Muro é explodido no Complexo do Curado, mas presos não escapam

Ação ocorre pouco depois de um mês da última fuga em massa na unidade.
É a terceira vez que bandidos empreendem esse tipo de ofensiva em 2016

Bandeira do estado de Pernambuco

Uma nova tentativa de fuga em massa de presos ocorreu na madrugada deste sábado (5) no Complexo Prisional do Curado, no bairro do Sancho, Zona Oeste do Recife. Por volta das 3h, um artefato explosivo destruiu parte de um dos muros do Presídio Asp. Marcelo Francisco de Araújo (Pamfa). Apesar do buraco aberto na estrutura, nenhum preso conseguiu escapar. Com a detonação, seis veículos estacionados na rua e as fachadas de algumas residência foram danificados.

A explosão abriu uma cratera de dois metros de largura por 1,5 de altura nas proximidades de uma das guaritas da unidade que estava ocupada por agentes. Mesmo assim, ninguém ficou ferido. Ainda durante a madrugada, o Instituto de Criminalística esteve no local para realizar a perícia.

O buraco aberto já foi fechado por ordem da Secretaria de Ressocialização do Estado. Com a nova tentativa de fuga em massa, o Secretário de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico, e de Ressocialização, Eden Vespaziano, estiveram no presídio na manhã deste sábado. Por enquanto, as visitas estão mantidas.

Nova tentativa de explosão no Curado (Foto: Divulgação/Whatsapp)
Explosão abriu uma cratera de dois metros de
largura por 1,5 de altura
(Foto: Divulgação/Whatsapp)

Pedro Eurico afirmou que a saída para evitar novas tentativas de fuga semelhantes é a realização do ‘envelopamento’ do muro do complexo prisional. Esse reforço estrutural, com a construção de um muro reforçado, já tem verba assegurada (R$ 7 milhões), mas o início da obra esbarra na burocracia.

“Nós já estamos com o projeto pronto. Nós vamos envelopar todos os presídios com concreto armado. Esses presídios são do ano de 1970 e ainda estão com a estrutura de tijolo singelo e, consequentemente, vulnerável”, ressaltou Eurico.

Para que o iniciativa saia do papel, há necessidade de dispensa de licitação. Mesmo assim, Pedro Eurico acredita que as obras deverão começar em até um mês e deverão ficar prontas em um período de 120 dias.

Para Vespaziano, a série de tentativas de fuga é uma resposta às mudanças impostas aos detentos. “Acho que isso mostra também a importância do trabalho que está sendo feito não só de recompor a segurança, a parte estrutural dos presídios, reforçando a questão dos equipamentos de segurança dos agentes. Tudo isso passa pela mudança de disciplina interna e no aperto que nós estamos dando no sistema prisional”, completa o secretário.

Com a força da explosão, casas próximas ao presídio tiveram as estruturas danificadas. Paredes racharam, janelas quebraram e o reboco de alguns quartos caíram. Pontos comerciais também foram atingidos com a detonação.

A dona de casa Mary do Nascimento estava dormindo no momento e por pouco não teve ferimentos mais sérios. “Estou chocada. Acordei com os cacos do vidro da janela na minha cabeça. Cortei minha mão, meu dedo polegar. Estou apavorada”, relembrou.

Muro é explodido no Complexo do Curado, mas presos não escapam (Foto: Reprodução/ TV Globo)
Seis veículos que estavam estacionados também foram danificados (Foto: Reprodução/ TV Globo)

Desde o ano passado, o sistema prisional do estado enfrenta grave crise. Em janeiro deste ano, duas tentativas de fuga em massa foram realizadas no Presídio Frei Damião de Bozzano, também no Complexo do Curado, e na Penitenciária Professor Barreto Campelo, em Itamaracá, no Grande Recife.

No Frei Damião, dos 40 presos que escaparam após explosão do muro, dois morreram e todos os demais foram recapturados. Já em Itamaracá, 53 detentos conseguiram fugir em ação semelhante e menos da metade retornou à unidade prisional.

Barreto Campelo
Também neste sábado, um crime foi registrado em outra unidade do sistema prisional pernambucano. No início da manhã, a Seres informou que, durante a madrugada,  na Penitenciária Barreto Campelo, em Itamaracá, o detento José Anildo Silvestre da Silva foi morto por outro detento com a utilização de uma arma branca.

Segundo a Seres, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o Instituto de Criminalística e o Instituto de Medicina Legal (IML) foram acionados para apurar o caso e tomar as providências cabíveis.

 

G1.COM.BR

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