Arrecadação federal tem pior maio desde 2010, a R$ 95,219 bi, diz Receita

Notícia Publicada em 17/06/2016 16:10

Pesquisa Reuters com economistas apontava que o resultado seria de R$ 96 bilhões

Governo federal arrecadou R$ 95,219 bilhões em impostos e contribuições em maio (Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas)
Governo federal arrecadou R$ 95,219 bilhões em impostos e contribuições em maio
(Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas)

BRASÍLIA – O governo federal arrecadou 95,219 bilhões de reais em impostos e contribuições no mês passado, queda real de 4,81 por cento sobre um ano antes, pior resultado para maio desde 2010 (94,137 bilhões de reais), informou a Receita Federal nesta sexta-feira.

Economistas consultados pela Reuters estimavam resultado ligeiramente melhor, de 96 bilhões de reais no mês passado.

Nos cinco primeiros meses do ano, a arrecadação encolheu 7,36 por cento, já descontada a inflação, a 519,128 bilhões de reais, também o dado mais fraco para o período desde 2010 (494,527 bilhões de reais).

O desempenho reflete a derrocada da economia, com impacto direto sobre os tributos recolhidos. Em maio, houve menor receita com Cofins/Pis-Pasep (-7,09 por cento), previdenciária (-4,83 por cento) e Imposto sobre a renda retido na fonte-Rendimentos de residentes no exterior (-37,59 por cento).

O movimento acabou ofuscando o crescimento real de 4,67 por cento obtido em Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), e também a diminuição de 1,219 bilhão de reais em desonerações sobre maio de 2015.

Com a arrecadação em declínio e despesas em ritmo ascendente, o governo não tem conseguido fazer superávit primário, economia para o pagamento dos juros da dívida pública.

Na tentativa de melhorar a trajetória da dívida, que vem sofrendo rápida deterioração, o governo enviou esta semana ao Congresso Nacional proposta para limitar o crescimento anual dos gastos públicos à inflação do exercício anterior, por 20 anos, incluindo as áreas da saúde e educação.

No fim do mês passado, o governo do presidente interino Michel Temer recebeu o aval do Congresso para fechar este ano com déficit primário do governo central de 170,5 bilhões de reais. Se confirmado, será o terceiro resultado no vermelho e o pior da série histórica.

(Por César Raizer; Edição de Patrícia Duarte)

G1.COM.BR

Ibovespa fecha no azul após decisão do Fed em dia de vencimento de opções

Notícia Publicada em 15/06/2016 17:09

BC dos EUA mostrou postura mais branda sobre o ritmo de elevação da taxa de juro

Vencimento de opções sobre o índice adicionou volatilidade ao pregão (Caliel Costa/Flickr)
Vencimento de opções sobre o índice adicionou volatilidade ao pregão (Caliel Costa/Flickr)

SÃO PAULO – A Bovespa fechou em alta na sequência da decisão do Federal Reserve nesta quarta-feira, com a leitura de que o banco central norte-americano mostrou postura mais branda sobre o processo de elevação da taxa de juro, e conforme investidores amenizaram preocupações sobre delação envolvendo o presidente interino Michel Temer no âmbito da Lava Jato.

Segundo dados preliminares, o Ibovespa subiu 0,29 por cento, a 48.790 pontos, em dia de vencimento de opções sobre o índice, que adicionou volatilidade ao pregão. O giro financeiro totalizava 5,85 bilhões de reais.

(Por Priscila Jordão)

 

G1.COM.BR

Ibovespa fecha pregão volátil em alta com Vale e bancos

Notícia Publicada em 13/06/2016 18:03

Clima pessimista persiste no mercado internacional; ações da Ultrapar disparam

Volume financeiro somou R$ 4,5 bilhões (O Financista / Renzo Fedri)
Volume financeiro somou R$ 4,5 bilhões (O Financista / Renzo Fedri)

SÃO PAULO – A bolsa brasileira fechou em leva alta nesta segunda-feira com ajuda de ações de bancos, da Vale e da Ultrapar, após perdas expressivas no pregão anterior, mas tendo ainda o clima de aversão ao risco no exterior como pano de fundo.

O Ibovespa subiu 0,48 por cento, a 49.660 pontos, apesar do pregão instável. Na mínima, chegou a cair mais de 1 por cento e, na máxima, a subir 0,69 por cento.

