O PT quebrou Minas Gerais-Circuito Liberdade ainda caminha a passos lentos

Resultado de imagem para nota de 5 reais

Completando sete anos de funcionamento, projeto agrega anexos e deixa de lado parte do plano original

O Circuito Liberdade – antigo Circuito Cultural Praça da Liberdade – foi inaugurado em 2010 com a promessa de ser o maior complexo cultural do país e o único no mundo fruto de parceria público-privada. Sete anos depois e enfrentando “uma época de grande dificuldade”, nas palavras do secretário de Estado da Cultura, Angelo Oswaldo, o circuito tem sofrido com o cortes no Orçamento e com a morosidade no andamento de projetos. “Mas nada retrocedeu”, afirma o secretário.

Atualmente, o Circuito Liberdade é composto por 15 espaços. Destes, dois estão inacessíveis para o público. O Palácio da Liberdade, em uso pelo governador Fernando Pimentel (PT), está fechado para visitação. A antiga Secretaria de Viação e Obras Públicas, também conhecida como Prédio Verde, está em vias de implementação. Hoje, abriga a biblioteca do Iepha, mas tem projeto para ser transformada em Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais. Há ainda o Palacete Dantas e seu anexo, o Solar Norbana, que não estão incluídos entre os 15, mas ganham um novo destino a cada anúncio do governo.

Em 2014, foi anunciado pela Secretaria de Cultura de Minas Gerais, na gestão de Antonio Anastasia (PSDB), que o palacete e o solar abrigariam o Centro Cultural Oi Futuro. Sem grandes explicações, o projeto mudou em 2016, quando o governo de Fernando Pimentel anunciou que, ainda naquele ano, os prédios abrigariam o Museu da Educação, onde também está previsto um centro de formação patrimonial. O projeto segue sem previsão de ser executado, e os edifícios históricos estão fechados.

“Ainda não tivemos recursos para fazer o que desejamos no Palacete Dantas. Estamos só aguardando viabilizar verba”, avalia Angelo Oswaldo.

O secretário ainda conta ter planos para abrir as portas do Palácio da Liberdade. “Como o governador está despachando ali, estamos pensando em viabilizar uma maneira de abrir para visitação nos fins de semana”, diz.

Já uma solução que permita abrir as portas do Prédio Verde é mais complicada. Michele Arroyo, presidente do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) – órgão responsável pela gestão do circuito desde abril de 2015 –, afirma que o prédio precisa passar por uma reforma de R$ 20 milhões antes de abrigar a Casa do Patrimônio Cultural de Minas Gerais, mas não sinaliza como esse valor seria arrecadado.

A presidente do Iepha diz ainda que as obras do antigo edifício do Ipsemg para construção da Escola de Design da Uemg devem ficar prontas até o segundo semestre do ano que vem, quando passará a integrar o Circuito Liberdade. “Depois de várias complicações, como pedaços do edifício que não estavam aprovados pela prefeitura e várias dívidas, foi possível a retomada das obras”, afirma.

Além do prédio do Ipsemg, o Edifício Tancredo Neves, conhecido como Rainha da Sucata e reinaugurado em abril, também deve ser ampliado. Atualmente, no espaço funciona apenas o Centro de Informação ao Visitante. O projeto, porém, prevê, a partir do segundo semestre, funcionamento de espaços de fomento da produção digital e tecnológica. Em visita realizada ao edifício pela reportagem do Magazine, na última terça-feira (27/6), constatou-se que o centro de informação não tinha sequer mapas do Circuito Liberdade.

Adendos. Angelo Oswaldo também cita, como exemplo de progresso, a incorporação de dois espaços ao Circuito Liberdade durante sua gestão à frente da secretaria: a Academia Mineira de Letras e o BDMG Cultural. “Nós recebemos o Estado numa situação financeira crítica, e o circuito, incompleto. Embora tenhamos edifícios fechados, numa grande dinâmica cultural conseguimos incorporar outras duas instituições”, relata o secretário, que, apesar da atual situação, planeja a criação de uma pinacoteca, que ficaria no prédio que abriga o Detran atualmente. “Mas isso dependeria de um financiamento”, afirma.

Falta identidade. Professor da Escola de Belas Artes da UFMG e doutor em história da arte, Rodrigo Vivas avalia que deveria existir um debate público para discutir a real necessidade da anexação de equipamentos ao circuito Liberdade, como ocorreu com o BDMG Cultural e a Academia Mineira de Letras.

“A maior crítica é saber a quem serve e para quem serve o Circuito. O CCBB indubitavelmente tem o valor de trazer grandes exposições pra cá, mas, quando foi feita a articulação dos prédios, nada foi cedido para os próprios mineiros”, questiona Vivas, pontuando que sua intenção não é dirigir a crítica exclusivamente ao CCBB. “Fica parecendo que a coisa não é de Minas Gerais. Todos os projetos vêm de fora, e não se cria a questão da identidade, do longo prazo. As exposições são temporárias e não têm amadurecimento da cultura mineira”, diz.
Com a prefeitura. A gestão do Circuito Liberdade tem feito parcerias com a prefeitura para promover melhorias. Nesta segunda-feira (3), haverá uma reunião na Fundação Municipal de Cultura, com a presença de Juca Ferreira, para serem discutidas questões que envolvam o Circuito.

