pela reportagem de O Financista, a assessoria de imprensa do vice-presidente afirmou que o envio do áudio aos seus aliados aconteceu de maneira acidental.

A assessoria de Temer disse à Reuters que a mensagem foi seguida por outra pedindo que a mensagem com o áudio fosse desconsiderada.

(Com Reuters)

(Atualizada às 16h56)

 

O FINANCISTA

Ibovespa sobe na sessão, mas encerra semana volátil com leve perda

Notícia Publicada em 08/04/2016 17:14

Para mercado, últimos desdobramentos favorecem perspectiva de mudança no país

O Ibovespa subiu 3,67%, a 50.292 pontos (O Financista / Renzo Fedri)
O Ibovespa subiu 3,67%, a 50.292 pontos (O Financista / Renzo Fedri)

SÃO PAULO – O principal índice da Bovespa fechou com alta de 3,7% nesta sexta-feira (8), com ações como Banco do Brasil avançando dois dígitos, diante da avaliação de investidores de que os últimos desdobramentos no campo político favorecem a mudança de comando no país.

O quadro externo favorável a mercado emergentes e commodities endossou o avanço doméstico, mesmo com o enfraquecimento dos pregões em Wall Street. O índice MSCI de referência para mercados emergentes subiu 0,93%.

O Ibovespa subiu 3,67%, a 50.292 pontos. Na máxima, o índice de referência do mercado acionário brasileiro saltou 4%. O volume financeiro somou R$ 8 bilhões, acima da média diária de abril, que está abaixo de R$ 6 bilhões.

De acordo com agentes do mercado financeiro, o parecer do procurador-geral da República contrário à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil foi um dos principais fatores por trás do sentimento positivo na bolsa paulista nesta sessão.

O entendimento entre esses profissionais é de que a presença formal de Lula no governo facilitaria a articulação política para barrar o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, enquanto sua ausência formal na equipe do governo atenua tal vantagem.

Nesse contexto, além da decisão de Janot, reforçaram o viés positivo no pregão levantamentos da mídia brasileira mostrando aumento da parcela de deputados a favor do impeachment.

O economista da gestora de recursos Rio Bravo Investimentos Evandro Buccini disse que as últimas notícias deram suporte a percepções mais favoráveis ao impeachment após uma semana em que vinha prevalecendo o oposto.

O desempenho da bolsa na semana refletiu tal visão, com o Ibovespa acumulando perda de 0,53% na semana.

Destaques

Banco do Brasil disparou 11,53%, capitaneando o avanço dos papéis de bancos, conforme o setor segue também atrelado a expectativas no campo político. Itaú Unibanco ganhou 6,3% e Bradescosubiu 4,94%, fortalecendo o avanço do Ibovespa dada a relevante fatia que ambos detêm na composição do índice.

Petrobras encerrou com as preferenciais em alta de 7,27%, também influenciadas por expectativas relacionadas à esfera política, além da forte alta dos preços do petróleo no mercado internacional.

Vale avançou 8,36%, acompanhando o viés positivo do pregão como um todo e beneficiada pelo avanço das commodities em geral, embora o minério de ferro tenha recuado na sessão.

Usiminas saltou 14,29%, em sessão de alta do setor siderúrgico na Bovespa como um todo, em meio a notícias sobre cortes de produção na China. Os papéis do setor também tem beta elevado, logo, costumam oscilar com mais intensidade em relação ao movimento do Ibovespa.

Rumo Logística liderou as altas do Ibovespa com ganho de 20,37%, após a transportadora logística levantar R$ 2,6 bilhões em operação de aumento de capital, o que trouxe alívio às preocupações com o balanço e o financiamento de investimentos da empresa. Na véspera, o papel recuou quase 17%.

BMF&Bovespa subiu 4,95%, após a operadora da bolsa vender sua participação acionária no CME Group para financiar a compra da Cetip, o que alimentava expectativas de que o anúncio da união entre as duas empresas ocorra em breve. As ações da Cetip avançaram 2,01%.

