Como fica o Brasil à espera do impeachment, ou após a renúncia de Dilma

Notícia Publicada em 17/03/2016 09:32

Muita calma nessa hora: nenhum dos cenários é um mar de rosas

Protesto desta quarta: briga política será um mata-mata de Copa do Mundo (Wilson Dias/Agência Brasil)
Protesto desta quarta: briga política será um mata-mata de Copa do Mundo (Wilson Dias/Agência Brasil)

SÃO PAULO – A divulgação da conversa entre a presidenteDilma Rousseff e o agora ministro da Casa Civil Luiz Inácio Lula da Silva é uma bomba de muitos megatons sobre Brasília. Ela incendiou a oposição, que exigiu, a plenos pulmões, a renúncia da presidente no Congresso, os manifestantes pró-impeachment, e mexeu com os brios do PT, que promete reagir à altura. Com isso, voltaram as apostas sobre o que virá primeiro: a renúncia de Dilma ou o seu impedimento pela Câmara. Mas a pergunta é: o que acontecerá com o país, nos dias que antecederão a votação do impeachment pelo Congresso, ou nas primeiras horas de uma eventual renúncia.

Para os cientistas políticos, embora os olhos de muitos brasileiros brilhem com essas possibilidades, nenhum dos cenários é um passeio pelo arco-íris. Seja à espera de uma decisão para o impedimento; seja no rescaldo de uma hipotética renúncia, o Brasil estará a bordo de uma verdadeira montanha-russa dentro de um castelo assombrado.

Por ora, a renúncia de Dilma é o cenário mais improvável para a grande maioria dos especialistas. “Não faz parte do DNA de Dilma, de Lula nem do PT simplesmente entregar o poder”, afirma o cientista político Lucas de Aragão, sócio da Arko Advice, aludindo ao traço aguerrido da legenda e de seus principais nomes, forjados nas lutas sindicais e em duros embates no passado.

Mas vamos supor que, diante da gravação divulgada nesta quarta-feira (16), após o juiz Sérgio Moro revogar o sigilo de Justiça da Operação Lava Jato, Dilma conclua que não tem mais condições de governar e decida deixar o Palácio do Planalto. Para Aragão, os primeiros momentos pós-renúncia seriam decisivos para pacificar o país – algo que ficaria a cargo de Michel Temer, o atual vice-presidente.

Tempo urge

“Temer teria que dar respostas rápidas para aglutinar novamente a base”, afirma. A seu favor pesaria o fato de que o PSDB, hoje o principal partido da oposição, tenderia a baixar o tom das críticas; o PMDB, maior partido da base aliada de Dilma e presidido por Temer, tentaria reparar seus grandes rachas internos; e os partidos ideologicamente incolores seriam atraídos para a órbita do governo. “Temer governaria com aquele centrão que todos já conhecem”, diz Aragão, referindo-se a legendas como o PP e o PR.

Num primeiro instante, quem mais perderia seria, obviamente, o PT, que ocupa o poder desde 2002, com a primeira eleição de Lula. “Se Dilma renunciar, o discurso da esquerda de que há um golpe em curso perderia um pouco de sua legitimidade”, explica. Assim, a capacidade de reação da legenda ficaria enfraquecida.

A avaliação, contudo, não é um consenso. Para o cientista político Paulo Silvino, da Fespsp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), a renúncia “seria o pior dos mundos”. Para Silvino, o ato representaria a capitulação de Dilma a um clamor de apenas uma parcela da população, e não de todos os brasileiros, como os movimentos responsáveis pelos atos pró-impeachment defendem. “No longo prazo, o caráter nefasto dessa situação ficaria mais claro”, diz.

Porta é serventia da casa

Sem grandes possibilidades de renúncia, a maior aposta dos analistas políticos e do mercado é que o impeachment encerrará esse capítulo da história brasileira. Nesta quarta, além de todo o terremoto que sacudiu o Palácio do Planalto, o STF finalmente esclareceu as dúvidas sobre o rito do processo de impedimento no Congresso. Com isso, abriu caminho para que a comissão especial que analisará o caso seja instalada.

