Venezuela expropria armazéns de alimentos de empresas privadas

Tropas bolivarianas invadiram depósitos da empresa local de alimentos chamada Polar e das multinacionais Cargill, Nestlé e Pepsi. Até chavistas protestaram contra a invasão

31/07/2015 às 08:27 – Atualizado em 31/07/2015 às 11:53

Soldado da Guarda Nacional Bolivariana em um dos armazéns expropriados
Soldado da Guarda Nacional Bolivariana em um dos armazéns expropriados
(Carlos Garcia Rawlins/VEJA)

Tropas venezuelanas ocuparam nesta quinta-feira um complexo de armazéns em Caracas utilizado pela gigante local de alimentos chamada Empresas Polar e pelas multinacionais Cargill, Nestlé e Pepsi. O movimento de ocupação acontece depois de meses de acusações do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, de que a Polar, maior empregadora privada do país, está trabalhando para sabotar a economia.

A decisão de Maduro, que despertou a rejeição dos grupos de oposição e de trabalhadores, incluindo muitos chavistas, ocorre em plena campanha para as eleições parlamentares, marcadas para 6 de dezembro. As pesquisas mostram que o chavismo pode, pela primeira vez em muitos anos, perder o controle da Assembleia Nacional. Uma devastadora crise econômica, com uma aguda escassez de bens essenciais e inflação de 100% nos últimos doze meses, contribui para o esfarelamento da popularidade de Maduro.

Cerca de 50 funcionários protestaram dentro do complexo, localizado num bairro pobre no oeste de Caracas. “Se nós não trabalhamos, nós não comemos”, disse Carlos Muñoz, motorista de caminhão, de 43 anos, um funcionário terceirizado da Polar. Ele transporta comida e bebida do armazém para lojas e distribuidoras. “Não há comida na Venezuela e agora eles fazem isso! Como as pessoas vão comer?”, completou.

Funcionários disseram que dezenas de soldados da Guarda Nacional e da polícia tomaram os armazéns e agora controlam a entrada e saída de pessoas e bens. Pichações contra a ocupação nas paredes próximas do complexo diziam “Não à expropriação” e “A Venezuela passa fome”.

Não é a primeira vez que o governo expropria armazéns de distribuição de alimentos. O antecessor de Maduro, Hugo Chávez, expropriou vários depósitos da Polar argumentando que o espaço deveria ser usado para construir casas para os pobres.

(Da redação)

VEJA.COM

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