Letargia, recessão ou acordo; qual dos três move o Fox Sports?

O Fox Sports é o canal esportivo do grupo de Rupert Murdoch. No Brasil, surgiu como um furacão. Pressionou as operadoras a colocá-lo no line-up tirando da Globo uma arma poderosíssima: a Taça Libertadores da América.

Em paralelo, conseguiu tirar da ESPN os direitos sobre a Serie A, primeira divisão italiana, e dividiu com a co-irmã da Disney os direitos da Premier League, a divisão de elite inglesa.

Tomou para si os “torneos” Apertura e Clausura, do Campeonato Argentino, e praticamente obrigou as operadoras a lhe concederem um lugar nos seus pacotes.

 Letargia, recessão ou acordo; qual dos três move o Fox Sports?

Um ano se passou, a Fox acordou com a Globo uma divisão de direitos que lhe garantiu a Copa do Brasil, reprises do Brasileiro, duas Copas do Mundo e a Olimpíada do Rio de Janeiro em troca da cessão de jogos da Copa Libertadores e da Copa Sulamericana.

Então, novamente a Fox Sports veio a público lutar contra as operadoras. O motivo? A inclusão de seu segundo canal nos pacotes esportivos. Nascia o Fox Sports 2.

O trunfo da vez era bem mais modesto. Os principais jogos do Campeonato Argentino, o programa “Fox Sports Rádio”, partidas de clubes pontuais na Libertadores e as etapas das três divisões da NASCAR.

Ainda que não tivesse um cartel tão expressivo, o Fox Sports 2 entrou no line-up das operadoras com relativa facilidade, considerando a demora para a entrada do primeiro canal.

Mais um ano se passou e nova ofensiva dos Murdoch: contratou os comentaristas Mauro Betting, Paulo Vinícius Coelho (PVC) e o narrador Nivaldo Prieto. Nomes de alto gabarito e prestígio no mundo esportivo. Além disso, anunciou a aquisição dos direitos exclusivos em diversos países para a exploração da Bundesliga, o Campeonato Alemão.

Como troco, fechou as compras dos campeonatos Escocês e Belga, ambos de menor expressão, mas que compunham bem o cardápio da emissora.

Em uma tacada de gênio, acertou com a ESPN uma combinação de transmissões entre Bundesliga, Serie A, La Liga (Campeonato Espanhol) e Europa League, além das transmissões já compartilhadas da Premier League.

Tudo ia muito bem até que foi anunciada a concorrência para as próximas três temporadas do Campeonato Inglêsa. ESPN e Esporte Interativo (esportivo da Turner que pena para entrar nas principais operadoras) se degladiaram pelos direitos, com a imprensa noticiando que, por trás da oferta do canal da Disney estava um aporte financeiro do grupo Fox, para a manutenção do esquema de transmissões.

A surpresa quando a ESPN divulgou exclusividade nas transmissões do torneio foi grande. E outra disputa estava a caminho: os direitos pelo Campeonato Paulista de 2016. Novamente Globo, Turner e Disney partiram para o ataque, com a Fox mantendo-se distante.

Também está sendo assim com os direitos da Liga Sul-Minas-Rio (ou Primeira Liga, como disse o CEO Alexandre Kalil ao próprio Fox Sports), com ESPN, Esporte Interativo e SporTV se engalfinhando e o Fox Sports mantendo-se à margem.

A emissora, que surpreendeu a todos nos últimos três anos com novidades e postura agressiva, mantém-se misteriosamente calada desde então. A saída da Premier League e a não disputa por outros eventos de primeiro escalão podem fazer um estrago na audiência da emissora.

A Bundesliga nem de longe se equipara à primeira divisão inglesa, o Italiano já não tem o brilho de outrora e o Argentino, convenhamos, é brigado, e só!

O Fox Sports, que abriu no dia 12 três faixas ao vivo com programas de nome sugestivo (“Bom Dia”, “Boa Tarde” e “Boa Noite Fox”, algo tão original quanto os “Bom Dia”, “Boa Tarde” e “Boa Noite Copa”), corre o risco de não ter muitos campeonatos fortes para rechear a programação.

Alguns alimentam a expectativa de um acordo com o Esporte Interativo pela transmissão da Liga dos Campeões da Europa, algo improvável, uma vez que o próprio Esporte Interativo ainda não reuniu forças para entrar no mundo da TV paga.

É nebuloso o 2016 das transmissões esportivas na TV paga brasileira. Muita coisa pode acontecer – ou nada pode acontecer. Seria a suposta letargia do Fox Sports um prenúncio de uma grande surpresa a ser anunciada? Seria um acordo com a Globo para não interferir no futebol nacional, propriedade privada da emissora desde os tempos da da ditadura? Seria realmente uma acomodação após dividir a vice-liderança com os canais da Disney? Só o tempo poderá dizer.
Apaixonado por televisão, Helder Vendramini pesquisa e estuda esse meio há vários anos e é formado no curso de Rádio e TV. Aqui no site, busca fazer análises aprofundadas dos mais variados temas que envolvem a nossa telinha.

 

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