Renato Maurício Prado comenta noite infeliz de Neymar contra a Colômbia

Neymar jogou mal. Muito mal. Fez, talvez, a sua pior partida desde que o vi, pela primeira vez, ainda garoto, estrear no profissional do Santos. Não acertou absolutamente nada. E demonstrou um desequilíbrio nervoso que acabou provocando o cartão amarelo e, posteriormente, o vermelho. Isto posto, vem a pergunta: deixou de ser craque por causa disso? De ser, disparado, o melhor do Brasil.

Como é característico, na grande rede, mal acabou a partida contra a Colômbia (derrota justa, por 1 a 0), o moicano foi desancado sem dó nem piedade. “Produto da mídia” (esse é um dos argumentos mais estúpidos que leio e ouço, regularmente), “mascarado”, “não joga nem dez por cento do que pensa que joga”, “não pode ser o capitão do time” etc, etc. A internet, como de hábito, é cheia de “sábios” donos da verdade. Na maioria das vezes, mal educados, ignorantes e raivosos. Lorpas e pascácios diria Nélson Rodrigues.

Ora bolas, até Pelé teve o seu dia de cabeça de bagre. Por que com Neymar seria diferente? Ainda mais sendo obrigado a jogar pelo time inteiro, uma vez que seus companheiros estão a anos-luz dos craques que rodeavam o Rei.

Não estou fazendo comparações, nem as acho justas a essa altura do campeonato. Pelé, como bem dizia Waldir Amaral, é o “Deus de todos os estádios”. Paira acima de todos (Maradona e Messi, incluídos). Mas se a divinidade pode falhar, os pobres mortais também não?

Gostem ou não de Neymar, ele é o nosso único fora de série. Quem afirma o contrário, que me desculpe, mas não sabe rigorosamente nada de futebol. Basta lembrar muitas de suas atuações no Santos (inclusive na conquista da Libertadores) e, agora, no Barcelona, onde foi um dos protagonistas na conquista da Liga dos Campeões.

A triste verdade é que nós, brasileiros, adoramos transformar nossos próprios ídolos em judas e, ao primeiro tropeço, tratamos de malhá-los com fúria e rancor. No fundo, com inveja de tudo que eles conquistaram e está absolutamente fora do alcance no mundo das pessoas normais.

No atual estágio do futebol sul-americano, nunca uma classificação para a Copa do Mundo se apresentou tão difícil. Neymar é a nossa única esperança. Acho bom que todos reflitam a respeito e o apoiem, ou se preparem para assistir, pela primeira vez na história, um Mundial sem o Brasil.

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 19/06/2015

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