Continua a venda de ingressos para Ceará x Guarany de Sobral

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Dado Cavalcante exalta evolução, mas chama a atenção para detalhes

O treinador comemorou a conquista dos três pontos e a liderança isolada

Torcidas dividirão PV nos dois clássicos-rei

Mais uma vez, a proposta de torcida única no Estádio Presidente Vargas ficou apenas na cogitação

O Clássico-Rei valendo pelas semifinais do Campeonato Cearense será mesmo com a presença de duas torcidas nas duas partidas a serem realizadas no Presidente Vargas (PV), caso todos os laudos fiquem prontos até a data da partida. Fortaleza, Ceará e a Federação Cearense de Futebol (FCF) entraram em acordo e confirmaram a decisão após reunião realizada, ontem, na sede da FCF, que contou também com a presença de representantes de Icasa e Guarany de Sobral.

Decisão tomada mantém o formato do ano passado. O que pesou na decisão foi uma norma do regulamento que não prevê separação de torcidas em jogos entre equipes da mesma cidade fotos: Waleska Santiago

Estiveram presentes os membros da diretoria do Alvinegro, Sérgio Costa e Jocélio da Costa; o presidente Osmar Baquit e o vice Daniel Frota, pelo Tricolor de Aço; o diretor de futebol Fred Gomes, pelo Verdão do Cariri; e o presidente Valdir Fernandes e o supervisor Clécio Souza, pelo Bugre de Sobral.

Na opinião de Osmar Baquit, “os clubes não poderiam tirar o direito dos torcedores de ver o jogo do seu próprio time”, disse.

Contra

Apesar do consenso na reunião, o presidente do Vovô, Evandro Leitão, que não esteve no encontro, declarou, em Porangabuçu, que não era a favor dessa decisão. “A posição do Ceará sempre foi de um jogo de uma torcida só. Desde o ano passado, defendemos este direcionamento. Se dependesse só do Ceará, o que não depende, teríamos o Fortaleza só com sua torcida no primeiro jogo, e no outro, só a nossa. Mas a FCF e o Fortaleza não aceitam esta posição. O clube foi voto vencido mais uma vez”, contou.

O que pesou na decisão pró duas torcidas foi uma norma do regulamento que não prevê separação de torcidas em jogos diferentes entre equipes da mesma cidade e o consenso de seguir a decisão do ano passado do Tribunal de Justiça Desportiva, em repercussão polêmica à época.

Para a FCF, está praticamente descartada a chance de não haver os jogos no PV, já que três dos quatro laudos (Polícia Militar, Bombeiros e Vigilância Sanitária) já foram liberados, restando apenas o laudo do Crea-CE.

Renda

Ceará e Fortaleza jogarão nos dias 5 e 12 de maio, às 16h, com primeiro jogo tendo mando de campo do Leão. Por isso, na primeira partida, os ingressos para a área das sociais serão vendidos apenas para tricolores. No segundo jogo, será a vez da torcida do Vovô ocupar aquela área do PV. O ingresso custará R$ 100 e R$ 50 a meia. Já o bilhete de arquibancada sairá por R$ 40 e R$ 20 a meia-entrada. Contrariando o regulamento – e o que aconteceu nas duas primeiras etapas da competição -, os dois times acordaram em rachar a renda em 50% em ambos os jogos, independentemente do resultado da partida ou de quem for o mandante do jogo.

Reunião

Hoje, haverá uma nova reunião envolvendo Polícia Militar, AMC, Corpo de Bombeiros entre outros órgãos para definir o esquema de segurança do clássico.

Também ficou decidido que a arbitragem das partidas será local. O contrário dos jogos entre Icasa e Guarany. As partidas serão nas mesmas datas e horários do jogo entre Ceará e Fortaleza. A primeira será no Junco e a segunda no Romeirão.

O Verdão exigiu árbitro Fifa, que não seja do Nordeste, para o jogo em Sobral. O time terá de desembolsar R$ 10 mil para o Sindicato dos Árbitros de Futebol do Ceará e até R$ 15 mil de despesas do quarteto de fora.

