“Bahia no Ar” e “Fala Brasil” fazem Record liderar em Salvador

"Bahia no Ar" e "Fala Brasil" fazem Record liderar em Salvador

A Record Bahia, filial da rede no estado, está comemorando os índices do seu jornal matinal diário, o “Bahia no Ar“, e do nacional “Fala Brasil“.

Segundo dados consolidados divulgados pela assessoria de imprensa do canal, no último dia 7 de maio, o “Bahia no Ar”, apresentado por Jéssica Senra, registrou 9 pontos de média com 10 de pico e liderança empatada com a TV Bahia/Globo. No mesmo horário, a TV Aratu/SBT alcançou 4 com o “Bom Dia Bahia” e “Carrossel Animado”, e a Band teve 1 com o “Café com Jornal”.

Já o “Fala Brasil”, ancorado por Roberta Piza e Carla Cecato, aproveitou o bom desempenho do jornal local e também foi líder, com 8 pontos de média contra os mesmos 8 da TV Bahia/Globo e 4 da TV Aratu/SBT.

O “Bahia no Ar” tem conseguido manter sua audiência intacta, sem muitos problemas, devido à fidelização de seu público e do respaldo do conteúdo do programa perante à sociedade baiana.

Em uma pesquisa feita recentemente pela emissora, a apresentadora e o jornal foram considerados os que mais agradavam os telespectadores. Além disso, no fim do ano passado, o “Bahia no Ar” foi indicado ao prêmio Melhores do Ano NaTelinha, como melhor jornal local.

Com o bom desempenho do local, o “Fala Brasil”, não raramente, também consegue marcar bons números na capital baiana.

Os dados refletem a preferência de um seleto grupo de telespectadores em Salvador e Região Metropolitana.

 

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Record Bahia comemora boa audiência do “Bahia no Ar”, de Jéssica Senra

Record Bahia comemora boa audiência do "Bahia no Ar", de Jéssica Senra

Divulgação

A Record Bahia, filial da emissora de Edir Macedo na estado, está comemorando os índices do seu jornal matinal diário, o “Bahia no Ar“.

Segundo dados consolidados divulgados pela assessoria de imprensa do canal, na última quarta-feira (1) o jornalistico apresentado por Jéssica Senra registrou 10 pontos de média com 13 de pico e participação de 34,4%.

No mesmo horário de exibição do jornal, das 7h30 às 8h45, a TV Bahia/Globo teve 9 pontos com o “Bom Dia Brasil” e o início do “Mais Você”, a TV Aratu/SBT alcançou 3 com o “Bom Dia Bahia” e “Notícias da Manhã”, e a Band Bahia marcou 1 com o “Café com Jornal”.

Mesmo com o período eleitoral, o “Bahia no Ar” tem conseguido manter sua audiência intacta, sem muitos problemas, devido à fidelização de seu público e do respaldo do conteúdo do programa perante a sociedade baiana.

Os números refletem a preferência de um seleto grupo de telespectadores em Salvador e Região Metropolitana.

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“Bahia no Ar” faz Record Bahia liderar audiência

"Bahia no Ar" faz Record Bahia liderar audiência

Divulgação/TV Record

 

Apresentado pela jornalista Jéssica Senra, o “Bahia no Ar” voltou a fazer a Record Bahia liderar os números de audiência.

Segundo dados consolidados do Ibope, divulgados pela assessoria de imprensa da emissora, no último dia 17 de julho o jornalístico registrou 8 pontos de média, contra os mesmos 8 da TV Bahia/Globo, 1 da TV Aratu/SBT e 1 da Band Bahia, entre 7h30 e 8h40.

A atração também ficou cerca de 19 minutos na liderança isolada, vencendo a Globo e chegando a picos de 10 pontos de audiência.

O bom desempenho reforça a boa fase do “Bahia no Ar” e da jornalista, que recentemente entrou no rodízio do “Fala Brasil” de sábado, da Rede Record. Neste sábado (26), por exemplo, ela comandará o programa juntamente com a jornalista Patrícia Costa, que faz a previsão do tempo no “Jornal da Record”.

Jéssica agrada o vice-presidente de jornalismo, Douglas Tavolaro. Em recente visita à cabeça de rede, ele elogiou bastante a profissional, e até cogitou levá-la definitivamente para SP.

Os números refletem a preferência de um seleto grupo de telespectadores de Salvador e Região Metropolitana.

 

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Record comemora índices do “Bahia no Ar” e “A Bahia que a Gente Gosta”

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A Record Bahia, emissora própria da rede no estado, está feliz com os resultados de dois de seus programas locais.

Segundo dados divulgados pela assessoria de imprensa, o programa de turismo “A Bahia que a Gente Gosta”, apresentado por Ana Paula Farias nas manhãs de domingo, tem sido vice-líder absoluto de audiência.

No último domingo (16), a atração marcou 5 pontos de média e 6 de pico, contra 3 da TV Aratu/SBT e 2 da Band Bahia. A TV Bahia/Globo ficou com 12 no horário.

Outro destaque é o jornal matinal “Bahia no Ar”, apresentado por Jéssica Senra, das 07h30 às 08h40. O programa, mesmo com algumas mudanças de horário, manteve sua audiência cativa: de janeiro até o dia 13 de março, a atração tem uma média geral de 6 pontos com pico de 10, um resultado 200% superior a TV Aratu/SBT, terceira colocada no horário. Além disso, o “Bahia no Ar” já ficou na liderança, apenas neste ano, por 163 minutos não consecutivos.

Os números são consolidados e refletem a preferência de um seleto grupo de telespectadores da Grande Salvador.

 

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Record Bahia comemora audiência do jornal “Bahia no Ar”

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Divulgação/TV Record

A Record Bahia, emissora própria da rede no estado, continua comemorando os índices de seus jornalísticos locais.

O principal destaque continua sendo o “Bahia no Ar”, apresentado por Jéssica Senra.

Na última quinta-feira (11), exibido entre 07h20 e 08h40, o programa conquistou 11,8 pontos de média com 14 de pico e 37,5% de participação.

No mesmo horário, a TV Bahia/Globo, que transmitia o “Bom dia Brasil” e parte do “Mais Você”, ficou com 11,7, e a TV Aratu/SBT marcou apenas 2 pontos, apresentando o “Bom Dia Bahia” e o “SBT Manhã – 2º edição”.

