Beijo gay: autor fala da rejeição sofrida por “Babilônia” no Viva

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O autor Ricardo Linhares será o convidado da série “Donos da História”, neste domingo, às 18h30, no Viva. Durante a entrevista, ele comenta a rejeição sofrida por “Babilônia”, novela que dividiu com Gilberto Braga e João Ximenes.

“’Babilônia’ estreou marcada por uma polêmica muito grande. Não foi o casal (Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg), foi o beijo das duas no primeiro capítulo.

Esse beijo foi uma ideia minha. Falei pro Gilberto e pro João Ximenes que iam cobrar muito da gente quando os personagens se beijassem”.

Segundo o autor, quando tem personagem homossexual todo mundo fica perguntando ‘quando é o beijo?’

“Aí falei para colocarmos logo no primeiro capítulo, que acabava logo com isso. Pronto, toparam na hora. Era uma ceninha que não era de romance. Era uma cena de uma pessoa chegando em casa e dando um selinho no companheiro. Não importa qual fosse o sexo. Isso causou algo tão grande, que criou uma rejeição, que considero moral e não artística”.

Para Linhares, isso foi determinante para que determinados grupos de pessoas deixassem de acompanhar a novela. “Eu realmente não entendo, porque a corrupção pode e o amor não pode? E principalmente, não consigo entender que as pessoas não aproveitem isso para conversar com os filhos sobre os assuntos contemporâneos, sejam eles quais forem: sexualidade, corrupção, bandido”.

E conclui: “Qualquer tipo de assunto que a TV traz, o bom pai e a boa mãe aproveitam para ensinar ao filho como reagir diante de determinadas situações. E o que via nos grupos de discussão eram as pessoas se negando, que não queriam responder às perguntas”.

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Os autores de novelas deveriam aprender a assistir novelas

  • Wolnei (Peter Brandão) de "Babilônia", e Bola (Pedro Maya), de "A Regra de Jogo"
  • Wolnei (Peter Brandão) de “Babilônia”, e Bola (Pedro Maya), de “A Regra de Jogo”

A direção da teledramaturgia da TV Globo vem se batendo contra repetições de qualquer ordem – temas, situações ou características de personagens, e, na medida do possível, se empenhado para que elas não voltem a acontecer.

É um trabalho necessário, como também será imprescindível uma maior colaboração por parte dos autores. Principalmente da parte deles. É muito comum neste meio, e isso desde que elas existem, um não assistir à novela do outro. E olha que essa experiência ou observação vem desde a Tupi, ainda nos tempos do Geraldo Vietri e Ivani Ribeiro.

Por exemplo: será que o João Emanuel Carneiro, mesmo às voltas com a sua “A Regra do Jogo”, teve tempo de assistir “Babilônia”? Com toda certeza não, caso contrário teria evitado aquela passagem do garotinho colocando droga na mochila do Cauã Reymond, cena que em tudo, do antes ao depois, lembrou outro menino fazendo a mesma coisa com a filha da Camila Pitanga? Por que isso?

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Provocativa e pretensiosa, “Babilônia” afastou-se do folhetim e fracassou

Nesta sexta (28/08) foi ao ar o derradeiro suspiro de “Babilônia”, novela de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga que penou com a repercussão negativa refletida na baixa audiência. Apesar de a emissora continuar sendo líder no horário, foi o menor Ibope já registrado em uma novela do prime-time da Globo: fechou com média geral de 25 pontos na Grande São Paulo. As duas anteriores, “Em Família” e “Império”, marcaram 30 e 33 respectivamente. “Avenida Brasil” foi o último “grande sucesso” do horário, com 39 de média final.

O ápice da crise se deu quando estreou a trama das sete, “I Love Paraisópolis”, de forte apelo jovem e popular: “Babilônia” teve audiência menor que a “I Love…” em alguns dias, e empatou em outros. Uma “humilhação”, reconhecida por Gilberto Braga em uma entrevista ao jornal “O Globo”, em maio. Ainda: em duas ocasiões, “Babilônia” empatou com a novela das seis, “Além do Tempo”.

