Senado dos EUA nega restrição de armas para suspeitos de terrorismo

No total, quatro propostas foram rejeitadas.
Votação ocorre oito dias após massacre de Orlando.

O Senado dos Estados Unidos, controlado pelos republicanos, votou nesta segunda-feira (20) contra quatro propostas legislativas para aumentar o controle de armas de fogo no país, entre elas a de restringir o acesso a armas a suspeitos de terrorismo.

Nenhuma das quatro medidas propostas (duas pelos republicanos e duas pelos democratas) alcançou o mínimo necessário de 60 votos para seguir adiante, já que os senadores votaram seguindo suas bancadas, com os progressistas rejeitando as medidas dos conservadores e vice-versa.

Duas das medidas votadas hoje (uma democrata e outra republicana) eram bastante similares quanto a seu objetivo: impedir que pessoas investigadas por terrorismo possam comprar armas, mas diferiam na forma, já que a democrata outorgava esse poder ao governo federal e a republicana o deixava nas mãos dos juízes.

A terceira proposta, apresentada pelos republicanos, visava aumentar os fundos federais para o atual programa de controle de antecedentes para potenciais compradores de armas, o que facilitaria que os históricos das pessoas com doenças mentais pudessem ser acrescentados a bases de dados.

A última proposta, apresentada pelos democratas, pretendia exigir a todos os compradores de armas do país que passassem antes por uma comprovação de seus antecedentes, algo que hoje em dia não acontece em todos os estados.

Massacre de Orlando
A votação ocorreu oito dias após o massacre em uma boate gay em Orlando, em que o atirador Omar Mateen matou 49 pessoas e feriu outras 53, antes de ser morto pela polícia. No ataque, o atirador usou um rifle AR calibre .223 e uma pistola 9mm semiautomática. Ambas as armas foram compradas legalmente.

Apesar do pior ataque a tiros da história moderna dos EUA ter desencadeado uma ação rápida no Congresso, não se esperava que nenhum dos projetos de lei fosse aprovado na Casa de 100 membros, já que republicanos e democratas não chegaram a um consenso sobre a abrangência de quaisquer novas restrições a armas.

Outra proposta rejeitada, feita pela senadora republicana Susan Collins, foi a de que o governo permitisse atrasar por 72 horas a venda de armas a um suspeito de terrorismo, sendo que o bloqueio da venda teria que ser pedido por uma ação judicial.

Republicanos x democratas
Republicanos e seus aliados no lobby de armas da NRA disseram que os projetos democratas eram muito restritivos e desrespeitavam o direito constitucional de portar armas. Democratas criticaram os planos dos republicanos como muito fracos.

“É sempre a mesma coisa. Depois de cada tragédia, nós tentamos, nós, democratas, tentamos aprovar medidas de segurança sobre armas. Infelizmente, nossos esforços são bloqueados pelo Congresso republicano, que recebe ordens da Associação Nacional do Rifle”, disse o líder democrata no Senado, Harry Reid.

Já o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, republicano de Kentucky, afirmou que as medidas democráticas eram ineficazes.

Embora iniciativas semelhantes tenham fracassado mesmo na esteira de assassinatos em massa em uma escola de ensino básico de Newtown, no Connecticut, em 2012, e em um centro de conferências de San Bernardino, na Califórnia, em 2015, alguns senadores insistem em dizer que a política em relação ao controle sobre as armas está mudando, já que a segurança nacional está ganhando importância no debate.

Obama critica
Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada na semana passada revelou que 71% dos norte-americanos são a favor de regulamentações e restrições no mínimo moderadas para a venda de armas, incluindo 8 dos 10 democratas e seis dos 10 republicanos – essa cifra era de 60% no final de 2013 e no final de 2014.

Após o massacre de Orlando, Obama criticou as leis que permitem fácil acesso a armas em seu país e exigiu que o Congresso aprovasse a legislação que impede os extremistas de terem acesso a armas de guerra.

No último sábado, o presidente voltou a criticar a falta de controle de armas afirmando que o fácil acesso a elas em seu país é algo inadmissível.

 

G1.COM.BR

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