A oposição quer acelerar ao máximo sua tramitação. Em entrevista a O Financista, o líder do PPS na Câmara, Rubens Bueno, afirmou que a intenção é decidir tudo num prazo inferior aos 45 dias previstos na Constituição. Por enquanto, a maioria dos analistas estima que o processo só chegue ao seu termo em maio.

Mas como ficará o Brasil nesse meio-tempo? “Paralisado, à espera de uma saída”, resume Aragão, da Arko. Dentro do governo, Lula correria contra o tempo para transformar os retalhos da base aliada em uma colcha capaz de aquecer, ainda que precariamente, o Planalto. A seu favor, está seu instinto político apurado – algo que até mesmo seus mais aguerridos adversários reconhecem.

“O PT aposta que Lula conseguirá reorganizar a casa”, diz Silvino, da Fespsp. “Para isso, a própria Dilma deverá sair de cena, pois ela, hoje, é a própria personificação da crise.” Fora do palácio, o PT tentaria reunir o máximo de apoio nas ruas, para provar que consegue falar mais alto do que os que defendem o impeachment.

Mata-mata

A resposta de seus adversários, porém, deve ser à altura. Uma amostra foram as manifestações de domingo (13), consideradas as maiores da história. Tudo isso fará as ruas ferverem, segundo Aragão. “Haverá muita tensão social neste período, porque este não é um governo como o de Collor”, afirma, em alusão ao impeachment de Fernando Collor, em 1992. Na época, o alagoano foi eleito por um minúsculo partido e, portando, contava com uma base frágil.

Agora, estamos falando do PT – uma legenda que ainda é capaz de mobilizar setores como os sindicatos e os movimentos sociais. “Estaremos assistindo a uma final de Copa do Mundo”, emenda Aragão. E, para continuar numa metáfora futebolística, seria uma espécie de Brasil versus Argentina – um jogo duro, nervoso, cheio de encontrões, faltas e catimba de ambos os lados.

 

O FINANCISTA

Deputados da oposição pedem aos gritos “renúncia” de Dilma no plenário da Câmara

Notícia Publicada em 16/03/2016 19:31

Áudio captado pela Polícia Federal revela conversa da presidente com Lula, recém-nomeado ministro da Casa Civil

Deputados pedem renúncia de Dilma após divulgação de áudio (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)
Deputados pedem renúncia de Dilma após divulgação de áudio (Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

BRASÍLIA – Dezenas de deputados da oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff gritaram “renúncia” no plenário da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (16), pouco depois de a imprensa divulgar um áudio captado pela Polícia Federal de uma conversa da presidente com o recém-nomeado ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Na conversa telefônica, a presidente diz a Lula que estava enviando a ele o termo de posse como ministro para o caso de alguma necessidade. Lula é investigado pela operação Lava Jato, que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. Como ministro, Lula passa a ter foro privilegiado, deixando de estar sujeito às investigações da força tarefa em Curitiba e das decisões do juiz Sérgio Moro.

“A casa caiu, a presidente está fazendo obstrução à Justiça. Nós entendemos que ela é passível de interdição”, disse o líder do DEM na Câmara, deputado Pauderney Avelino (AM).

(Reportagem de Marcela Ayres; Texto de Eduardo Simões; Edição de Raquel Stenzel)

 

O FINANCISTA

Lula ministro não faz diferença e chance de impeachment é real, avalia MCM

Notícia Publicada em 16/03/2016 17:44

Ricardo Ribeiro acredita que nomeação de ex-presidente pode ser classificada como um arranjo arriscado

Projeções do Banco Mizuho para o final de 2016 apontam que se houver impeachment, o dólar estará cotado a R$ 3,56 (Wilson Dias/Agência Brasil)
Projeções do Banco Mizuho para o final de 2016 apontam que se houver impeachment, o dólar estará cotado a R$ 3,56 (Wilson Dias/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Mesmo após o anúncio de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaria no governo como ministro-chefe da Casa Civil, nem todos os analistas deixaram de apostar suas fichas na possibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff ir adiante.

