Temer diz que se for presidente não abafará investigações, afirmam empresários

Notícia Publicada em 31/03/2016 15:46

Vice-presidente falou com empresários vinculados ao Iedi em evento na zona Sul de São Paulo

Temer afirmou a empresários que jamais interferiria em processo judicial (Reuters/Ueslei Marcelino)
Temer afirmou a empresários que jamais interferiria em processo judicial (Reuters/Ueslei Marcelino)

SÃO PAULO – O vice-presidente da República, Michel Temer, teria afirmado durante almoço com integrantes do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) que não tentará abafar as investigações da Operação Lava Jato caso assuma a presidência, segundo relatos de empresários que participaram do encontro.

De acordo com Rodrigo da Rocha Loures, presidente do conselho de inovação e competitividade da Fiesp e sócio-fundador da Nutrimental, Temer lamentou os recentes rumores de que haveria uma tentativa de Temer de travar as investigações da Operação Lava Jato pela Polícia Federal se ele assumisse o comando do Planalto.

“Ele falou que estava sendo noticiado que haveria um jogo de abafa caso ele viesse a assumir a Presidência, o PMDB viesse a ficar responsável pelo governo do País e ele afirmou que isso, em absoluto, não vai acontecer porque ele é um constitucionalista, ele respeita as instituições e ele sabe que esse é um processo que ocorre na esfera do poder Judiciário e que ele será o primeiro a respeitar a autonomia desse programa [a Operação Lava Jato]. Isso repercutiu muito bem no meio dos empresário”, declarou Loures.

O membro da Fiesp pontuou ainda que o vice-presidente não fez qualquer menção aos quadros do PMDB que são investigados na Lava Jato, como Eduardo Cunha e Renan Calheiros, presidentes da Câmara dos Deputados e do Federal, respectivamente.

“Ele só disse que, enquanto vice-presidente e caso venha a ser presidente, ele vai respeitar a autonomia e a dinâmica da Lava Jato. Ele disse também que quando foi constituinte, foi um dos protagonistas dos artigos na Constituição que valorizaram o empoderamento do Ministério Público e as autonomias, então entende que, no regime democrático deve haver equilíbrio dos diversos poderes e que o Executivo deve permitir que o Judiciário funcione”, explicou Loures.

Aos empresários, Temer teria dito que a resistência de Dilma às propostas do PMDB para a economia, no plano “Uma ponte para o futuro” foi determinante para a saída do PMDB do governo federal, explicou Loures.

O vice-presidente evitou falar com a imprensa ao chegar e ao sair ao evento, que reuniu aproximadamente 40 empresários e aconteceu na zona sul de São Paulo nesta quinta-feira (31). A participação do peemedebista no evento não constava em sua agenda oficial. Ele permaneceu no local por cerca de 1 hora e 40 minutos.

Durante o almoço, o peemedebista negou que esteja negociando cargos com partidos antes mesmo de assumir o poder. “Se estivesse fazendo isso revelaria que o sistema não mudaria”, afirmou Temer.

De acordo com Flávio Rocha, presidente da Riachuelo e conselheiro do Iedi, Temer destacou a intenção de levar adiante as reformas previdenciária e trabalhista, a desvinculação de despesas do orçamento federal, a redução do Estado, o aumento da competitividade e a diminuição da burocracia. “A voz geral de todos que falaram foi de total apoio ao Ponte para o futuro, que é a mais perfeita síntese das reformas, é um projeto para o País. Alguns até parabenizaram a coragem do PMDB em assumir um plano de reformas tão ousado, necessário”, disse Rocha.

De acordo com o blog do Moreno, do jornal O Globo, Temer afirmou no encontro que “a Constituição é a cara do PMDB”. O vice-presidente teria afirmado que ninguém mais do que o PMDB tem o dever de zelar pelo seu cumprimento.

(Atualizado às 16h11)

 

O FINANCISTA

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