As chamadas de estreia do novo folhetim com a “grife Gilberto Braga” aguçaram a curiosidade do público. O primeiro capítulo foi “de tirar o fôlego”. Elogiei bastante essa estreia (leia AQUI). O que se viu foi um capítulo dinâmico, bem roteirizado, numa ótima produção e direção, e performances excelentes da dupla Glória Pires e Adriana Esteves, as protagonistas vilãs. Entretanto, os autores pesaram nas temáticas abordadas, provocando e assustando o público mais tradicional. De cara, sem aviso prévio, um beijo carinhoso e demorado entre as lésbicas vividas por Fernanda Montenegro e Nathalia Timberg. Também violência doméstica e assassinato.

Os autores não pouparam o público e o público não perdoou. Diante de filha esbofeteando mãe e filho ameaçando pai, a audiência foi despencando vertiginosamente nas semanas seguintes. Para piorar, uma campanha anti-Babilônia por parte da uma ala mais conservadora da sociedade. Ao mesmo tempo, a concorrência estava bem munida: o SBT permanecia estável com a infantil “Chiquititas” e pôs a reprise do sucesso “Carrossel” para competir no horário, e a Record ganhava audiência com a bíblica “Os Dez Mandamentos”, ainda que o enfrentamento direto com “Babilônia” fosse por pouco tempo.

O fato é que, apesar do ótimo primeiro capítulo, nas semanas que se seguiram, “Babilônia” foi desvendando um roteiro inconsistente. Era uma trama que prometia, mas que se revelou sem muito apelo. Para piorar, a mocinha, vivida por Camila Pitanga, ganhou a pecha de chata e a antipatia do público. Não havia na trama central um conflito romântico forte ou personagens com os quais o telespectador pudesse se identificar e torcer. Apenas duas vilãs loucas numa briga de gato e rato, e uma mocinha intragável que falava “pleiba”!

Camila Pitanga (Regina) e Thiago Fragoso (Vinícius) / Arlete Salles (Consuelo) (Foto: Divulgação/TV Globo)

Após uma enxurrada de críticas, de todos os lados, os autores se mobilizaram para tentar consertar a novela. Foi quando a emenda saiu pior que o soneto. As alterações descaracterizaram os perfis de vários personagens. A grande vilã Beatriz (Glória Pires), uma mulher fria e calculista, ávida por sexo e poder, se revelou uma romântica boboca ao se apaixonar pelo nadador Diogo (Thiago Martins), num romance pouco crível.

Alice (Sophie Charlotte) e sua mãe Inês (Adriana Esteves), que se odiavam, se reconciliaram e viraram melhores amigas da noite para o dia. Alice, que era para ser uma prostituta de luxo, se tornou uma mocinha chorosa. O cafetão Murilo (Bruno Gagliasso) só não perdeu a função na novela porque, nas últimas semanas, os autores o pegaram para ser a vítima do “quem matou”. O romance entre Alice e Evandro (Cássio Gabus Mendes), meloso e forçado, foi outra mudança drástica, já que ele havia sido apresentado como um machista mau caráter no início. Ficou claro o foco nos romances para tentar fisgar o telespectador.

Os autores também investiram mais no humor do triângulo cômico (mas pouco engraçado) envolvendo Norberto, Valeska e Clóvis (Marcos Veras, Juliana Alves e Igor Angelkorte). E diminuíram o foco nos personagens gays. O romance estre as lésbicas, que prometia ser uma abordagem interessante, praticamente sumiu da história, sem mais beijos. Outro personagem descaracterizado foi Carlos Alberto (Marcos Pasquim), que seria um gay enrustido de caso com Ivan (Marcello Melo Jr.), mas que acabou envolvendo-se com Regina.

Tanto se mexeu nos dramas e personagens de “Babilônia” que a novela se transformou num remendo só, com tramas alinhavadas às pressas e personagens mal costurados e descaracterizados. Uma “novela Frankenstein”. Antes os autores tivessem seguido com a ideia original, porém tateando com cuidado nas abordagens dos temas considerados fortes ou pesados (ao público médio).

