Leão faz dois, mas toma o empate

Tricolor permite reação do Tiradentes no Castelão, mas, mesmo assim, é líder nos critérios de desempate

O Fortaleza tinha tudo para ter saído da Arena Castelão com uma vitória tranquila diante do Tiradentes ontem à tarde. O Leão chegou a abrir 2×0, mas relaxou na segunda etapa e acabou cedendo o empate para o Tigre da PM.

Apesar de ter sido melhor no jogo, Tricolor esmoreceu no segundo tempo FOTO: KID JÚNIOR

Com o resultado, o Fortaleza assumiu a liderança da segunda fase do Campeonato Cearense, com 19 pontos, porém com um jogo a mais que o Icasa, vice-líder com a mesma pontuação do Leão. O time do Cariri perde apenas no confronto direto.

O jogo começou com o Fortaleza tentando pressionar o Tiradentes em seu campo de defesa. O goleiro Fábio Lima evitou duas chances de gol tricolores.

O Fortaleza insistia nas jogadas pelas laterais e foi assim que saiu o primeiro gol. Aos 26, Marinho Donizete fez a fila na defesa do Tiradentes e chutou. Fábio Lima espalmou e, no rebote, Édson Sousa abriu o placar.

Cinco minutos depois, o Leão ampliou o placar, mais uma vez pelos lados. O lateral Édson Sousa cruzou na cabeça de Édson Santos, que apenas escorou para as redes, marcando o seu segundo gol na partida.

O segundo tempo começou da mesma forma do primeiro: Fortaleza pressionando e o Tiradentes se defendendo. Porém, aos dez minutos, o Tigre acordou. Dico cobrou falta com maestria e diminuiu a desvantagem do time bicolor.

Após o gol sofrido, o Fortaleza passou a ceder espaços para o adversário e acabou levando o empate. Aos 23 minutos, Thiaguinho cruzou da esquerda e França deixou tudo igual na Arena Castelão: 2×2.

Após o empate, o Fortaleza passou a buscar o gol de qualquer forma. Aos 44, Assisinho marcou, mas o árbitro assinalou impedimento do atacante, no último lance de perigo da partida.

Juazeiro 40 graus

Num calor de 40º C, Icasa e Horizonte empataram em 1 a 1, ontem, no Romeirão, em Juazeiro do Norte. Com o resultado, o Verdão foi aos 19 pontos e divide a liderança com o Fortaleza.

Quem saiu na frente foi o Icasa, logo aos 14 minutos, de pênalti, com Elanardo. A resposta horizontina veio aos 20, em um golaço de Airton Júnior.

FICHA TÉCNICA

FORTALEZA 2

João Carlos; Edson Souza, Ciro Sena e Charles; Jackson Silva (Lúcio),

Marinho Donizete, Lucas (Edinho), Esley e Edson Santos (Vinícius);

Lúcio e Assisinho.

Técnico: Hélio dos Anjos

TIRADENTES 2

Fábio; Tiaguinho, Marcelo, Ribamar e Rômulo; Pedro Bambu, César

Sampaio, Leandro Mineiro (João Neto) e Manuelzinho; Dico e França (Diego).

Técnico: Danilo Augusto

Campeonato Cearense 2013

Estádio: Arena Castelão (Fortaleza/CE)

Data: 6 de abril de 2013

Árbitro: Cleuton Lima

Assistentes: Arnaldo Souza e João Lucas

Gols: Edson Santos (26 e 31min/1ºT), Dico (10min/2ºT) e França (23min/2ºT)

Cartões amarelos: Vinícius (FOR), Leandro Mineiro e Ribamar (TIR)

Classificação

CAMPEONATO CEARENSE-2013

Clubes PG J V

1º FORTALEZA 19 10 6

2º ICASA 19 9 6

3º TIRADENTES 14 9 4

4º CEARÁ 13 8 4

5º GUARANY (S) 13 8 4

6º HORIZONTE 12 10 2

7º GUARANI (J) 9 8 3

8º FERROVIÁRIO 4 8 1

 

