Pernambucanos usam a criatividade para driblar a crise econômica

Com a atual situação, eles precisam enxergar a vida de um jeito diferente.
PIB registrou retração de 1,7% no terceiro trimestre de 2015.

Bandeira do estado de Pernambuco

Quando a renda diminui e os gastos aumentam, o jeito é se reinventar para enfrentar a crise econômica que assola o país. Usando a criatividade, pernambucanos de diferentes idades e classes sociais estão tendo que enxergar a vida de uma forma diferente. Para uns, a atual situação brasileira foi revertida em oportunidade crescimento; para outros, a solução é realmente o corte de custos.

Como divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira (1º), o consumo das famílias entre os meses de julho e setembro caiu 1,5%, refletindo a retração de 1,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano. A experiência das famílias pernambucanas confirma a recessão – os primos Hilton Soreano, 34, e Marília Oliveira, 31, precisaram se juntar à irmã de Hilton, Maria Soreano, no ramo da doceria. Tudo isso por causa das demissões em massa e da dificuldade da recolocação no mercado de trabalho.

A família viu nos doces uma oportunidade e uma forma de sustento. Há um ano, o trio faz de bolo de rolo a brownie. “Para mim a crise veio a calhar porque eu já fabricava bolos e, depois que meus primos foram demitidos, tive mais ajuda, conseguindo expandir mais os negócios”, menciona Maria.

Hilton trabalhava como técnico de documentação nas obras da Via Mangue, na Zona Sul do Recife e garante que ganha mais agora do que quando tinha a carteira assinada. “Assim estamos driblando a crise e ganhando nosso sustento”, afirma ele.

A cozinha da casa de Maria se transformou em uma mini fábrica. Eles alegam que estão conseguindo ter um retorno financeiro vendendo uma média de 20 a 30 bolos por dia e com um custo baixo de investimento – cerca de R$ 10 mil – destinados apenas à compra de um fogão industrial, geladeira e formas para assar as guloseimas. “Usamos o Facebook e o Instagram para promover nosso negócio porque é barato e tem longo alcance”, diz Maria.

Para Marília, a chance não é só para ganhar dinheiro, é também a realização de um sonho. “Sou administradora, mas sempre tive o sonho de trabalhar com tortas e bolos. Com a crise, estou finamente podendo trabalhar com isso”, conta aos risos.

Da farmácia ao salão
Falido, o empresário Ubirajara Martins precisou estudar a demanda do bairro e se reinventar aos 66 anos de idade. Ex-proprietário de uma farmácia que faliu no começo do ano, Ubirajara agora é cabeleireiro. “Percebi que o ramo de farmácia não estava mais dando certo. Procurei fazer um curso no Senac [Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial], com aperfeiçoamento numa rede de salões, e estou aqui driblando a crise devagarzinho, com dificuldade, mas graças a Deus devagarzinho”, fala.

Pernambucanos usam da criatividade para driblar a crise econômica (Foto: Thays Estarque/ G1)
Quando a farmácia de Ubirajara faliu, ele virou cabeleireiro (Foto: Thays Estarque/ G1)

Com tudo mais caro, o cabeleireiro agradece, pelo menos, o fato de não pagar aluguel. “Temos casa própria; apesar de não ser minha, é da minha cunhada, mas não pagamos nada”, comenta, completando que teve que cortar gastos para tentar manter o nível da qualidade de vida. “O lazer mudou, o brasileiro vai ter que mudar porque a partir de 2016 a coisa vai ‘arrochar’ mais ainda. Eu me preparei, estou aqui no meu cabeleireirozinho, devagarzinho, com o pouquinho que entra vou vivendo até o fim da vida”.

Além da renda extra
E quando até a renda extra, aquela já para tentar ajudar em casa, também é prejudicada? A artesã Fátima Vilanova, 62 anos, costuma vender os terços que fabrica para os romeiros que viajam centenas de quilômetros para rezar no Santuário da Mãe Rainha, em Ouro Preto, Olinda. Porém, com a crise, o número de pessoas em condições de separar um dinheiro para pegar a estrada e se manter durante a viagem está diminuindo.

“Os compromissos continuam os mesmos, mas a renda diminuiu. A dificuldade aumentou porque a gente já não tem o padrão de vida alto e, com a crise, a tendência é se agravar porque a clientela diminuiu. Normalmente esse pessoal depende de um salário mínimo ou é pensionista. Estão sem dinheiro para vir e então complica para gente também”, explica.

Pernambucanos usam da criatividade para driblar a crise econômica (Foto: Thays Estarque/ G1)
Fátima vende terços em romarias, com a crise passou a vender por encomenda
(Foto: Thays Estarque/ G1)

A forma que encontrou para tentar driblar o período de escassez da procura pelo trabalho foi focar nas vendas certas, por encomenda. Para isso, faz das redes sociais sua maior aliada. “Não posso ficar com o dinheiro empatado em mercadoria, em material, sem ter onde vender”.

De todos os cortes no orçamento da casa, Fátima um faz mais falta. Bastante apegada à família, sente falta daquele almoço especial do fim de semana. “A gente já tem pouco, mas reduziu ainda mais. Antes trabalhávamos toda semana e no fim dela preparávamos algo diferente para variar, mas agora já não fazemos mais”, conclui.

Pernambucanos usam da criatividade para driblar a crise econômica (Foto: Thays Estarque/ G1)
Comerciante há mais de 30 anos, Francisco se vê
tendo que comprar menos mercadoria
(Foto: Thays Estarque/ G1)

Comerciante há mais de 30 anos, Francisco Moreira, 55, se vê atualmente tendo que comprar menos mercadoria porque não consegue revendê-las. Ele conta que está cada vez mais difícil sobreviver nessa situação.

“A gente vive hoje numa decadência porque não consegue mais evoluir. O pouco que trabalha é só para pagar as contas. Quando paga a conta de água e a conta de luz não sobra nada para gente”, lamenta.

 

G1.COM.BR

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