A polêmica das retiradas das cadeiras do PV e do Castelão

Exemplo era para ter sido dado, após o jogo Fortaleza 1×1 Macaé (Foto: Diário do Nordeste)

Em maio do ano passado, neste mesmo espaço, havia publicado a informação de que as administrações do Estádio Presidente Vargas e da Arena Castelão tinham o interesse em retirar as cadeiras dos setores, onde ficam localizadas as torcidas organizadas.

O tema voltou com maior intensidade, após a confirmação de que isso pode acontecer já na próxima semana, no 1º clássico-rei da temporada, que será realizado no Castelão.

Há dois aspectos que podemos analisar. E você decide em qual deles é a sua preferência.

O primeiro é de que com a retirada das cadeiras a vitória é da violência. Os vândalos conseguiram provocar o absurdo de não haver mais assentos em um estádio do futebol, com o receio de que pode haver quebra-quebra e prejuízo para clubes.

Se a moda pegar, o receio é de o vandalismo rumar para os banheiros, lanchonetes, portões de acesso, catracas… Pelo jeito tudo deverá ser retirado para evitar prejuízos.

Se não bastasse, esses vândalos não são detidos, nem identificados, muito menos presos e pior ainda a conta vai para o time de coração dele (se é que eles têm coração ou preferência por algum clube mesmo).

O segundo aspecto, no entanto, é o que as administrações dos estádios podem fazer?  Grêmio, Corinthians, clubes alemães fazem isso em seus respectivos estádios. Por que também não copiar?

Assassinatos, estupros e roubos, muitas vezes à luz do dia, em outros pontos de Fortaleza, com câmeras flagrando o rosto dos bandidos e até prisões são feitas, mesmo assim não impedem de acontecer novos crimes.

Não vamos longe. Na Bolívia, uma criança foi morta, após um integrante da torcida organizada do Corinthians jogar um sinalizador. O que foi feito? O autor do disparo escapou, acusaram 13 outros torcedores e nunca deu em P… nenhuma.

Mesmo assim, vamos lá. Exercitar a imaginação. Três vândalos são identificados pelas câmeras de segurança do Castelão ou do PV, ao quebrarem 15 cadeiras. Quando a Polícia fizer o cerco é capaz dos outros comparsas ajudarem na fuga. Mas não há problema, com muita eficiência e ajuda de todas pessoas de bem, os três são detidos.

Vão para a delegacia e vão responder por vandalismo. Está na Lei.

Código Penal: Artigo 163 – Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:
Pena – detenção, de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa.
Dano qualificado
Parágrafo único – Se o crime é cometido:
III – contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista;
Pena – detenção, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa, além da pena correspondente à violência.

Veja só, a Lei diz que o vândalo pode ficar preso por até três anos. Seria uma punição exemplar. Justa.

Então, se você é daqueles que acreditam que uma pessoa, por ter quebrado uma cadeira de um estádio de futebol, vai ser presa e pegar pelo menos um mês de prisão (não falei nem no mínimo que é seis, nem que o advogado do criminoso vai protelar a sentença do juiz etc), realmente você está mais do que certo em concordar com o primeiro aspecto.

Agora, se você é daqueles que acreditam na impunidade, na letargia da justiça e de que não se prende nem pune sequer assassinos, quanto mais um “torcedor de futebol”, é muito mais prudente retirar as cadeiras e evitar novos prejuízos.

Os organizadores e administradores do futebol cearense (Arena Castelão, FCF, Fortaleza, CBF, STJD) tiveram a grande chance de darem o exemplo, no episódio das cadeiras quebradas na partida Fortaleza 1×1 Macaé. O que foi feito?

Uma nota da gestora do Castelão informando que o que aconteceu foi “pequenos danos compatíveis com o porte do evento”. Quando se viu um grande quebra-quebra de cadeiras jamais visto na Arena.

O futebol brasileiro já levou de 7 dentro de campo e ficou completamente desorientado. Fora das quatro linhas, todos os dias nós levamos de 7.

 

Blog do Mário Kempes – Diário do Nordeste – 28/01/2015

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