Alta dos juros do financiamento vai encalhar mais imóveis

Notícia Publicada em 29/03/2016 15:23

Movimento da Caixa pode ser seguido por outros bancos e desenquadrar muitas famílias

SÃO PAULO – Menos de um mês após anunciar incentivos ao crédito imobiliário, a Caixa Econômica Federal, banco líder do setor, anunciou o aumento das taxas de juros do financiamento a imóveis. O movimento pode ser seguido por outros bancos e deixar muita gente fora desse mercado – e aumentar ainda mais o número de imóveis novos encalhados.

“Foi uma elevação substancial e que tem muito impacto no comprometimento de renda. Isso vai inviabilizar o crédito para muitas famílias”, diz Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos do Ibre (Instituto Brasileiro de Economia) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ela avalia que um financiamento de longo prazo com uma taxa de juros na casa dos 12% é muito alta e pode inviabilizar a compra do imóvel para muitas famílias, porque o aumento da parcela deve desenquadrá-las. Os bancos costumam limitar em 30% o comprometimento de renda familiar no financiamento habitacional.

No pacote de incentivos anunciado no começo do mês, a Caixa voltou a financiar 70% do valor do imóvel, mas o aumento dos juros será representativo nas parcelas, segundo Ana Maria. Um levantamento da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade) mostra que o aumento dos juros do financiamento de imóveis anunciado pela Caixa deve elevar o valor final do bem em, ao menos, R$ 75 mil.

Imóveis devolvidos

“O aumento dos juros deve piorar ainda mais a questão dos distratos”, diz a coordenadora da FGV. Distrato é um jargão usado pelo mercado para a devolução de imóveis comprados na planta. De janeiro a setembro de 2015, de cada cem imóveis vendidos, 41 foram devolvidos às incorporadoras, segundo o levantamento mais recente da agência de classificação de riscos Fitch.

Especialista do mercado imobiliário, Luiz Antônio França defende uma melhora do arcabouço jurídico para barrar a atuação de especuladores que aumentam o volume de distratos com o desaquecimento do mercado imobiliário. “O distrato mostra um desequilíbrio muito grande entre a incorporadora e o comprador”, avalia o presidente da França Participações.

Ele também defende uma nova rodada de liberação de compulsório por parte do Banco Central, como a feita ano passado, aumentando os fundos para os bancos para o financiamento imobiliário. “Isso ajudaria a fechar o ciclo do estoque de imóveis que já está no mercado, não para novos negócios”, diz França.

Sem muita opção

A Caixa se viu obrigada a aumentar as taxas de juros devido ao avanço do custo de captação de recursos. A maior parte do dinheiro para o crédito imobiliário vem da caderneta de poupança, que apresenta volumes recordes de saques desde o ano passado. No acumulado deste ano, os resgates líquidos somam quase R$ 20 bilhões.

Com isso, a Caixa passou a compor o funding com captação de recursos via LCI (Letras de Crédito Imobiliário), um instrumento mais caro que a poupança, pressionando as taxas de juros cobrada no financiamento ao cliente final.

“Não há muito o que se fazer”, diz França. Ele explica que, dessa forma, a captação da Caixa é composta por recursos provenientes da poupança a um custo de TR mais 6,17 % ao ano e mais o custo das LCIs, que pagam um percentual do CDI.

 

 

O ANTAGONISTA

Partido Progressista prepara desembarque do Governo Dilma Rousseff #AdeusDilma #TchauQuerida

Lauro Jardim informa que a ala pró-impeachment do PP conta com 30 dos 49 deputados a favor do desembarque do governo.

O partido se reúne amanhã para decidir se fica ou sai.

Nesse ritmo, o governo acaba antes de sexta-feira.

 

O ANTAGONISTA

 

Operação Lava Jato está acima de partidos, diz Sérgio Moro

Notícia Publicada em 29/03/2016 21:38

Prescrição de crimes de corrupção em 13 anos reforça foco da operação no governo atual

Juiz responsável por Lava Jato, Sérgio Moro, participou de simpósio em São Paulo (Rovena Rosa/ Agência Brasil/Fotos Públicas)
Juiz responsável por Lava Jato, Sérgio Moro, participou de simpósio em São Paulo
(Rovena Rosa/ Agência Brasil/Fotos Públicas)

SÃO PAULO – O juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas investigações da Operação Lava Jato, afirma que é preciso apoio da sociedade para ações anticorrupção e que o problema está muito além das instituições políticas.

“A corrupção não é o único problema da Itália, não é o único problema do Brasil. É um problema suprapartidário, não tem nada a ver com outras questões de política. Isso tem a ver com questões relacionadas à Justiça”, disse Moro durante o Simpósio “Lava Jato e Mãos Limpas” realizado em São Paulo na terça-feira (28).

O discurso de defesa da Lava Jato também foi entoado pelo procurador da República e membro da Força Tarefa da operação, Paulo Roberto Galvão. Para ele, dizer que a Lava Jato mira apenas o governo é “teoria da conspiração”.

Galvão rebateu diversas acusações que vêm sendo levantadas por membros da base governista nas últimas semanas. Uma delas é que a operação estaria realizando prisões para forçar delação premiada.

