Última coisa que o Brasil precisa é de real supervalorizado, diz Goldman Sachs

Notícia Publicada em 18/03/2016 14:36

Para o banco, ideal é que o câmbio esteja entre R$ 4,10 e R$ 4,30 por dólar

Olho nele: dólar não pode passar do ponto, nem para mais, nem para menos, segundo o Goldman Sachs (Flickr/Peasap)
Olho nele: dólar não pode passar do ponto, nem para mais, nem para menos, segundo o Goldman Sachs (Flickr/Peasap)

SÃO PAULO – Com as recentes revelações da Lava Jato, o otimismo em relação a uma possível troca de governo está alimentando a valorização dos ativos brasileiros. O dólar é um exemplo. Depois de atingir o maior valor da história (R$ 4,16) em 21 de janeiro, a moeda norte-americana recuou frente ao real para a faixa de R$ 3,60 a R$ 3,70 na última semana. Para o Goldman Sachs, isso significa que o real está supervalorizado – o que também não é bom para o país.

“A última coisa que a economia real e a lenta recuperação do setor exportador precisam é voltar a um período de moeda supervalorizada”, diz o banco de investimentos, em relatório assinado pelos analistas Alberto Ramos, Mauro Roca, Tiago Severo e Diana Ayala. Para eles, a faixa ideal para o câmbio, atualmente, está entre R$ 4,10 e R$ 4,30. “Dados os fracos fundamentos macroeconômicos e a prolongada incerteza política, a economia se beneficiaria com uma moeda entre moderadamente e seu valor justo”, diz.

O banco lembra que, desde 17 de março, o real é a moeda que mais se valorizou, entre as emitidas por países emergentes. Para conter uma queda exagerada do dólar, o Goldman afirma que é justificável uma atuação “decisiva” do Banco Central, por meio de uma operação de redução gradual dos contratos de swap.

 

O FINANCISTA

Dólar cai 2% e vai abaixo de R$ 3,60, de olho em cena política

Notícia Publicada em 18/03/2016 17:07

Movimento veio mesmo após o Banco Central reduzir sua presença no mercado de câmbio

O dólar recuou 1,96%, a R$ 3,5817 na venda, menor nível de fechamento desde 27 de agosto de 2015 (R$ 3,5528) (Jenifer Corrêa via Visualhunt /CC BY)
O dólar recuou 1,96%, a R$ 3,5817 na venda, menor nível de fechamento desde 27 de agosto de 2015 (R$ 3,5528) (Jenifer Corrêa via Visualhunt /CC BY)

SÃO PAULO – O dólar recuou abaixo de R$ 3,60 nesta sexta-feira e fechou no menor nível em mais de seis meses, marcando a quarta semana consecutiva de perdas diante de expectativas cada vez mais fortes de que o governo da presidente Dilma Rousseff estaria chegando ao fim. O movimento veio mesmo após o Banco Central reduzir sua presença no mercado de câmbio

O dólar recuou 1,96%, a R$ 3,5817 na venda, menor nível de fechamento desde 27 de agosto de 2015 (R$ 3,5528). Com isso, a moeda norte-americana anulou os ganhos na semana, fechando com recuo acumulado de 0,26%. No mês, até agora, a queda é de 10,54%

“O mercado continua na toada de que o que é ruim para Dilma, é bom para o mercado”, disse o operador da corretora B&T Marcos Trabbold.

A comissão especial criada pela Câmara dos Deputados para analisar a abertura do processo de impeachment contra Dilma definiu na véspera indicados para a relatoria e presidência. Nova sessão da comissão foi marcada para a próxima segunda-feira para apresentação dos planos de trabalho.

O processo vem em meio a intensa agitação, tanto no alto escalão da política quanto nas ruas, incendiada após a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi como ministro-chefe da Casa Civil.

A queda do dólar ganhou ainda mais força nesta sessão após o ex-ministro Moreira Franco afirmar em rede social que a reunião do diretório nacional do PMDB marcada para dia 29 decidirá pelo rompimento com o governo.

Além disso, operadores venderam dólares para evitar serem pegos de surpresa por eventuais notícias desfavoráveis ao governo no fim de semana.

Estrategistas do banco BNP Paribas escreveram em nota a clientes que o dólar está um pouco abaixo de seu valor justo, que estimam em R$ 3,759. Segundo eles, o espaço para mais quedas é limitado pela decisão do BC de reduzir o estoque de swaps.

O BC fez nesta manhã leilão de até 3,6 mil swaps, indicando que deve rolar perto de 75% do lote que vence em abril, equivalente a US$ 10,092 bilhões. Até a sessão passada, vinha ofertando 9,6 mil contratos e, assim, poderia fazer a rolagem integral.

A autoridade monetária vendeu a oferta integral na operação. Com isso, rolou ao todo o equivalente a US$ 6,177 bilhões, ou cerca de 61% do lote total.

De maneira geral, a estratégia foi recebida bem pelos operadores, que enxergaram na redução da rolagem uma maneira de reduzir o impacto fiscal das intervenções e evitar cotações exageradamente baixas para o dólar.

“A última coisa de que precisam o setor real e os exportadores, que estão se recuperando lentamente, é voltar para uma época de dólar excessivamente desvalorizado”, escreveu o diretor de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em relatório.

(Atualizada às 17h18)

 

(Por Bruno Federowski)

 

O ANTAGONISTA

Ministra do STJ nega pedido da AGU para centralizar ações contra posse de Lula

Notícia Publicada em 19/03/2016 09:54

Decisão monocrática partiu da ministra do STJ, Diva Malerbi

Ministra explicou que não se pode retirar o legítimo interesse do cidadão de “realizar o controle jurisdicional dos atos praticados pelo Poder Público” (Agência Brasil/José Cruz)
Ministra explicou que não se pode retirar o legítimo interesse do cidadão de “realizar o controle jurisdicional dos atos praticados pelo Poder Público” (Agência Brasil/José Cruz)

BRASÍLIA – O pedido de liminar da Advocacia-Geral da União (AGU) para que as ações que questionam a posse do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil fossem reunidas em um único processo foi negada nessa sexta-feira (18) em uma decisão monocrática da ministra Diva Malerbi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

A AGU argumentou, em seu pedido de liminar, que o fim de conflito o fim do conflito de competência entre diferentes varas da Justiça Federal tem como objetivo evitar “decisões conflitantes, capazes de gerar danos à política nacional e à administração pública”.

Para a ministra, pela documentação apresentada pela AGU nos autos “não é possível verificar a existência de elementos capazes de demonstrar o dissídio judicial a respeito da reunião ou separação das ações populares apontadas como conexas”.

Diva acrescentou que, embora a reunião de ações em um único processo seja uma medida que respalda a segurança jurídica, não se pode retirar o legítimo interesse do cidadão de “realizar o controle jurisdicional [uma das formas de controle da administração pública e pode ser exercido por qualquer cidadão ou entidade por meio de ação no Poder Judiciário] dos atos praticados pelo Poder Público”, tendo o brasileiro o direito de apresentar suas argumentações, ouvir o contraditório e acompanhar todo o trâmite processual. Na opinião da ministra, o local de residência da pessoa é o local mais apropriado para exercer esse direito.

(Com edição de Fábio Massalli)

 

O FINANCISTA