Os números são consolidados e refletem a preferência de um seleto grupo de telespectadores na Grande Salvador.
 

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Record Bahia muda programação local e volta com o “Balanço Geral” às 12h

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Conforme já noticiado pelo NaTelinha, a Record Bahia estava avaliando mudar a grade local para combater o crescimento da TV Aratu/SBT. E isso de fato aconteceu.

A partir do dia 6 de maio, a emissora inverte a exibição do “Balanço Geral” e do “Bahia no Ar”. O programa comandado por Raimundo Varela há 30 anos será exibido na faixa do meio-dia, seu horário original e que consagrou Varela, considerado o maior apresentador do estado.

Já o jornal apresentado por Jéssica Senra volta para as manhãs, mesmo com os bons índices que conseguia durante o almoço. A partir de agora, o “Bahia no Ar” será exibido às 7h20.

Além disso, foi criado o “Direto da Redação”, que terá apresentação de Ricardo Sapia e será exibido às 6h30.

Em tempo:

A briga pela vice-liderança continua muito forte na Bahia. Na última sexta-feira (26), o “Clube da Alegria”, apresentado por Carla Perez na TV Aratu/SBT, foi líder de audiência com 8 pontos de média.

Porém, nesta segunda (29), o “Se Liga Bocão” da Record ficou em primeiro lugar, de 13h às 14h40, com 14 pontos e pico de 15. No mesmo horário, a Globo teve 12.
 

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Documento NaTelinha: “Se Liga Bocão” com José Eduardo, da Record Bahia

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NaTelinha entrevista Zé Eduardo, o Bocão – Fotos: Breno Cunha/NaTelinha

O “Documento NT” chega em sua terceira edição, desta vez regressando à Salvador e à Record Bahia.

Atendendo a pedidos de internautas que leram a matéria sobre o “Bahia no Ar”, em que ele é citado várias vezes, decidimos mostrar, desta vez, os bastidores do “Se Liga Bocão”, programa que está há cinco anos na Record Bahia, sendo a maior audiência da casa desde então.

Chego na TV por volta de 9h30, juntamente com Jeniffer Homann, assessora da emissora, e Breno Cunha, repórter do NaTelinha que me auxiliou na matéria. Por volta de 10h15, dentro da sala VIP da Record Bahia, Bocão chega animado, fazendo piada e cumprimentando a mim e a Breno com cordialidade. Acompanhamos o seu programa de quinta-feira, que foi ao vivo e a gravação do programa de sexta da paixão, onde o apresentador anunciou a reportagem e nos colocou no vídeo.

Voltando à entrevista, Zé teve que, por duas vezes, interrompê-la para atender chamados de parceiros de trabalho. Era para o seu site de notícias, o “Bocão News”: “Esse site toma quase todo o meu tempo, é um estresse danado, mas está dando resultado. Chegamos a 60 mil views por dia”, falou.

É a segunda vez que entrevisto José Eduardo Figueiredo Neves, 43 anos, conhecido como Bocão. O seu programa ficou conhecido na TV Aratu/SBT, mas foi quando migrou para a Record Bahia que explodiu, chegando a ter picos de 33 pontos. Hoje, o “Se Liga Bocão” marca média de 12 pontos, chegando várias vezes à liderança isolada no horário. O programa também é, desde que chegou na emissora em 2008, a maior audiência da casa.

Na entrevista, ele também fala sobre “mundo cão”, concorrência, e chama a sua acusação de estelionato feita pela TV Aratu/SBT, que motivou sua saída do canal, de “armação” e que a emissora fez um “papelão”.

Confira a íntegra da entrevista feita por mim e Breno Cunha:

NaTelinha – Zé, novamente, obrigado pela entrevista. Vou começar te perguntando como você começou na comunicação. No rádio, na TV…

Bocão – Comecei a carreira no rádio, que pra mim foi uma grande escola. E em um belo dia, em 1989, aqui mesmo na TV Itapoan (nome real da TV, que foi usado até 2010, quando a direção decidiu usar Record Bahia), o Raimundo Varela (apresentador e criador do “Balanço Geral”) me chamou pra fazer um teste. E eu passei. Fiquei aqui de 1989 até 1992. Depois, a TV Bahia/Globo me chamou e eu fiquei lá de 1992 até 2000 fazendo reportagem. E nesse tempo, eu fiz Rádio Cultura, Bandeirantes, Itaparica, várias rádios. Eu fiz plantão esportivo nessas rádios. Quando eu sai da TV Bahia, eu fui ser assessor de comunicação do cantor Ricardo Chaves. Nesse tempo, eu resolvi montar uma empresa de comunicação. E passou por lá vários eventos de peso que aconteceram aqui, como show de Roberto Carlos. Eu também fui assessor de Popó (Acelino “Popó” Freitas, campeão mundial de boxe) no auge dele. Fiquei com Popó durante um bom tempo também. Então, montei a empresa de comunicação e ela cresceu muito. Só que eu senti necessidade de voltar pro rádio. E aí, eu fui pra Transamérica.

NaTelinha – E foi na Transamérica que surgiu o “Se Liga Bocão”, não é isso?

Bocão – Exatamente. E era pra ser um programa de entretenimento, de festas, eventos e tal. E quando eu estava na Transamérica, a TV Aratu/SBT me chamou. Fiquei lá por quatro anos. E o engraçado é que, pouco tempo antes de ir pra Aratu, eu fiz um teste aqui na Record e eu perdi esse teste. Era pra eu estar em cima de uma bancada…

NaTelinha – Na outra entrevista, você não me disse isso. (risos) Como aconteceu?

Bocão – Me chamaram pra fazer um piloto aqui na Record, com dois apresentadores. Era eu e uma mulher. E desse piloto, só ficou a apresentadora. E eu não fiquei.

NaTelinha – Você lembra quem foi a apresentadora?

Bocão – Foi Daniela Prata. Decidiram que só a Daniela era melhor e eu voltei pro rádio. Depois disso, a TV Aratu/SBT me chamou e lá eu criei o “Se Liga Bocão” pra TV. Foi lá que eu introduzi o social, o policial. Montei a equipe e depois a Record me contratou quando eu tive aquele “problema” lá.

