Para Aragão, país vive onda de ódio que diz respeito aos derrotados de 2014

Notícia Publicada em 04/04/2016 18:54

Aragão afirmou que essa onda de ódio não diz respeito necessariamente à percepção da corrupção

Para Aragão, a corrupção no Brasil é um fenômeno antigo e sistêmico, e portanto, mais complicado de ser combatido que a corrupção pontual (Evaristo Sa/AFP)
Para Aragão, a corrupção no Brasil é um fenômeno antigo e sistêmico, e portanto, mais complicado de ser combatido que a corrupção pontual (Evaristo Sa/AFP)

BRASÍLIA – O ministro da Justiça, Eugênio Aragão, disse hoje (4), em entrevista ao programa Brasilianas, da TV Brasil, que a justiça se considera intocável, mas ela também deve ser objeto de debate e exame minucioso. O ministro afirmou ainda que o Brasil vive atualmente uma “onda de ódio”, que  diz respeito àqueles que foram derrotados nas eleições de  2014.

“A gente não deve ter medo, na Justiça, de ser objeto de debate político. A Justiça acha que ela é intocável, tocar na Justiça é submetê-la a indevidos constrangimentos. Não, a Justiça deve ser objeto de escrutinização sim, mas desde que isso se faça em modo absolutamente republicano, não com objetivo de influenciar nessa ou naquela decisão do juiz, e sim de ver o sistema como um sistema que tem suas falhas e permite, por exemplo, que um agente que goste mais de aparecer utilize a Justiça como um palco, e isso não é bom para o país”, disse o ministro durante a entrevista.

Aragão afirmou que no atual momento político do país uma “onda de ódio está tomando conta da sociedade” e, na sua avaliação, essa onda não diz respeito necessariamente à percepção da corrupção: “Me parece que ela é anterior a isso. Ela diz respeito, na verdade, a insatisfações de ordem política, de escolhas políticas, principalmente no que diz respeito àqueles que foram derrotados nas eleições de 2014 e, de certa forma, a corrupção serve de veículo, apenas, para essa insatisfação. Na verdade, utiliza-se muito o fenômeno da corrupção como um fenômeno que legitimaria essa onda de exaltação”.

Para Aragão, a corrupção no Brasil é um fenômeno antigo e sistêmico, e portanto, mais complicado de ser combatido que a corrupção pontual. Ele criticou ofensas pessoais a ministros do Supremo Tribunal Federal e disse que o Estado deve reagir por se tratar de um comportamento que não é tolerável na sociedade democrática. “Aí, compete ao Estado reagir, com seu monopólio de repressão usando a Polícia Federal. Agir agressivamente contra ministros, buscando com isso influenciar sua atuação, submetê-los a constrangimento público, isso não é tolerável na sociedade democrática”, disse o ministro da justiça durante a entrevista.

Aragão comentou a decisão individual do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, de suspender a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva do cargo de ministro-chefe da Casa Civil. Segundo Eugênio Aragão, o Supremo é muito cauteloso em suas decisões e elas são submetidas ao plenário quando  envolvem um impacto político maior, mas ele avalia que a decisão de Mendes não passou por esse controle. “Essa decisão do ministro Gilmar Mendes não passou por esse crivo de controle. Foi uma decisão realmente com enorme impacto que ele tomou com risco próprio, mas continuo acreditando que o Supremo é o órgão da Justiça em que a gente deve ter a maior confiança porque é o órgão de cúpula. As pessoas que ali estão já mostraram em vários episódios que não estão a favor deste nem daquele outro governante”, disse.

Questionado sobre os vazamentos de informações ocorridos durante a operação Lava Jato, o ministro disse que é preciso ter cuidado antes de apontar de onde partem os vazamentos: “Muitas das informações que vêm indevidamente ao público são deliberadamente trazidas através até da atuação jurisdicional. Não é só a polícia não; parece que a polícia, às vezes, dentro de uma competição que tem com o Ministério Público de quem mostra mais eficiência na operação, fica disputando os passos de exibição. Isso também não é bom, porque confunde o interesse público com o interesse corporativo”.

(Yara Aquino)

O FINANCISTA

 

Dilma avalia fazer troca em ministérios após votação de impeachment na Câmara, dizem fontes

Notícia Publicada em 04/04/2016 20:16

Ideia ganha fôlego diante de dificuldade em acertar saída com seis ministros do PMDB

Parte da equipe de governo acredita que é possível segurar os aliados até a votação com a promessa de ampliação de espaço depois da derrota do impeachment em plenário (Reuters/Adriano Machado)
Parte da equipe de governo acredita que é possível segurar os aliados até a votação com a promessa de ampliação de espaço depois da derrota do impeachment em plenário (Reuters/Adriano Machado)

BRASÍLIA – Com dificuldades ainda para avaliar o impacto de uma mudança ministerial de mais fôlego no processo de impeachment, a presidente Dilma Rousseff analisa a possibilidade de fazer as trocas na equipe apenas depois da votação do pedido de impedimento no plenário da Câmara dos Deputados, disseram duas fontes palacianas.

A ideia, que já havia sido aventada na semana passada, ganhou fôlego nos últimos dias diante da dificuldade em acertar uma saída com os seis ministros do PMDB que, apesar do desembarque do partido, decidiram se manter no governo. Não há certeza, no Planalto, de ganho político ao fazer uma mudança imediata, segundo as fontes.

Parte da equipe de governo acredita que é possível segurar os aliados até a votação com a promessa de ampliação de espaço depois da derrota do impeachment em plenário. A decisão, segundo as fontes, deve ser tomada pela presidente e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva –que tem agido diretamente nas conversas com aliados– esta semana ainda.

Há dúvidas se uma mudança grande agora traria mais benefícios ou problemas. Há dificuldades de desalojar o PMDB –e correr o risco de perder votos que, até agora, o líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), garante ter–, já que os seis ministros avisaram que querem ficar nos cargos.

“A ideia inicial era manter três (Celso Pansera, na Ciência e Tecnologia, Marcelo Castro, na Saúde, e Hélder Barbalho, na Secretaria de Portos), que garantiriam votos. Mas os outros insistem que têm condições de ajudar a reverter a situação na Câmara”, disse uma das fontes.

A intenção inicial era dividir os seis ministérios do PMDB com PP, PSD e PR, para garantir a manutenção desses partidos na base. No entanto, a avaliação dos ministros palacianos, que trabalham no varejo para tentar garantir mais votos em plenário, é que a situação melhorou para o governo mesmo sem mudanças drásticas na equipe e poderia se negociar as alterações no primeiro escalão para mais tarde.

“Os cargos de segundo, terceiro escalão estão resolvendo o problema de muita gente. Muita gente estava pedindo e não tinha onde colocar indicados. Agora tem”, disse a outra fonte.

Mesmo com a decisão dos ministros do PMDB de tentarem ficar no governo à revelia da direção do partido, Dilma tem exonerado nos últimos dias vários peemedebistas e repassado as vagas para outros partidos que ainda se mantêm na base do governo, abrindo espaço para novos indicados.

Não há uma contagem firme, no entanto, de quantos votos o governo tem em plenário. O otimismo se deveria ao fato de que a oposição não teria os 342 deputados necessários para aprovar o processo.

(Por Lisandra Paraguassu)

 

O FINANCISTA