Diário do Nordeste – 06 de abril de 2013-JOGADA

Gangorra verde

 

Líder do Estadual, o Icasa volta a mostrar sua capacidade de ressurgir quando está desacreditado

A liderança do Icasa no Campeonato Cearense 2013, alcançada na rodada do último fim de semana, volta a expor uma característica bem peculiar do Verdão do Cariri nos últimos anos: a oscilação, que parece ser algo constante. Quando o time está na pior, encontra forças sabe-se lá de onde para voltar ao topo. O contrário também acontece.

Desde 2005, o Icasa tem alcançado grandes feitos em âmbito regional. Mas pode-se dizer que o maior “sobe e desce” do clube alviverde de Juazeiro do Norte teve início em 2009, com a bela campanha que culminou no então inédito acesso à Série B.

Aquele ano teve um primeiro semestre desastroso para o clube, então presidido por Zacarias Silva. Com uma trajetória pífia no Estadual, o time de Juazeiro acabou na lanterna da competição – com apenas 15 pontos em 18 jogos – e foi rebaixado.

Adalgiso Pitbull tem sido destaque no bom momento vivido pelo Verdão do Cariri FOTO: ALEX COSTA

Escaldados com a decepção, o que poucos torcedores esperavam era a virada completada no fim de 2009. Mesmo entrando desacreditada no Nacional, com poucos recursos financeiros, a equipe chegou às semifinais da competição e garantiu sua vaga na Segundona do ano seguinte.

Boa campanha

Em 2010, após garantir a volta à elite cearense sem atropelos, o Icasa fez uma campanha decente em sua estreia na Série B. O time assegurou vaga na competição no ano seguinte, terminado em 12º lugar, com 49 pontos.

Só que a estabilidade alcançada ficou apenas na aparência. Em 2011, os caririenses voltaram a mergulhar num mau momento, com uma campanha apenas modesta na volta à Primeira Divisão do Estadual (terminou apenas em 8º). Sem conseguir patrocínios, o Verdão não resistiu mais um ano na Série B.

Fênix do Cariri

O espírito de “Fênix” voltaria ao Cariri no ano passado. Outra campanha fraca no Estadual (8º) foi sucedida pelo “milagre” na Série C, no 2º semestre.

Após ficar boa parte da competição na zona de descenso, o Icasa contratou o técnico Francisco Diá. Ele sacudiu o elenco e levou a equipe à final da competição. O acesso, de novo, estava garantido. “Quando cheguei, a equipe estava desacreditada e sem receber salários. Falei com a diretoria e dei minha palavra de que se honrassem os atletas eu subiria. E não deu outra”, recorda o treinador, que hoje se mantém no comando o time líder do atual Campeonato Cearense.

No octogonal do Estadual 2013, o Icasa repete o roteiro. Na primeira fase, “patinou” bastante, mas terminou em 3º.

A campanha irregular deste ano tem explicação, segundo Diá. “Perdemos muitos jogadores no fim da Série B. Tivemos de recomeçar do zero e não tivemos tempo hábil para entrosar a equipe. Ela foi se moldando no decorrer da competição. Hoje, com os reforços que chegaram, posso dizer que vamos dar trabalho”.

O atual presidente do clube, Francisco Paz de Lira, diz acreditar que essas viradas em espaços de tempo tão curtos se devem à tradição do clube, que, para ele, já é uma realidade. “O Icasa é grande. Time grande, quando chega à reta final de uma competição, cresce e os times pequenos, não”, dispara o dirigente, na esperança de que a gangorra, enfim, seja desativada.

Melhora

18 pontos já possui o Icasa na segunda fase do Estadual 2013. Na primeira fase, fez 25 pontos em 16 partidas, terminando em 3º lugar na classificação.