Para Ricardo Ribeiro, analista político da MCM, a nomeação do ex-presidente não deve diminuir as chances de impeachment de Dilma.

“O que está guiando meu raciocínio para analisar o ambiente político é a ideia de que quem está dando as cartas é a Lava Jato, que deve chacoalhar a estabilidade do governo e trazer ainda mais desgaste para o PT e para Dilma e Lula”.

O especialista acredita ainda que a nomeação pode ser classificada como um “arranjo arriscado”, já que a “tendência é que o governo fique ainda mais comprometido quando o conteúdo de outras delações premiadas se tornar público”.

Nem mesmo a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de manter a decisão sobre o rito do impeachment faz com que Ribeiro acredite que a possibilidade de Dilma sair do comando do Planalto tenha diminuído.

Nesta quarta-feira (16), a maioria dos ministros do STF decidiu manter decisão da Corte que, em dezembro do ano passado, definiu as regras de tramitação do rito do processo de impeachment de Dilma que tramita na Câmara dos Deputados.

Neste contexto, fica mantida decisão que invalidou a eleição da chapa avulsa, por meio de voto secreto, integrada por deputados de oposição ao governo, para formação da comissão especial da Câmara dos Deputados que conduzirá o processo.

Por outro lado, Ribeiro admitiu que as chances do impeachment poderiam diminuir se os rumores de que Alexandre Tombini pode sair da presidência do BC (Banco Central) se confirmassem. A eventual nomeação de Henrique Meirelles para seu lugar seria ainda mais bem recebida pelos investidores.

“Eventual retorno de Meirelles ao BC daria consistência a essa nova configuração do governo Dilma. Meirelles dá uma sinalização boa para o mercado, seria uma garantia de que eles não vão atribuir a esse novo arranjo um populismo desenfreado e que vão manter o compromisso com a política econômica”, avalia Ribeiro.

De acordo com Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, a nomeação de Lula à Casa Civil diminui a probabilidade de impeachment no curto prazo.

“A nomeação mexe nas peças desse xadrez do impeachment e diminui as chances de saída de Dilma porque é notória a capacidade política do ex-presidente”.

Ele destaca que o país estava à deriva e que Lula foi chamado para tentar dar um rumo para a economia brasileira. “Lula é quem vai dar as cartas agora. Com a entrada dele no governo, temos duas fontes de incerteza: se vai haver ou não o impeachment e também em relação ao timing desse impeachment”, diz Rostagno.

As projeções do banco Mizuho para o final de 2016 apontam que se houver impeachment, o dólar estará cotado a R$ 3,56. Caso Dilma permaneça no poder, a divisa norte-americana deve fechar o ano em R$ 4,30.

 

O FINANCISTA

Ibovespa Futuro dispara 4% com chance de impeachment; dólar cai

Notícia Publicada em 17/03/2016 09:20

Novidades do Planalto preocupam governo e podem acelerar saída de Dilma da presidência

Cenário político deve centralizar atenção dos agentes no penúltimo pregão da semana (Flickr/Rafael Matsunaga)
Cenário político deve centralizar atenção dos agentes no penúltimo pregão da semana (Flickr/Rafael Matsunaga)

SÃO PAULO – Negociado na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), o índice Ibovespa Futuro, que reúne expectativas para o comportamento futuro do Ibovespa, opera em campo positivo nesta quinta-feira (17).

Enganou-se quem pensava que a cena política daria uma trégua aos mercados após a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como ministro-chefe da Casa Civil. O clima em Brasília continua quente após a Polícia Federal ter divulgado uma conversa entre Dilma Rousseff e Lula que alimenta suspeitas sobre a real motivação para sua nomeação para a Casa Civil.

Além de intensificar a crise política, a gravação dá combustível para manifestações populares e de parlamentares pedindo a saída da presidente em meio ao andamento do processo de impeachment na Câmara. Isso anima os mercados com a possibilidade de que Dilma não chegue a 2018 como presidente.

Às 9h16 (horário de Brasília), o Ibovespa Futuro operava com alta de 4,23%, sinalizando uma abertura positiva do principal índice de ações do Brasil.