NaTelinha – Então, eu queria que você falasse sobre esse “problema” que foi a acusação de estelionato, que o Uziel Bueno (na época, repórter do “Se Liga Bocão”, hoje apresentador do “Brasil Urgente BA” na Band) chegou a mostrar uma fita no ar, dizendo que tinha uma gravação sua ameaçando um prefeito e tal…

Bocão – E até hoje, nada da fita… (risos) Então, aquilo foi uma forma de me intimidar, para que eu não viesse assinar com a Record. E na disputa do ouro, eles ficaram doidos…

NaTelinha – Pesquisando para a entrevista, eu vi que você dava uma grande audiência lá…

Bocão – Eu era líder de audiência lá. Dava 23 de pico sempre. O programa tinha uma hora e meia. Era de manhã e depois foi para às 12h…

NaTelinha – E reprisava de madrugada….

Bocão – Exatamente. Era Bocão de manhã, de tarde e de noite. E batia 23 direto. Quando se viu a possibilidade de eu sair, eles decidiram fazer aquele papelão. E eu pensei: “Ah, é assim?” e saí. Vim pra Record, estreei aqui no dia 14 de janeiro de 2008, onde existia uma expectativa grande se tinham me derrubado ou não. O que a audiência iria mostrar? E eu marquei 22 pontos de média com 26 de pico.

NaTelinha – Você chegou a dar mais que isso, não é? Chegou a 33 pontos de pico, não foi? Quando você via esses números, o que você pensava? Nem o Varela deu isso…

Bocão – Foi o maior pico daqui, inclusive. E esse ano eu tenho o maior pico de novo. Que foi na quarta feira de cinzas, dei 20 pontos. Acho que é o maior pico da rede até…

NaTelinha – Era, porque o Gugu bateu e deu 23 de pico por esses dias…

Bocão – É, agora então não é mais… (risos) Mas o Gugu já merecia isso, né? Já estava nessa perseguição pelo Ibope, sofrendo muito. E isso é um sofrimento…

NaTelinha – Você é viciado demais em audiência, não é?

Bocão – Muito! O Carlos (Alves, diretor da Record Bahia) quer tirar o Ibope da minha frente. É que só a gente aqui na Bahia tem a audiência em tempo real, o minuto-a-minuto. Acho que a Globo tem, mas só. E eu vejo em tempo real o crescimento e a queda. E isso é estranho, porque às vezes eu estou com 15 e do nada, eu despenco pra 9 e eu começo a entrar em parafuso….

NaTelinha – Era até a próxima pergunta que eu ia fazer. Como você é muito ligado na audiência, você troca a ordem das matérias dependendo da audiência…

Bocão – Eu confesso, eu mexo muito.

NaTelinha – Então, eu queria lhe perguntar o seguinte: você estava numa queda, e subiu novamente com a entrada da Jéssica Senra e o “Bahia no Ar” no horário. O que você achou da entrada dela?

Bocão – Eu achei maravilhoso. O problema é que tem praças que os programas de rede não atingem o que a gente espera. Tem praças que o programa não dá certo. A Globo tá sofrendo com o “Encontro”, por exemplo. E eu não pegava com a audiência esperada quando começava 12h, horário que peguei com a saída de Varela, que me entregava com um Ibope fantástico. Era a dupla, né? E o diretor se moveu e decidiu apostar na Jéssica e deu certo. Ela vai bem e voltou a me entregar bem, e voltamos a ir pra cima da Globo. Pra mim, o Bocão não pode ser vice, a gente não pode sofrer um pouco, tem que ir pra cima. E já que se colocou na cabeça que tem que ser líder, a cobrança é maior. Toda a minha equipe é cobrada. Veio pra ser líder, tem que ser líder. Só que eu pego quatro programas, que são “Globo Esporte”, “Jornal Hoje”, “Vídeo Show” e um pedaço da novela. Eu tudo isso nas minhas costas. É uma guerra, que eu entro pra ganhar.

NaTelinha – Você falou do Varela. Numa hipótese, se ele voltasse pro horário das 12h, o que você iria achar?

Bocão – Ia achar fantástico. Iria ficar muito feliz.

NaTelinha – Você acha que iria agregar na audiência? Não que ela esteja ruim, está boa, mas…

Bocão – Não, ela está boa. Mas o que acontece, é que o povo gosta muito dele. Jéssica tem uma carreira brilhante pela frente, já entrou no horário na veia do programa, na veia do povo, mas eu tenho uma ligação muito grande com Varela. E eu acho que pode melhorar consideravelmente, mas logicamente que Jéssica seria aproveitada de qualquer forma.

NaTelinha – Você falou de uma cobrança pela audiência. Como é que vem exatamente essa cobrança?

Bocão – Essa cobrança parte de mim. Eu não aceito ser segundo. E eu vinha sofrendo muito com isso, porque eu via um programa bom, quente, e a Globo dando 15 e eu dando 11. Eu tinha que buscar quatro pontos. E eu parei pra pensar no que estava acontecendo. Aí, eu vi que o share (percentual de televisores ligados no horário) diminuiu, tem a concorrência da TV a cabo, que é muito grande hoje, porque elas tem preços acessíveis, e o povo pode zapear. E naquele horário, o povo estava zapeando, vai e volta e tal. A concorrência aumentou, na realidade. Hoje em dia, tem TV a cabo na casa da classe D e E, que com R$ 39,90, você pode ter 150 canais. Então, você partir pra cima da Globo é difícil, essa semana eu ganhei três vezes da Globo. Mas como eu disse, a cobrança vem de mim. Não tenho cobrança de diretor, cobrança lá de São Paulo, mas você sabe que você é movido pela aquela máquina e eu cobro minha equipe.

NaTelinha – Você tem receio de um dia você não dar mais audiência?

Bocão – Eu tenho que me preparar pra tudo isso. Isso você percebe na rua. Mas você vê que ultimamente, o Silvio já está há 100 anos na televisão, o Gugu também está há 100 anos na televisão, Varela tem 30 anos na televisão, batendo na mesa , cobrando e brigando pela liderança. E sou muito novo, tenho 43 anos. Claro, posso sofrer um pouco. Gugu sofreu muito agora, muito mesmo. Mas voltando, isso vai acontecer um dia, isso é normal. Mas eu vou lutar pra voltar no auge, porque existe o pânico na hora, mas vou lutar sempre.

NaTelinha – Muita gente me pediu para perguntar sobre o que você está achando das declarações do Pastor Marco Feliciano. Você tem uma opinião sobre isso?