´Se a final for no Romeirão, seremos campeões´

Para o presidente do Icasa, Francisco Paz de Lira, o ótimo momento vivido pelo time – que tem 18 pontos em oito jogos na segunda fase do Estadual – pode proporcionar voos ainda maiores. Para ele, sonhar com o título cearense não é nada absurdo. Especialmente se puder levar a decisão para o Romeirão.

“Já que o regulamento mudou e agora permite a final em nosso domínios, deixo o aviso: se os grandes deixarem o Icasa chegar às semifinais, vamos dar trabalho. E se a final for no Romeirão, o Icasa será campeão. Seria um reconhecimento para todos que ajudaram a construir um Icasa forte nesses últimos dez anos”, finalizou o mandatário alviverde.

PERY NEGREIROS/GIORAS XEREZ
EDITOR/REPÓRTER

 Diário do Nordeste – JOGADA – 02 de abril de 2013

 

‘É extracampo’, afirma autor do hino do Icasa sobre boa fase do time . Luiz Fidélis lembra de passagem do hino do Icasa e atribiu boa fase a Padre Cícero, ‘mais um craque a orar, meu Verdão’.

Luiz Fidélis (Foto: Arquivo Pessoal)

Luiz Fidélis acredita que Padre Cícero é responsável
por boa fase do time (Foto: Arquivo Pessoal)

 

O compositor Luiz Fidélis, autor do hino do Icasa, acredita que a boa fase do time está refletida no próprio hino do clube. Ele afirma que ‘não há explicação para o Icasa estar onde está’.

– A passagem do hino ‘Meu padim nos gramados do céu, é mais um craque a orar meu Verdão’ virou realidade. É (um fator) extracampo, só pode – justificou.

No entanto, Fidélis crê que o bom desempenho do Icasa na reta final da Série C apenas maquiou a fraca campanha inicial do clube. Ele afirma que, caso o time não faça contratações, não mexa na base, pode cair novamente para a Terceira Divisão.

– O Icasa está cheio de problemas. As pessoas acham que o clube tem um timão, mas se o Padre Cícero não botar a mão, ele desce de novo – explicou.

Além do hino do Icasa, em meados de 1994, Luiz Fidélis também compôs o hino do Guarani de Juazeiro, time de coração do músico, cerca de cinco anos depois. Por isso, ele afirma que ‘está’ Icasa, mas não ‘é’ Icasa.

– Meu coração é leonino. Gosto de torcer pelo time local, sempre. E torço pelo Guarani porque tenho sempre a tendência de torcer pelo time mais fraco. E aqui no Cariri, a gente sabe, né – brinca o músico.

O compositor conta que sempre vai ao estádio e gosta bastante de futebol. Ele lembra que acompanhou a partida contra o Paysandu, que rendeu o acesso ao Verdão do Cariri e ficou emocionado depois da partida.

Sobre o time do coração, Fidélis aposta em uma boa campanha do Guarani de Juazeiro, na Copa do Brasil. No entanto, ele faz a ressalva de que a base deve ser mantida para a competição.

As pessoas acham que o clube tem um timão, mas se o Padre Cícero não botar a mão, ele desce de novo”
Luiz Fidélis

– Estão tentando trazer o (Ronaldo) Angelim, mas é difícil. O time se classificou com uma folha salarial mínima. E sem dinheiro, a gent esó faz uma coisa: dívida – explicou.

Fidélis ainda lembrou da situação do Fortaleza, diante da desclassificação contra o Oeste-SP.

– Não tem explicação para o Fortaleza não ter subido. Uma vitória encobre defeitos, no caso do Icasa. No caso do Fortaleza, uma derrota encobre a qualidade da campanha. O Fortaleza fez uma das melhores (campanhas) de toda a série c, mas como perdeu pro Oeste, todo mundo esqueceu dos outros jogos. Foi um erro. Aquilo foi um desastre – lamentou.