O procurador afirmou que das 43 delações que estão sem sigilo, 32 foram feitas por pessoas que estão em liberdade e que há casos em que a força tarefa foi procurada. “É uma falácia a história do excesso de prisões”, diz.

Galvão explica que algumas pessoas se anteciparam ao perceber que as investigações poderiam chegar a seus nomes. “O que move as pessoas a colaborarem com a prisão não é a prisão, mas a força das provas e a lisura dos procedimentos adotados. O risco da operação ser anulada é baixo, é praticamente nulo”, afirmou o procurador.

Galvão enfatizou que nenhuma acusação é feita com base em provas frágeis e que alguns depoimentos não resultaram em acusações porque não havia provas contra as pessoas citadas.

O procurador ainda rebateu as suspeitas, também levantadas por governistas, sobre eventuais abusos nas decisões de Moro. “Apenas 5% das decisões do Moro foram reformadas. Não significa erro ou abuso”, disse o procurador que agiu como uma espécie de advogado da força tarefa, uma vez que o juiz evitou se aprofundar no assunto alegando não poder comentar investigações que ainda estão em curso.

PT em foco

Uma das principais críticas de governistas à Lava Jato é que a operação está focada apenas no PT e em aliados. Galvão não nega o fato, mas explica que “não faria sentido” um esquema de corrupção envolvendo estatais e empreiteiras em busca de benefícios em obras federais que não estivesse focado no governo atual.

Além disso, o PT ocupa o governo federal – alvo das investigações – há 13 anos. Esse número é importante porque a apuração da existência dos tipos de crimes do âmbito da Lava Jato antes desse período provavelmente não resultaria no indiciamento de ninguém.

Não porque a força tarefa da Lava Jato não acredite que crimes semelhantes nunca tenham sido cometidos antes, mas porque eles já estariam prescritos. Galvão conta que para prender uma pessoa envolvida em corrupção antes de 2003 seria necessária uma sentença única superior a oito anos, o que não é comum. As penas que ultrapassam esse período geralmente são um conjunto de sentenças. Dessa forma, uma eventual investigação voltada para o período pré-PT terminaria com culpados, mas sem presos. Coisas da legislação brasileira.

 

O ANTAGONISTA

Com saída do PMDB, Costa critica Cunha; Jucá alega postura de independência

Notícia Publicada em 29/03/2016 19:43

O senador Romero Jucá (PMDB-RR) rebateu critícas do PT, dizendo que os petistas deveriam parar de atacar o partido

SA saída do PMDB do governo é considerada o fato mais grave a contribuir a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff desde o início da crise política (REUTERS/Adriano Machado)
SA saída do PMDB do governo é considerada o fato mais grave a contribuir a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff desde o início da crise política (REUTERS/Adriano Machado)

BRASÍLIA – A reunião na qual o PMDB decidiria deixar o governo sequer tinha começado na Câmara dos Deputados e a expectativa sobre a decisão já produzia repercussões no Senado. Em discurso na tribuna da Casa, o líder do governo, senador Humberto Costa (PT-PE), criticou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem chamou de facínora por ter aberto o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.

Costa voltou a dizer que o processo em curso é um golpe. “Quando falei de golpe é sobre esse movimento puxado pela grande mídia, puxado pela oposição, e do qual, lamentavelmente, figuras do PMDB, em especial o vice-presidente da República, que é diretamente beneficiário disso, passam a fazer parte. Nós, aliás, esperamos que o PMDB, conforme sua tradição histórica, conforme sua posição democrática, até que se prove o contrário, não embarque plenamente nem definitivamente nisso”, disse, minutos antes de o partido decidir, por aclamação, sair do governo.

O senador Romero Jucá (PMDB-RR), considerado um dos quadros mais importantes do PMDB no Senado, rebateu, dizendo que os petistas deveriam parar de atacar o partido. “O PT tem a opinião de quem está perdido. Não é agressão que vai resolver o momento de dificuldade do país, nem político, nem econômico. Acho que o PT deveria tentar se reconstruir, redirecionar a ação do governo”, afirmou Jucá, que é vice-presidente do PMDB.

De acordo com o senador peemedebista, a decisão de hoje não significa que o PMDB tenha passado a ser oposição ao governo da presidente Dilma, apenas que adotou postura de maior independência. “O PMDB tentou ajudar esses anos todos, mas a situação social e política chegou a um nível de agravamento – com as pessoas perdendo os empregos todos os dias – que o PMDB não pode mais concordar com isso. Então o que nós fizemos? Nós não fomos para a oposição. Nós deixamos a base do governo, entregamos todos os cargos e deixamos de estar alinhados com o PT. Agora, nas votações, o que considerarmos que for bom para o país, nós vamos votar a favor, o que consideramos ruim, vamos votar contra”, disse Jucá.

Para o senador Edison Lobão (PMDB-MA), que chegou a ser ministro de Minas e Energia no governo da presidenta Dilma Rousseff, o fato de os peemedebistas terem decidido por sair do governo por aclamação foi “a bandeira de não expor os companheiros”.

