Globo 50 anos: O crescimento da emissora ao longo das décadas

A Rede Globo, maior emissora de televisão do Brasil, da América Latina e uma das cinco maiores do mundo, comemora no próximo dia 26 seu aniversário de 50 anos.

Líder de audiência incontestável, em todos os horários, faixas, praças e nos principais indicadores de interesse do mercado comercial, a emissora foi fundada por Roberto Marinho – falecido em 2003 -, e faz parte do cotidiano de mais de 150 milhões de brasileiros todos dos dias através de suas novelas, jornalísticos, atrações esportivas ou de entretenimento.

Para comemorar esta marca, o NaTelinha prepara uma série de reportagens que irão retomar os principais momentos da Globo ao longo destes 50 anos. No decorrer do mês de abril, cada semana terá uma abordagem: crescimento como um todo, novelas, jornais, esportes e entretenimento.

Anos 60

Ainda que fundada em 1965, a Globo tem uma pré-história de pelo menos mais 15 anos. Foi no início dos anos 50 em que a Rádio Globo, também fundada por Roberto Marinho e com suas transmissões iniciadas em 1944, ingressou com um pedido de concessão para TV. Tal liberação só veio a ocorrer no fim dos anos 50, para inauguração em 1965.

A Globo não foi pioneira na TV no Brasil. Em 1965, por exemplo, a TV Excelsior já estava em operação, ainda que em tempos não muito confortáveis. A TV Tupi, existente desde 1950; a TV Cultura, de 1960; e a TV Record, de 1953, já estavam no mercado. Shows, jornais, humorísticos e novelas, por exemplo, não eram novidades, ainda que a forma pela qual a Globo trabalhasse tais pilares tenha sido um diferencial para levá-la à liderança de audiência.

Sediada no Rio de Janeiro, mais precisamente no bairro do Jardim Botânico, a Globo abriu sua grade com o infantil “Uni Duni Tê”. Logo no mesmo dia em que foi inaugurada, a emissora também estreou sua primeira novela – “Ilusões Perdidas”. O texto foi assinado por Enia Petri. Estavam no elenco nomes que até hoje são contratados do canal, como Reginaldo Faria e Osmar Prado. Leila Diniz, Norma Blum e Emiliano Queiroz eram outros dos atores de destaque. O jornalismo, por sua vez, era representado pelo “Tele Globo”, que anos mais tarde cederia espaço ao “Jornal Nacional”.

Um dos primeiros marcos da Globo como emissora de TV se deu em janeiro de 1966, quando uma chuva castigou o Rio de Janeiro, deixando mais de 100 mortos e cerca de 20 mil desabrigados. O canal realizou uma cobertura ao vivo, mobilizando repórteres e colaboradores, além de ter trabalhado para arrecadar donativos.

Os últimos anos da década de 60 foram marcados pela chegada a São Paulo, por meio da compra da TV Paulista, e Belo Horizonte, além do “Jornal Nacional” – o primeiro informativo exibido em rede nacional. Na época, a veiculação ocorria às 19h45 – 45 minutos antes dos dias atuais. Cid Moreira, até hoje contratado da Globo, e Hilton Gomes foram os primeiros âncoras.

Outro fato marcante nos anos 60 da Globo foi a suposta participação da empresa norte-americana Time Life nas ações da emissora, o que é considerado ilegal pela Constituição Brasileira. Na nossa legislação, é vedada a participação de capital estrangeiro na gestão ou na propriedade de empresas de comunicação daqui.

Dois meses após a inauguração da Globo, Carlos Lacerda denunciou o canal pelas supostas ligações com o grupo estrangeiro. Houve inclusive campanhas, as quais partiram também de grupos de comunicação concorrentes. Um processo foi instaurado no mesmo ano para que o caso fosse investigado. Uma CPI chegou a ser solicitada e Roberto Marinho, na condição de presidente das Organizações Globo, teve que depor.

Na época, Marinho relatou que sempre respeitou a legislação e explicou que a Globo possuía dois tipos de contratos com a Time-Life: um de assistência técnica e uma conta de participação.

