A mania de culpar CBF e federações pelo mal do futebol brasileiro

No Brasil, temos a mania de culpar os políticos pela corrupção que acontece no País. Como se só eles cometessem atos de corrupção. No futebol, não é diferente. CBF e Federações são as vilãs.

Na última sexta-feira, o até então presidente do Corinthians, Mário Gobbi (houve eleição no dia seguinte e o candidato dele foi escolhido, Roberto de Andrade), em uma entrevista histórica,surpreendeu a todos com um discurso duro, populista e realista.

Ele garantiu que se a Federação Paulista não permitisse a venda de ingressos para o Corinthians, o time não entraria em campo no clássico diante do Palmeiras. 20 minutos depois, a FPF recuou e aceitou a exigência do maior clube do Estado de São Paulo.

Foi o gancho para muitos afirmarem que CBF e Federações não têm peito para impor nada aos clubes e que já está passando da hora de haver a criação de uma Liga, com os times tomando conta do futebol, e a CBF cuidando apenas da Seleção Brasileira.

Sem querer tirar a culpa das federações e da CBF, que acabam trocando, muitas vezes os pés pelas mãos, mas qual a moral (no sentido real da palavra), a ética e o poder financeiro para os clubes pelo menos levantarem o dedo para sugerirem a criação de uma liga?

Só os 12 maiores clubes do Brasil (Atlético/MG, Cruzeiro, Inter, Grêmio, Flamengo, Vasco, Botafogo, Fluminense, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos) juntos, devem quase R$ 3 bilhões (três bilhões de reais) à União. Não declara R$ 100 à Receita Federal para tu ver o que acontece!

Não vou entrar nem na seara das dívidas trabalhistas. Onde a irresponsabilidade financeira e principalmente a falta de planejamento reina há décadas. Se não bastasse, praticamente todos os anos, vários desses clubes conseguem de maneira insaciável aumentar suas respectivas dívidas, sem nenhuma punição.

São esses aí, que vão estar à frente da Liga Nacional de Clubes. Que vão cuidar do futebol brasileiro?

O grande problema é que a CBF e as federações viraram o nosso salvo-conduto de tudo que é ruim no futebol brasileiro.

Se o futebol padece, a culpa é delas. 7×1 para a Alemanha? CBF que nunca olhou para as categorias de base. Pouco público nos estádios? CBF ou Federação que não sabem fazer um calendário adequado. Briga de torcedores nos Estádios? Retrato do futebol brasileiro comandando por entidades que têm dirigentes se perpetuando no poder. Jogo às 10 horas da noite? CBF e federações que viram reféns e se vendem para a TV.

Aí, eu pergunto: E quem são essas pessoas que comandam a CBF e as federações? De onde elas vêm? Quem as escolhem?

São os próprios clubes que escolhem os presidentes das respectivas entidades. Por interesse, politicagem ou até por birra mesmo, os dirigentes dos times se esforçam para que a conjuntura do futebol siga sem alterações.

CBF, federações e clubes estão no mesmo barco, com raras exceções, alguns pulam fora e desistem ou até mesmo gritam, mas são abafados pela esmagadora maioria. Os que permanecem gostam de navegar em águas calmas, com todo o conforto e luxo de um grande navio.

Então, o que pode ser feito? Só os jogadores podem mudar essa situação. São também por eles que o futebol existe e é apaixonante. Mas assim como em outras profissões, assim como na política, para modificar esse cenário é necessário virar refém de tubarões, ceder, engolir sapos e sofrer grandes consequências.

O Bom Senso FC foi o primeiro passo de uma verdadeira revolução, mas o silêncio da maioria é o que preocupa. Talvez precisasse só de 10, daqueles que já saíram de cena ou não precisam de tapinhas nas costas: Pelé, Zico, Rivelino, Ronaldo, Falcão, Romário, Neymar, Hulk … pudessem ajudar.  O grito deles, juntos, daria um peso maior, traria um clamor maior.

Já imaginou, Paulo André, Alex, Pelé, Romário, Ronaldo, Falcão e Zico, juntos, numa coletiva de imprensa para exigir mudanças no futebol brasileiro?

Os pessimistas dirão: Sonha, Alice! Os realistas: Complicado demais. Os otimistas: Um dia, quem sabe!

“O futebol é o retrato do nosso País. Triste. Não tem educação, não tem cultura, não tem saúde, não tem justiça. O Estado é uma figura de ficção”, Mário Gobbi.

 

Blog do Mário Kempes – Diário do Nordeste – 12/02/2015

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