JBS perdeu 5,69%, entre as poucas quedas do Ibovespa, pressionada pela queda do dólar ante o real dada a exposição de seu balanço à moeda norte-americana.

Fibria recuou 6,55%, assim como outras ações do setor de papel e celulose, também afetada pelo movimento na taxa de câmbio, além de dados recentes mostrando queda nos preços de celulose na China.

(Por Paula Arend Laier)

(Atualizada às 18h)

VA

 

O FINANCISTA

A economia em abril: o mês em que o mercado começará a cair na real

Notícia Publicada em 05/04/2016 08:59

Votação do impeachment de Dilma pela Câmara deixará mais claro o que virá na área econômica

A esfinge da vez: mercado busca um perfil mais nítido e menos eufórico de um possível governo Temer (Agência Brasil/Marcelo Camargo)
A esfinge da vez: mercado busca um perfil mais nítido e menos eufórico de um possível governo Temer
(Agência Brasil/Marcelo Camargo)

SÃO PAULO – Para o bem ou para o mal, abril representará um choque de realidade na política e na economia. O motivo é que, finalmente, o impeachment da presidente Dilma Rousseff será votado pela Câmara. Se não tiver apoio, os investidores saberão que conviverão com um governo fraco e desnorteado até 2018, e tomarão suas providências. Se o impedimento for aprovado e seguir para o Senado, um eventual governo de Michel Temer começará a ser avaliado com menos paixão e mais pragmatismo – afinal, a cabeludíssima crise não desaparecerá por mágica.

De qualquer jeito, a ficha começará a cair para os investidores que, nos últimos tempos, abandonaram os fundamentos da economia para tomar decisões com base na euforia de possíveis mudanças – a ponto de fazer a Bolsa disparar quase 17% no mês passado, mesmo com a visível piora da economia real. O alerta já soou para muitos analistas. “A alta motivada pelo cenário político poderá sofrer um revés neste mês, dependendo do andamento do processo de impeachment da presidente Dilma”, afirma a Ativa, em relatório.

“Com a ‘Ponte para o Futuro’ e o ‘Plano PT’ circulando, os mercados já sabem o que esperar com o cargo de presidente sendo ocupado por Temer ou Dilma”, acrescenta a XP Investimentos, em análise assinada por Ricardo Kim. Mesmo que haja uma predileção clara dos investidores pela troca de governo, cada vez mais analistas afirmam que um eventual governo Temer não será um passeio no paraíso. Para a Ativa, por exemplo, o plano “Ponte para o Futuro” é de “difícil implementação”.

Em parte, a dificuldade decorre da impopularidade de algumas medidas, como a reforma da Previdência. Mudanças como essas precisam do crivo do Congresso, algo que não é, necessariamente, garantido, mesmo com Temer no Palácio do Planalto. “Qualquer melhoria sustentável nos resultados fiscais dependerá de reformas, que requerem aprovação do Congresso”, observa o Bradesco, em seu relatório de cenário para abril. “Mas as incertezas no ambiente político não devem se dissipar tão cedo, e isso continuará limitando essas reformas necessárias.”

A realidade

O pano de fundo da votação do impeachment será a economia real, segundo os analistas. Em abril, a inflação deve continuar apresentando sinais de arrefecimento, mas pelos motivos errados: a persistência da retração econômica e o aumento do desemprego. Para os analistas, este mês registrará um novo avanço no indicador de pessoas desocupadas, seja por que perderam seu emprego, seja por que a deterioração da renda está levando mais membros de cada família a procurarem uma colocação.

A desaceleração dos preços e a recessão, contudo, não devem ser suficientes para convencer o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central a cortar a taxa básica de juros (Selic) na reunião prevista para o fim do mês. A maioria dos analistas espera que o BC mantenha a taxa, hoje em 14,25% ao ano, até por volta de outubro, quando deve começar a cortá-la.