Em meio a tantos problemas, um grande destaque: o núcleo do político evangélico e corrupto Aderbal Pimenta, vivido por Marcos Palmeira. Com cenas divertidas envolvendo ele e sua mãe, Consuelo (Arlete Salles dando show), fez-se crítica aos governos populistas e à intolerância. Escândalos políticos atuais foram abordados, bem como a hipocrisia e ignorância do que se faz e pensa em nome da religião para alcançar poder e dinheiro. Aproveitando o gancho, vários diálogos soaram como uma resposta dos autores ao público representante da “tradicional família brasileira” que rejeitou a novela.

Babilônia” só sofreu rejeição porque faltou aos autores maior cuidado ao apresentar uma trama difícil para o público médio digerir. Temas como preconceito, violência (doméstica ou urbana), prostituição, religião, homossexualidade e corrupção política podem ser abordados e discutidos, desde que com responsabilidade e nunca como uma imposição. Faltou sutileza. E faltou uma história central forte o bastante para cativar a audiência. “Babilônia” foi pretensiosa ao provocar o público e chamar a atenção para temas pesados. Mas isso a afastou do folhetim. Na volta, ao tatear pelo folhetim na esperança de salvação, já não tinha mais o estofo de uma “novela da grife Gilberto Braga”.

 

Nilson Xavier

28/08/2015

22:42

“Apesar de tudo, saí vitorioso”, diz Gilberto Braga após fim de “Babilônia”

Após a exibição do último capítulo de “Babilônia”, que aconteceu na noite desta sexta-feira (28), o autor da novela, Gilberto Braga, fez um balanço sobre o que achou da trama.

“O legado que Babilônia deixou foi o de superação. Gostei muito do último capítulo, gostei até da parte da política. Apesar de tudo, saí vitorioso”, disse Gilberto Braga, que se reuniu com o elenco da novela em um churrascaria do Rio para acompanhar a exibição do último capítulo.

O último capítulo de “Babilônia” rendeu 32,2 pontos de audiência à Globo, segundo dados prévios do Ibope. Essa é a pior audiência de um final de novela das nove no último ano. A Record ficou em segundo lugar com 9,1 e o SBT com 8,8 pontos em terceiro no confronto direto. Cada ponto é igual a 67 mil domicílios na Grande São Paulo.

A trama de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes teve a menor média para uma novela do horário nobre (média de 25 pontos). A antecessora “Império” marcou 50 pontos no Rio e 46 em São Paulo no último capítulo, ou seja, “Babilônia” perdeu 18 pontos — equivale ao público da adolescente “Malhação”, que costuma alcançar o mesmo número às 18 horas.

Culpa dos paulistas

No final do mês de maio, ciente de que “Babilônia” estava indo mal no Ibobe (média de 25 pontos), Gilberto Braga conversou abertamente sobre as mudanças no folhetim em entrevista ao jornal “O Globo”. O escritor contou que, após as alterações, a audiência subiu em todos os estados brasileiros, menos na capital paulistana.

“Paulista é esquisito. Um dos meus melhores amigos é o Silvio de Abreu. Ele fez o personagem Jamanta [em ‘Torre de Babel’, de 1998]. Odeio Jamanta e falei: ‘Jamanta de novo?’ [quando ele voltou em ‘Belíssima’, em 2005]. Ele disse: ‘É um fenômeno paulista. Fora de São Paulo ninguém suporta, mas lá é um sucesso. Por isso que eu botei’. Acho que o problema está aí. Não sei escrever para quem gosta de Jamanta. Meu universo é antiJamanta”, afirmou na época.

28.ago.2015 – Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg) se declaram e dão beijo no casamento de Regina (Camila Pitanga) e Vinícius (Thiago Fragoso)

Ana Cora Lima
Do UOL, no Rio

28/08/2015

23h49

“Apesar de tudo, saí vitorioso”, diz Gilberto Braga sobre fim de Babilônia

Gilberto Braga se diz satisfeito com a exibição do último capítulo de Babilônia, exibido na noite desta sexta-feira (28/08).

“O legado que Babilônia deixou foi o de superação. Gostei muito do último capítulo, gostei até da parte da política. Apesar de tudo, saí vitorioso”, disse o autor em entrevista ao portal UOL.

A trama assinada em parceria com Ricardo Linhares e João Ximenes teve a menor média para uma novela do horário nobre (média de 25 pontos). O último capítulo alcançou 32,5 pontos na Grande São Paulo.