O giro financeiro somou 4,5 bilhões de reais.

Contaminado pela aversão ao risco, o Ibovespa caiu 3,32 por cento na sexta-feira e iniciou a segunda-feira com o mesmo viés negativo. Durante a tarde, porém, mostrou recuperação, na contramão das bolsas norte-americanas.

Os principais mercados acionários globais recuaram, uma vez que a aproximação do referendo sobre a permanência da Grã-Bretanha na União Europeia trazia incertezas e uma postura de cautela. Uma pesquisa de opinião apontou que a opção “sair” ganhou uma vantagem de dois dígitos sobre a de “permanecer”.

No cenário doméstico, sem agenda econômica relevante, o mercado voltou as expectativas para a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para limitar o aumento de gastos da União. Fontes do Palácio do Planalto informaram que o presidente interino Michel Temer decidiu levar pessoalmente a PEC ao Congresso.

DESTAQUES:

— BRADESCO e ITAÚ UNIBANCO subiram 1,66 e 0,45 por cento, respectivamente, recuperando parte das perdas da sessão passada e impulsionando a bolsa devido ao grande peso que detêm no índice.

— ULTRAPAR teve a maior alta do Ibovespa, de 4,91 por cento, após anunciar no domingo a compra da distribuidora de combustíveis Ale por sua subsidiária Ipiranga por 2,17 bilhões de reais. Na visão do Itaú BBA, o negócio é muito positivo para a Ultrapar, pois aumentará a exposição à região Centro-Oeste, Nordeste e Norte, além de trazer potencial para sinergias.

— VALE ganhou 1,76 por cento nas preferenciais, após alta de 1,5 por cento do contrato futuro mais ativo do minério de ferro na bolsa de Dalian.

— PETROBRAS fechou em baixa de 1,82 nas preferenciais, acompanhando o recuo dos preços do petróleo, que foram pressionados pelo dólar forte e perspectivas econômicas sombrias na Europa e na Ásia.

— CCR, do setor de infraestrutura, recuou 2,55 por cento. No domingo, o jornal Folha de S.Paulo publicou que as concessões de infraestrutura do governo federal ficarão paradas até a decisão do Senado sobre a cassação da presidente afastada Dilma Rousseff. “Esses leilões eram bastante esperados pelo mercado e seu adiamento deve ser negativo no curto prazo”, disse a Guide Investimentos em relatório.

— GERDAU caiu 1,54 por cento. De acordo com o jornal Valor Econômico, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) poderá analisar nesta semana os processos contra a Gerdau no âmbito da operação Zelotes. A companhia também informou na sexta-feira que recebeu em uma de suas subsidiárias nos Estados Unidos documentos relativos a uma ação coletiva de investidores (class action complaint).

— OI, fora do Ibovespa, recuou 6,74 por cento nas ações ordinárias, após a renúncia do diretor-presidente Bayard Gontijo na sexta-feira. O Credit Suisse avalia que a saída do executivo indica pouco sobre o andamento das negociações para a reestruturação da dívida da operadora de telecomunicações.

(Por Priscila Jordão)

O FINANCISTA

Investidores apostam que petróleo chegará a mais de US$ 100

Notícia Publicada em 10/06/2016 16:59

Um sinal claro de que há quem acredite que a crise atual está semeando o próximo boom

Barril vem sendo cotado na faixa de US$ 50 em Londres e Nova York (Tim Exton/AFP)
Barril vem sendo cotado na faixa de US$ 50 em Londres e Nova York (Tim Exton/AFP)

LONDRES – Investidores em petróleo estão comprando contratos que só compensarão se o barril subir para mais de US$ 100 nos próximos quatro anos – um sinal claro de que há quem acredite que a crise atual está semeando o próximo boom.

As transações de opções, que, de acordo com os corretores, têm as características das negociações realizadas por hedge funds, parecem se basear na crença de que os preços baixos atuais vão gerar um aperto da oferta porque as empresas de petróleo estão cortando investimentos de bilhões de dólares no desenvolvimento de campos. A Agência Internacional de Energia projeta que a oferta de fora da Opep sofrerá neste ano o maior declínio em mais de duas décadas.

