Falso talk show engana artistas e arranca confissão de Calabresa

Dani Calabresa e Antônio Tabet em gravação do Show do Kibe, talk show que estreia neste domingo
Por DANIEL CASTRO, em 11/04/2015 · Atualizado às 19h55

Estreia deste domingo (12) à meia-noite no canal TBS, o Show do Kibe é um falso talk show. Falso porque engana os entrevistados. Os convidados dão uma primeira entrevista para Antônio Tabet, o Kibe Loco, enquanto “eletricistas” fazem os últimos ajustes, “maquiadores” passam em frente à câmera e um “diretor” dá orientações estranhas, tenta combinar respostas. Em seguida, há uma segunda gravação, mais curta, mas a que vale mesmo é a primeira, toda “tosca”.

Foi assim, fingindo que era só um ensaio, que Tabet conseguiu arrancar de Marco Luque que o show de stand up de Rafael Cortez é um lixo. Já Dani Calabresa, ainda na bancada do CQC na época da gravação, em outubro passado, afirmou que tinha “errado no jogo da vida” ao ter escolhido ir para a Band, no final de 2012, e não para a Globo _dois meses depois, ela deu uma “cartada certa” e entrou para o elenco do novo Zorra.

“Se fosse um talk show tradicional, eles [os convidados] não falariam o que falaram”, justifica Tabet, integrante do grupo Porta dos Fundos. “Nas gravações, tem gente que é personagem o tempo todo, como a Dani Calabresa, mas o Marcos Mion foi muito diferente quando pensava que a gravação não estava valendo”, diz.

Segundo o apresentador, só humoristas mais próximos dele, como Clarice Falcão e Fábio Porchat, perceberam que era a “falsa” gravação que valia. Todos só foram comunicados do segredo do formato após encerrada a participação, mas ninguém reclamou ou pediu para cortar alguma fala que poderia trazer aborrecimentos. Todos os 13 episódios foram gravados no ano passado. Ou seja, ninguém conhecia previamente a pegadinha do formato.

O próprio Tabet considera o Show do Kibe um falso talk show, um programa que se apropria das entrevistas e até do cenário com vista urbana ao fundo para fazer rir. Todos os convidados são comediantes ou têm um pé no humor _como Miá Mello, Diogo Portugal, o grupo Os Barbixas e, por que não, o locutor Silvio Luiz. “A ideia era fazer um programa que falasse de humor, só com comediantes, e que desconstruísse o formato do talk show tradicional, que fosse todo armado, roteirizado”, conceitua Tabet.

Além do próprio Tabet, que faz algumas perguntas desconcertantes, chama a atenção no programa o ator Daniel Furlan, ex-MTV. Ele interpreta um diretor, que aparece em cena para pedir, por exemplo, que Marco Luque, o convidado da estreia, responda que nasceu em Ivaiporã, no Paraná, e não no Ipiranga, em São Paulo, porque isso já está no texto de apresentação. Furlan tem a função de desconcentrar o entrevistado durante a “falsa” entrevista, a que vale. Para completar o cenário nonsense, um contrarregra oferece água em copo descartável e a banda surge toda fantasiada de animais _e não toca nada.

O Show do Kibe informa e diverte. Pena que o formato dificilmente sobreviva a uma segunda temporada, porque os entrevistados já saberão que a falsa entrevista é a verdadeira.

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