Em meio a toda essa confusão política e à ansiedade dos mercados, os analistas apontam o câmbio como o indicador que está, atualmente, mais colado aos fundamentos econômicos. A Gradual, por exemplo, observa que a cotação do dólar, no Brasil, guarda uma correlação de 74% com o preço das commodities agrícolas e minerais exportadas pelo país. Por isso, afirma que o BC deve intervir discretamente no câmbio.

O FINANCISTA

Precisando de menos votos, governo ganha fôlego adicional para barrar impeachment

Notícia Publicada em 05/04/2016 15:33

Especialistas acreditam que últimos passos da oposição aumentaram as chances de Dilma permanecer no poder

Divergência em partidos da base aliada e eventual abstenção são principais fatores de esperança para Dilma permanecer no poder (Reuters/Ueslei Marcelino)
Divergência em partidos da base aliada e eventual abstenção são principais fatores de esperança para Dilma permanecer no poder (Reuters/Ueslei Marcelino)

SÃO PAULO – Com um número elevado de indecisos, o resultado da votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados ainda é imprevisível. Pouco menos de duas semanas antes da votação, governo e oposição seguem firmes em suas estratégias para garantir apoio.

Segundo levantamento do jornal O Estado de S. Paulo publicado no final de semana, 261 parlamentares votariam a favor da abertura do processo de impeachment de Dilma e 117 se posicionariam contra. A publicação ouviu 442 dos 513 deputados da casa nos últimos quatro dias.

Nove não quiseram se manifestar, 55 disseram estar indecisos ou preferiam esperar a orientação de seus partidos e 71 integrantes de 15 siglas não foram localizados.

Para a abertura do processo de impeachment na Câmara são necessários dois terços do plenário: 342 votos. Para arquivar o processo, o governo precisa do apoio de 171 deputados. Neste contexto, os governistas precisam garantir 54 votos para barrar o impedimento da petista (31,6% do total necessário), enquanto os opositores devem ter o apoio de mais 81 deputados para levar o processo para o Senado (23,7%).

Especialistas consultados por O Financista indicam que o governo ganhou um novo fôlego de resistência na última semana, em função de passos em falso dados por opositores de Dilma.

“Em termos percentuais, o governo precisa de mais apoio que a oposição. O custo de apoiar o governo subiu desde o ano passado. O custo de sustentar apoio à oposição, porém, também tem ficado alto nas últimas semanas”, disse Vitor Oliveira, cientista político da consultoria de análise política Pulso Público.

O desembarque do PMDB, que foi oficializado na semana passada, é apontado como um dos principais fatores que determinaram o enfraquecimento do impeachment de Dilma. Analistas entendem que a falta de transparência das manobras da legenda peemedebista coloca a legitimidade do impedimento da petista na berlinda.

“A saída do PMDB do governo não foi feliz e não foi unânime. O partido tem muitas divergências internas e isso deve se refletir na votação do impeachment na Câmara”, explicou Paulo Roberto Camargo, cientista político das Faculdades Rio Branco. “Ficou claro que a saída desastrosa do PMDB acabou por fortalecer o governo e diminuir as chances de impedimento de Dilma”, completou.

Mesmo tendo desembarcado na semana passada, as apostas são de que o partido do vice-presidente Michel Temer mostre resquícios de divisão até mesmo na votação.

“Vários parlamentares de partidos que faziam ou fazem parte da base aliada, incluindo o PMDB, cogitam votar contra o impeachment. Essa divisão deve desencadear em uma vitória de Dilma”, disse Oliveira.

Camargo destacou que os indecisos devem estar divididos entre a ética dos recentes movimentos do governo e da oposição para defenderem suas opiniões e as manifestações populares tanto dos opositores quanto dos governistas.

A abstenção pode ser uma das principais aliadas daqueles que pretendem ser contrários ao impeachment de Dilma, mas temem que o posicionamento lhes traga rejeição nas ruas.