“O mercado enfrentará uma crise de oferta nos próximos 24 meses”, disse Francisco Blanch, diretor de pesquisa sobre commodities do Bank of America Merrill Lynch em Nova York. “Alguns hedge funds estão apostando que os preços do petróleo precisarão aumentar acentuadamente para voltar a reduzir a demanda – é por isso que eles estão adquirindo call ’out the money’”.

Durante o mês passado, os investidores adquiriam opções de compra – dando o direito de compra a um determinado preço e momento – para o fim de 2018, 2019 e 2020 a preços de exercício de US$ 80, US$ 100 e US$ 110 por barril, de acordo com dados da Bolsa Mercantil de Nova York e da Depository Trust & Clearing Corp dos EUA.

Mesmo antes da onda mais recente, alguns investidores já tinham construído posições superotimistas. O maior número de contratos em circulação – ou contratos em aberto – tanto em contratos de opções otimistas quanto pessimistas para dezembro de 2018 é de opções a US$ 125 por barril. Para dezembro de 2020, é de opções a US$ 150.

No início deste mês, um investidor comprou o equivalente a mais de 4 milhões de barris em opções de compra a US$ 110 e US$ 80 por barril para 2019 e 2020 em diversas transações. Além disso, uma opção do equivalente a outros 800.000 barris a US$ 60 cada também mudou de mãos. As transações são públicas por causa das novas regulamentações introduzidas nos EUA pela Lei Dodd-Frank. As divulgações não revelam o comprador final.

Os fundos que estão realizando essas transações não esperam necessariamente que os preços do barril pulem para a faixa de US$ 100 a US$ 150, porque o valor de suas opções de compra aumentará mesmo que os preços subam muito menos. Esse tipo de opções que os especuladores estão comprando costuma ser visto como bilhetes de loteria porque oferecem uma possibilidade remota de retornos muito grandes.

Essas transações de opções sugerem que o sentimento está começando a se afastar da preocupação com a abundância da oferta e passando à preocupação com a escassez à medida que a demanda começa a ultrapassar a produção – o tradicional ciclo de ascensão e queda das commodities.

O FINANCISTA

Um mês de Temer: governo é bote salva-vidas ou barco de papel?

Notícia Publicada em 10/06/2016 17:40

Presidente reuniu equipe econômica respeitável, mas patina no seu próprio campo: a política

Prendam o fôlego: governo Temer ainda vai sacudir bastante - e, com ele, o Brasil (Flickr/Zkbld)
Prendam o fôlego: governo Temer ainda vai sacudir bastante – e, com ele, o Brasil (Flickr/Zkbld)

SÃO PAULO – Prestes a completar seu primeiro mês no domingo (12), o governo do presidente em exercício Michel Temer deixou de ser o bote salva-vidas que conduziria o Brasil a um porto seguro para se transformar em um barquinho de papel. É assim que o cientista político Paulo Silvino, da Fespsp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), define essas quatro semanas iniciais. “E com uma tripulação de marinheiros de primeira viagem”, completa Roberto Romano, professor de Ética da Unicamp.

Trata-se, sem dúvida, de uma imagem provocadora, mas que evoca muitos dos percalços de Temer desde que assumiu o poder, segundo Silvino e Romano. E o mais preocupante: deixa dúvidas sobre a capacidade do peemedebista cumprir a necessária pauta de reformas de que o país precisa para voltar a crescer de modo sustentável, sem que as contas públicas explodam novamente.

A equipe econômica, aliás, é o principal cartão de visitas do novo governo. Com Henrique Meirelles no Ministério da Fazenda, Ilan Goldajn à frente do Banco Central, e economistas respeitados pela academia e pelo mercado, como Mansueto Almeida, o time encarregado de arrancar o país do período mais prolongado de recessão dispensa apresentações.

É verdade que as medidas anunciadas até agora não bastam, mas o mercado gostou de ver que, pelo menos, apontam na direção correta: revisão da meta fiscal para um rombo de R$ 170,5 bilhões, corte de despesas, fusão de ministérios, aprovação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), determinação de um teto para o reajuste de gastos públicos, aceleração do programa de concessões, e por aí vai.

