SporTV coloca narradores paulistasno Rio e narradores cariocas em São Paulo alternadamente

 

Misturando o samba

O SporTV, em suas últimas transmissões, tem procurado misturar seus narradores e comentaristas do Rio e São Paulo.

É uma tentativa de acabar com o regionalismo e quebrar a resistência do público.

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Rede Bandeirantes vai transmitir o Campeonato Carioca em 2016

Depois de comunicar oficialmente que não iria mais transmitir o Campeonato Carioca, a direção da Bandeirantes voltou atrás na decisão.

O martelo foi batido na noite desta quinta-feira e o evento terá, sim, espaço na sua programação este ano. A emissora já confirma a transmissão da partida entre Vasco e Madureira, com narração de Oliveira Andrade e comentários de Edmundo, domingo, na abertura dos regionais.

Como era de se esperar, esse anúncio da Band causou surpresa nos profissionais do departamento de esporte, porque todos já davam o campeonato carioca como descartado. Resta saber o que motivou essa mudança de planos.

Além do Carioca, a emissora também vai mostrar o estadual de São Paulo, o paranaense e goiano.

Procurada pela coluna, a Band confirmou as informações.

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Decepcionados, vascaínos apagam tatuagens com a palavra Respeito

Foi anunciado, mas nunca avistado (FOTO: Bernardo)

Foi anunciado, mas nunca avistado
(FOTO: Bernardo)

O Vasco não vence no Brasileirão desde 2013, não toma água desde 1973 e, para piorar, a diretoria do clube ainda cria novos motivos para os torcedores rivais fazerem piadas.

Na segunda-feira, o presidente vascaíno, Eurico Miranda, anunciou Léo Moura, e disse que Ronaldinho Gaúcho estava 90% certo com a equipe. Entretanto, no mesmo dia, o empresário do R10 viajou para fora do país para negociar o astro e Léo Moura desistiu do time de São Januário. Ou seja, o Respeito não voltou. Ponto.

Irritados com a ausência do Respeito, que também foi anunciado pelo clube durante o Campeonato Carioca, os torcedores do Vasco tomaram uma atitude extrema. Assim como os flamenguistas apagaram tatuagens de Léo Moura enquanto o lateral estava supostamente fechado com o Vascão, vascaínos decidiram apagar tatuagens do ex-ídolo Respeito, que nunca voltou, como foi prometido pela direção do clube.

Os estúdios de tatuagem do Brasil inteiro ficaram muito movimentados. Abastecidos de água e com freelancers para dar conta de tanto vascaíno revoltado desejando apagar as tatuagens com a palavra Respeito, alguns estabelecimentos chegaram a faturar 22,2 mil reais em apenas uma tarde.

O Atlético-MG foi o primeiro clube a anunciar um jogador que não veio. O Vasco foi o segundo.

 

Renato Maurício Prado passa a limpo as controvérsias do Campeonato Carioca até as semifinais

Orelha e focinho de porco…

É claro que, isoladamente, as irregularidades acontecidas nos jogos não chegaram a ser gritantes — nem mesmo o pênalti (o oitavo no torneio) inventado na vitória do Vasco. Até porque, é fato que o Flamengo já ganhou algumas vezes do mesmo adversário graças a equívocos da arbitragem. O problema é o quadro geral da história e a coincidência de acabarem classificados para a final do Carioquinha, exatamente, os times dos maiores aliados políticos do presidente da Federação, desclassificando os de seus maiores desafetos.

Até o desenlace, houve de tudo um pouco. Trocas de mandos de campo, suspensões por críticas ao campeonato, negativas de efeitos suspensivos, quando ainda cabiam recursos das decisões tomadas, lances irregulares e por aí vai. Coincidência ou não, na maioria das vezes, sempre contra os “inimigos” de Rubinho.

A essa altura do campeonato, podia apelar para aquela velha máxima de que “à mulher de César não basta ser honesta, precisa parecer honesta” — o que decididamente, caberia bem no caso do “Me engana que eu gosto” – 2015. Prefiro, entretanto, lembrar outro dito popular: “se tem focinho de porco, orelha de porco e pés de porco, ou é porco ou é uma feijoada”…

O amigo leitor que tire as suas próprias conclusões.

 

Renato Mauricio Prado – O GLOBO – 21/04/2015

Renato Maurício Prado comenta a diferença entre o Campeonato Paulista e o Campeonato Carioca

Quem assistiu às semifinais do Carioquinha e do Campeonato Paulista pode ver a enorme diferença. Enquanto os dois jogos do outro lado da ponte aérea foram muito bons tecnicamente, os daqui deram dó. Duas peladas de luxo, salvas em parte pela emoção inerente aos jogos decisivos. A disputa de pênaltis, entre Fluminense e Botafogo, então, foi de matar do coração. E só.

A abissal desproporção entre os times de lá e de cá é pra deixar os cariocas de cabelo em pé com o que vem por aí, no Brasileirão. Ainda mais quando se olha para as equipes do Sul e de Minas, igualmente, muito superiores às da outrora Cidade Maravilhosa. Dos quatro grandes do Rio, o Botafogo é o que está mais pronto para o campeonato nacional. Porque disputará a Série B…

A coisa está muito feia. As perspectivas são sombrias.

