PMDB nega racha e aposta em votação expressiva pela saída de Dilma

Notícia Publicada em 29/03/2016 21:31

Parlamentares admitem que desembarque já terá reflexos nas eleições municipais

SÃO PAULO – Após ter anunciado o desembarque do governo da presidente Dilma Rousseff, o  poderia enfrentar questionamentos sobre a unidade do partido, já que alguns parlamentares demonstraram resistência em deixar o governo até os 45 minutos do segundo tempo.

Sem negar a existência de divergências internas, os peemedebistas consultados por O Financista descartaram qualquer possibilidade de racha da legenda após a decisão de deixar a base aliada e reforçaram que a unidade deve marcar os próximos passos da sigla liderada pelo vice-presidente Michel Temer.

Segundo Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, independentemente da posição que tivesse sido tomada, “o partido deveria evitar que as diferenças implicassem em rachas e deveria encontrar o caminho de manter a sua unidade”.

Mesmo com os ruídos internos, o deputado federal e vice-líder do PMDB na Casa Manoel Júnior aposta que a maioria dos parlamentares da sigla votará a favor do impeachment da petista. “Bem mais de metade dos peemedebistas votarão pela saída de Dilma. O governo está mergulhado em uma crise política e econômica. Decidimos ouvir as manifestações populares e não tivemos outra alternativa senão abandonar o governo”, pontuou.

No mesmo sentido, a deputada Josi Nunes, também líder do partido na Câmara, afirmou que é inaceitável o que está acontecendo com o país e destacou que o PMDB pretende trabalhar para recolocar o país nos trilhos. “É verdade que temos problemas, mas o PMDB só tem a crescer com a saída do governo”, disse Josi, acrescentando que o partido já tem um programa caso assuma o comando do Palácio do Planalto. “Temos um programa para a retomada do crescimento. Temos o que oferecer ao país”, completou.

Eles destacam que a saída do principal partido do país da base aliada deve ter representado um duro golpe para Dilma e seus correligionários.

“Com a saída do PMDB, o PT e Dilma enfraqueceram ainda mais e se tornaram mais vulneráveis ao impeachment. O apoio do PMDB não era importante apenas pelo número, mas principalmente pelo que isso simbolizava”, afirmou Manoel Júnior.

O argumento foi endossado pelo presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, que afirmou que a saída do partido “foi uma grande perda para o PT”, mas negou que os ministros peemedebistas devam deixar o cargo “batendo porta e deixando assuntos pendentes”.

A aposta de Josi é que apenas a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, optará por deixar o PMDB e permanecer à frente da pasta. “Só ela ficará no governo. É preciso lembrar que ela já vinha de outro partido (o PSD) e nunca teve muita identidade com o PMDB.”

De olho nas urnas

Os parlamentares entrevistados por O Financista defenderam que a decisão de desembarcar do governo federal tende a refletir nas eleições municipais deste ano.

“Além de a decisão nos encorajar a ter mais candidatos próprios, devemos conquistar mais cidades, já que demonstramos seriedade ao deixar o governo mesmo tendo muitos poderes em nossas mãos”, declarou Moreira.

A deputada Josi demonstrou compreensão com a preocupação dos candidatos às prefeituras e às Câmaras dos Vereadores, mas disse que a decisão não deve render qualquer prejuízo para a legenda. “Hoje, com o país e a economia nessa situação, ninguém está ganhando nada. Agora, o PMDB pode livremente propor uma nova alternativa para o país.”

 

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