Governo lança plano de emergência contra violência em Manaus e cadeias

Plano prevê aumento de policiamento e reforço nos armamentos.
Medidas ocorrem após massacre de 60 presos em presídios.

Bandeira do estado do Amazonas

Famílias buscavam por informações no Compaj (Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)
56 presos foram mortos em rebelião no Compaj no dia 1º deste mês
(Foto: Suelen Gonçalves/ G1 AM)

Em meio à crise no sistema prisional do estado, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP) anunciou na sexta-feira (6) medidas de reforço à segurança em Manaus e nas unidades prisionais do estado. Entre as ações previstas, estão o aumento do policiamento em todas as zonas da cidade e reforço nos armamentos.

O governo informou que as ações foram definidas durante reunião na sede da SSP-AM com a participação de representantes das Secretarias Executivas da SSP-AM, Corregedora-Geral, Polícia Militar, Polícia Civil, Departamento Estadual de Trânsito do Amazonas (Detran-AM), DPTC e Corpo de Bombeiros.

O plano prevê o remanejamento dos policiais que atuam nos setores administrativos e o retorno de parte dos policiais cedidos para outros órgãos estão entre as ações que devem aumentar o policiamento em todas as zonas da cidade, com reforço de aproximadamente 300 policiais. As ações iniciaram, segundo o governo, na sexta-feira à noite.

De acordo com o secretário de Segurança Pública do Amazonas, Sérgio Fontes, uma portaria conjunta assinada por todos os órgãos irá oficializar a liberação dos servidores policiais para atuar no policiamento ostensivo em toda a cidade. Ele afirmou que nenhuma atividade essencial da área administrativa será prejudicada e que equipes estarão de sobreaviso e atendimento ao cidadão.

 

REBELIÕES NO AM
Presídios tiveram 60 mortes em 24 h
Sérgio Fontes disse os policiais que estão nas muralhas dos presídios também irão receber reforço nos armamentos. “Vamos destinar mais pistolas e espingardas calibre 12 para os policiais que estão nesse trabalho, principalmente, com uso de munições não letais”, afirmou, por meio da assessoria.

Segundo o governo o plano de segurança vai ter três pontos prioritários:

– Remanejamento dos policiais que atuam na área administrativa da SSP-AM, PC e PM. Eles passam a atuar no policiamento ostensivo;

– Retorno de parte dos policiais cedidos para outros órgãos;

– Instalação de base fixa na entrada do Ramal onde estão localizadas as unidades prisionais, para abrigar tropa de prontidão;

– Reforço no armamento dos policiais que atuam na muralha dos presídios;

– Pagamento de gratificação extra para os policiais que forem convocados nas folgas;

– Criação de uma Central de Informações para recaptura dos foragidos.

Denúncias
O governo também informou que criou uma Central de Denúncias para agilizar as informações recebidas sobre os foragidos, pelo 181, que irá destinar todas as informações para o grupo especial que atua nas buscas, formado pelas tropas especiais da Polícia Militar e forças especiais da Polícia Civil e policiais da Secretaria-Executiva-Adjunta de Operações Integradas da SSP-AM (Seaop). A Central será coordenada pela Secretaria-Executiva-Adjunta de Inteligência (Seai).

Violência nas ruas
Ao menos 12 pessoas foram assassinadas na capital, entre quarta (4) e sexta-feira (6). A sequência de crimes tem deixado moradores da cidade assustados. “Eles ficaram em liberdade e agora nós estamos presos”, disse um dos entrevistados pelo G1.

Imagem mostra lojas do Centro fechadas (Foto: Divulgação/CDL-Manaus)
Imagem mostra lojas do Centro fechadas
(Foto: Divulgação/CDL-Manaus)

No fim da tarde de sexta, o medo da violência fez comerciantes do Centro de Manaus fecharem lojas antes do fim do expediente. Segundo o diretor-presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas da capital (CDL-Manaus), Ralf Assayag, supostos assaltantes armados assustaram comerciantes e pessoas que passavam pelo Centro. A Polícia Militar descartou a hipótese de arrastão e disse que as lojas foram fechadas após uma série de boatos.

Mortes de presos e fugas
O primeiro tumulto nas unidades prisionais do estado ocorreu no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), localizado no km 8 da BR-174 (Manaus-Boa Vista). Um total de 72 presos fugiram da unidade prisional na manhã de domingo (1º).

Horas mais tarde, por volta de 14h, detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) iniciaram uma rebelião violenta na unidade, que resultou na morte de 56 presos, membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). O massacre foi liderado por internos da facção Família do Norte (FDN) e foi considerado o mais grave da história do sistema prisional do Amazonas.

A rebelião no Compaj durou mais de 17h e acabou na manhã desta segunda-feira (2). Após o fim do tumulto na unidade, o Ipat e o Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM) também registraram distúrbios. No Instituto, internos fizeram um “batidão de grade”, enquanto no CDPM os internos alojados em um dos pavilhões tentaram fugir, mas foram impedidos pela Polícia Militar, que reforçou a segurança na unidade.

No fim da tarde, quatro presos da Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), na Zona Leste de Manaus, foram mortos dentro do presídio. Segundo a SSP, não se tratou de uma rebelião, mas sim de uma ação direcionada a um grupo de presos.

 

G1.COM.BR

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s