Prato feito

Mas, mesmo na área em que está indo melhor, o desempenho de Temer merece ressalvas. A primeira é que as medidas efetivamente aprovadas pelo Congresso, até agora, já eram defendidas há muito tempo por quem entende de economia. Logo, o presidente em exercício fez apenas o básico: entregou à sociedade aquilo que ela esperava. “Elas já eram bem-vistas pela base de Temer”, diz Silvino, da Fespsp. “Por isso, politicamente, elas parecem mais importantes do que são de fato”.

Além disso, por mais barulho que façam, os congressistas não são suicidas, a ponto de deixar que a crise econômica se aprofunde e, com ela, a indisposição dos eleitores em renovar seus mandatos. Assim, não havia escolha, a não ser aprovar as propostas da equipe de Temer. “O país estava à beira da catástrofe absoluta”, resume Romano, da Unicamp. “Sem essas medidas, caminharíamos para o calote.”

Por isso, a avaliação dos especialistas é que Temer ainda não foi verdadeiramente testado. A prova dos nove será a tramitação de projetos realmente explosivos, como as reformas da Previdência e das leis trabalhistas, que certamente sofrerão uma oposição impiedosa de sindicalistas, movimentos organizados e do PT, que jurou se vingar do peemedebista, visto como o mentor do afastamento da presidente Dilma Rousseff.

Mas Temer também pode comprar uma bela briga com o empresariado. Basta que insista em recriar a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras), que vigorou entre 1997 e 2007. Sua ressurreição seria encarada como um desaforo pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), capitaneada por Paulo Skaf, o idealizador da campanha #NãoVouPagaroPato, que combate o aumento da carga tributária para cobrir o rombo do governo. O problema é que, para os analistas, parece inevitável que uma parte da conta sobre para a sociedade.

No balcão

Quando todos esses temas forem jogados na mesa, não há garantias de que o Congresso os aprove facilmente. O presidente em exercício terá que negociar muito para convencer os parlamentares. E negociar, no Brasil, significa atender ao insaciável apetite dos políticos por cargos e verbas, o que só aumenta a pressão para o governo gastar mais dinheiro, no momento em que precisa economizar. Mesmo o Judiciário, de tempos em tempos, cobra sua fatura. Não é por acaso que Temer hesita em aprovar ou rejeitar o reajuste de salários do Judiciário, ou seu vai-e-volta quanto à criação de 14 mil cargos comissionados, aprovada pelo Congresso. “A sede de recursos não espera que o país melhore”, diz Romano.

Se Temer enfrentasse apenas a crise econômica, já seria difícil barganhar apoio no Congresso. Mas o presidente em exercício encara, também, outra crise tão séria quanto aquela: a política. AOperação Lava Jato já causou baixas em seu ministério nesse primeiro mês, e agora ameaça levar para a prisão três poderosos caciques do PMDB: o senador Romero Jucá (seu brevíssimo ministro do Planejamento); o presidente do Senado, Renan Calheiros; e o ex-presidente José Sarney.

O avanço da Lava Jato e a eventual prisão dos correligionários de Temer teriam um duplo efeito. O primeiro seria aumentar o custo político das negociações com o Congresso. Isto porque o presidente em exercício teria que negociar acordos no varejo, e cada deputado ou senador seria tentado a cobrar mais pelo seu voto. Mesmo que uma ou mais lideranças surjam no eventual vácuo de Jucá, Renan e Sarney, também pediriam alto para manter a base unida. “Temer é um negociador razoável, mas não é um grande líder”, diz Romano, da Unicamp. “Ele ficaria na mão dos novos líderes do PMDB e do Congresso.”

O segundo efeito da Lava Jato seria alimentar o movimento pelo retorno de Dilma Rousseff. Em 11 de maio, Dilma foi afastada pelo Senado por até 180 dias, para que seu pedido de impeachment seja definitivamente julgado. À medida que o governo Temer fraqueja, começam a circular boatos de que uma parte dos senadores já estaria disposta a reconduzir a petista ao Planalto. “É pouco provável que o governo sofra um impacto dramático da Lava Jato, mas o caldo pró-Dilma pode engrossar”, diz Silvino, da Fespsp. Por ora, o retorno de Dilma parece improvável. A Eurasia Group, por exemplo, estima em 20% a probabilidade de isso acontecer. Mas, mesmo que Temer seja efetivado na presidência, não navegará por águas calmas. E o pior: não se sabe se num bote, ou num barco de papel.

