Renato Maurício Prado comenta que a dupla FLA-FLU tem chance de disputar a Libertadores 2016

 

Sonho carioca

Os matemáticos dirão que as possibilidades são reduzidíssimas. Mas há chances reais de a Libertadores-2016 ter a dupla Fla-Flu (o rubro-negro, pelo Brasileiro, e o tricolor, pela Copa do Brasil). Sonhar não custa nada…

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta Figueirense 3 x 0 Flamengo

Clayton gol Figueirense x Flamengo (Foto: CRISTIANO ANDUJAR - Agência Estado)

Tempo perdido

A atuação do Flamengo, na derrota para o Figueirense foi pavorosa. Inadmissível para um time que teve 10 dias para se preparar e andou em campo como se o resultado não fosse importantíssimo. Se o Fla tivesse vencido, estaria no G-4.

Depois de um início avassalador, com seis vitórias consecutivas, Oswaldo de Oliveira vai vendo sua carruagem virar abóbora – já são quatro derrotas, nos últimos cinco jogos. A esperança rubro-negra está na volta de Paolo Guerrero que, quando estreou, conseguiu transformar uma equipe que vinha sendo medíocre, num time flamejante, que passou a brigar por vaga na Libertadores. É fato que, após a contusão, o peruano ainda não voltou a jogar bem. Mas, ao menos, já fez gol, nas eliminatórias. Se desencabular, o Fla ainda se mantém no páreo.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta Rubens Lopes da FERJ não é tão culto como Eduardo Viana

 

Mais um exemplo ridículo

E o presidente da Federação de Futebol do Rio, dando a seus apaniguados, Vasco e Botafogo, o mando de campo, nos clássicos contra seus inimigos, Flamengo e Fluminense? Nunca pensei que fosse chegar a tanto, mas estou sentindo falta de Eduardo Viana, o Caixa D’Água, que, pelo menos, era culto e inteligente…

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta que o futebol brasileiro precisa de uma limpeza completa

 

Depoimento demolidor de J. Hawilla, dono da Traffic, ao FBI; gravação “cabeluda das conversas de Carlos Miguel Aidar, presidente recém-demissionário do São Paulo; possível compra de votos pelos alemães, para sediar a Copa de 2006 e mentira do presidente da Federação Catarinense, em entrevistas, na sexta-feira, após os graves erros de arbitragem no jogo entre Vasco e Chapecoense. Um fétido odor exala do mundo da bola…

Subornos, propinas, compra de votos, pressões de todas as formas sobre juízes, vale tudo no “velho, violento e, já há algum tempo, multibilionário esporte bretão”. E a triste verdade é que nada chega a ser surpreendente. A (boa) novidade é que tais tramoias começam a ser desnudadas, evidenciando aquilo que sempre se soube, mas nunca se conseguiu provar.

Alguém duvida de que 99% das empresas de marketing esportivo atuam como a Traffic? Várias, como a de Hawilla, criadas por ex-jornalistas, que se valeram da proximidade com dirigentes poderosos, dos quais se tornaram “laranjas”, sócios extraoficiais. Infelizmente, é assim que a banda toca há décadas.

Da mesma forma, cartolas (e até técnicos!) levando propinas nas negociações de jogadores é prática muito mais disseminada do que pode parecer. Claro sintoma disso, quando um caso escabroso, como esse de Aidar, vem à tona, a maioria dos outros dirigentes (principalmente, os do próprio clube) fazem que nem avestruz: enfiam a cabeça no buraco e não querem nem papo. Como se tal atitude não estivesse deixando à mostra aquele tremendo bundão empinado de covardia e cumplicidade…

Está mais do que na hora de passar o futebol a limpo. A começar pela CBF, cujo presidente não tem coragem de botar o nariz fora das fronteiras, com medo de ser apanhado pelos agentes do FBI e acabar fazendo companhia ao ex-parceiro José Maria Marin.