Bocão – Eu acho o seguinte: existe um preconceito muito grande contra os evangélicos. E a gente sente isso aqui na Record. Parece que só a Globo é que pode ser primeiro lugar. Eu admiro muito os diretores. O Gonçalves (Honorilton, vice-presidente artístico e de programação da Record e Bispo da Igreja Universal), os caras que vão pra guerra. Porque eles estão enfrentando um exercito chamado Globo. E eles venceram esse preconceito, porque ser segundo no Brasil não é fácil. O que eu quero dizer é que tem um grande preconceito atrás disso tudo. Primeiro porque não aceitam o que ele fala, porque o cara é pastor. E segundo, eu preciso saber se realmente ele falou aquilo tudo que ele falou dos gays e tal. Eu confesso que não me aprofundei muito nisso. Se ele falou isso tudo mesmo, com certeza ele não poderia assumir a presidência de uma comissão dessas. Porque a opção sexual de cada um é de cada um, você tem que conviver com ela. Eu sempre convivi com todos. Eu tenho amigo gay, eu tenho amigo pobre, eu tenho amigo preto, e sou eles que mais entendo.

NaTelinha – Sobre a Record ir pra cima, talvez seja essa a coisa que diferencie a Record. O SBT quer ficar em segundo, acha legal ser segundo, e a Record quer ser primeiro, não é?

Bocão – Aqui nós queremos ser primeiro, não aceitamos ser segundos. Falo em programas locais, claro. E não é primeiro por uns minutos, é primeiro na média. Aqui tem o Varela que é primeiro, a Jéssica chega a primeiro lugar e eu bato primeiro lugar. Eu acho que não tem praça no Brasil que tem três programas locais que passam da Globo. E isso pra gente aqui é uma maravilha, porque você bater um poder daquele é sensacional. Agora, aqui a gente tem uma estrutura muito boa, não tenho o que reclamar. É claro que a gente passa algumas situações de crise, como todas as empresas passam, mas eu não posso reclamar. Tenho três equipes de reportagem trabalhando comigo, tenho equipe de madrugada, tenho helicóptero, tenho equipamentos novos, tudo novo. Eu só pedi pra tirar uma hora de trabalho minha porque eu não estava aguentando. Então, fui eu, entre aspas, porque a Jéssica é sensacional, mas ela entrou porque eu não aguentava mais ficar no ar de 12h até 14h40. Eu estava pifando, não tinha mais voz, era muito tempo no ar. E o diretor que chegou, o Carlos Alves, entendeu isso, o seu Gonçalves em São Paulo também entendeu e colocaram o “Bahia no Ar” às 12h, que tinha uma resistência no início, mas hoje é uma realidade. Pode pegar o Ibope, ela bate várias vezes a Globo. É a luta, a gente aqui da Bahia, pelo menos, não aceitamos ser segundo. Não é ruim ser segundo, é legal, mas é a cobrança pra ser primeiro. Quem não aguenta, peça pra sair. (risos)

NaTelinha – O que você acha dos seus concorrentes nos outros canais, como o “Na Mira” da TV Aratu/SBT e o Brasil Urgente BA da Band?

Bocão – Eu acho que eles tem o espaço deles, os programas deles, na hora deles, acho que eles fazem do jeito que deve fazer e tal. O “Na Mira” eu não posso falar muito, porque eu só concorro 30 minutos com ela…. Policialesco, os dois. Tem um estilo muito parecido. E eles estão bem ali, um em terceiro e o outro em quarto (risos).

NaTelinha – Você tá indo pro seu terceiro programa de rádio, você tem dois. Explica isso melhor, por favor.

Bocão – Gabriel, eu estou numa vida de louco. Na verdade, já estava, mas o site, o “Bocão News” me toma muito mais tempo que isso tudo aqui. O site é 24 horas, cresceu muito..

NaTelinha – No carnaval, você chegou a me mostrar a audiência do site, me lembro.

Bocão – Sim, verdade. O site tá crescendo muito, estamos batendo 70 mil, 80 mil… Cerca de 60 mil por dia. No sábado, a gente chega a 45 mil dia, é uma audiência muito boa. No começo, eu não acreditava, era projeto do meu irmão. Eu não queria meu nome ligado ao site, porque o preconceito já é latente no rádio e na TV e eu falava: “Não coloca meu nome. Vai dar confusão” e ele falava: “Não, vai com seu nome mesmo, vai dar certo” e hoje, eu te confesso, o site me toma 90% do tempo. E por que me toma? Porque notícia de site é bacana, já pode mandar pelo Whatsapp, com foto e vai pro ar rapidamente. Eu tenho uma equipe de 20 jornalistas, é o único site que tem dois fotógrafos, motorista, segurança, tudo direitinho. E a gente vai crescer mais.

Nota: Neste momento, Zé nos mostra uma foto com dados de audiência do Bocão News que ele tirou e depois, exibe uma foto de um minuto-a-minuto, com ele vencendo a Globo por 14 a 13. Após isso, continuamos a conversa.

Bocão – Basicamente, é isso. Eu tenho o site, estou investindo em rádio também, levei um programa de futebol pra lá e eu fazer algumas participações, não sou eu exatamente. Com isso, tenho programa às 8h, às 18h e a noite.

NaTelinha – Como você arranja tempo pra isso tudo? O dia tem 30 horas pra você?

Bocão – Olha, eu te confesso, agora era pra eu estar malhando. (risos) Eu vou sair daqui e vou correr na esteira 40 minutos, ai venho para cá direto e quando eu piso o pé aqui, já entro tenso porque eu não sei como vem o programa em termos de Ibope. Ai eu fico quase duas horas no ar, acabado, saio daqui e vou pra casa ficar um pouco com o meu filho e volto às 18h pra Itapoan FM. Eu relaxo mais em rádio, muito mais. E depois eu fico pra fazer o futebol até 22h e vou pra casa. Só vou dormir uma da manhã, geralmente. E levando cinco, seis da manhã.

NaTelinha – Você dorme?

Bocão – Pouco, mas sim. (risos)

NaTelinha – O que te move a fazer isso tudo?