O FINANCISTA

Itaú melhora projeção para PIB e prevê dólar a R$ 3,65 no fim do ano

Notícia Publicada em 09/06/2016 13:19

Banco ressalta criação de teto para gastos públicos, mas pondera que incertezas políticas continuam

Para 2016, Itaú prevê recuo de 3,5% no PIB e taxa de câmbio a R$ 3,65 por dólar (Flickr/Thomas Hobbs)
Para 2016, Itaú prevê recuo de 3,5% no PIB e taxa de câmbio a R$ 3,65 por dólar (Flickr/Thomas Hobbs)

SÃO PAULO – Após o anúncio das primeiras medidas do governo Michel Temer, como a criação de um teto para o crescimento dos gastos públicos e o início das discussões para a reforma da Previdência, o time de economistas do Itaú melhorou projeções para a economia brasileira.

Citando indicadores de atividade que vêm surpreendendo positivamente, o banco agora espera que a recessão em 2016 será menos severa do que o esperado anteriormente. Entretanto, ainda há incertezas políticas que podem afetar a aprovação das medidas propostas pelo governo.

 

Para o PIB (Produto Interno Bruto), a projeção foi alterada de uma contração de 4% para uma de 3,5% em 2016. Para 2017, a expectativa foi mantida: um crescimento moderado de 1%. “A indústria pode iniciar uma recuperação a partir do segundo semestre, mas o mercado de trabalho deve continuar se enfraquecendo devido às defasagens com que reage à atividade econômica”, diz o documento.

Já em relação à taxa de câmbio, o Itaú, que antes previa R$ 3,75 por dólar, agora acredita em R$ 3,65 por dólar neste ano. No ano que vem, a perspectiva também caiu. O banco projeta R$ 3,85 por dólar, frente aos R$ 3,95 previstos anteriormente. “A mudança reflete o cenário externo mais benigno em função do possível adiamento da alta de juros nos Estados Unidos”, afirmam os economistas.

O FINANCISTA

Economia brasileira está no ponto de virada, diz BNP

Notícia Publicada em 09/06/2016 12:17

Banco espera crescimento de -3% em 2016 e de 2% para 2017

Banco estima que a recuperação da economia ganhe corpo a partir do último trimestre do ano (Marcos Santos/USP Imagens)
Banco estima que a recuperação da economia ganhe corpo a partir do último trimestre do ano
(Marcos Santos/USP Imagens)

SÃO PAULO – A economia brasileira está no ponto de virada, afirma o banco BNP Paribas. Os economistas Marcelo Carvalho e Gustavo Arruda revisaram a expectativa de recessão para 2016 de -4% para -3% e mantiveram a estimativa de crescimento de 2% para o ano que vem, mostra um relatório enviado a clientes nesta quinta-feira (9).

“Suspeitamos que a economia brasileira possa estar encenando um ponto de virada neste momento, em meados do ano. Em nossa visão, a economia atualmente está ou no fundo do ciclo ou muito perto dele”, explicam os economistas, que se consideram otimistas. Para eles, contudo, o mercado irá provavelmente ajustar o consenso para projeções próximas à do BNP.

Recuperação

O BNP espera ainda que o segundo trimestre mostre dados negativos para a economia, mas com uma estabilização no terceiro trimestre e, finalmente, dados positivos na última parte do ano. “Da mesma forma que lideramos o consenso para a visão anteriormente, acreditamos que vamos fazer o mesmo agora”, avaliam.

O FINANCISTA

Banco do Brasil diz não haver tratativas sobre eventual fusão com a Caixa

Notícia Publicada em 09/06/2016 08:39

Reportagem do Correio Braziliense afirmou que circulam rumores sobre um processo de fusão entre as instituições

"O Banco do Brasil informa que não há qualquer tratativa sobre processo de fusão com a Caixa Econômica Federal", afirmou em comunicado (O Financista/Vinícius Andrade)
“O Banco do Brasil informa que não há qualquer tratativa sobre processo de fusão com a Caixa Econômica Federal”, afirmou em comunicado (O Financista/Vinícius Andrade)

SÃO PAULO – O Banco do Brasil disse nesta quinta-feira (9) que não há qualquer tratativa sobre um processo de fusão com a Caixa Econômica Federal, após questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em referência a uma notícia publicada pelo jornal Correio Braziliense.