Torcida única reduziu violência em Minas Gerais

O esquema de torcida única amenizou problemas de brigas entre uniformizadas em Minas Gerais. As duas principais forças do futebol mineiro (Cruzeiro e Atlético) aderiram a esse sistema proposto pela Polícia Militar em 2010. De lá para cá, os jogos realizados em Sete Lagoas e no estádio Independência, em Belo Horizonte, tiveram presença do torcedor de celeste ou alvinegro.

Clássico de Minas com torcida única foi realizado em Sete Lagoas e no estádio Independência FOTO: FUTURA PRESS

Segundo o editor do caderno de Esportes do jornal Estado de Minas, Cláudio Arreguy, a medida reduziu a violência ocasionada por conflitos entre organizadas. “Amenizou bastante. Antes, houve até mortes em dias de clássico”, confirmou o profissional de imprensa esportiva.

Segundo ele, todas as partidas disputadas foram de torcida única. “As confusões que acabaram sendo registradas bem longe do estádios”, acrescentou. Conforme Cláudio Arreguy, a decisão foi tomada a partir da confirmação da Polícia que não teria condições de manter a segurança no trajeto de ambas as torcidas para o município de Sete Lagoas, que fica a cerca de 60 km da capital mineira.

“Já no caso do estádio Independência, o problema da segurança se deve por causa das dimensões. A capacidade é inferior a 20 mil pessoas”, disse.

Opinião contrária

Mesmo admitindo a diminuição dos fatos violentos em dias de clássico, o jornalista acredita que cercear a presença de uma das duas torcidas no estádio é a demonstração da falta de solução das autoridades. “Acho que é a comprovação de que o Estado se exime de sua responsabilidade de dar segurança a todos os torcedores”, lamentou.

 

Diário do Nordeste – 30 de abril de 2013-JOGADA

Coluna do Tom Barros 30 de abril de 2013

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Escudo do Ceará Sporting Club

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Erro de avaliação

Antes do ingresso de Ceará e Fortaleza só na segunda fase do atual certame, havia o consenso de que os dois passariam por cima de Icasa, Ferrão, Horizonte, Tiradentes, Guarany/S e Guarani/S. Estes seriam engolidos. Mas não foi assim. A diferença de qualidade não se confirmou na dimensão esperada. Ceará e Fortaleza sofreram apertos, embora classificados. Houve erro de avaliação de quem previu superioridade absoluta de alvinegros e tricolores. Nesta semifinal, novas avaliações estão sendo feitas. Pesam a tradição dos grandes e os fracassos dos times do interior em todas as decisões anteriores. Mas os analistas precisam ter cuidado para não caírem nos mesmos equívocos.

Tradição

Impossível prever o que podem aprontar Ceará e Fortaleza. Pelos resultados deste ano, o alvinegro está melhor e tem se estabelecido com superioridade. Mas em tempo de decisão outros ingredientes passam a fazer parte da história. Um deles: a tradição. Exatamente daí vem o nivelamento. Tem sido assim sempre ao longo dos anos.

Interior

Quanto ao outro confronto da semifinal (Icasa x Guarany), nos jogos recentes o Verdão tem sido melhor. Mas me impressionou a brava atitude do Bugre diante do Ceará. Nas declarações dos jogadores do Guará, ficou patente o espírito de união do grupo. Isso pesa muito na hora da decisão. Vejo o Guarany muito coeso em torno de um ideal.

Aposta nas bases

O Ferroviário causou sério desengano no returno. Da bela campanha da primeira fase, nada restou senão o rosário de derrotas, só interrompido sábado na vitória sobre o Guarani/J (1 x 0). Ainda assim por mais paradoxal que pareça, menos sofrimento que no ano passado, quando em campo foi rebaixado. E só escapou no tapetão em virtude dos erros de contagem de cartões do Crateús. Este ano, cedo o Ferrão se garantiu na elite. A questão agora é: manterá a aposta na renovação ou voltará ao modelo anterior? Para mim, certo será seguir na aposta nas bases.

Recordando. 19 de fevereiro de 2006. Apresentação de Finazzi como a mais nova contratação do tricolor. Finazzi teve várias passagens pelo Leão. Depois, ainda teve também uma participação no Corinthians de São Paulo. Hoje, aos 39 anos, Finazzi está no Itumbiara de Goiás.