Foi explicado que, devido à falta de know-how e inexperiência que a Globo tinha em seus primórdios, a NBC e a Time-Life procuraram o canal para uma espécie de consultoria. A Time-Life foi a empresa escolhida e os dois contratos foram firmados: o de assistência técnica e o segundo de participação, o qual foi justificado como um contrato de join-venture – uma associação de empresas não definitiva, mas sem conceder direitos de direção ou propriedade. O contrato de participação, no entanto, nunca chegou a entrar em vigor segundo Marinho. O único acordo que, de fato, se praticou foi o de assistência técnica.

Em 1967, por fim, ficou esclarecido que não havia sociedade alguma entre a Globo e a Time-Life. A emissora carioca finalmente foi legalizada. Ainda assim, Roberto Marinho decidiu por extinguir o contrato de assistência técnica e ressarciu a Time-Life pelos valores desembolsados. Tal rompimento exigiu de Marinho uma série de empréstimos em bancos nacionais e a penhora de todos os seus bens pessoais.

Anos 70

No ano de 1974, o “Jornal Nacional” começou a ser transmitido em cores. Ainda no mesmo ano, Roberto Carlos ganhou seu primeiro especial de fim de ano – tradição a qual se mantém até os dias atuais. Os anos 70, como um todo, foram marcados por avanços tecnológicos que permitiram que a Globo pudesse exibir sua programação simultaneamente para todo o país. Novos jornalísticos, como o “Hoje”, “Fantástico” e “Globo Repórter”, foram criados. Os três seguem no ar até hoje, atravessando gerações e com uma sólida identificação com o telespectador brasileiro.

Também foi nos anos 70 em que a Globo começou a desenhar seu padrão de qualidade e sua grade de programação como um modelo único e que se manteria no ar por décadas e décadas. O famoso “sanduíche” marcado por novela seguida de jornal, outra novela, mais um jornal e por fim outra novela – sendo esta última a das “oito” -, foi implantado naquela época e se mantém atualmente. Por mais que as novelas e que os próprios jornais tenham mudado e que seus horários também tenham sofrido alterações, as quais foram alinhadas com as mudanças de comportamento do telespectador brasileiro, o tal desenho de programação jamais foi alterado.

A profissionalização da Globo foi ainda mais marcante nas novelas. No fim dos anos 60, por exemplo, Janete Clair (foto/acima) estreou “Sangue e Areia”, com direção de Daniel Filho – que também até hoje é ligado ao canal, ainda que tenha optado por ter sua própria produtora e não seja mais tão atuante como foi nesta época. Janete despontou como uma das principais autoras de novelas do Brasil.

Os anos 70 foram responsáveis por revelar ou projetar a carreira de vários outros nomes, como os autores Walther Negrão, Lauro César Muniz, Benedito Ruy Barbosa e Gilberto Braga – hoje autor de “Babilônia” -, diretores como Herval Rossano, Walter Avancini, Dennis Carvalho, Reynaldo Boury, Gonzaga Blota, e atores como Tarcísio Meira, Glória Menezes, Juca de Oliveira, Nívea Maria, Ary Fontoura, Francisco Cuoco, Elizabeth Savalla, Tony Ramos, Lima Duarte e Milton Gonçalves  – todos ainda na Globo.

O famoso logotipo da emissora, com uma esfera menor dentro de um retângulo, que por sua vez está inserido em outra esfera, também é um legado dos anos 70. Tal identidade foi criada em 1975 e foi modificada dezenas de vezes de lá para cá, mas nunca deixando de representar tal conceito.

Por fim, um fator pouco lembrado mas que faz parte da memória da Globo – e em específico entre os anos 60 e 70 -, foi a presença de Silvio Santos na grade. Silvio trabalhava para a TV Paulista, porém com a aquisição feita pela Globo, migrou para o canal que viria a ser seu concorrente anos depois. O sistema de pagamentos era como uma locação de horário, algo que é comum até hoje.