No mercado de câmbio, o dólar à vista tinha desvalorização de 2,17%, para R$ 3,6605.

 

O FINANCISTA

Cade aprova sem restrições acordo entre Raízen e Wilmar para exportação de açúcar

Notícia Publicada em 17/03/2016 09:20

Joint venture será responsável por todas as atividades para originação do açúcar no Brasil e sua oferta ao mercado internacional

Ela será encarregada da comercialização de todo açúcar produzido pela Raízen destinado à exportação (Elza Fiuza/ABr)
Ela será encarregada da comercialização de todo açúcar produzido pela Raízen destinado à exportação (Elza Fiuza/ABr)

SÃO PAULO – O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições acordo envolvendo a Raízen Energia e a multinacional do agronegócio Wilmar para a formação de uma joint venture na exportação de açúcar VHP (sigla do inglês de “Very High Polarization”) do Brasil, segundo publicação no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (17).

A joint venture será responsável por todas as atividades para originação do açúcar no Brasil e sua oferta ao mercado internacional, sendo encarregada da comercialização de todo açúcar produzido pela Raízen destinado à exportação, de acordo com documento do Cade.

(Por Roberto Samora)

 

O FINANCISTA

Espresso Financista: Bomba no Planalto inflama rali do impeachment

Notícia Publicada em 17/03/2016 09:17

Índices de ações disparam; posse de Lula na Casa Civil ocorre nesta manhã; petróleo sobe

Manifestação contra nomeação de Lula para a Casa Civil, em 16 de março (Wilson Dias/Agência Brasil)
Manifestação contra nomeação de Lula para a Casa Civil, em 16 de março (Wilson Dias/Agência Brasil)

SÃO PAULO – Bom dia! Aqui está a sua dose diária do Espresso Financista™:

Apito inicial

A temperatura que já vinha esquentando em Brasília alcançou níveis antes impensáveis na última noite, quando a Polícia Federal divulgou uma conversa entre Dilma Rousseff e o ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva que alimenta suspeitas sobre a real motivação para sua nomeação ao Ministério da Casa Civil.

A gravação dá combustível para manifestações populares e de parlamentares pedindo a saída da presidente em meio ao andamento do processo de impeachment na Câmara. Do outro lado, anima os mercados com a possibilidade de que Dilma não chegue a 2018 como presidente. Após os áudios, o fundo de índice (ETF) iShares MSCI Brazil Index, que acompanha papéis da Bovespa,disparou 6%.

Na conversa, Dilma afirma que enviou “termo de posse” a Lula para utilização em caso de necessidade, o que abriu margem para a interpretação de que a nomeação foi uma manobra para proteger Lula de eventual pedido de prisão pela PF.

Logo após a divulgação, dezenas de deputados da oposição gritaram “renúncia” no plenário da Câmara dos Deputados e protestos se espalharam pelo país.

Inicialmente convocadas para protestar contra a nomeação de Lula a ministro, as manifestações ganharam corpo conforme os áudios – que incluem conversas com os ministros Nelson Barbosa (Fazenda) e Jaques Wagner (Casa Civil) – eram liberados.

O Planalto condenou a liberação do sigilo autorizada pelo juiz Sérgio Moro e disse que tomará as medidas judiciais cabíveis. Informações levantadas pelo site Uol indicam que o próprio Moro havia mandado suspender a interceptação das ligações antes do horário em que a conversa aconteceu.

Paira a dúvida sobre a legalidade da divulgação das conversas, mas o estrago político já está feito. O apoio que o governo ainda mantém no Congresso começou a ruir após a divulgação do áudio. O PRB anunciou ainda na noite de ontem que está deixando a base de apoio ao governo federal em função da situação em que se encontra o cenário nacional nos últimos meses. O cargo de ministro, ocupado pelo deputado George Hilton (MG), foi colocado à disposição da presidente. O PRB tem uma bancada de 21 deputados federais.

