Atlético Mineiro 3 x 1 Atlético Paranaense

 3 x 1 

13ª RODADA
GALO CONTA COM DOIS GOLS CONTRA PARA VENCER O ATLÉTICO-PR NO INDEPENDÊNCIA
Alvinegro volta a ganhar após três rodadas e faz 3 a 1 em jogo marcado por vaias e xingamentos de torcedores para Levir Culpi
O Atlético-MG fez valer o apelido de vingador, deu o troco no Atlético-PR, seu único algoz no Independência em 2013, e ganhou por 3 a 1 na noite deste domingo. A vitória pela 13ª rodada do Brasileirão foi construída com grande contribuição do adversário: Léo Pereira e Deivid marcaram contra a partir dos 30 do segundo tempo, quando o placar apontava 1 a 1. Leonardo Silva abriu o placar no Independência, e Marcos Guilherme empatou em falha de Victor.

Levir Culpi ouviu vaias no segundo tempo e viu uma de suas apostas – a entrada de Luan – dar resultado, na jogada do segundo gol.

O Galo, que fez sua primeira partida após a saída de Ronaldinho Gaúcho, voltou a vencer no nacional depois de três rodadas e permaneceu na 11ª colocação, com 18 pontos. Se ganhar da Chapecoense na quarta-feira, em partida adiada da 10ª rodada, dará um salto para o quinto lugar. O Atlético-PR receberá o Botafogo no domingo, às 16h (de Brasília), na Arena da Baixada, em Curitiba.

Furacão? Só se for o Galo

Foi um bombardeio. O goleiro Santos não sabe até agora como demorou 34 minutos para ser vazado. Bola em cima da linha, bola no travessão, bola tirando tinta da trave. Mas o gol só saiu mesmo em um lance improvável, que se tornou arma poderosa do time nos últimos anos: a cobrança de lateral de Marcos Rocha. Leonardo Silva, quase sem ângulo, cabeceou no lado oposto do goleiro Santos – no intervalo, o zagueiro admitiu que a intenção não era concluir a gol.  Jô, que completou 115 dias de jejum, poderia ter ampliado num lindo contragolpe puxado por Maicosuel e Guilherme, mas chutou em cima de Santos.

Gols contra nos 15 minutos finais

No segundo tempo, o Atlético-PR não demorou para chegar ao gol. Aproveitou-se de falha do goleiro Victor no chute da intermediária de Marcos Guilherme, aos 10 minutos. Com a igualdade e a pressão da torcida, Levir Culpi resolveu mudar o Galo. Tirou Guilherme e Jô para as entradas de Luan e Dátolo, respectivamente. As mudanças levaram torcedores a vaiar a equipe e a xingar o treinador. E o Atlético-PR passou a tirar proveito do nervosismo do Galo.

Quando o empate parecia o resultado mais provável, os visitantes deram uma contribuição fundamental. Levir Culpi, que lançou recentemente o livro “Burro com Sorte”, foi do inferno ao céu após a jogada de Luan. O atacante foi à linha de fundo e cruzou para a área. Léo Pereira tentou cortar e fez contra, aos 30. O jogo continuou equilibrado, mas aos 41 foi a vez de Deivid jogar contra o patrimônio para decretar o resultado final: 3 a 1.

Leonardo Silva Atlético-MG gol Atlético-PR Brasileirão (Foto: Agência Getty Images)

GLOBO ESPORTE.COM

Coritiba 2 x 1 Botafogo

 2 x 1 

37ª RODADA
CORITIBA VENCE, RESPIRA E COMPLICA O BOTAFOGO NA LUTA PELA LIBERTADORES
No Couto Pereira, anfitrião vence por 2 a 1 e depende de suas próprias forças para fugir do rebaixamento. Alvinegro se mantém fora do G-4

Coritiba e Botafogo fizeram jogo com contornos de drama nas duas pontas da tabela. O time paranaense, na luta contra a degola, levou a melhor e terminou a rodada fora da zona de rebaixamento. A falha do seu jogador de seleção brasileira, o goleiro Jefferson, abriu caminho para a derrota por 2 a 1 – gols de Deivid e Alex, com Bruno Mendes descontando – e manteve o Botafogo fora da zona de classificação para a Libertadores de 2014. Os alvinegros estão um ponto atrás do Goiás, quarto colocado, e precisam vencer o Criciúma na última rodada e torcer por um tropeço esmeraldino diante do Santos. Outra hipótese é torcer por uma derrota do Atlético-PR (61) diante do Vasco. O Coritiba, por sua vez, tem somente de vencer fora de casa o São Paulo no último jogo para respirar aliviado e garantir a salvação, sem depender de qualquer outro resultado.