Nova vida

Quem trabalha certo, ainda que o clube não faça boa campanha, acaba se estabelecendo aos olhos dos especialistas. Assim foi o trabalho de Foguinho no Ferroviário. O time desonerou no segundo turno, mas o meia mostrou serviço. Exatamente por isso levado para Porangabuçu. É jovem. Tem tudo para se firmar no Ceará.

Banho de cuia

O lance do meia do Tigre, Manoelzinho, que deu um banho de cuia no Valter, do Horizonte, foi interpretado por este como sendo humilhação. Não entendi assim. Vi foi um momento de grande beleza do talento do Manoel. Valter, no lugar da revolta, deveria ter tido o desportivo gesto de cumprimentar o autor de lance assim, tão escasso por aqui.

“Este grupo é maravilhoso. Passou sufoco. Problemas de pagamento. Não reclamou nada. Teve atitude, dignidade. Agora está aí classificado”.

Argeu dos Santos
Técnico do Guarany de Sobral, mostrando os percalços até garantir a vaga .

Coluna redigida pelo jornalista Renato Maurício Prado para o jornal cearense Diário do Nordeste no dia 30 de abril de 2013

Coluna do Tom Barros 29 de abril de 2013

   

 

Bugre soube se impor

A vitória do Guarany sobre o Ceará foi justa. Na fase inicial, sob chuva, o Bugre criou chances com Luiz Carlos e Júnior Cearense. E Marcinho fez Guarany 1 a 0. Na única chance alvinegra, Magno perdeu grande oportunidade em lançamento de Lulinha. Na fase final, campo mais enxuto, o Ceará  empatou no primeiro lance (gol contra de Jr. Alves). E virou com Magno Alves. Deu a impressão de que não cederia o controle. E teve até chance de ampliar. Mas cedeu. O Guarany foi para o tudo ou nada. No azar de Ricardinho (gol contra), o Bugre animou-se e foi buscar a vitória. Argeu fez entrar sangue novo no ataque: Fábio Saci e Klinsmann. Deu certo. Abafou. Ganhou. Com mérito.

Observações

A contusão de Lulinha no primeiro tempo reduziu a criação do Ceará. /// Logo após o Ceará virar (2 a 1), Ricardinho, Mota e Magno, no mesmo lance, perderam ótima chance para matar o jogo. Exageraram nos toques. Pagaram caro. /// Imaginei erro de Argeu ao tirar Luiz e Maciel, mas ele sabia o que tinha no banco. Ganhou aí.

Consequências

Leandro Campos quis buscar a vitória ao colocar Anselmo e Pingo. A intenção valeu, não a produção. A marcação do Ceará ficou mais vulnerável. Proveito tirou o Bugre que subiu todo e ocupou o campo alvinegro. As bolas do Ceará escassearam na frente. O Guarany apertou na frente com Zé Augusto e Jr. Cearense. Deu-se melhor.

Voltas da vida

O Fortaleza fez muito bem a parte que lhe cabia: ganhou sem tomar conhecimento do adversário. O Icasa assumiu o risco de perder a primeira posição. Escapou por obra e graça do Guarany/S. Verdão fica na vantagem para a semifinal. Confirmou-se o que Ceará e Fortaleza jamais queriam: confronto entre ambos nas semifinais. Pior ainda sem Castelão, que foi construído para o futebol, mas na hora em que mais dele o futebol cearense precisa, eis que será ocupado por Paul McCartney. São as voltas da vida. E viva o velho PV. De novo.

Recordando. 1981. Olha o famoso Gêra (assim mesmo com aceno circunflexo no é), ídolo do futsal, mas no gramado, quando jogava no Coiguatu.

O melhor

Na goleada do Fortaleza sobre o Icasa, Assisinho mais uma vez fez a diferença. Seus dois gols, logo do primeiro tempo, deixaram o Fortaleza com o completo controle da situação. O terceiro gol (Nei Carioca, contra) foi apenas a confirmação da superioridade tricolor. Assisinho continua sendo o melhor jogador do campeonato.

Melancolia

Foi triste ver a despedida de Ferroviário 1 x 0 Guarani/J. Melancólica saída de dois times que começaram o ano com entusiasmo e esperança. O Guarani, vítima de seguidos erros de arbitragem, desonerou. O Ferrão, de tanto brilho no primeiro turno, apagou. Mereciam melhor sorte. Ainda bem continuarão na primeira divisão.

