Dólar sobe com resfriamento de cenário pró-impeachment

Notícia Publicada em 04/04/2016 11:17

Reforço de Lula na busca por votos contrários ao processo desanima mercado

Mercado de câmbio vê com pessimismo o possível ganho de terreno de Dilma Rousseff  (TOrange)
Mercado de câmbio vê com pessimismo o possível ganho de terreno de Dilma Rousseff (TOrange)

SÃO PAULO – O dólar opera em forte alta nesta segunda-feira (4) com a percepção dos agentes de mercado de que houve um resfriamento do cenário em direção ao impeachment de Dilma Rousseff, cujo processo está em contagem regressiva e com relógio acelerado.

O prazo de dez sessões para que a presidente apresente sua defesa termina hoje e o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, deve entregar o documento focando no uso dos recursos apontados como pedaladas fiscais como tendo sido necessários para suprir programas sociais.

O governo já teria mapeado todos os cargos indicados por Jovair Arantes (PTB), relator do processo, e avisado que nenhum deles sobreviverá se o parecer for favorável ao impeachment. Membros da ala governista também teriam passado o fim de semana debruçados em um levantamento de decretos estaduais similares aos que deram origem ao processo de impeachment por meio de pedaladas fiscais.

A ofensiva do governo também atinge o Senado. Segundo o Estado de S. Paulo, a intenção é oferecer cargos aos senadores e construir um bloco de apoio. Dessa maneira o Palácio vai tentar convencer deputados menos conhecidos, do chamado “baixo clero”, de que a presidente tem todas as condições de barrar seu impedimento e assim conseguir mais votos na Câmara dos Deputados.

Além disso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai começar um avanço sob parlamentares que possuem bases eleitorais em lugares mais distantes do país, segundo o jornal Folha de S.Paulo. A ofensiva terá foco naqueles menos suscetíveis a pressão de grandes cidades – onde o impeachment tem maior força.

A entrada de novas possibilidades no cenário político também joga água fria no impeachment. “O impedimento da presidente já não é mais a única opção na mesa. Fala-se também do impeachment de Michel Temer, da renúncia de ambos, de acordos nos bastidores para antecipar as eleições”, afirma Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora.

O desembarque do PMDB, que poderia ter esvaziado boa parte da força governista, se mostrou uma ruptura apenas decorativa. “Para o PMDB a ruptura com o Planalto se mostrou um tiro no pé, já que dos sete ministros da sigla, seis estão dispostos a se licenciar do partido e permanecer no cargo”, diz João Paulo de Gracia Corrêa, superintendente da SLW Corretora.

Neste contexto, o dólar à vista tinha alta de 0,85%, cotado a R$ 3,5838.

 

O FINANCISTA

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