Mulher morre após diagnóstico tardio de câncer no Distrito Federal, diz família

Marilene Pereira ficou internada 37 dias no Hospital de Brazlândia.
Família entrará na Justiça; Secretaria diz que mulher recebeu tratamento.

Bandeira do Distrito Federal (Brasil)

Marilene Soares Pereira e o filho no Hospital Regional de Brazlândia (Foto: Marlene Soares/Arquivo Pessoal)

Marilene Pereira e o filho no Hospital Regional de
Brazlândia (Foto: Marlene Soares/Arquivo Pessoal)

Uma mulher morreu após ficar 37 dias internada no Hospital de Brazlândia, no Distrito Federal, com queixa de dores no abdômen. A família de Marilene Pereira denuncia o diagnóstico tardio de câncer nas vias biliares, que só foi descoberto, segundo a irmã da paciente, Marlene Soares, quatro dias antes da morte dela. Apesar de já ter passado por uma cirurgia de retirada de vesícula, nenhum médico percebeu o tumor, afirmam os parentes.

Ao G1, a Secretaria de Saúde esclareceu que no momento da cirurgia foi retirado um fragmento da vesícula que foi encaminhado para biópsia. Segundo a pasta, a direção do Hospital de Brazlândia afirma que a paciente recebeu tratamento adequado durante o período em que ficou internada e diz que o tumor só poderia ser confirmado após a chegada do laudo da biópsia, que leva até 30 dias para ficar pronto.

Minha irmã foi muito maltratada naquele hospital, sofreu demais. Ela gritava de dores dia e noite. Eu pedia para os médicos morfina e eles não davam. No dia 6 de outubro ela foi operada para a retirada de vesícula. Como não perceberam que havia um tumor? Isso é um absurdo”
Marlene Soares

Marilene, que tinha 40 anos, foi internada no dia 30 de setembro no hospital e morreu na última terça-feira (10). Segundo a irmã, a mulher “gritava” por causa das dores no abdomên e tinha a barriga bastante inchada. Ela também relata a demora na aplicação de remédios.

“Minha irmã foi muito maltratada naquele hospital, sofreu demais. Ela gritava de dores dia e noite. Eu pedia para os médicos morfina e eles não davam. No dia 6 de outubro ela foi operada para a retirada de vesícula. Como não perceberam que havia um tumor? Isso é um absurdo”, diz Marlene Soares.

A mulher permaneceu no Hospital de Brazlândia até o dia 6 de novembro. Um raio X e um eletrocardiograma foram feitos e nada foi descoberto, segundo a família. A irmã de Marilene também reclama das condições do quarto no Hospital de Brazlândia.

Barriga de Marilene com marcas roxas e ainda com pontos da cirúrgia (Foto: Marlene Soares/Arquivo Pessoal)
Barriga de Marilene com marcas e pontos da cirurgia
(Foto: Marlene Soares/Arquivo Pessoal)

“Era tudo sujo, não tinha nenhuma higiene, ninguém entrava para limpar. Todos os dias eu levava um rodo e um pano para lavar a área. Não iria permitir que a minha irmã sofresse mais ainda.”

Indignada com a falta de atendimento adequado, Marlene levou a irmã para o Hospital de Base, sem autorização dos médicos. Segundo ela, não haviam ambulâncias disponíveis e a vida de Marilene “não podia esperar.”

“Eu não derrubei nenhuma lágrima no enterro da minha irmã. Já tinha chorado durante 37 dias, fiz o que pude para salvá-la, entende? Ninguém quis a encaminhar para o Hospital de Base e fazer uma tomografia. Portanto, coloquei ela dentro do carro e a levei por conta própria. Não me arrependo, pelo menos lá [Hospital de Base] ela conseguiu atendimento de forma decente.”

Urina de Marilene Soares (Foto: Marlene Soares/Arquivo Pessoal)
Urina de Marilene Soares
(Foto: Marlene Soares/Arquivo Pessoal)

No Hospital de Base, uma tomografia confirmou que Marilene estava com câncer nas vias biliares, já em metástase. Quatro dias após o diagnóstico, ela morreu, deixando um filho de 1 ano e 4 meses. Agora, a família pretende entrar na Justiça contra a Secretaria de Saúde.

“Nem um bicho foi tão maltratado como a minha irmã. Não pediram nem uma tomografia para ela. Deixaram Marilene jogada e pronto, como se ela não tivesse direito a um tratamento. Espero que o que aconteceu com ela não ocorra com mais ninguém.”

Por nota, a Secretaria de Saúde também informou que a paciente apresentou complicações no período de recuperação da cirurgia e novos exames constataram que ela sofria de doença hematológica.

“Ocorre que a paciente foi retirada pela família, antes da conclusão do diagnóstico e do resultado da biópsia na vesícula. Por ter a saúde bem debilitada devido a outras complicações, ela acabou vindo a óbito na última terça-feira (10)”, diz a Secretaria de Saúde.

 

G1.COM.BR

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