Questionado sobre a entrega dos cargos no governo, Lobão disse que a primeira preocupação é com a saída dos sete ministros do PMDB que ainda estão nos postos, na Esplanada dos Ministérios. Segundo ele, é preciso dar um tempo para que eles deixem seus cargos. “Não podemos exigir que os ministros saiam no mesmo dia. A decisão do partido foi clara, mas precisamos dar um tempo para que a sucessão se dê em ordem e não em desordem”, afirmou.

A saída do PMDB do governo é considerada o fato mais grave a contribuir a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff desde o início da crise política. No mesmo dia em que o partido anuncia a decisão, que já era esperada nos últimos dias, o relator do processo de impeachment na comissão especial, deputado Jovair Arantes (PTB-GO), comunicou que deve antecipar seu parecer para que a votação ocorra o mais rápido no plenário da Câmara dos Deputados.

(Mariana Jungmann)

 

O ANTAGONISTA

 

PMDB nega racha e aposta em votação expressiva pela saída de Dilma

Notícia Publicada em 29/03/2016 21:31

Parlamentares admitem que desembarque já terá reflexos nas eleições municipais

SÃO PAULO – Após ter anunciado o desembarque do governo da presidente Dilma Rousseff, o  poderia enfrentar questionamentos sobre a unidade do partido, já que alguns parlamentares demonstraram resistência em deixar o governo até os 45 minutos do segundo tempo.

Sem negar a existência de divergências internas, os peemedebistas consultados por O Financista descartaram qualquer possibilidade de racha da legenda após a decisão de deixar a base aliada e reforçaram que a unidade deve marcar os próximos passos da sigla liderada pelo vice-presidente Michel Temer.

Segundo Leonardo Picciani, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, independentemente da posição que tivesse sido tomada, “o partido deveria evitar que as diferenças implicassem em rachas e deveria encontrar o caminho de manter a sua unidade”.

Mesmo com os ruídos internos, o deputado federal e vice-líder do PMDB na Casa Manoel Júnior aposta que a maioria dos parlamentares da sigla votará a favor do impeachment da petista. “Bem mais de metade dos peemedebistas votarão pela saída de Dilma. O governo está mergulhado em uma crise política e econômica. Decidimos ouvir as manifestações populares e não tivemos outra alternativa senão abandonar o governo”, pontuou.

No mesmo sentido, a deputada Josi Nunes, também líder do partido na Câmara, afirmou que é inaceitável o que está acontecendo com o país e destacou que o PMDB pretende trabalhar para recolocar o país nos trilhos. “É verdade que temos problemas, mas o PMDB só tem a crescer com a saída do governo”, disse Josi, acrescentando que o partido já tem um programa caso assuma o comando do Palácio do Planalto. “Temos um programa para a retomada do crescimento. Temos o que oferecer ao país”, completou.

Eles destacam que a saída do principal partido do país da base aliada deve ter representado um duro golpe para Dilma e seus correligionários.

“Com a saída do PMDB, o PT e Dilma enfraqueceram ainda mais e se tornaram mais vulneráveis ao impeachment. O apoio do PMDB não era importante apenas pelo número, mas principalmente pelo que isso simbolizava”, afirmou Manoel Júnior.

O argumento foi endossado pelo presidente da Fundação Ulysses Guimarães, Moreira Franco, que afirmou que a saída do partido “foi uma grande perda para o PT”, mas negou que os ministros peemedebistas devam deixar o cargo “batendo porta e deixando assuntos pendentes”.

A aposta de Josi é que apenas a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, optará por deixar o PMDB e permanecer à frente da pasta. “Só ela ficará no governo. É preciso lembrar que ela já vinha de outro partido (o PSD) e nunca teve muita identidade com o PMDB.”

De olho nas urnas

Os parlamentares entrevistados por O Financista defenderam que a decisão de desembarcar do governo federal tende a refletir nas eleições municipais deste ano.

“Além de a decisão nos encorajar a ter mais candidatos próprios, devemos conquistar mais cidades, já que demonstramos seriedade ao deixar o governo mesmo tendo muitos poderes em nossas mãos”, declarou Moreira.

A deputada Josi demonstrou compreensão com a preocupação dos candidatos às prefeituras e às Câmaras dos Vereadores, mas disse que a decisão não deve render qualquer prejuízo para a legenda. “Hoje, com o país e a economia nessa situação, ninguém está ganhando nada. Agora, o PMDB pode livremente propor uma nova alternativa para o país.”

 

O ANTAGONISTA

‘Washington Post’ quer Temer presidente

O ‘Washington Post’ diz que Dilma Rousseff “está empurrando o Brasil para a beira do abismo”. Em editoral, o jornal americano faz um diagnóstico preciso da crise brasileira e sugere que a petista ceda o lugar a Michel Temer.

“Dilma, cuja administração está paralisada por meses, poderia servir melhor ao seu país se ficasse de lado e permitisse ao seu vice-presidente formar um novo gabinete de coalizão.”

Pelo visto, a coletiva da petista sobre o ‘golpe’ não convenceu ninguém.

 

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