Bocão – Olha, eu morro de vontade de trabalhar. Minha mãe era professora, tinha um salário ordinário. Meu pai era funcionário público, então, nunca caiu dinheiro do céu pra mim. Mas minha mãe sempre lutou pra me colocar numa escola de qualidade. Se endividada toda, mas colocava. E a vontade de trabalhar veio da minha mãe e do meu pai. Eles ralavam muito pra dar pra mim e pra meus irmãos, um pouco de qualidade de vida e educação. E não conseguiria ser ocioso, porque tenho pavor de preguiça. Eu odeio gente preguiçosa, porque isso passa, preguiça contagia. E eu penso lá na frente, porque eu estou aqui com vocês, mas eu penso no que vai ao ar no programa hoje, eu penso no site. Sabe quanto eu gasto mandando mensagem de celular? Quase R$ 3 mil! As pessoas não tem a obrigação de me acompanhar, mas eu sou muito fonte. Quando acontece algo, elas não ligam para o programa, ligam pra mim.

NaTelinha – O jornalismo já te deu tudo que você sonhou?

Bocão – Já, sem dúvida. Poxa, eu trabalha no “padrão Globo de esporte” como repórter, ai você sai pra apostar em uma vida sua, de assessoria, monta sua empresa e de repente, você é o Bocão? Eu não posso sair na rua. O povo me ama, a elite ama e odeia, mas faz questão de tirar uma foto comigo. Mas hoje eu tenho minha casa, minha família, meus pais moram bem graças ao jornalismo. Não tenho do que me queixar.

NaTelinha – Você já pensou em desistir disso tudo?

Bocão – Não, eu sempre apostei mais. Desistir, jamais. Se tiver rádio de bobeira aí, eu pego o horário. (risos) Mas tem horas que eu chegava aqui na época de ficava quase três horas no ar, de pegar um avião e ir conversar com o Raposo (Alexandre, presidente da Record), que foi o cara que me trouxe pra cá, um cara que eu admiro e sou muito grato, porque depois daquela armação toda, ele me ligou e falou: “Agora é que eu quero você”. Porque a TV Aratu achou que eu tinha contrato com eles, e eu não tinha contrato nenhum. Mas como vazou que a Record me queria, eles não acreditavam na minha palavra. Eu queria ficar, mas eles decidiram fazer aquela armação e acharam que iriam me liquidar. Pensaram: “Não é nem daqui, nem da Record”. Foi aí que eu recebi a ligação do Raposo falando: “Amigão, aparece lá na Record agora pra assinar o contrato”. Aí o Fabiano (Freitas, ex-diretor da Record Bahia e atual diretor da Record Minas) me recebeu e eu assinei. E eu nunca pensei em desistir, eu sempre pensei em ir pra cima, o único momento em que pensei em dar uma parada nessa minha vida louca, foi quando eu estava de 12h até 14h40. Sério, eu fico imaginando o Wagner Montes no Rio, de 12h até 14h40, coitado. (risos)

NaTelinha – Já te chamaram pra ir fazer programa em São Paulo?

Bocão – Olha, não. Mas eu ia dizer: “Muito obrigado, mas eu não saio de minha terra pra nada”. Eu gosto muito do Douglas Tavolaro, diretor de jornalismo da Record, é um cara fantástico, muito bacana. Se um dia pintar uma proposta, eu sei que vou dizer: “Douglas, meu irmão, eu sou muito bairrista, gosto de meu acarajé, gosto de minha praia…”. São Paulo seria fora do comum pra mim, não penso. Por dinheiro algum.

NaTelinha – E se, uma suposição, claro, a Record quisesse você em São Paulo, mas como você não quer sair daqui, apresentasse o programa daqui e fosse ao ar lá?

Bocão – Topo, na hora. Sem nem pensar. (risos) Mas o que acontece é o seguinte: programa popular cresceu muito. E eu tenho uma vontade de diminuir polícia no meu programa, se você perceber, eu já mostrei muito corpo, hoje não mostro mais. Não tem muito corpo no meu programa. Eu observei pelo Ibope que a audiência não reagia bem. Essa coisa de falar: “Ah, o Zé Eduardo é mundo cão”. Eu confesso, eu já fui mundo cão de verdade, mas a Globo mostra morto. A diferença é que ela faz isso com classe: eles ficam 2 segundos e eu 5 minutos. A Globo hoje coloca o cara entrando na viatura, gritando, a mãe chorando, porque eles sentiram a necessidade. É a guerra, amigão. É todo mundo contra todo mundo. Antes só tinham eles, agora tem a Record. Pega o Ibope e vê o que Varela faz de manhã, o que a Jéssica faz 12h, o que eu faço. Mas é bem verdade que o mundo cão tem que acabar. Você usar a miséria do povo pra ganhar Ibope, eu nunca usei a miséria do povo pra ter audiência. Sério, você quer mais mundo cão que o “Big Brother”? Se você tirar o edredom, você vai ver o que é mundo cão… (risos)

Novamente, muito obrigado à Record Bahia e ao Bocão pela entrevista. Até o próximo “Documento NaTelinha”!
 

Documento NaTelinha: “Bahia no Ar” com Jéssica Senra

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Jéssica Senra apresenta o “Bahia no Ar” na Record local – Fotos: Divulgação
 
 
Estreia agora uma nova sessão aqui no NaTelinha. O “Documento NT” viajará o Brasil e mostrará para você que se faz televisão fora do eixo Rio-SP e quais programas fazem grande sucesso pelo país afora, com grandes índices de audiência. 
 
Na estreia, eu, Gabriel Vaquer, falarei sobre o “Bahia no Ar”, jornalístico da Record Bahia, apresentado por Jéssica Senra.
 
Jéssica tem 29 anos, é natural de Salvador, porém tem dupla nacionalidade, como me relatou na sua entrevista: “Sou espanhola também”. 
 
Chego por volta de 11h na TV, sendo recepcionado pela assessora da emissora, Jeniffer Homann. Entro no estúdio, Jéssica me recebe simpática e, antes do jornal, faz alguns exercícios vocais, lê algumas pautas e brinca com a equipe. 
 
O programa começa pontualmente às 12h, com uma pequena escalada. As pautas são policiais, como a grande maioria dos programas locais. Jéssica, inclusive, me revela na entrevista: “Fiz criminologia na Espanha, porque sempre gostei dessa área de polícia”.
 
Como era um dia de Carnaval, as notícias policiais foram divididas com notas sobre a folia. Durante o jornal, a apresentadora interage com o jornalista João Kalil e a “Bia Krét”, que é uma espécie de alívio cômico do programa: “Eu acho a Bia sensacional, mas não posso falar quem faz”. Confesso que gostaria de saber para dar os parabéns, porque Bia me fez dar boas risadas. 
 
