Governo do Distrito Federal volta atrás e reduz preço de refeição em restaurantes comunitários

Para conter crise, preço tinha subido de R$ 1 para R$ 3 em outubro de 2015.
Reajuste dos valores tinha provocado queda de 47% na demanda, diz GDF.

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Restaurante comunitário de Santa Maria, no Distrito Federal (Foto: Dênio Simões/GDF/Divulgação)
Restaurante comunitário de Santa Maria, no Distrito Federal (Foto: Dênio Simões/GDF/Divulgação)

Oito meses após aumentar o preço da refeição nos restaurantes comunitários, o governo do Distrito Federal decidiu voltar atrás neste sábado (21) e abaixar a tarifa. A partir desta segunda-feira, os valores cairão de R$ 3 para R$ 2. Quem ganhar menos de meio salário mínimo – hoje em R$ 880 – ou tiver renda familiar de até três salários mínimos poderá pagar R$ 1.

Em setembro do ano passado, o governador Rodrigo Rollemberg anunciou uma série de medidas para tentar contornar a crise financeira vivida pelo DF. O pacote incluía suspensão de reajustes salariais e aumento das tarifas de ônibus e metrô.

Na ocasião, o GDF também anunciou que o preço da refeição passaria de R$ 1 para R$ 3, a partir de 1º de outubro de 2015. Até então, o valor nunca tinha sido reajustado desde a inauguração do primeiro restaurante, em 2001.

Segundo o GDF, o motivo da nova mudança anunciada neste sábado é a queda no número de pessoas atendidas. Ao G1, Rollemberg afirmou que o público nos restaurantes comunitários do DF caiu 47% após o reajuste – passando de 32 mil pessoas por dia para 17 mil.

Na época, não foi uma decisão errada. Mas no governo, a gente tem que ajustar as coisas permanentemente. Quem imaginava que o Brasil ia ter uma recessão de 3,2% no ano passado?”
Rodrigo Rollemberg, governador

A queda da demanda fez empresas desistirem de contratos, como o caso da que venceu uma licitação para o restaurante de Itapoã – que até a publicação desta reportagem seguia fechado à espera de uma licitação para ser reformado. Como solução, outras empresas tentaram negociar com o GDF para aumentar o valor do subsídio, disse o governador.

Pelos cálculos do governo, caso fosse feita uma “repactuação”, o GDF gastaria R$ 21,2 milhões para atender as empresas, que estando lucrando menos com o cenário atual. Com a redução das tarifas, o montante subiria para R$ 22,3 milhões.

“Nós entendemos que o custo-benefício beneficiaria bastante a população, especialmente a população mais pobre”, afirmou Rollemberg. “Com uma diferença de R$ 1,1 milhão, é possível incorporar 10 mil pessoas e reduzir o preço para todo mundo. Especialmente em um momento de grave crise econômica.”

Prato servido no Restaurante Comunitário de Planaltina, no Distrito Federal, reinaugurado em maio (Foto: Tony Winston/GDF)
Prato servido no Restaurante Comunitário de Planaltina, no Distrito Federal, reinaugurado em maio (Foto: Tony Winston/GDF)

Justificativa
O governador Rodrigo Rollemberg negou ao G1 que aumentar o preço da tarifa dos restaurantes comunitários em setembro de 2015 fosse uma medida desacertada. Ele declarou que o governo “não imaginava que a crise econômica fosse se aprofundar tanto e que caísse tanto o número de usuários”.

[O GDF] Não imaginava que a crise econômica fosse se aprofundar tanto e que caísse tanto o número de usuários”
Rodrigo Rollemberg, governador

“Na época, não foi uma decisão errada. Mas no governo, a gente tem que ajustar as coisas permanentemente. Quem imaginava que o Brasil ia ter uma recessão de 3,2% no ano passado? Temos que nos adaptar à realidade. Temos que ser dinâmicos.”

Além do aumento do preço da refeição nos restaurantes públicos, também houve reajuste no valor do ingresso do Zoológico de Brasília. Junto com o anúncio das medidas de “ajuste fiscal”, o preço subiu de R$ 2 para R$ 10. Com isso, o movimento no zoo caiu 30% logo no primeiro mês após a mudança.

Mesmo com a redução no público no zoológico, não há previsão para o GDF rever o valor do ingresso, disse Rollemberg. “Estão sendo feitas muitas promoções, com o preço caindo para R$ 5. Não há nenhuma modificação em vista.”

Restaurantes comunitários
A partir desta segunda-feira, todos os restaurantes passarão a cobrar R$ 2. Prevista para ser inauguarada também nesta segunda, a unidade do Sol Nascente será a primeira a cobrar R$ 1. A previsão do governo é de que a mudança passe a valer para todos os restaurantes comunitários até o fim deste mês.

O DF conta com 12 restaurantes comunitários em funcionamento. Segundo a Secretaria de Trabalho, são servidas em média 338 mil refeições por mês – mais de 4 milhões por ano. Os restaurantes públicos ficam em Brazlândia, Ceilândia, Estrutural, Gama, Paranoá, Planaltina,Recanto das Emas, Riacho Fundo, Samambaia, Santa Maria, São Sebastião e Sobradinho II. A unidade do Sol Nascente será a 13ª a servir refeições a preços mais baixos.

 

G1.COM.BR

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