Renato Mauricio Prado – O GLOBO – 21/04/2015

Renato Maurício Prado comenta que o Campeonato Carioca não ilude mais ninguém

Canteros, Macaé X Flamengo (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Tudo igual no Moacyrzão: Macaé e Flamengo ficam no 1 a 1 (Foto: Gilvan de Souza / Flamengo)

Houve um tempo em que apelidei o Campeonato Estadual do Rio de “Me engana que eu gosto”. Naquela época, os dirigentes e torcedores do Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco se iludiam com as vitórias sobre os fraquíssimos adversários daqui e, quando chegavam nas competições mais fortes, geralmente, tomavam um desagradável choque de realidade.

Deste susto, não morrem mais. O torneio que começou, ontem, nem isso será. De tão ruim, não consegue enganar mais ninguém. Conscientes da péssima qualidade de seus times, a Federação, o Vasco e o Botafogo, aliados aos pequenos, impuseram uma demagógica redução no preço dos ingressos — tentando evitar o que já se tornou uma rotina no combalido futebol da outrora Cidade Maravilhosa: arquibancadas vazias, a não ser nas finais e, eventualmente, nos clássicos.

Diante disso, é bem possível que nem o Maracanã seja usado, pois com os preços que pretendem ser praticados, o prejuízo é certo. Pensando bem: esse nosso campeonato mequetrefe merecia mesmo é ser disputado nos campos do Aterro do Flamengo, com entrada franca. E ainda assim, talvez nem enchesse…

 

Renato Maurício Prado- O GLOBO – 01/02/2015

Renato Maurício Prado comenta lance que deu a vitória ao Flamengo no Campeonato Carioca

Márcio Araújo gol Flamengo jogo Vasco (Foto: Gilvan de Souza / FlaImagem)Praticamente ao mesmo tempo, Nixon e Márcio Araújo chegam para finalizar na final (Foto: Gilvan de Souza / FlaImagem)

 

Herói do título, por ter marcado o gol salvador, Márcio Araújo poderia ter se tornado o vilão rubro-negro, caso o seu impedimento tivesse sido notado pelo bandeirinha. Isso porque Nixon, que estava em posição legal e chegou na bola com ele, fatalmente, marcaria. Se o tivesse feito, não haveria discussão pois, graças a uma mudança recente na regra, o fato de Araújo estar adiantado e também ter corrido no lance não o invalidaria:

— Com a alteração feita, jogador em posição de impedimento só torna a jogada ilegal se disputar a bola com o rival ou atrapalhar claramente a visão do adversário, por exemplo, o goleiro. Como nada disso aconteceu, o assistente esperou até o último instante e errou ao achar que o toque tinha sido do Nixon — explicou-me o ex-juiz Leonardo Gaciba.

Em tempo: a jogada foi toda muito rápida. Se a transmissão não tivesse tantas câmeras e variados ângulos, não se teria identificado com precisão oautor do gol e, talvez, nem mesmo o impedimento.

Exatamente como aconteceu na primeira partida da final, na falta de obstrução que Éverton Costa faz no goleiro Felipe, no lance do gol de cabeça de Rodrigo, e só se vê claramente no replay de trás do gol.

 

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 15.04.2014

Renato Maurício Prado comenta que o Campeonato Carioca teve final coerente

 

O gol ilegal de Márcio Araújo, garantindo ao Flamengo o título carioca, aos 46 minutos do segundo tempo, foi a cereja podre do bolo solado, intragável, servido nesse campeonato estadual, deplorável sob todos os aspectos. Pra fechar a conta, houve ainda a infeliz declaração do goleiro Felipe (ao saber do impedimento), dizendo, com deboche, que “roubado é mais gostoso”. Edificante!

É claro que, com o caneco na mão, boa parte da torcida do Flamengo não ligou pra nada isso. Vibrou, sim, com a trigésima terceira conquista do torneio, que coloca o rubro-negro duas à frente do Fluminense, com trinta e uma. Além disso, o torcedor do Mais Querido adorou fazer de seu tradicional rival da Colina o vice pela sexta vez consecutiva: as decisões anteriores, entre ambos, aconteceram nos estaduais de 1999, 2000, 2001 e 2004 e na Copa do Brasil de 2006.

Mas gozações e comemorações à parte, não se deve deixar de registar umaverdade cristalina: o jogo de domingo passado, no Maracanã, foi lamentável, como espetáculo. Os 15 minutos finais do torneio (como bem destacou Fernando Calazans) foram, de fato, emocionantes, dramáticos. Mas em termos técnicos, nem um mísero segundo escapou.

Quem assistiu, pela manhã, ao sensacional duelo entre Liverpool eManchester City sabe disso. O que jogamos na terra do Rubinho não tem mais nada a ver com o futebol arte que um dia praticamos. O que se tem visto por aqui é um triste arremedo do “velho e violento esporte bretão”.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 15.04.2014