Também noto que Jéssica comanda o jornal com muita informalidade, como é característico dos apresentadores da Record, mas quando ela chama uma matéria em que uma moça deu à luz no meio de uma rodovia, no interior da Bahia, ela se emociona de um jeito que, confesso, nunca vi em nenhuma apresentadora. Também no programa, em alguns momentos, entra depoimentos de populares dizendo que assistem ao jornal. Não é pra menos: na última quarta (13), o “Bahia no Ar” marcou 11 pontos de média com 17 de pico.
 
A entrada do programa às 12h foi vista com estranheza por quem não acompanha de perto, já que os “Praça no Ar”, normalmente, são exibidos às 6h30 da manhã. Com a ida para às 12h, Jéssica também ganhou visibilidade. “A pressão é muito grande. Esse jornal de 12h, meu filho… É briga de cachorro grande. Quando me falaram que eu ia para às 12h, eu pensei: ’Caramba, eu vou brigar com os maiores!’, porque é o horário nobre das afiliadas”, falou. 
 
Terminado o noticiário, vamos para uma sala VIP da Record Bahia e começamos a entrevista. Foi uma conversa de 1 hora e 15 minutos bastante proveitosa. Logicamente, falamos coisas impublicáveis e também conversamos sobre política e futebol. Então, colocarei as questões que interessam para os leitores, sem deturpar uma palavra. 
 
NaTelinha – Como chegou o convite para apresenta o “Bahia no Ar” às 12h? 
 
Jéssica Senra – Foi em setembro, eu estava de férias, viajando. Então, a direção da emissora me ligou e me perguntou se eu poderia voltar mais cedo. Voltei e me falaram que voltaria às 12h. Fiquei muito feliz pela confiança, porque é um horário com muita visibilidade. Então, falei com minha produtora, a Ticiana Bitencourt, e disse: “Vamos?” e ela “vamos”. Não sou nada sem ela. Então, cheguei bem no horário. Eu estava tensa, mas o desafio é bom. Entrei no horário que era do Zé Eduardo, do “Se Liga Bocão”, então tinha que dar certo. E tem dado. 
 
 
NaTelinha – Jéssica, você fez faculdade fora do país, né? Estudou na Espanha e nos Estados Unidos. O que você aprendeu lá, que você usa aqui? 
 
Jéssica Senra – Na verdade, fui para aprimorar o inglês, fiz intercâmbio de trabalho, trabalhava de recepcionista de restaurante. Eu queria aprender inglês e eu sou meio autodidata. Eu queria aprender inglês quando era nova e minha mãe não podia pagar um curso pra mim, então eu aprendi inglês traduzindo letra de música, conversando pela internet com pessoas de outros países, e no colégio tinha aula de inglês e aprendi gramaticalmente. Mas antes de terminar a faculdade, eu quis ter a fluência. Só que eu não tinha pai e mãe pra ficar bancando intercâmbio, então eu fui lá ralar. 
 
Tirei visto de trabalho, fui morar lá 6 meses e trabalhava pra me manter, enquanto praticava inglês. Morar em outro país é como entrar em outro mundo, é como ser outra pessoa, é como nascer de novo, é viver um personagem, porque eu deixo de ser uma baiana, soteropolitana, de estar com os meus colegas, pra ser uma estrangeira. No restaurante em que eu trabalhava, em Orlando, as pessoas queriam saber quem era a brasileira que trabalhava ali, era como se eu fosse um extraterrestre. Você conhecer uma outra língua, uma outra cultura, isso te amplia os horizontes, isso te deixa com a mente muito mais aberta. 
 
Quando fui pra Espanha, pra estudar espanhol, fui pra ficar 3 meses, mas fiquei 3 anos. Resolvi fazer uma pós, na Universidade de Columbia, em Barcelona. Quando terminei a pós, eu fiz um curso de criminologia, porque sempre gostei dessa área de polícia, desse meio de justiça. Lá, mais uma vez, você está em outro país, conhecendo outras pessoas. Eu também trabalhei em restaurante, como garçonete. E eu aprendi uma coisa: ali, as pessoas te veem servindo uma mesa, elas acham que são maiores que você, porque ela está pagando e você está servindo. Nisso, eu percebi como as pessoas tratam porque se acham superiores, mas na verdade, somos semelhantes. 
 
Algumas vezes, chegava um italiano, por exemplo, e eu era uma brasileira que falava espanhol, inglês, um pouco de francês, entendia o catalão, e eles não falavam minha língua, mas se achavam superiores a mim. Enfim, aprendi muito e acho que é uma experiência que todos deveriam ter. 
 
 
NaTelinha – Jéssica, a programação local da Record Bahia é extremamente forte. E por ela ser forte, tem ajudado a rede, que não está na melhor das fases. Essa programação local de peso te faz querer ter maiores índices, ser campeã, mas sem apelar? 
 
Jéssica Senra – É que as pessoas acham que, como a Record fala muito de polícia, de acidente, acha que isso não presta, que tudo é sensacionalismo, que não vale nada. Então, uma coisa que te digo: a gente está vivendo numa realidade de extrema violência urbana e de violência doméstica. Então, se eu tenho que falar da realidade, não tem como eu não falar disso. E até as outras emissoras, que focam mais em política e em comportamento, elas não podem deixar de focar nisso, porque essa é a realidade que a gente vive. 
 
Mas eu sei que nosso foco é maior, porque o meu público é classe C, D e E. Então, quando eu falo de crimes, quando eu mostro um corpo, apesar de odiar mostrar, mas quando mostro, é porque as pessoas que moram no bairro do corpo sabem que isso é corriqueiro. Não é porque eu gosto de mostrar corpo, é porque os corpos estão aí. As pessoas estão morrendo, as pessoas estão sendo assassinadas em plena luz do dia. Então, se a concorrência está mostrando os serviços maravilhosos do camarote do carnaval, o buffet, é porque o público deles frequenta isso, o meu público tá na pipoca, tomando porrada nessas brigas. E por isso que eu mostro a importância da polícia intervir, porque meu público não tem mil reais pra comprar um abadá. 
 
Agora, a gente tem que ter responsabilidade, porque às vezes você se empolga no comentário e tal. Sobre a programação local ser forte, eu entro pra ser primeiro lugar. Todos os programas locais são vice-líderes, mas eu entro pra ser primeiro lugar. Eu penso: “Vou brigar, vou chegar pra ser líder de audiência”, porque quanto mais você é visto, mais você consegue tocar as pessoas. É um processo longo, demorado, a concorrência é forte, mas….
 