Não estivesse o Brasil tão sacudido por outros escândalos de corrupção, dentro e fora do governo, isso já teria ocorrido. Mas acontecerá, em breve, segundo o ex-deputado que preside o Vasco e está longe de ser um bom exemplo, mas costuma saber bem do que rola nos bastidores, por onde se movimenta há tempos.

Neste caso específico, o grave é que, com a saída de Del Nero, por questões estatutárias, deve assumir o seu vice mais velho – que, com a prisão de Marin, passou a ser exatamente o presidente da Federação Catarinense de Futebol, Delfim Pádua, que, acusado de pressionar a arbitragem, disse que não ia a vestiários de árbitros há séculos, mas a sua visita ao juiz, na partida entre Chapecoense e Vasco, no dia 4 de julho, na Arena Condá, está registrada na súmula do jogo, pelo árbitro Ricardo Marques Ribeiro, como mostrou o programa Seleção SporTV…

Como se vê, não basta trocar nomes, é preciso uma revolução na estrutura podre e corrompida do nosso futebol.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta Cruzeiro 2 x 0 Fluminense

Com outro foco

O Fluminense perdeu do Cruzeiro, no Mineirão, mas o resultado desta partida, na verdade, pouco importava ao tricolor. Seu foco total é na Copa do Brasil, onde enfrentará o Palmeiras, na semifinal, e se for campeão pode garantir seu ingresso na competição mais importante do continente no ano que vem. O risco de rebaixamento é mínimo, daí a derrota de hoje não ser nem um pouco traumática.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta São Paulo 2 x 2 Vasco

Por pouco

O Vasco fez bonito, no Morumbi e quase saiu de lá com os três pontos que praticamente lhe garantiriam a realização do milagre de escapar do rebaixamento depois de estar tão encalacrado no Z-4. Sofreu o gol de empate, após virar o jogo para 2 a 1 e ver o rival com um a menos e, por isso, sua torcida terminou a partida com um gosto de derrota na boca.

Mas, matematicamente, o resultado não foi de todo ruim. O Gigante da Colina está  na lanterna, mas agora a apenas quatro pontos do primeiro fora da área da degola (o Avaí) e tem, sim, totais condições de sair do buraco por suas próprias forças. O mais difícil já foi feito. Agora é só não patinar na reta final.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta Flamengo 0 x 1 Internacional

O ano acabou hoje, para o Flamengo. Ao ser derrotado, por 1 a 0, pelo Internacional, em pleno Maracanã (a quinta derrota, nas últimas seis rodadas!), o clube Mais Querido do Brasil viu se esfumaçarem os seus sonhos de ainda terminar entre os quatro primeiros colocados do Brasileirão e, assim, disputar a Libertadores do ano que vem.

Matematicamente, essa possibilidade ainda existe (afinal, são cinco pontos que o separam do Santos, atual quarto colocado e ainda faltam sete rodadas) mas, na prática, quem conhece futebol sabe que as chances rubro-negras acabaram. Entre o time da Vila Belmiro e o da Gávea existem vários outros e para que o carioca chegasse ao G-4, precisaria de uma sequência espetacular de vitórias e de contar também com o fracasso de todos os que estão à sua frente. Na vida real, zero de possibilidade.

Se, ao menos, este ano, o Fla conseguiu ficar longe da zona do rebaixamento bem mais cedo, a temporada serviu também para comprovar que precisa de MUITOS reforços para 2015. O goleiro é fraco; a zaga, medonha e o meio-campo inexiste. Jogadores como César Martins, Pará, Márcio Araújo e Canteros jamais deveriam ter usado a camisa do clube. São horríveis! E se houver um mínimo de bom senso, estarão todos juntos na barca de dispensas, ao final do ano.

Outros, como Éverton, Paulinho, Gabriel e que tais não chegam a ser pernas-de-pau, mas são valores apenas medianos, para completar o elenco. Não podem ser titulares absolutos. E até como reservas de primeira linha são discutíveis. Jogadores vaga-lume; acendem e apagam. Mas apagam muito mais do que acendem.