No final do mês de maio, após ajustes realizados na trama, Gilberto Braga lamentou porque a audiência não reagia na capital paulista. “Paulista é esquisito”, disparou.

O Planeta TV

Rede Globo espera “Babilônia” acima dos 40 pontos no último capítulo

Casamento de Evandro e Alice em "Babilônia"

Na Globo existe a certeza que “Babilônia”, pela primeira vez ultrapassará a casa dos 40 pontos em São Paulo e no Rio, durante a exibição do seu último capítulo nesta sexta-feira. Antes tarde do que nunca. A direção da casa agora passa a apostar todas as fichas em “A Regra do Jogo”.

Felizes para sempre

Nesta quinta-feira, em seu penúltimo capítulo, “Babilônia” vai começar a juntar os pares. Está previsto para hoje o casamento dos personagens de Sophie Charlotte e Cássio Gabus Mendes, Alice e Evandro.

 

Flávio Ricco com colaboração de José Carlos Nery

Babilônia sofreu ‘julgamento moral’ em ‘TV defasada’, protesta autor

Os autores Ricardo Linhares e Gilberto Braga na apresentação de Babilônia à imprensa, em fevereiro
Por DANIEL CASTRO, em 25/08/2015 · Atualizado às 06h06

Para Ricardo Linhares, coautor de Babilônia, a novela das nove que se encerra nesta sexta-feira (28) foi vítima de um “julgamento moral” em uma “TV aberta defasada”. Pior audiência da faixa das 21h, a produção não foi recusada por falta de qualidade ou por valores artísticos, mas por ousar tocar em temas espinhosos e relevantes, como corrupção, religião e homossexualidade. “É importante não confundir audiência com qualidade. Senão, Chaves seria uma obra-prima. Nós tivemos um julgamento moral, como se o tema pudesse abalar os valores tradicionais familiares”, diz.

Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, por e-mail, Linhares toca em um ponto nevrálgico. O telespectador brasileiro é conservador, não quer ver duas senhoras se beijando na TV com a netinha ao lado. E a televisão não conseguiria mostrar uma trama como a da série norte-americana Empire, estrelada por negros que produzem hip hop e que trata com naturalidade dois homens na cama. “A TV aberta brasileira está defasada”, conclui.

Notícias da TV – Qual o balanço que você faz de Babilônia? O público te decepcionou?

Ricardo Linhares – Tratamos de assuntos relevantes como corrupção, impunidade, mistura de política e religião, racismo, homossexualidade, intolerância, novas formações familiares, conflitos sociais. Foi uma trama ousada e anticonvencional. Uma novela forte e marcante, líder de audiência no país. Tivemos um público fiel e entusiasmado e uma excelente repercussão nas redes sociais. Desde a estreia, as manifestações positivas sempre foram maiores do que as negativas, embora as críticas façam mais barulho do que os elogios.

Qual teria sido o erro capital da novela para o público que mudou de canal? Foi no primeiro capítulo, já que a audiência foi boa e nunca mais se igualou?

O público que mudou de canal foi, percentualmente, pequeno. Por exemplo: aproximadamente 2% foi para uma emissora, 2% foi para outra. Nos dois grupos de discussão realizados, e que eu acompanhei, a novela foi reconhecida como boa e forte.

Entre as espectadoras que diziam não acompanhá-la, não havia rejeição artística e, sim, aos temas abordados. Ninguém dizia que a novela era ruim, mal escrita ou mal realizada. Diziam que a vida estava muito difícil e que preferiam uma diversão mais leve. Esta parcela do público dizia não querer assistir aos mesmos assuntos tratados pelo noticiário (a sinopse foi escrita em 2013; fomos premonitórios, na época não havia Petrolão nem Lava-Jato), tampouco ver o beijo gay de Teresa [Fernanda Montenegro] e Estela [Nathalia Timberg], pois eles não poderiam assistir à novela com filhos pequenos, e consideravam mal exemplo para os jovens a trama que mostrava o cafetão seduzindo a ingênua moça de família classe média.

A temática afastou uma parcela pequena da audiência, mas que fez a diferença para a novela não atingisse os mesmos índices da antecessora.

Na sua opinião, por que Babilônia não foi um grande sucesso (vamos combinar que também não foi um fracasso…)?