O Botafogo entrou em campo com uniforme retrô com a assinatura de Nilton Santos em dourado no lado direito do peito, homenagem ao lateral-esquerdo chamado de “Enciclopédia do futebol”, morto na última semana. A camisa, listrada, deu lugar à preta já na execução do hino nacional no Couto Pereira. O uniforme de jogo veio com o número seis, usado pelo ídolo alvinegro, logo acima do escudo do clube, também em dourado. Antes do apito inicial, novamente o protesto do movimento Bom Senso FC, com os jogadores sentando no gramado por alguns segundos.

Gabriel e Alex Coritiba x Botafogo (Foto: Giulianos Gomes / Ag. Estado)Alex, autor do segundo gol do Coritiba, é vigiado por Gabriel (Foto: Giulianos Gomes / Ag. Estado)

No início do jogo, Coritiba e Botafogo erravam muitos passes e tinham certa dificuldade para organizar o jogo, com a bola trocando de equipe a todo momento. Mas o time carioca conseguiu, logo aos dois minutos, assustar o Coritiba. Gilberto recebeu na ponta direita e disparou. Houve desvio e Vanderlei foi obrigado a fazer grande defesa. Ambos os times jogavam com apenas um atacante enfiado entre os zagueiros – Elias, no lado alvinegro, e Deivid, entre os anfitriões. Dessa forma, a disputa no congestionado meio de campo era acirrada.

Com os dois times precisando do resultado, a vontade aos 14 minutos passou do ponto. Rafael Marques e Gil se chocaram, cabeça com cabeça. Os dois precisaram de atendimento para estancar sangramentos. Gil voltou para o jogo uma proteção verde, e Rafael Marques, com uma touca preta. Apesar da evidente vontade, ambas as equipes esbarravam em dificuldades na criação. Com erros de passe e pouca velocidade, os goleiros praticamente se tornaram espectadores. Nas raras possibilidades de chute a gol, faltava precisão, como no lance de Gabriel, aos 24 minutos, quando mirou a rede e acertou a lateral.

A partir daí, porém, o panorama começou a mudar. Seedorf venceu a marcação e invadiu a área paranaense. Bateu com muito perigo, mas para fora. Pouco depois, susto do outro lado. Boa tabela do Coritiba terminou com Carlinhos arrematando para grande defesa de Jefferson. Em escanteio, Dória também ameaçou no cabeceio. Passou perto. O empate sem gols no apito ao fim da etapa parecia ser um resultado provável. Mas Jefferson, goleiro da seleção brasileira, falhou. Aos 38 minutos, Deivid recebeu sozinho na área, cabeceou para o chão e a bola passou entre as pernas do camisa 1 alvinegro: 1 a 0. O Coritiba ainda teria mais uma chance, com Alex, depois de boa jogada de Carlinhos, e, dessa vez, Jefferson apareceu muito bem para abafar a finalização.

– O Botafogo ataca, nós também. Temos de aproveitar o que surgir – limitou-se a dizer Alex ao deixar o gramado.

Rafael Marques lamentou o gol sofrido:

– Estávamos jogando bem, levamos o gol como não estamos acostumados a tomar. Agora é tentar melhorar no segundo tempo, empatar e tentar virar.

Coritiba Botafogo Gol (Foto: Fernando Freire)
Coritiba festeja gol de Deivid (Foto: Fernando Freire)

Mas nada mudou no começo da segunda etapa. O Coritiba, em vantagem, passou a cadenciar ainda mais o seu ritmo, o meio de campo seguiu congestionado, e o Botafogo seguiu com dificuldades na criação. Isso mudou aos 16 minutos, em jogada individual de Gabriel. Ele tirou a marcação, invadiu a área e tentou deslocar Vanderlei com um toque com o bico da chuteira. O goleiro alviverde fez grande defesa.

Oswaldo de Oliveira resolveu mudar o ataque. Elias, pouco acionado e inoperante na partida, foi substituído por Bruno Mendes. Não adiantou. Quem marcou foi Alex, depois de boa jogada de Deivid, que foi ao fundo e tocou por cima de Jefferson para o camisa 10, quase na marca do pênalti, bater para o gol vazio: 2 a 0.

O Botafogo passou a sentir a pressão e começou a tentar tocar a bola mais rapidamente, mas conseguia pouco mais do que chutes para Vanderlei rebater sem muita dificuldade, como o de Julio Cesar, aos 32 minutos. O Coritiba conseguia também explorar a vantagem na partida, ameaçando em contra-ataques. Aos 38, porém, o time carioca conseguiu diminuir com o ímpeto ofensivo do zagueiro Dória, que avançou pela ponta esquerda e achou Bruno Mendes na área para descontar: 2 a 1. O Botafogo teve uma grande chance em falta muito próxima à área, mas Lodeiro, Julio Cesar e Seedorf optaram por uma cobrança desastrada em três toques. No último lance do jogo, Jefferson, que falhou no primeiro gol, ainda fez milagre ao impedir o terceiro do Coritiba, em chance de Júlio César, de cabeça.