 
NaTelinha – Você já conseguiu atingir o primeiro lugar?
 
Jéssica Senra – Já. Algumas vezes, eu entrego para o Bocão na liderança já. É muito difícil, porque eu pego muito baixo e vou subindo. 
 
 
NaTelinha – Então, essa era minha próxima pergunta: tem horas que você não fica chateada em receber em baixa da rede? 
 
Jéssica Senra – Todo mundo gostaria de receber melhor. O programa que vem antes de mim, o “Hoje em Dia”, de repente ele não tem muita audiência aqui, mas comercialmente, ele vende bem. Audiência em televisão parece tudo, mas não é tudo. Então, se a rede puder me passar com uma audiência maior, ótimo, se não, eu tenho que brigar para crescer. E eu sinto que cada vez mais, as pessoas estão chegando mais cedo, porque elas já conhecem o programa, elas sabem que começa às 12h. 
 
 
NaTelinha – E você aumentou a audiência do “Se Liga Bocão”, que estava dando 9 de média e agora marca 12. 
 
Jéssica Senra – Então, o que acontece é que ele pega alto. Eu não sei se ele tem mais audiência do que tinha antes, eu sei que ele tem um público que é dele, que é fiel. Só que às vezes, o público demorava pra chegar, que é o que acontece comigo. Então, o que eu faço? Eu trago o público dele para ele e como ele não precisa subir de 3 pra 10, porque eu já entrego no 10, a audiência se mantém. 
 
Mas ele tem um público que é fiel, eu sinto no final do programa, que a audiência vai subindo mais, porque são as pessoas que querem ver o Bocão. Então, é bom para as duas partes. Pra mim, que tenho a oportunidade de estar em um horário com grande visibilidade, e bom para ele, que não precisar sair lá de baixo e ir subindo. 
 
 
NaTelinha – Qual a sensação que você teve quando chegou em primeiro lugar? 
 
Jéssica Senra – Olha, foi quando ainda estava de manhã. De manhã, a gente conseguia passar a concorrência algumas vezes. A primeira vez foi no dia 12 de abril, com um caso de uma médica que vinha com um carro de ré e atropelou vários pacientes e nossa equipe foi a primeira a chegar. E Felipe Brandão, nosso repórter, com um link móvel, conversou com as pessoas quase que em tempo real, mostrou o socorro às vitimas, mostramos uma pessoa que foi lá buscar os pertences de uma vítima, e aquele acidente me impactou muito, porque era uma situação que você nem tinha em quem bater, porque normalmente é um irresponsável, filho da mãe, mas não, foi uma médica, é uma pessoa que salva vidas e acabou tirando algumas, machucando outras pessoas. Mas nesse dia a gente passou, entreguei na liderança.
 
 
NaTelinha – Provavelmente você não ficou feliz, porque era uma tragédia, mas você sentiu orgulho?
 
Jéssica Senra – Eu fique orgulhosa da nossa cobertura, e sobretudo, eu fiquei feliz em chegar em primeiro lugar, porque você chegar lá, quer dizer que as pessoas querem te ver, querem ver o seu trabalho. 
 
Eu acordava às 2h da manhã, chegava na TV às 3h, todo santo dia. E eu, nessa época, tinha uma equipe menor, porque os outros programas da casa tinham prioridade, o que é normal. Então, eu tinha uma equipe menor pra fazer um trabalho e, ainda assim, a gente foi aos poucos chegando lá. E eu tinha acabado de substituir a outra apresentadora (Daniela Prata, que foi para a TV Aratu/SBT) que era super querida. 
 
Era uma responsabilidade imensa estar no lugar dela, muita gente achou que o programa ia perder qualidade, ia perder audiência, como muita gente achou que às 12h, o programa ia perder audiência também, e eu estou aí, surpreendendo, porque tenho essa equipe comigo, mesmo pequena, a gente consegue. 
 
 
NaTelinha – Antes da Record, você passou pela Band Bahia e trabalhou no “Jornal da Bahia”. Como você chegou lá?
 
Jéssica Senra – Ah, a Band é uma escola. Eu já tinha trabalhado lá, em 2004, apresentando junto com Mário Kertész (radialista famoso e ex-prefeito de Salvador). Quando eu vim de férias, do nada, eu caí de paraquedas, eu procurei emprego na rádio, na Band News FM, eu adoro rádio. E procurei Zuleica (Andrade, gerente de jornalismo da Band Bahia) e ela disse: “Não, você vai para a TV”. E aí, eu gravei o piloto, ela gostou e fui nessa. E eu sou eternamente grata a Zuleica, que é uma pessoa que eu adoro, e a Band também, que tem uma estrutura bem pequena, mas é na dificuldade que você aprende. E na Band, eu aprendi muito. 
 
 
NaTelinha – Você acabou de falar que você adora rádio. O que você prefere, TV ou rádio? 
 
Jéssica Senra – Então, pra mim é como dois filhos. Porque televisão tem a câmera, a imagem, e eu gosto da câmera. E quando eu estou ali, parece que eu estou vendo meu telespectador, eu converso com ele. 
 
Mas o rádio também tem sua magia, porque não tem imagem, e a gente está na era da imagem, e você conseguir a atenção de alguém só pela voz, é muito bom. E o rádio tem aquele negócio do imediatismo. Pelo menos na Metrópole, que foi minha escola pro rádio, as pessoas ligavam na hora pra, por exemplo, discordar de um comentário que você fez e dizer: “Você está errada!”, e a gente ajudava muita gente no rádio também. 
 
Então, não dá pra ter os dois? (risos) Eu estou fora do rádio agora, mas gostaria de voltar. Na verdade, eu não volto, porque estou muito focada aqui na TV, porque esse jornal de 12h, meu amigo, é muito difícil, é um desafio muito grande. Quando eu entrei, eu pensei: “Caramba, eu estou brigando com os maiores”. E o mais surpreendente, é que eu não tenho perfil. 
 
 
NaTelinha – Na verdade, eu questiono um pouco isso de você não ter o perfil. Talvez não seja preconceito de parte do publico com as mulheres nesse horário? 
 
Jéssica Senra – Quando eu digo fora do perfil, é que se você olhar os apresentadores de programas mais populares em todo o Brasil, a grande maioria são homens. Eu não sou perfil físico, eu não sou homem, não sou morena do cabelo crespo, eu tenho um perfil físico que é diferente. 
 
