Renato Maurício Prado comenta a faxina moral na qual a FIFA precisa passar

 

Desde a época de Havelange, o esquema de poder da Fifa é mais ou menos o mesmo. O brasileiro incluiu os países da África na Copa e, aumentando os finalistas de 16 para 24, ganhou os seus votos e desequilibrou uma balança que, até então, pendia para os europeus. Blatter, que foi seu secretário-geral, engordou ainda mais essa conta, levando o número a 32. E, por isso, reinava até agora.

O gigantesco esquema de corrupção na escolha das sedes dos Mundiais botou tudo por terra. Não sejamos ingênuos. Propinas sempre existiram. Mas, nos últimos anos, com o crescimento vertiginoso das cifras no negócio, a coisa tomou um vulto assustador — basta ver o número de gigantescas fortunas feitas a partir de negócios paralelos, como é o caso exemplar de J. Hawilla, réu confesso e delator do esquema de corrupção que assola o mundo do futebol.

Limpar toda essa sujeira não vai ser tão simples como pode parecer à primeira vista, com as prisões feitas na Suíça e a renúncia de Blatter. Se for feita uma apuração, de fato, rigorosa, pouca gente vai sobrar na Fifa e nas principais confederações pelo mundo afora — CBF inclusive.

Não basta mudar o presidente, é necessário uma faxina completa. E quem terá condições de fazê-la?

 

 

Renato Maurício Prado – O GLOBO – 12/06/2015

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