De acordo com Oliveira, depois da divergência interna dos partidos, a abstenção é o principal fator que pode contribuir para que o impedimento da petista não siga adiante.

“O impeachment está perdendo força, e acredito que a ausência de alguns parlamentares será determinante para que Dilma se mantenha à frente do Palácio do Planalto”, avaliou Camargo, acrescentando que “não sabe qual carta a oposição pode ter na manga”.

 

O FINANCISTA

Eurasia considera esfriamento e diminui previsão sobre impeachment

Notícia Publicada em 05/04/2016 16:02

Consultoria cortou para 60% as chances de que o impedimento de Dilma saia do papel

Eurasia mantém em 75% as projeções de que Dilma não terminará seu mandato (Wilson Dias/Agência Brasil)
Eurasia mantém em 75% as projeções de que Dilma não terminará seu mandato (Wilson Dias/Agência Brasil)

SÃO PAULO – A Eurasia Group, consultoria especializada em cenários políticos, rebaixou de 75% para 60% as chances de um impeachment da presidente Dilma Rousseff. A nova estimativa ocorre na semana seguinte ao desembarque figurativo do PMDB da base aliada do governo federal e em meio às negociações do PT e da oposição com os parlamentares indecisos sobre como votarão no processo de impedimento na Câmara dos Deputados.

Ainda assim, a Eurasia mantém elevada as perspectivas de que a petista deixará o comando do Palácio do Planalto, embora ainda não saiba como se dará essa saída. A consultoria permanece estipulando em 75% as projeções de que Dilma não terminará seu mandato.

O FINANCISTA

Lula considera nova “Carta ao Povo Brasileiro” se impeachment não acontecer, diz Folha

Notícia Publicada em 04/04/2016 11:14

Na 1ª edição da Carta, em 2002, Lula tentou acalmar mercado e culpava a política econômica do governo federal pela crise financeira

Dilma terá de creditar ao seu antecessor boa parte de eventual vitória sobre impeachment e dividir com ele rédeas da administração petista (José Cruz/Agência Brasil)
Dilma terá de creditar ao seu antecessor boa parte de eventual vitória sobre impeachment e dividir com ele rédeas da administração petista (José Cruz/Agência Brasil)

 SÃO PAULO –  O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia lançar uma versão nova da “Carta ao Povo Brasileiro” caso o plenário da Câmara dos Deputados barre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, segundo informações do jornal Folha de S.Paulo.

Em 2002, quando Lula fez a Carta, na sua primeira eleição, a tentativa era acalmar o mercado e culpava a política econômica do governo federal pela crise financeira. Segundo o jornal, agora na suposta nova edição, a ideia é que o documento proponha mudanças na atual política econômica, defenda reformas estruturais e faça um chamamento público a movimentos sociais e a setores empresariais.

De acordo com a Folha, para aliados de Lula, após crise do impeachment, a presidente terá de abrir espaço para o diálogo com a sociedade e implementar mudanças administrativas caso queira chegar ao fim do mandato.

Segundo o núcleo petista, sua sobrevivência dependerá de Lula assumir um papel de “protagonismo” no comando do governo federal. Dilma terá de creditar ao seu antecessor boa parte de uma eventual vitória sobre o impeachment e dividir com ele as rédeas da administração petista, diz o jornal.

O FINANCISTA

De olho em política, Ibovespa cai com piora nas projeções para PIB

Notícia Publicada em 04/04/2016 10:17

Impeachment entra em fase decisiva; votos dos indecisos estão no centro das atenções

Impeachment: parlamentares indecisos podem ser a “cartada final” tanto do governo, quanto da oposição (Geraldo Magela/Agência Senado)
Impeachment: parlamentares indecisos podem ser a “cartada final” tanto do governo, quanto da oposição
(Geraldo Magela/Agência Senado)

SÃO PAULO – O principal índice de ações da Bolsa de Valores de São Paulo opera em queda nesta segunda-feira (4), início de uma semana decisiva para o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Repercute no mercado a hipótese de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem obtido êxito nas negociações para evitar o impedimento da petista.