Circuito já recebeu mais de 600 mil pessoas só no primeiro semestre

Até maio deste ano, os equipamentos do Circuito Liberdade receberam 626.280 visitas, e 411.662 pessoas acessaram o portal do circuito. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH) foi o espaço que recebeu maior público em 2016, um total de 746.315 pessoas. Atrás dele, está a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, que acolheu 294.872 pessoas no ano passado. Em terceiro lugar, ficou o Memorial Minas Vale, com 154.884 visitantes no mesmo período.

De acordo com a gerente geral em exercício do CCBB, Gislane Tanaka, as atrações são o maior diferencial. “Grande parte do público vem pela programação diversificada na área de artes plásticas, cinema, teatro, música”, afirma Gislane. De acordo com ela, só neste ano, em torno de 360 mil pessoas passaram pelo centro, que antes do circuito abrigava a Secretaria de Estado de Segurança e de Assistência Social.

A gestora ambiental Ana Luiza Vargas, 31, é uma delas. Ela veio de São Paulo a Belo Horizonte a turismo e esteve no CCBB para conferir a exposição “Entre Nós”, que chega ao fim neste domingo (2). “Já tinha vindo aqui no fim do ano e frequento bastante o CCBB de São Paulo”, diz Ana Luiza, ressaltando que tem intenção de conhecer os outros equipamentos do circuito, já que foram eles que a atraíram à capital.

O superintendente de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário, Lucas Guimaraens, avalia que a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais atrai pessoas que acabam visitante o restante do circuito. “Isso acontece de maneira recorrente. Nós nos comunicamos com todo o circuito e integramos a divulgação”, comenta.

Neste ano, o Memorial Minas Vale bateu recorde de público no feriado de Corpus Christi: foram 2.548 visitantes entre quinta e domingo. “Conseguimos os resultados de três formas: ativando a programação, com as exposições de longa duração e com o projeto educativo”, afirma Wagner Tameirão, gerente do Memorial Minas Gerais Vale.

“Costumo vir no circuito pelo menos três vezes ao mês. Acho legal a concentração de prédios culturais e a Biblioteca Pública”, avalia a estudante Maria Eduarda, 19. A publicitária Paty Kamey, 42, também é frequentadora assídua. “Quando eu era adolescente, esses espaços não existiam em BH. Hoje, com o circuito, o acesso ficou mais democrático. Obras de artistas do exterior, que antes não vinham pra cá, agora vêm”.

A quantidade de público varia de acordo com o perfil de cada equipamento. O Cefart Liberdade, por exemplo, voltado para alunos de música, em sua maioria, tem baixo número de visitantes. São cerca de cem por semana.

Cortes foram de mais de R$ 7,5 mi

Dados divulgados no Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais dão conta de um corte de mais da metade do Orçamento repassado ao Iepha em 2017 em relação a 2016. Enquanto o órgão recebeu mais de R$ 15,5 milhões no ano passado, o repasse neste ano foi de pouco mais de R$ 7,5 milhões.

Segundo a presidente do Iepha, Michele Arroyo, não é possível precisar exatamente quanto do dinheiro arrecadado foi destinado ao Circuito Liberdade, uma vez que o Orçamento do Iepha é distribuído para todas as instituições que administra. “Não tenho uma equipe que trabalhe só com o circuito. O Orçamento é só de custeio para pagamento de pessoal. O governo, agora, tem aprovado projetos especiais com autorização. No ano passado, esses projetos estavam integrados ao Orçamento”, afirma Michele, lembrando que “quase” todos os equipamentos recorrem à Lei de Incentivo do governo federal para manter suas programações.

Edifícios funcionam sob cessão de uso

Os edifícios que integram o Circuito Liberdade funcionam em esquema de “cessão de uso”, conforme esclarece o secretário de Estado de Cultura, Angelo Oswaldo. Isso quer dizer que os prédios são cedidos pelo Estado para administração de empresas privadas e outros órgãos públicos.

As construções cedidas recebem uma autorização datada. O CCBB-BH, por exemplo, inaugurado em 2013, tem autorização de uso de 21 anos, que pode ser renovada por mais 20.

Atualmente, existem oito equipamentos sob a gestão do Estado, como a Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, o Palácio da Liberdade e o Arquivo Público Mineiro. Os outros sete são geridos por parcerias, como o Espaço do Conhecimento UFMG, o Museu das Minas e do Metal e o Memorial Minas Gerais Vale.

Em maio deste ano, ocorreu uma polêmica envolvendo os prédios do circuito. Uma lista do Fundo de Investimentos Imobiliários de Minas Gerais (Fiimg) foi entregue à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) com 1.205 imóveis relacionados à venda.

A listagem incluía duas áreas com mais de 27 mil metros quadrados, que representam parte do conjunto de edifícios que o Circuito abriga. Com a repercussão, o governo voltou atrás.

Por meio de nota, a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais reforçou ao Magazine que os prédios não estão à venda. “Todos os imóveis em uso, sejam eles já doados, cedidos ou ocupados, como é o caso do conjunto arquitetônico da praça da Liberdade, não serão vendidos”.

 

Site Minas de Verdade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s