PF diz que prefeito de Foz do Iguaçu tentou neutralizar Operação Pecúlio

Gravações mostram Reni Pereira negociando cargos para evitar denúncias.
Segundo polícia, ele e ex-secretários encabeçavam esquema de corrupção.

Bandeira do estado do Paraná

Gravações telefônicas feitas com autorização da Justiça mostram o prefeito de Foz de Iguaçu, Reni Pereira (PSB), tentando neutralizar o trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Finanças, realizada em 2015, na Câmara dos Vereadores.

As conversas foram gravadas durante a Operação Pecúlio, que investiga desvio de dinheiro na prefeitura.

Segundo a Polícia Federal (PF), cargos de empresas com contratos municipais eram usados como moeda de troca para impedir investigações de desvios em licitações em obras na área da saúde.

A PF diz que o prefeito “envidou esforços pessoais no sentido de acalmar os ânimos da Câmara Municipal, a de evitar o avanço da CPI. Várias pessoas ligadas a vereadores ou indicadas por eles foram nomeadas por Reni Pereira, para agradá-los, afirma a polícia.

Em um dos grampos, o prefeito fala com Melquizedeque Souza, ex-secretário de Tecnologia e considerado o operador do esquem de corrupção, sobre as indicações.

Pereira diz: “Consegui resolver metade das nomeações dos vereadores”. O ex-secretário questiona: “Conseguiu?”. O prefeito continua: “É, mas vamo ter que arrumar função para eles. Ficou tudo como assessor especial (sic)”.

Segundo as investigações, quem centralizava as indicações era o ex-secretário de governo, Sérgio Beltrame, conhecido como Serginho.

Várias ligações apontam Beltrame negociando cargos com vereadores e atribuindo ao prefeito a responsabilidade de autorizar ou não a contratação de servidores.

A vereadora que presidiu a CPI, Anice Gazzaoui (PTN), disse que a investigação foi concluída e enviada ao Ministério Público (MP). A abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito, no entanto, não foi possível porque a oposição era minoria na Câmara.

“Lembrando que para constituir uma Processante para investigação de um prefeito nós precisaríamos de dez votos. E somos quatro vereadores na oposição. Então, com certeza, nunca teríamos esses votos necessários”, afirma.

Outro lado
A reportagem tentou contato com o prefeito Reni Pereira, mas o advogado dele afirmou que ele só se pronunciaria ao vivo.

A defesa de Melquizedeque Souza diz que aguarda o desfecho das investigações e que não vai se manifestar sobre as ligações telefônicas interceptadas.

O advogado de Sergio Beltrame afirma que ele prestou depoimento à Polícia Federal e que, na ocasião, deu os esclarecimentos necessários para a investigação.

 

G1.COM.BR

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