Silvio sorteava prêmios, móveis, eletrodomésticos e fazia sucesso com uma atração dominical. No entanto, com a implantação do famoso padrão de qualidade, o animador perdeu força e sua presença na grade deixou de ser bem vista. Ele inclusive chegou a trabalhar diretamente para Roberto Marinho, mas anos mais tarde deixou a emissora e fundou o SBT.

Anos 80

Os anos 80 foram marcados pela consolidação da Globo como líder de audiência. A maioria de suas concorrentes dos anos 60 haviam desaparecido ou perdido força, como a Excelsior, Tupi e a própria Record. A chegada do SBT e o fortalecimento da Manchete, por outro lado, não permitiram que o canal se acomodasse por completo.

O SBT, inaugurado em 1981, não se apresentava como um concorrente direto, afinal Silvio Santos não tinha o desejo de ingressar no mercado em que a Globo havia se fortalecido – como novelas, esportes e jornalismo. Silvio, por outro lado, atuou forte na importação de formatos e conteúdos do exterior – prática a qual se mantém até hoje. O SBT, por diversas vezes, desbancou a Globo com produtos os quais ela jamais exibiria por conta de seu padrão de qualidade.

A flexibilidade da programação do SBT permitia que Silvio ousasse e surpreendesse, ainda que seu foco fosse em programas de auditório e nos famosos enlatados.

A Manchete, por outro lado, foi inaugurada em 1983 e, ainda que nunca tivesse se posicionado como uma ameaça real à Globo, foi a que mais incomodou. Foram nos anos 80 que diretores como Jayme Monjardim, Herval Rossano, e autores como Manoel Carlos, Glória Perez e Benedito Ruy Barbosa trocaram de canal e ingressaram na concorrente, que planejava implantar um núcleo de dramaturgia à altura da emissora da família Marinho.

Apesar das ameaças, a Globo tinha a seu favor uma rede de filiadas e afiliadas sólida e crescente. Seu time artístico também estava fortalecido. Apesar das baixas, o canal ainda tinha na dramaturgia autores como Aguinaldo Silva, Gilberto Braga, Janete Clair, Dias Gomes e diretores como Walter Avancini, Dennis Carvalho e Roberto Talma. Em paralelo a isso, uma nova safra de nomes na dramaturgia começava a surgir, como o diretor Ricardo Waddington, que com apenas 25 anos começou a dirigir novelas e hoje é um dos mais influentes e importante diretores da dramaturgia.

A Globo também passou a se profissionalizar na cobertura de grandes eventos, como a Copa do Mundo de 1982 e de 1986, e nas Olimpíadas de 80, 84 e 88.

Também foi nos anos 80 que a Globo, devido ao seu porte, começou a sofrer por conta do que havia se tornado. A associação feita pela sociedade ao canal ser ligado à Ditadura, por exemplo, ficou extremamente evidente nas Diretas Já.

Manifestações ocorriam por todo o Brasil pedindo pelo voto direto, porém a cobertura da Globo não estava à altura da proporção que a causa exigia. Havia cobertura nos jornais locais, mas Roberto Marinho vetou que jornais de rede abordassem a ida do povo às ruas.

A Globo se defendeu alegando que na época era muito forte a pressão de ministros e generais. O governo militar exigia que a emissora ignorasse as manifestações sob pena de cancelamento da concessão.

Outro fato que, de certa forma, também abalou a credibilidade da Globo foi o debate entre Collor e Lula na primeira eleição presidencial de voto direto após 29 anos. A emissora foi acusada de favorecer Collor e uma ação chegou a ser movida no TSE, o Tribunal Superior Eleitoral. A revolta havia sido tamanha que atores da Globo chegaram a se unir a demais manifestantes em um protesto realizado na frente da sede da TV. Desde lá, a Globo mudou a forma de produção e exibição de debates eleitorais, eliminando qualquer possibilidade de edição no reaproveitamento do conteúdo nos noticiários.

A história da emissora nos anos 90, 2000 e 2010 você confere nesta quarta-feira (08) aqui no NaTelinha. Fique ligado!

 

 NaTelinha

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