 

“O Banco do Brasil informa que não há qualquer tratativa sobre processo de fusão com a Caixa Econômica Federal”, afirmou em comunicado, acrescentando não ter conhecimento da fonte das informações divulgadas pelo jornal.

A reportagem do Correio Braziliense, publicada na quarta-feira, afirmou que circulam rumores nos corredores da Caixa e do BB sobre um processo de fusão entre as instituições financeiras, projeto que estaria sob análise da equipe econômica.

Operações como seguros, cartões, crédito para empresas e varejo sejam fundidas, enquanto as da área imobiliária seriam mantidas independentes, disse o jornal.

(Por Priscila Jordão)

 

O FINANCISTA

Espresso Financista: Mercado calibra aposta para juro com dólar abaixo de R$ 3,40

Notícia Publicada em 09/06/2016 08:58

Copom aponta falta de espaço para redução do juro; bolsas externas realizam lucros

Alexandre Tombini, ex-presidente do Banco Central, realizou a sua última reunião do Copom (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Alexandre Tombini, ex-presidente do Banco Central, realizou a sua última reunião do Copom (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Bom dia! Aqui está a sua dose diária do Espresso Financista™:

Apito inicial

Sem grandes novidades no âmbito da Operação Lava Jato, o mercado brasileiro calibra apostas para o futuro do juro nesta quinta-feira (9) em meio à piora do humor na cena externa.

O recado do Banco Central na última reunião do Copom sob o comando de Alexandre Tombini abre margem para redução de apostas de início do corte a Selic em julho. Por outro lado, a recente valorização do real frente ao dólar, que já toca a faixa de R$ 3,35, vem contribuindo para redução dos prêmios dos juros futuros, dado seu efeito benéfico na inflação dos importados.

Mesmo com a descida da moeda norte-americana, agora abaixo de R$ 3,40, a autoridade não anunciou nenhuma intervenção via swap cambiais reversos.

 

“A tendência de baixa no curto prazo permanece em função da consolidação da percepção que o Fed só vai promover uma alta de juros nos EUA, mais à frente, e pela sinalização dada pelo novo presidente do BC, Ilan Goldfajn, em sua sabatina no CAE nesta semana, que deu a entender que o dólar poderá flutuar livremente e ficar mais fraco para ajudar no controle da inflação, com menos interferência do BC no mercado cambial”, interpreta Jefferson Luiz Rugik, da Correparti.

No comunicado em que decidiu manter inalterado em juro em 14,25% ao ano, o BC afirma que “reconhece os avanços na política de combate à inflação”, mas destaca que a inflação elevada nos últimos 12 meses e a expectativa de inflação longe do centro da meta “não oferecem espaço para flexibilização da política monetária”.

A nomeação de Ilan Goldfajn como presidente do Banco Central foi publicada nesta quinta-feira no Diário Oficial da União, bem como a exoneração do cargo de Alexandre Tombini.

No exterior, após ganhos recentes, os mercados passam por um ajuste de posições assimilando renovadas preocupações sobre a saúde da economia global diante de dados da China e do Japão. As bolsas internacionais recuam assim como os preços do petróleo.

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, pediu aos governos europeus para desempenhar o seu papel para impulsionar o crescimento e a inflação na região, alertando que a falta de reformas econômicas está tornando o trabalho do BCE mais difícil.

O poder e a economia

Novo delator – Segundo o jornal O Globo, o engenheiro Zwi Skornicki disse em delação que transferiu US$ 4,5 milhões para o marqueteiro do PT João Santana. O destino seria uma conta na Suíça e teria a finalidade de financiar a campanha da presidente afastada Dilma Rousseff em 2014, formando caixa dois. A negociação também teria contado com a participação de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.

Selic – O Copom do BC (Comitê de Política Monetária do Banco Central) deciciu manter a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% ao ano sem viés, por unanimidade. Esta foi a última reunião do comitê sob a presidência de Alexandre Tombini, que será substituído por Ilan Goldfajn.

DRU – O plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira, em segundo turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que recria de 2016 a 2023 a Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo que permite ao governo usar livremente 30 por cento dos recursos arrecadados com impostos e contribuições sociais e econômicas federais.

Inflação – Com maior pressão no atacado, o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acelerou a alta a 1,12% o na primeira prévia de junho, contra 0,59% no mesmo período de apuração do mês anterior, divulgou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quinta-feira.