Além disso, a piora nas expectativas para a evolução da economia brasileira repercute negativamente. De acordo com economistas consultados pelo Banco Central para o Boletim Focus, a projeção para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2016 foi revisada para baixo pela 11ª semana consecutiva e passou de queda de 3,66% para retração de 3,73%. Para o próximo ano, a expectativa para o PIB foi reduzida de crescimento de 0,35% para 0,30%.

No exterior, os preços do petróleo avançam apesar de certo desânimo quanto à possibilidade de redução da oferta por parte de grandes produtores.

Voltando à política, a entrega de defesa do impeachment de Dilma e a corrida do governo em busca de votos marcam esta segunda-feira. O prazo de dez sessões para que Dilma apresente sua defesa termina hoje e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, deve entregar o documento focando no uso dos recursos apontados como pedaladas fiscais como tendo sido necessários para suprir programas sociais.

A partir de hoje, o relator do processo, Jovair Arantes (PTB), terá o prazo de até cinco sessões ordinárias da Câmara para elaborar o parecer. Arantes já avisou que pretende entregá-lo entre quarta-feira (6) e quinta-feira (7) por entender que haverá pedido de vista, o que pode atrasar a votação em duas sessões.

Por outro lado, segundo o Estado de S. Paulo, o governo pretende oferecer cargos aos senadores e construir um bloco de apoio. Dessa maneira o Palácio vai tentar convencer deputados menos conhecidos, do chamado “baixo clero”, de que a presidente tem todas as condições de barrar seu impedimento e assim conseguir mais votos na Câmara dos Deputados.

Levantamento do Estadão publicado no fim de semana mostra que se a votação na Câmara dos Deputados fosse hoje, 261 parlamentares votariam a favor da abertura e 117 se posicionariam contra. O governo precisa de 171 votos. Nove não quiseram se manifestar, 55 disseram estar indecisos ou preferiam esperar a orientação de seus partidos e 71 integrantes de 15 siglas não foram localizados.

Para especialistas, os parlamentares indecisos podem ser a “cartada final” tanto do governo, quanto da oposição. A expectativa, porém, é que os parlamentares que seguem indecisos esperem até a véspera da votação para definir seu voto. Desta maneira, eles poderão digerir todas as informações que vem sendo despejadas sobre o governo ao longo dos últimos dias.

“Por isso, os indecisos estão no centro das atenções. Enquanto o governo tenta reconstruir a base aliada oferecendo cargos, a oposição tem nas manifestações sociais o suporte necessário para angariar votos daqueles que estão em dúvida”, avalia Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria, que destacou que Dilma e Temer disputam ombro a ombro os votos dos parlamentares indecisos. “Não podemos dizer que o assunto impeachment esfriou, mas que está no ponto morto, está”.

Por volta de 10h10, o Ibovespa marcava desvalorização de 1,24%, aos 49.931 pontos.

O FINANCISTA

Movimento pró-impeachment mapeia 346 votos contra Dilma

Protesto a favor do impeachment de Dilma Rousseff, na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF), nesta quinta-feira (17)
Protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados
(Adriano Machado/Reuters)

Uma semana depois de irem a campo em suas bases eleitorais, parlamentares que fazem parte do movimento pró-impeachment entregaram ao comando do grupo nesta quinta-feira uma lista com 346 votos favoráveis ao afastamento da presidente Dilma Rousseff. Considerando-se o quórum máximo em plenário da Câmara, são necessários ao menos 342 parlamentares para chancelar o processo contra a petista. O grupo conta com o voto dos principais partidos da base governista – alvos, atualmente, de uma dura barganha com ofertas de cargos para barrar o embarque na ação contra Dilma. Apenas representantes do PT, PCdoB e PSOL não integram a planilha. O comitê pró-impeachment é composto de congressistas de oposição e também de representantes de movimentos de rua. (Marcela Mattos, de Brasília)

 

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