Como alguém pode chamar de fracasso o programa mais assistido da televisão brasileira atualmente? Perdemos umas cinco ou seis vezes na época da estreia de I Love Paraisópolis, que é uma ótima novela. Já aconteceu dezenas de vezes um capítulo ou outro de uma novela das 19h ter mais audiência que a novela das 21h. Não há nada de inédito nisso.

Após essa oscilação, nunca mais perdemos a liderança. Mas manchetes negativas chamam mais a atenção. A repercussão positiva do público e nas redes sociais sempre foi muito maior do que comentários negativos.

No conjunto da obra, Babilônia foi o programa mais assistido da TV no período. Nossos números seriam considerados espetaculares em qualquer país civilizado, onde há pulverização da audiência. No Brasil, ainda persiste o hábito de uma novela atingir o público de 8 a 80 anos, de todas as camadas socioculturais. Acho que isso será cada vez mais difícil. Na minha opinião, a segmentação é a nova realidade da TV. Crianças assistem às novelas infantis; para quem procura escapismo há tramas fantasiosas; quem curte documentários e programas jornalísticos os encontra em canais temáticos. A segmentação acontece em todo o mundo. É normal e saudável.

Você se arrepende de ter atendido aos desejos manifestados por telespectadoras nos grupos de discussão? Babilônia seria muito diferente se não fossem essas mudanças? Hoje, olhando em perspectiva, você acha que a audiência poderia ter sido melhor sem as alterações?

Todo programa de TV pertence ao produtor. A novela não é do autor da sinopse. É da emissora. Da mesma forma, no cinema comercial a palavra final é do produtor do filme, não é do diretor ou do roteirista. O novelista não é dono da obra, embora muitos não assumam isso publicamente, talvez por questão de vaidade.

Se houvesse a figura do showrunner [principal produtor e/ou criador e/ou roteirista de uma série] na TV brasileira, esse quadro poderia ser diferente. Mas não há. E, mesmo que houvesse num seriado ou minissérie, seria muito difícil numa telenovela pelas dimensões do programa. Na novela das 21h, são 35 páginas por capítulo, de seis a oito meses no ar. É uma obra aberta e coletiva sujeita a todo o tipo de influência. Em Babilônia, nós cumprimos todas as determinações do produtor.

.Jussie Smollett e Rafael de La Fuente se beijam na estreia de Empire (Reprodução/Fox)

Você diria que os autores de Babilônia tentaram inovar, mas que o público de telenovela continua muito conservador, ainda quer mocinha e mocinho puros?

Há um seriado americano badalado chamado Empire. Faz sucesso nos Estados Unidos, mas seus números seriam considerados um fiasco no Brasil. Lá, vai ao ar na Fox, TV aberta. No primeiro episódio, há um beijo gay, tratado com naturalidade. No segundo episódio, há cena de cama entre dois homens.

Em How To Get Away With Murder, também exibido na TV aberta americana, um dos protagonistas é gay, e não faltam cenas de beijo e transa com seus parceiros. Aliás, a protagonista é negra.

O elenco de Empire é majoritariamente negro, e o pano de fundo da trama é o hip hop. Será que faria sucesso no horário nobre da TV aberta brasileira? Já imaginou um programa semelhante só com atores negros e falando de funk às 21h?

A TV aberta brasileira está defasada. O público brasileiro é conservador. Não é por isso que devemos ter medo de ousar. Eu acho que a telenovela deve entreter, mas a história deve também propor a discussão de temas importantes, refletindo o momento que a sociedade vive. A temática forte misturando corrupção, religiosidade, hipocrisia, gays, prostituição e racismo incomodou uma parcela pequena mas ruidosa do público. Porém, foi aprovada pela maioria.

Curtir ou não um folhetim é uma coisa subjetiva, que depende do gosto de cada um. Mas é importante não confundir audiência com qualidade. Senão, Chaves seria uma obra-prima. Nós tivemos um julgamento moral, como se o tema pudesse abalar os valores tradicionais familiares, não tivemos rejeição artística. Em meio a tantas polêmicas, Babilônia foi marcante. Mas, no frigir dos ovos, uma novela é apenas uma novela.

Notícias Da TV