Petrobras dispara na Bolsa com crise Irã-Arábia Saudita, mesmo ganhando muito pouco com ela

Notícia Publicada em 04/01/2016 14:23

Com a política de preço dos combustíveis descolada do mercado de petróleo, crise no Oriente Médio ajuda a Petrobras apenas indiretamente

Petrobras: ações sobem mais pela valorização do setor como um todo, do que por mérito (Divulgação/Agência Petrobras)
Petrobras: ações sobem mais pela valorização do setor como um todo, do que por mérito (Divulgação/Agência Petrobras)

SÃO PAULO – As ações da Petrobras lideram a alta do Ibovespa, o principal indicador da Bolsa brasileira. No fechamento desta segunda-feira (4), as ordinárias (PETR3) subiam 1,17%, cotada a R$ 8,67, e as preferenciais (PETR4), 2,54%, negociadas por R$ 6,87. O desempenho contrastou com o Ibovespa, que recuou caía 2,15%, para 42.418 pontos. É verdade que o pretexto para a alta da Petrobras é o acirramento da tensão entre o Irã e a Arábia Saudita, maior produtor mundial de petróleo, mas os efeitos sobre os papéis da estatal refletem muito mais uma aposta, que impactos concretos sobre a empresa.

Mesmo com o tombo de 7% da Bolsa de Xangai, na China, a tensão entre dois dos principais países do Oriente Médio elevou em 3% a cotação mundial do petróleo. O movimento elevou as ações de petroleiras em todo o planeta, incluindo a Petrobras. Mas, a rigor, o raciocínio para a estatal deveria ser o inverso.

Sem uma política clara de reajuste dos derivados, a brasileira vem lucrando bastante com o descolamento de preços. Como a estatal é obrigada a importar parte do petróleo que refina localmente, a queda de preços do barril a beneficia. A margem fica ainda maior, com a venda dos derivados, no Brasil, com prêmios elevados. Segundo a agência de notícias Reuters, dezembro foi o mês em que a Petrobras obteve os maiores prêmios na venda de combustíveis – estimados em cerca de 20% para a gasolina e 30% para o diesel.

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Logo, em tese, se o petróleo começar a subir muito, corroerá a margem da Petrobras no refino e distribuição de derivados. Não haveria, portanto, o que comemorar com o acirramento da crise entre Irã e Arábia Saudita.

Mas é aí que entra a primeira ponderação dos analistas. Para que a margem da estatal seja zerada e retorne aos tempos em que vendia gasolina com prejuízo, porque importava petróleo caro, o barril deveria subir ainda muito mais. “Seria necessário que o petróleo subisse mais 20% ou 30%”, afirma o estrategista-chefe da Guide Investimentos, Luís Gustavo Pereira. Se isso vai, de fato, acontecer, só mesmo acompanhando o desfecho da nova briga que marca o início de 2016 no Oriente Médio.

Valorização

Uma coisa mais concreta, para os analistas, é que a alta do petróleo voltaria a valorizar os ativos do setor em geral. Traduzindo: plataformas, blocos e campos de produção valeriam mais. Isso seria uma bela notícia para a Petrobras, que começa 2016 como terminou 2015: com o pires na mão, correndo atrás de dinheiro para baixar sua bilionária dívida, manter as operações do dia a dia e, ainda, cumprir os investimentos previstos. Para conseguir tudo isso, uma das estratégias da diretoria é vender ativos em áreas não prioritárias, como no exterior, e atrair sócios para projetos importantes. Com o petróleo caro elevando o preço de seus ativos, a empresa poderia fazer mais dinheiro com isso. “Esse é um ponto interessante, que justifica a alta das ações da Petrobras hoje”, diz Pereira, da Guide.

O estrategista alerta, contudo, que outro fator pesa tanto quanto esse, e empurraria os papéis da empresa no sentido contrário: o câmbio. “O aumento do dólar é tão importante quanto o preço do petróleo, porque pressiona sua dívida”, explica. Nunca é demais lembrar que a Petrobras acumula compromissos de mais de R$ 500 bilhões, o que a torna uma das companhias mais endividadas do mundo.

Nesta segunda-feira (4), começou a circular também a notícia de que a Justiça norte-americana acatou parte dos argumentos da Petrobras, em um processo aberto por investidores de lá. Com isso, reduziu a abrangência do caso. O fato, porém, tem pouca repercussão sobre os papéis. “Trata-se de um processo muito longo, com decisões apenas no segundo semestre”, afirma Pereira, da Guide. “Além disso, o pior momento desse caso parece ter ficado para trás”. Tudo somado, pode-se dizer que as ações da Petrobras estão subindo mais na onda do setor, do que por méritos próprios.

(Atualizado às 19h, com o fechamento das ações e do pregão)

Fonte : O Financista

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