Grêmio 0 x 1 Coritiba

 0 x 1 

O grande destaque do Coritiba não esteve em campo. Nada que fizesse diferença para a equipe na noite desta quinta-feira. Sem Alex, o Coxa foi a Porto Alegre e venceu o Grêmio por 1 a 0, gol de Deivid, pela 12ª rodada do Brasileirão, impondo ao adversário a primeira derrota em casa no campeonato. E mais: com três zagueiros, aplicou um verdadeiro “nó tático” na equipe de Renato Gaúcho. A partida na Arena foi marcada por muito erros por parte dos donos da casa, vaias por parte dos torcedores e aplicação tática dos visitantes.

O Coritiba manteve o terceiro lugar, com 23 pontos, um a menos que os líderes Cruzeiro e Botafogo. O Grêmio, por outro lado, caiu para a décima posição, com 16 pontos.

Na próxima rodada, o Tricolor gaúcho encara o Bahia, na Fonte Nova, às 18h30m de domingo. O Coritiba joga no mesmo dia, mas às 16h, contra o Vasco, no Couto Pereira.

Elano jogo Grêmio contra Coritiba (Foto: Lucas Uebel / Site Oficial do Grêmio)
Coritiba foi superior na Arena (Foto: Lucas Uebel / Site Oficial do Grêmio)

Tricolor abusa dos erros

Renato tinha a fórmula para colocar em campo nesta quinta-feira. Usou o 3-5-2 no Gre-Nal e foi bem. Para encarar o Coxa, no entanto, mudou. Colocou, também pela primeira vez, três volantes em campo. Desta vez, sem sucesso. O Grêmio enfrentou um Coritiba bem organizado em campo, escalado com três zagueiros, como os donos da casa haviam atuado no domingo. Enquanto os paranaenses se defendiam bem, os gaúchos abusavam dos erros. De passes, de cruzamentos, de lançamentos, de domínio de bola…

E foi assim que apareceu o gol de Deivid. Alex Telles foi o primeiro a errar. Riveros, o segundo. Dentro da área, toda a zaga. Aos nove minutos, Victor Ferraz avançou pela direita e cruzou para o camisa 9, totalmente sozinho, de cara para Dida. Ele teve apenas o trabalho de colocar a bola para dentro das redes. Chance aproveitada do Coxa. Erro coletivo do Tricolor, 1 a 0 para os visitantes.

O lance deixou o Grêmio nervoso, e o time pouco conseguiu chegar ao ataque. O Coritiba, com o placar a seu favor, se defendia com qualidade. Até mais da metade do primeiro tempo, mais nenhum trabalho para ambos os goleiros. Os anfitriões foram acordar apenas aos 28, quando Alex Telles mandou uma cobrança de falta na trave superior. Dois minutos depois, Barcos ganhou de Emerson e Leandro Almeida, em jogada individual, e chutou cruzado para boa defesa de Vanderlei. Aos 39, o último grande lance. Kleber arriscou e mandou uma bomba de fora da área, mas não levou grande perigo.

Vaias gremistas, vitória do Coxa

O segundo tempo começou da mesma forma como o anterior havia acabado: com muitos erros por parte do Grêmio, e chances para o Coritiba. A primeira ocorreu logo aos três minutos. Bressan errou na saída de bola, na entrada da área, e deu de graça para o adversário. Geraldo aproveitou, obrigando Dida a espalmar. Na sequência, nova boa chegada. Emerson arriscou, e Souza tirou pela linha de fundo.

A torcida gremista, impaciente, vaiou, xingou, reclamou, levantou das cadeiras da Arena, abriu os braços. Nada que fizesse seu time melhorar de atuação. O Coxa, por outro lado, manteve a tática que funcionou nos 45 minutos iniciais. Defendeu-se e aproveitou as chances oferecidas pelo Grêmio para chegar com perigo ao ataque. Dida foi o melhor jogador tricolor na partida. Não fosse por ele, o resultado poderia ter sido ainda melhor para os visitantes.

Lucas Coelho perderia ainda a chance do jogo para o Grêmio. Aos 36, viu a bola passar limpa, com o gol aberto a sua frente. Não conseguiu empurrar para dentro das redes, após cruzamento de Kleber. Não passou de um sopro de esperança tricolor diante da supremacia alviverde.

Em 2012 , quem saiu do Flamengo se deu bem .

Ronaldinho recuperou a alegria e, jogando muita bola, lidera o Atlético-MG, que é o segundo colocado; Luxemburgo voltou a ser apenas técnico e comanda a boa campanha do Grêmio, que é o terceiro, e até Deivid desandou a marcar gols e está ajudando o Coritiba a fugir do rebaixamento.

Por que a abissal diferença em relação a seus desempenhos no Flamengo? A pergunta deve ser feita a Patrícia Amorim, que se curvou e deu liberdade demais ao primeiro; delegou atribuições e poderes exagerados ao segundo, e foi incapaz de pagar o que devia ao terceiro. Só falta o Wellington sair e se tornar um Domingos da Guia em outro clube…

Coluna redigida pelo jornalista Renato Maurício Prado para o jornal carioca O GLOBO