“Do ponto de vista do governo, a aposta de que Lula no Planalto poderia, aos poucos, reduzir a fervura da crise, provou-se equivocada. Agravou-a substancialmente”, afirma a LCA Consultores. Além disso, a consultoria avalia que ficará mais difícil Lula convencer nomes importantes – e que poderiam acalmar os mercados – para participar do governo, como o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Com o escândalo da gravação, ganha importância a sessão da Câmara que elegerá os integrantes da comissão especial para analisar a possibilidade de abertura de processo de impeachment.

“Estes episódios reforçam o nosso cenário básico de que a presidente Dilma não terminará o seu mandato, provavelmente pela via do impeachment”, afirma a LCA, em nota.

Antes da sessão na Câmara, prevista para iniciar 12h, o destaque é a posse – aparentemente antecipada – de Lula. Anteriormente prevista para a próxima terça-feira (22), o ex-presidente participará de cerimônia coletiva de posse junto do novo ministro da Justiça Eugênio Aragão às 10 horas. A transmissão de cargo entre Jaques Wagner e o Lula foi mantida para a próxima terça feira. “Trata-se de momento distinto da posse”, informa a assessoria de imprensa da Presidência.

De escanteio em meio aos desdobramentos da crise política, as bolsas chinesas subiram mais de 1% com a valorização das ações de tecnologia compensando o recuo dos papéis do setor financeiro. As bolsas europeias e os índices norte-americanos operam em queda enquanto os preços do petróleo têm valorização de mais de 1%.

O poder e a economia

Termo de posse – A assessoria de imprensa da Presidência da República divulgou na madrugada desta quinta-feira (17) a cópia do termo de posse assinado na última tarde pelo ex-presidente, e agora ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva que foi objeto do telefonema entre ele e a presidente Dilma Rousseff.

Janot – O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse nesta quinta-feira (17) que ninguém é imune a investigações, ao ser questionado sobre a possibilidade de pedir a abertura de inquérito contra a presidente Dilma Rousseff por suspeitas de tentar obstruir as investigações da operação Lava Jato, segundo reportagem no site do jornal O Estado de S. Paulo.

Lula – A denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o pedido de prisão preventivaestavam sendo elaborados pelo Ministério Público Federal. A informação é da colunista da revista Veja, Vera Magalhães. Lula teria sido informado e por isso houve antecipação da publicação da nomeação como ministro e da data de sua posse.

PF – A gravação de uma conversa entre a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Luiz Inácio Lula da Silva, foi feita pela Polícia Federal após o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná, determinar que a Polícia Federal parasse de interceptar as conversas telefônicas do ex-presidente.

Desmbarque – O PRB anunciou na quarta-feira (16) que está deixando a base de apoio ao governo federal em função da situação em que se encontra o cenário nacional nos últimos meses. A decisão foi comunicada à imprensa pelo presidente da legenda, Marcos Pereira,  que estava acompanhado de deputados do partido no Salão Verde da Câmara

Crescimento – Se o Brasil superar a atual crise política no curto prazo e fazer os ajustes econômicos necessários poderá ter crescimento de 1,5% em 2017, segundo Caio Megale, economista do Itaú Unibanco.

Posse – A presidente Dilma Rousseff dá posse nesta quinta-feira (17), às 10h, aos novos ministros Luiz Inácio Lula da Silva (Casa Civil), Eugênio Aragão (Justiça) e Mauro Lopes (Secretaria de Aviação Civil), além do novo chefe de gabinete pessoal de Dilma, Jaques Wagner.

Impeachment – O Plenário da Câmara dos Deputados terá sessão nesta quinta-feira (17) para eleger a comissão especial que analisará o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. A sessão será aberta às 10 horas e até o meio-dia os líderes vão indicar nomes de deputados para compor a comissão. Às 14 horas, começará o período de Ordem do Dia, com a eleição da comissão especial como único item da pauta. A instalação da comissão está prevista para as 17 horas. A eleição do presidente e do relator da comissão poderá ocorrer na quinta ou na sexta-feira.

Impeachment 2 – Mesmo após o anúncio de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaria no governo como ministro-chefe da Casa Civil, nem todos os analistas deixaram deapostar suas fichas na possibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff ir adiante.