Ministério – De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a secretária de Fazenda de Goiás, Ana Carla Abrão Costa, está sendo cotada para o Ministério do Planejamento.

Teto de vidro –Segundo reportagem de O Globo, a tão elogiada proposta para estabelecer um teto para a dívida pública brasileira não será exatamente como o mercado pensava. A equipe econômica admite que o limite para os gastos terá um caráter temporário. A avaliação é de que um teto de verdade seria muito difícil passar no Congresso. Vamos com o de vidro.

Maconha – Um estudo elaborado pela Consultoria Legislativa da Câmara dos Deputados – e obtido por O Globo – mostra que a legalização da maconha movimentaria em torno de R$ 5,7 bilhões em comércio. Segundo a reportagem, além disso, a arrecadação tributária poderia ficar em R$ 5 bilhões. Os cálculos consideram os termos usados na regularização do uso feita no Uruguai. E, por fim, como mais um argumento lógico para a legalização, o estudo aponta que R$ 997,3 milhões seriam economizados no sistema prisional.

Calote – Além das pedaladas fiscais, o governo Dilma Rousseff deu um calote em R$ 2,7 bilhõesem tarifas bancárias que a União deixou de pagar para a Caixa (R$ 1,7 bilhão) e Banco do Brasil (R$ 1 bilhão) por prestação de serviço em programas como Bolsa Família e Minha Casa Minha Vida. Segundo O Globo, o TCU identificou R$ 8,8 bilhões – dos quais o valor das tarifas faz parte –  que são, na verdade, despesas e não operações de crédito. O pagamento do valor foi incluído na meta fiscal de 2016 pelo novo governo.

Nova secretaria – Segundo o jornal Folha de S.Paulo, a equipe do presidente interino Michel Temer pretende criar uma Secretaria de Estatais. O órgão seria vinculado ao Ministério do Planejamento e teria o objetivo de implantar um sistema de controle interno das empresas públicas, com comitês de auditoria. O anúncio poderá ser feito já nessa sexta-feira.

A culpa é de quem? – O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) irá decidir hoje se separa as responsabilidades do presidente interino Michel Temer e da presidente afastada Dilma Rousseff no processo que pede a cassação da chapa formada pelos dois. A defesa de Temer entrou com um recurso, alegando que ele não pode ser responsabilizado por atos do PT e de Dilma. A informação é do jornal Valor Econômico.

Teori manda – O ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Teori Zavascki deve decidir sozinho sobre os pedidos de prisão da PGR (Procuradoria-Geral da República) do presidente do Senado, Renan Calheiros, o senador Romero Jucá, o deputado Eduardo Cunha e o ex-presidente José Sarney. Só depois Teori levaria o assunto ao plenário da corte. Foi assim que ele agiu quando o ex-senador Delcídio Amaral foi preso. A informação é do jornal O Globo.

O que acontece no mundo corporativo

Fusão – O Banco do Brasil disse nesta quinta-feira (9) que não há qualquer tratativa sobre um processo de fusão com a Caixa Econômica Federal, após questionamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em referência a uma notícia publicada pelo jornal Correio Braziliense.

Dívidas – O gigantismo da dívida da Petrobras, que beira o meio trilhão de reais, respinga também sobre os bancos públicos. Segundo um levantamento do Valor, no final do primeiro trimestre, o montante chegava a R$ 91,760 bilhões. A maior bomba está nas mãos do BNDES: R$ 55 bilhões – 50% do patrimônio do banco. O BB tem R$ 25,116 a receber e, a Caixa (cujo principal negócio é o imobiliário), tem outros R$ 11,574 bilhões destinados para o setor de petróleo.

Matemática aplicada – O grupo britânico Pearsonavalia novas aquisições no Brasil e não descarta a compra de faculdades ou colégios, em um momento em que a consolidação do setor educacional ganha força com as propostas de Kroton e Ser Educacional pela Estácio Participações.

Correios – O represamento de tarifas e serviços nos últimos anos, com o objetivo de controlar a inflação, levou a um rombo bilionário nos Correios, o que deve obrigar a empresa a realizar empréstimos para pagar os salários de empregas e outros compromissos. Segundo o Estadão, o prejuízo de 2015 alcança R$ 2,1 bilhões e, neste ano até maio, o valor já chega a R$ 700 milhões. Apesar de um aumento de 8,89% das tarifas no ano passado, há ainda uma defasagem de 8%, o que retira R$ 40 milhões do caixa todos os meses.

