Desembarque parcial do PMDB diminui força do impeachment, apontam especialistas

Notícia Publicada em 01/04/2016 19:21

Indecisos devem protelar ao máximo a definição de seus votos sobre saída de Dilma

De acordo com mapa do impeachment, do Vem pra Rua, em menos de três semanas, 95 deputados federais decidiram que votariam pela saída da petista(Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas)
De acordo com mapa do impeachment, do Vem pra Rua, em menos de três semanas, 95 deputados federais decidiram que votariam pela saída da petista(Marcelo Camargo/Agência Brasil/Fotos Públicas)

SÃO PAULO – Quatro dias após o senador Romero Jucá ter anunciado que o PMDB estava desembarcando oficialmente do governo da presidente Dilma Rousseff, o assunto continua no centro dos holofotes.

Desde então, ministros e parlamentares peemedebistas demonstraram descontentamento com a decisão da sigla, o que fomentou as desconfianças de que o partido comandado pelo vice-presidente Michel Temer estaria dividido e que um desembarque parcial poderia acontecer.

Especialistas consultados por O Financista avaliam que a saída do PMDB do governo poderia ter sido melhor organizada, o que teria impulsionado as chances de impeachment.

“O desembarque foi atabalhoado. O PMDB sempre foi dividido e a saída do governo não foi consensual”, explica Aldo Fornazieri, professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fespsp).

A suposta desorganização teria determinado o esfriamento temporário dos debates em torno do impedimento da petista. De acordo com Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria, “sem um abandono mais sólido da base aliada, o impeachment não deve se materializar”.

Ainda assim, há quem acredite que as chances de impeachment não diminuíram, mesmo com as incertezas apresentadas pela cena política nesta semana. O economista Bruno Rovai, do banco britânico Barclays, destacou que as dúvidas permanecem e que a saída do PMDB não altera a velocidade do impeachment, “nem para mais, nem para menos”.

“Mesmo que tenha sido uma saída adiantada, afobada, não vejo possibilidade de isso favorecer o governo. A saída do PMDB deixa Dilma cada vez mais isolada, o que aumenta as chances de impeachment da petista”, disse Rovai.

Ainda que se posicionem, os especialistas afirmam que os parlamentares indecisos podem ser a “cartada final” tanto do governo, quanto da oposição.

Segundo dados recolhidos nesta sexta-feira (1º) no Mapa do Impeachment, levantamento elaborado pelo movimento Vem pra Rua, 265 deputados federais pretendem votar a favor do impeachment de Dilma na Câmara, enquanto 119 se posicionam contra o impedimento da petista e 129 não sabem o que farão.

Em 13 de março, domingo marcado por manifestações contra a corrupção e a favor da saída da presidente do comando do Palácio do Planalto, 170 esperavam votar a favor de saída de Dilma, 129 indicavam que eram contrários à saída da petista, enquanto 214 demonstravam indecisão.

De acordo com a pesquisa, em menos de três semanas, 95 deputados federais decidiram que votariam pela saída da petista.

A expectativa, porém, é que os parlamentares que seguem indecisos esperem até a véspera da votação para definir seu voto. Desta maneira, eles poderão digerir todas as informações que vem sendo despejadas sobre o governo ao longo dos últimos dias.

“Por isso, os indecisos estão no centro das atenções. Enquanto o governo tenta reconstruir a base aliada oferecendo cargos, a oposição tem nas manifestações sociais o suporte necessário para angariar votos daqueles que estão em dúvida”, avalia Cortez, que destacou que Dilma e Temer disputam ombro a ombro os votos dos parlamentares indecisos. “Não podemos dizer que o assunto impeachment esfriou, mas que está no ponto morto, está”.

Ainda que Dilma saia do comando do Planalto, os especialistas afirmam que a crise política não estará solucionada com Temer no poder.

“Temer vem forçando a barra com o impeachment. Ele quer acelerar o processo. Porém, vem encontrando resistência ao desembarque dentro do próprio PMDB. Isso atribui a ele a imagem de líder político fraco e coloca em xeque a sua capacidade de governar”, critica Fornazieri. “Qualquer que seja o governo seguinte, será turbulento. Não haverá estabilidade política até 2018”, completou Rovai.

 

O FINANCISTA

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