“Nosso técnico Argeu é demais. Ganhamos o jogo na preleção dele. O time teve atitude. E a torcida veio junto com a gente. Agora é regularizar a situação. Este time merece”.

Júnior Cearense
Meia do Guarany de Sobral

 

Coluna redigida pelo jornalista Tom Barros para o jornal cearense Diário do Nordeste no dia 29 de abril de 2013

Coluna do Tom Barros 24 de abril de 2013

 

Fortaleza e Ferroviário tomaram rumos diferentes. O Leão segue entre os da elite nordestina; o Ferrão continua tateando. Na atual conjuntura, não há como comparar. O Ferrão virou o espectro da derrota, desmanchando no returno a esperança que tão bem edificara na fase classificatória. Mas isso não quer dizer que já perdeu o clássico de hoje. Não é por aí. O Ferrão tem ainda a terceira melhor história de títulos do futebol cearense. Tradição que deve ser respeitada. E o Fortaleza respeita. Mas em campo, no momento, a superioridade técnica do Fortaleza é muito grande.

Ausência. Marinho Donizete tem sido importante ao modelo adotado por Hélio dos Anjos, máxime no apoio ao ataque pela esquerda. Hoje, a sua ausência certamente será muito sentida, máxime pela turma da frente.

Sem risco

Fabrício e Esley de volta. A necessidade de ganhar o clássico coincide com o retorno dos dois importantes atletas. Quanto a Esley, o velho recado: não esquecer a prudência. Uma entrada precipitada, mesmo que não haja maldade, traz risco de graves consequências.

Liderança

Previsão de jogo complicado hoje em Juazeiro. O Icasa poderá dormir líder, mas terá de dobrar o Guarany (4º lugar). Segurar a dupla Luís Carlos e Maciel requer muita atenção. Verdão sem direito a tropeço.

´´Com essas arbitragens, agora entendo porque aqui time nenhum do interior consegue ganhar um título estadual”.

Francisco Diá
Técnico do Icasa

Selecionadas

Hoje, no Mineirão, Brasil (apenas jogadores que atuam aqui) x Chile. De 1916 a 2010, foram 66 jogos entre as seleções principais, com 47 vitórias do Brasil, 7 do Chile e 12 empates. O último triunfo do Chile aconteceu há 13 anos, ou seja, em 2000, por 3 x 0, pelas Eliminatórias da Copa 2002. (Dados de Airton Fontenele).

Consequência

Repercute de forma positiva a explicação dada por Daniel Frota sobre a situação do Fortaleza, que mantém controle financeiro, mas comportando naturais variações pela receita resumida. Daniel quer identificar de onde partiram as maldosas insinuações que tinham o objetivo de quebrar a estabilidade do grupo. O Leão está firme e imune.

Lição de vida

O que terá a dizer um técnico que vê seu time ferido na autoestima, impregnado pela descrença e humilhado por seguidas derrotas? Ora, é aí que entra a força do treinador. No caso em tela, Sérgio Alves, do Ferroviário. Foi exatamente quando o Corinthians, humilhado, caiu para a segunda divisão que Tite começou a reação que o levou ao título mundial.

Recordando. O querido Francisco Gadelha da Silveira é procurador de Justiça. Fez brilhante carreira no Ministério Público. Os desportistas da nova geração certamente não lembram dele como narrador de futebol da Ceará Rádio Clube. Lá o conheci na década de 1970, numa equipe tinha também Halmalo Silva, Wilson Machado e Guilherme Pinho. Mas Gadelha optou pelo Direito. Vocacionado, estudioso, inteligente. Trajetória vitoriosa, desde a aprovação no concurso para promotor de Justiça. Antes, como advogado, já provara sua competência. Hoje, dedico ao meu velho amigo, Chico Gadelha, esse espaço. E expresso minha gratidão por tudo o que com ele aprendi. Francisco Gadelha da Silveira, exemplo de retidão, de caráter, de ser humano excepcional.

 

Coluna redigida pelo jornalista Tom Barros para o jornal cearense Diário do Nordeste no dia 24 de abril de 2013