Cancelada – A Comissão Mista de Orçamento cancelou a audiência pública prevista para esta quinta-feira (17) para ouvir o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. A reunião seria para apresentar os resultados das políticas monetária, creditícia e cambial em 2015 e o impacto delas sobre a política fiscal. A Comissão de Orçamento ainda não marcou nova data para a audiência.

 CPI – A CPI dos Fundos de Pensão toma o depoimento de Carlos Alberto Caser, presidente da Funcef, fundação da Caixa.

O que acontece no mundo corporativo

JBS – A companhia de alimentos teve prejuízo líquido de R$ 275,1 milhões, ante lucro líquido de R$ 618,8 milhões um ano antes, em meio a um forte aumento das despesas financeiras, de acordo com dados divulgados na quarta-feira (16).

IPO – Caixa seguridade retira pedido de oferta pública inicial de ações na CVM, segundo o Valor.

MCMV – O ministro das Cidades, Gilberto Kassab, informou nesta quarta-feira que a portaria interministerial que normatiza a terceira etapa do programa habitacional Minha Casa Minha Vidaestá em fase final e que nos próximos dias a data de lançamento será marcada.

Aviação – A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) publicou resolução no Diário Oficial da União (DOU) para regulamentar a outorga de serviços aéreos públicos a empresas brasileiras. O texto estabelece que a concessão ou autorização somente será dada à pessoa jurídica brasileira que tiver “sede no País” e “pelo menos 51% do capital com direito a voto pertencente a brasileiros, prevalecendo essa limitação nos eventuais aumentos do capital social”.

Crédito – O rating da Samarco foi reduzido de Caa1 para Caa2 pela Moody’s, com perspectiva negativa.

Para comentar mais tarde

House of Cards faz piada com crise política brasileira. O perfil da série House of Cards no Twitter publicou, nesta quarta-feira (16) à noite, um tweet com a mensagem “Watching today’s Brazilian news coverage” (“Assistindo à cobertura do noticiário brasileiro hoje”, em tradução literal). Veja mais na reportagem de Vinícius Andrade, de O Financista.

 

O Financista

PRB anuncia saída do governo e deve deixar Ministério do Esporte

Notícia Publicada em 17/03/2016 08:09

Partido tem uma bancada de 21 deputados federais e tem como líder o deputado Marcio Marinho (BA)

Com a saída do partido da base, os deputados da legenda afirmaram que o cargo está à disposição da presidente (Wilson Dias/Agência Brasil)
Com a saída do partido da base, os deputados da legenda afirmaram que o cargo está à disposição da presidente (Wilson Dias/Agência Brasil)

BRASÍLIA – O PRB anunciou na quarta-feira (16) que está deixando a base de apoio ao governo federal em função da situação em que se encontra o cenário nacional nos últimos meses. A decisão foi comunicada à imprensa pelo presidente da legenda, Marcos Pereira,  que estava acompanhado de deputados do partido no Salão Verde da Câmara.

O Partido Republicano Brasileiro (PRB) tem uma bancada de 21 deputados federais e tem como líder o deputado Marcio Marinho (BA). A decisão do rompimento ocorreu após uma reunião da bancada com o presidente da legenda, onde foi feita uma avaliação do momento atual e da crise política e econômica.

“A bancada resolveu por unanimidade sair da base do governo, porque todo o cenário dos últimos meses torna insustentável a nossa permanência. A bancada será independente para votar aquilo que for melhor para tirar o Brasil desta crise”, disse o presidente do partido. O deputado Celso Russomanno (PRB-SP) disse que os deputados vão ser independentes e irão votar as matérias de interesse do Brasil.

O PRB ocupa o Ministério do Esporte com o deputado George Hilton (MG). Com a saída do partido da base, os deputados da legenda afirmaram que o cargo está à disposição da presidenta Dilma Rousseff para substituir o ministro.  “O cargo está à disposição, mas como é de livre nomeação da presidente Dilma, ela é quem toma a decisão”, disse Russomanno.

(Por Iolando Lourenço)
O Financista