 
NaTelinha – Então, achei o termo. Tem preconceito por você ser bonita? 
 
Jéssica Senra – Olha, eu não sei dizer se é porque eu sou bonita, mas como estou falando, eu podia ser feia, mas sou branca do cabelo liso e do olho verde. É por não me encaixar no que as pessoas esperam. Mas isso pode ser bom, porque eles pensam antes: “Ah, essa menina não é do povo”, ai ouve o discurso e percebe que tem uma identidade ali. Ou, justamente por ser bonita, o público para assistir, porque televisão é imagem. 
 
O Lula falou uma vez, e eu achei sensacional, o seguinte: “Não adianta colocar pobre em casa de baixa qualidade, pobre gosta de azulejo”. As pessoas querem ser bonitas, elas veem na televisão, e elas querem que o apresentador seja bonito, não querem gente feia na TV. Não adianta colocar gente feia na televisão, que as pessoas não querem ver. E beleza hoje, é questão de dinheiro.  
 
NaTelinha – Eu ia perguntar se você é viciada em Ibope, mas eu percebi no programa que você é… (risos)
 
Jéssica Senra – Na verdade, é que esse negócio de minuto a minuto é viciante, tendo uma vez, não vive mais sem. Embora, particularmente, eu ache que Ibope não é tudo, na televisão é a audiência quem dita as coisas. O sucesso é medido pelo Ibope. 
 
Mas pra mim, o tempo real serve pra saber o que meu público quer, porque estou começando em TV agora. Eu não conheço tão bem o meu público. Pra mim, o Ibope é uma ferramenta pra saber qual é o interesse do meu público. A TV pode dar muitas informações, mas eu só tenho uma hora de programa, então eu preciso saber o que meu público quer. 
 
 
NaTelinha – Jéssica, você já teve um programa de rádio musical, na Metrópole. Como foi isso? 
 
Jéssica Senra – Tá vendo, eu surpreendo as pessoas nisso, porque hoje eu tenho um programa popular, fiz criminologia. Eu sou um grande exemplo de que quem só vê cara e não vê o que está por trás. 
 
Eu tinha um namorado que era músico, era baterista de uma banda de rock, me mostrou muita coisa. E quando eu entrei na rádio, eu vi que tinha um horário vago aos sábados, então cheguei para Mário Kertész e disse: “Oi, Mário. A gente tem um horário vago no fim de semana, porque a gente não faz um programa de música, mas de informação com música?”. E ele achou legal e disse: “Quem apresentaria?”. Eu disse que eu apresentaria e ele: “E você entende de rock?”. Eu disse que entender, eu não entendo muito, mas eu aprendo. E ele disse pra fazer o projeto e levar para ele. 
 
Entreguei o projeto, na semana seguinte a gente colocou no ar. Ficamos durante um ano e meio no ar, fomos indicados ao Prêmio de Música Independente, tinha uma boa repercussão porque a gente movimentava o cenário e tal, e sempre contava a história dos movimentos, do grunge, dos anos 70, que tem uma história muito rica, a gente trazia muita gente pra entrevistar, gente que rala pra caramba pra manter o rock na terra do axé. Então, é isso. Eu tenho outros interesses. É que quem olha pra mim, pensa que sou a menininha abestalhada, patricinha, e na verdade, eu sou um ser humano, com todas as qualidades e defeitos que um ser humano tem. 
 
NaTelinha – Olha, Jéssica, eu confesso que não sei se conseguiria apresentar programa popular, talvez pela coisas pesadas que tem. Como você consegue?
 
Jéssica Senra – Olha, teve um dia que foi pesado, que foi a reportagem de um cara que estuprou a prima pequena, gravou no celular, acabou perdendo e alguém achou, trouxe pra cá, mostramos com cuidado, provocamos a investigação e o cara foi preso. Esse foi o dia mais difícil, porque eu vi esse cara de 24 anos, fazendo com uma menina de seis, o que não se faz nem com mulher, eu saí daqui arrasada, porque não imaginava que tinha um monstro desses. 
 
Esse é o meu motivador, é fazer gente como essa pagar pelo que fez. Eu não vou mudar o mundo, mas posso mudar a vida de algumas pessoas. Esse é o meu principal motivador, é saber que o meu trabalho pode mudar a vida das pessoas. 
 

NaTelinha – Você chegou a fazer entradas ao vivo, para a rede, no “Fala Brasil”. Você sente vontade de ir para São Paulo?
 
Jéssica Senra – Olha, a rede te dá uma exposição maior. Antes eu pensava, quando eu pensei na minha carreira, eu tinha essa ideia de sair de Salvador e morar em São Paulo, porque jornalista quer falar, quanto mais gente, melhor (risos). 
 
Mas, hoje, eu estou tão feliz com esse convite, com esse desafio que é o horário das 12h, e acima de tudo, falar para as pessoas daqui, da minha terra. Eu morei na Espanha, tenho dupla nacionalidade, minha mãe e minha irmã moram lá, eu fiquei lá muito tempo, mas eu queria trabalhar para o meu povo, ajudar as minhas pessoas, eu queria ser jornalista para melhorar a vida das pessoas. A gente pode falar mal, super mal de Salvador, mas se sair daqui, sente muita saudade. 
 
 
NaTelinha – Pra terminar, tem alguém que você queria entrevistar, mas não entrevistou? 
 
Jéssica Senra – Mas um bocado de gente. Tem tanta gente boa nesse mundo… (risos)
 
 
NaTelinha – Diz uma pessoa só. 
 
Jéssica Senra – Ricardo Boechat. Mas não gostaria só de entrevistar, queria sentar e bater um papo com ele, como a gente está fazendo agora. 
 
 
NaTelinha – Como você se define? 
 
Jéssica Senra – Uma vez, uma amiga me pediu pra me definir em uma palavra e eu não soube dizer. Ai, ela disse: “Jéssica, você é intensa”. De fato, tudo que eu faço, eu coloco corpo, alma e coração, eu dou tudo de mim. E eu quero tudo e quero agora. 
 
 
Obrigado à Record Bahia, obrigado à Jéssica Senra pela ótima (e enorme) conversa. 
 
Espero que vocês tenham gostado. Até a próxima!
 
Por Gabriel Vaquer, repórter do NaTelinha