Pra valer, num critério rigososo, o Fla pode dizer que tem três jogadores à altura de suas tradícões: Paolo Guerrero, Emerson Sheik (apesar das atitudes tresloucadas) e o promissor garoto Jorge. O resto é de mediano pra baixo.

Pelo que o presidente Eduardo Bandeira de Mello tem dito, no ano que vem, ainda tendo muita coisa pra pagar, os cofres deverão ter um bom alívio, com a entrada no Profut. É preciso que esse dinheiro seja muito bem aplicado. No futebol. Com contratações acertadas!

Aliás, quem foi que recusou o Nenê (que está quase salvando a pele do Vasco) e preferiu o Ederson (mais um manquitola trazido como craque)? Isso já não é mais nem caso de “dedo podre”, mas de cegueira, mesmo…

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado se revolta com o boicote da CBF à Liga Sul-Minas-Rio

 

Mudanças, já

A tentativa da CBF de agora boicotar a Liga Sul-Minas evidencia como o principal órgão do futebol brasileiro é retrógrado, político e precisa de mudanças drásticas. A começar por um presidente de verdade, porque o atual só tem como preocupação fugir do FBI.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado usa o Bagá para expressar seu descontentamento com o Flamengo

bruninho val flamengo (Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem)

Bruninho (esquerda) e Val foram apresentados pelo Flamengo em 17 de maio de 2013

(Foto: Alexandre Vidal/Fla Imagem)

 

Como sabem todos os que leem esta coluna, Bagá é ciclotímico. Vai da euforia à depressão de uma rodada pra outra, intercaladas, naturalmente, por ataques de fúria avassaladora, no período posterior às derrotas. E como, nos últimos jogos, elas têm sido bem constantes (foram cinco, sem seis rodadas!) dá pra imaginar o humor da fera, quando a encontrei, ontem, espantando pardais a urros, na Praça General Osório.

Bramindo, com fúria, o formidando crioulo fuzilou, tão logo me viu atravessar a rua Jangadeiros:

– Chefia, o Oswaldinho “cristovou”?

E agora? Dizer o que? Após um começo estupendo, com seis vitórias em seis jogos, o Flamengo de Oswaldo já perdeu cinco das últimas seis partidas. E, pode-se dizer, deu adeus às chances de conquistar uma vaga na Libertadores, possibilidade aberta, exatamente, pela surpreendente sequência de triunfos, depois que o novo treinador substituiu Cristóvão:

– Calma, Bagá! A coisa parece ter desandado, mas é preciso paciência e confiança pois o Oswaldo tem condições de fazer um bom trabalho no ano que vem – argumentei.

Pra que? Minha tentativa de acalmar a besta-fera só fez enfurece-la ainda mais:

– Como esse elenco molambento e baladeiro? Nem que seja mágico. Treinamos 10 dias pra levar duas lambadas seguidas, chefia. Também, quando o time alinhou pra ouvir o hino, antes do jogo com o Inter e eu vi, lado a lado, César Martins, Canteros, Márcio Araújo e Pará, percebi logo o que viria pela frente. É muito perna-de-pau junto. Esses quatro têm que comandar a “barca” de dispensas no fim do ano. São horrorosos. Jogando com eles, simplesmente, não dá pra sonhar com um time que preste.

Apesar de meu espírito pacifista. Estava ficando difícil discordar do gigante de ébano. E ele, sem me dar tempo de pensar, prosseguiu sua cantilena:

– No duro, no duro, deveriam ficar apenas o Guerrero, o Jorge e o Emerson, que aliás precisa ser colocado nos eixos pra deixar de tomar cartão amarelo em todos os jogos. O resto, vou te dizer, é fraco. Claro, tem alguns, como o Éverton, o Allan Patrick, o Paulinho, o Cirino, o Samir, talvez o Gabriel e mais um ou outro que, se estiverem bem acompanhados e entenderem que futebol é pra ser levado a sério e não vivido na gandaia, podem até ficar no grupo. Mas se for pra continuar no bagaço, como vários deles andam, melhor botar todos na rua! – rosnou.

