Atento à política, Ibovespa opera em leve queda; dólar cai

Notícia Publicada em 22/03/2016 13:22

Prejuízo recorde da Petrobras afeta ações da estatal; papéis de bancos avançam

Recuo dos papéis de bancos atribuem cautela aos agentes domésticos (Gustavo Kahil/O Financista)
Recuo dos papéis de bancos atribuem cautela aos agentes domésticos (Gustavo Kahil/O Financista)

SÃO PAULO – Em um dia relativamente tranquilo nos corredores do Palácio do Planalto e do Congresso, o Ibovespa opera em leve recuo nesta terça-feira (22), com os investidores assimilando os números do balanço da Petrobras. O desempenho negativo das ações da estatal petrolífera contrasta com a alta de bancos e deixa o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo perto da estabilidade. No mercado de câmbio, o dólar recua frente ao real.

De acordo com Raphael Figueiredo, analista da Clear Corretora, “os agentes operam em compasso de espera por considerarem que o noticiário está mais tranquilo do que nos dia anteriores”.

Figurando entre as ações com maior peso sobre o desempenho do Ibovespa, a Petrobras cai após ter registrado prejuízo líquido de R$ 34,836 bilhões em 2015. De acordo com dados da Economatica, esse é o maior prejuízo anual registrado pela companhia, superando o prejuízo de R$ 21,587 bilhões do ano imediatamente anterior.

Ainda no cenário doméstico também é assimilada a deflagração da 26ª fase da Operação Lava Jato, denominada Xepa, cujo alvo principal é a empreiteira Odebrecht. A operação da Polícia Federal é um desdobramento da 23ª fase da Lava Jato, chamada Acarajé, que resultou na prisão do marqueteiro do PT João Santana por suspeita de receber pagamentos ilegais da Odebrecht no exterior.

Na cena política, o andamento do processo de impeachment de Dilma Rousseff segue no radar do mercado. O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, conseguiu quórum para realização da segunda sessão plenária na Casa em plena noite de segunda-feira (21). Assim, a presidente Dilma Rousseff tem mais oito sessões para apresentar sua defesa. A intenção da comissão especial de impeachment é apresentar um parecer e levar o processo à votação na primeira quinzena de abril.

No início da tarde desta terça-feira, o relator da comissão especial da Câmara Jovair Arantes (PTB-GO) disse que as informações da delação premiada do senador Delcídio do Amaral (MS), ex-líder do governo no Senado, não serão incluídas no processo. A decisão foi tomada depois de conversas com assessores jurídicos da Casa e os integrantes do comando da comissão, entre eles, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF), presidente do colegiado.

“Ponderamos e entendemos que não devemos aceitar [a inclusão da delação] para não judicializar o processo. Queremos fazer tudo dentro do rito do impeachment que foi definido pelo Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

No exterior, a leve queda das bolsas europeias e dos índices acionário norte-americanos reflete os atentados na Bélgica, que aumentam o temor de novos ataques em toda a Europa e eleva o grau de aversão ao risco dos investidores. Uma dupla explosão no aeroporto em Bruxelas e uma outra em uma estação de metrô deixaram pelo menos 30 mortos e quase 136 feridos, segundo informações preliminares da imprensa europeia nesta manhã.

Por volta das 13h08, o Ibovespa recuava 0,36%, aos 50.986 pontos.

Entre as ações mais líquidas, as preferenciais da Petrobras (PETR4) caíam 1,11%, seguidas das ordinárias (PETR3), que subiam 1,56%. Os papéis da Vale (VALE5) perdiam 0,80%. As ações do Itaú Unibanco (ITUB4) e do Banco do Brasil (BBAS3) avançavam 2,68% e 0,96%, respectivamente.

Câmbio

O dólar opera em queda após ter aberto em alta e alcançado a máxima de R$ 3,6521 antes do leilão de swap reverso (equivalente à compra de dólares no mercado futuro) realizado pelo Banco Central, entre 9h30 e 9h40. É o segundo dia seguido que o BC tenta conter a desvalorização acentuada na moeda norte-americana em virtude das incertezas políticas.

No entanto, após o término do leilão, os agentes de mercados se voltaram mais uma vez para o cenário político doméstico, e, com forte fluxo de venda, a moeda descola da tendência internacional de alta após os atentados na Bélgica.

“O mercado está olhando mais o quadro político do que qualquer coisa”, afirma José Roberto Carreira, gerente de câmbio da Fair Corretora.

A percepção do mercado é que é crescente as chances de Dilma Rousseff não terminar seu mandato. A intenção da comissão especial de impeachment é apresentar um parecer e levar o processo à votação na primeira quinzena de abril. Segunda a Folha de S.Paulo, a presidente Dilma já prepara ação no STF (Supremo Tribunal Federal) contra o impedimento, alegando que não há base legal.

Sem conseguir o cargo de ministro da Casa Civil para ajudar Dilma na articulação política, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem atuado nos bastidores para impedir a debandada de partidos da base aliada, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, e conseguir os 171 votos contrários ao impeachment na Câmara.

Neste contexto, o dólar à vista tinha queda de 0,68%, cotado a R$ 3,5886.

 

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