Já pode beijar a noiva – O Cade aprovou a aquisição das operações do HSBC no Brasil pelo Bradesco. Entre as restrições impostas pelo órgão antitruste, está a proibição de novas compras por 30 meses. Anunciado em agosto do ano passado, o negócio foi fechado por US$ 5,2 bilhões. O Bradesco informou que o próximo passo é a conclusão, prevista para o começo de julho.

Imóvel – Os investimentos da América Móvil Brasilpodem cair de 10% a 20% esse ano dependendo do ritmo da economia no segundo semestre, de acordo com o presidente do grupo no país, José Félix, que estima retomada da atividade econômica em 2017.

Sem caixa – A intensificação da recessão brasileira amplia os riscos de a Caixa Econômica Federal não conseguir fazer provisões suficientes para cobrir perdas crescentes com calotes,ampliando a pressão sobre os índices de capitalização do banco estatal, segundo a agência de classificação de risco Moody’s.

Olho do dono – Uma unidade da Odebrechtnão recebeu um empréstimo sindicalizado de US$ 4,1 bilhões esperado para financiar um projeto estratégico na América Latina, segundo a Bloomberg. Trata-se de mais um desdobramento da prisão de Marcelo Odebrecht pela Lava Jato.

Nos trilhos – A Valeinformou o financiamento do Corredor Logístico de Nacala, em Moçambique (África) avançou, com a aprovação dos termos e condições gerais da transação por ministros daquele país, mas destacou que operação não está concluída.

Cofrinho – O Banrisulvai distribuir R$ 76,8 milhões como juros sobre capital próprio. O pagamento ocorrerá em 30 de junho, com base na posição de cada acionista em 13 de junho.

Comprar ou vender?

Sem papo – O banco de investimentos norte-americano Morgan Stanley está evitando recomendara exposição ao setor bancário brasileiro. A explicação, segundo um relatório publicado hoje, está no efeito da recessão econômica e do rápido crescimento do desemprego sobre os lucros dos bancos.

Compra – A Vale (VALE5) irá enfrentar percalços no curto prazo e um preço menor do minério de ferro, ainda assim a mineradora tem força para driblar as dificuldades e entregar um retorno positivo ao acionista no longo prazo. Essa é a visão do Bradesco, que recomenda a compra das ações. O analista Aloisio Villeth Lemos, contudo, cortou o preço-alvo de R$ 19 para R$ 17 para refletir a menor projeção para o preço do minério de ferro, que caiu de US$ 55 por tonelada para US$ 45. O potencial de valorização em relação ao preço da Bolsa é de 30%.

Marisa – A Lojas Marisa (AMAR3) deixou de ter membros da família fundadora em sua gestão. Márcio Goldfarb deixou o cargo de CEO para ocupar a liderança do Conselho de Administração para ser substituído por Marcelo Araujo, ex-Natura e Shell. O mercado aplaudiu a decisão, mas não vê isso como uma mudança na estratégia de longo prazo. “Além disso, acreditamos que o novo CEO poderia fortalecer a mentalidade focada em retorno e gerenciamento do capital de giro que a companhia implementou no ano passado”, avalia o banco Brasil Plural. A recomendação para as ações continua em abaixo da média do mercado.

Natura – O Deutsche Bank elevou a recomendação para as ações da Natura de venda para manutenção. O preço-alvo, contudo, caiu de R$ 26 para R$ 24. Segundo o analista Marcel Moraes, apesar do forte crescimento e ganhos de eficiência das operações internacionais, a empresa não tem conseguido simplificar os gastos com vendas e administrativas como o esperado.

Para comentar mais tarde

Queda das importações encarece frete das exportações, diz diretor da Maersk. A queda das importações é saudada pelo governo e por muitos economistas como uma importante ajuda na missão de reequilibrar as contas públicas e tirar o Brasil da atual recessão. Mas esse recuo causa um efeito colateral indesejado que, no limite, atrapalha o comércio internacional do país: o aumento dos fretes para as exportações brasileiras. Leia mais na reportagem de Márcio Juliboni, de O Financista

 

O FINANCISTA