Bagá anda inconformado, também, com o critério de contratações do Mais Querido:

– Quem é que escolhe os jogadores que vão ser contratados? O Stevie Wonder ou o Ray Charles? Porque o cara é cego, chefia. O Nenê estava dando sopa no mercado e preferiram o Ederson, que é mais um camisa dez de enfermaria! O que faz o Rodrigo Caetano nessa hora? Não é função dele mapear bem o mercado e apontar as melhores escolhas? É muita bola fora!

Com a provável reeleição de Bandeira de Mello (que está disparado em todas as pesquisas), o furibundo torcedor espera que a escolha do futuro vice-presidente de futebol seja especialmente bem feita:

– O tal do Biscotto pode ser gente boa e coisa e tal, mas não tem cacife pra segurar esse foguete. O Mengo precisa de um cara forte, que bata de frente com os adversários, seja do ramo e conheça bem as manhas e manias dos jogadores. Um Domingo Bosco moderno. Senão é engolido por eles, como tem acontecido com todos os que passaram por lá nos últimos três anos.

Como eu já nem argumentava, diante das palavras enraivecidas, mas prenhes de razão, Bagá resolveu se despedir, dando a sua fórmula de transformar o pesadelo em sonho, na próxima rodada:

– Chefia, não vamos pra “Liberta”, mas podemos, pelo menos, nos despedir com dignidade, carimbando a faixa do Timão, lá dentro de Itaquera, né? Já pensou, que beleza? Um a zero, gol do Guerrero! Ia ser uma despedida e tanto. Depois, podia dar férias pra todo mundo, avisando a maior parte desses perebas que nem precisavam voltar no ano que vem. Mengôôôô!

E lá se foi o ciclope, balançando a pança e rindo da própria piada, por acreditar que, apesar dos pesares, o Flamengo é até capaz de aprontar diante do virtual campeão brasileiro. Sonhar, não custa nada, não é Bagá?

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015

Renato Maurício Prado comenta Fluminense 2 x 1 Palmeiras pela Copa do Brasil 2015

Marcos Junior gol - Fluminense x Palmeiras (Foto: André Durão / GloboEsporte.com)

 

O Fluminense fez um excelente primeiro tempo, abriu 2 a 0, no placar (Marcos Júnior e Gum), mas foi para o vestiário preocupado. Num dos últimos lances, antes do intervalo, Fred sofreu uma contusão aparentemente séria e teve que sair de maca do gramado, com torções no tornozelo e no joelho esquerdos. Desfalque preocupante que poderia acabar influenciando no desenrolar da partida. Como, de fato, influenciou.

O Palmeiras voltou melhor (Marcelo Oliveira deslocou Zé Roberto para o meio-campo e colocou Egídio na lateral), passou a dominar as ações e o seu gol acabou saindo, num pênalti infantil de Gum no jogador mais veterano em campo. O próprio Zé Roberto bateu e diminuiu a diferença para 2 a 1. Daí até o final, a pressão maior foi sempre dos paulistas, mas o placar não se modificou (os dois times tiveram gols anulados por impedimento). Com o resultado, o Flu se classificará para a final da Copa do Brasil com um empate no Allianz Parque, na próxima quarta-feira. Mas basta ao Palmeiras uma vitória por 1 a 0, para ficar com a vaga.

A provável ausência de Fred complica ainda mais a situação tricolor. É verdade que os jovens Marcos Júnior, Gustavo Scarpa e Vinícius têm jogado muito bem a Copa do Brasil e podem garantir ao tricolor um ataque insinuante em São Paulo. Mas Fred é sempre a principal referência e aquele que decide na hora H – vide o gol na Arena do Grêmio, na etapa anterior, e a cabeçada mortal, no lance do primeiro gol, diante do Palmeiras, feito por Marcos Júnior, no rebote.

Eduardo Baptista terá que quebrar a cabeça para arrumar uma forma de armar o time sem o seu principal craque. O veteraníssimo Magno Alves, que o substituiu esta noite, nem de longe parece capaz de cumprir com êxito tal tarefa. A missão do Flu continua a ser difícil. Mas não é impossível.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 24 de outubro de 2015