Do tapetão à bancarrota, como a Portuguesa despencou até o fundo do poço

Clube tradicional de São Paulo e do Brasil, Portuguesa vive fundo do poço

“Mexeu a Lusa: Wanderson dá lugar para Heverton”. Foi assim, de forma despretensiosa, que o Twitter Oficial da Portuguesa anunciou a substituição, aos 32 minutos do segundo tempo daquele jogo contra o Grêmio. Oito de dezembro de 2013, última rodada do Brasileiro, em jogo que nada valia aos dois clubes na classificação final. Será que alguém imaginava que começava ali a maior crise da história de um dos mais queridos times de São Paulo?

Pois nesta terça-feira, 28 de outubro de 2014, ou 324 dias depois, a agremiação lusitana despencou à terceira divisão do futebol brasileiro pela primeira vez. Com uma vergonhosa participação de apenas três vitórias em 33 partidas disputadas ao longo da Série B, em campanha que não foi nem de longe o que de pior ocorreu com a Lusa nos últimos meses. Greve, problemas na Justiça, salários atrasados, ameaça de falência e até calote em hipnólogo marcaram o pior dos 94 anos de vida da Portuguesa. Coisas para se esquecer.

Voltando àquele 8 de dezembro, o Canindé estava em festa. Oras, a Portuguesa tinha garantido dentro de campo permanência na elite nacional. Alegria que durou pouco, após a denúncia de que Heverton tinha jogado de forma irregular contra o Grêmio. Como assim? Quem, de fato, errou em um dos episódios mais insólitos do futebol brasileiro? Até hoje ninguém soube explicar. A equipe rubro-verde brigou no STJD, mas de nada adiantou, afinal, um atleta foi realmente mandado a campo de forma irregular. A Lusa acabou punida em quatro pontos, livrou o Fluminense da degola e foi rebaixada.

O novo presidente Ilídio Lico assumiu diante de um clube devastado. A queda tirou da Portuguesa verbas essenciais, vitais para a sua sobrevivência. Time tradicionalmente sem grande torcida – ou seja, sem arrecadação de bilheteria significativa -, a Lusa perdeu em patrocínio e cotas de TV, e não foi pouco. Documentos obtidos pelo ESPN.com.br apontam que a equipe calcula em R$ 30 milhões o dano ocasionado pelo rebaixamento no tapetão. Quantia exorbitante para uma equipe mediana. “Prejuízos mortais” que empurraram a agremiação “à bancarrota”, conforme a papelada. Não era para menos.

A temporada 2014 foi um inferno. As ações na Justiça de dezenas de torcedores de nada adiantaram e só ajudaram a aumentar a crise Portuguesa-CBF. Sem dinheiro, sem arrecadação e sem clima na entidade, só restava ao time rubro-verde se reerguer dentro de campo, como sempre fez ao longo das décadas. Mas como fazer isso, se os salários atrasavam e “os desmandos e irresponsáveis atitudes administrativas e financeiras” de outras gestões jogavam a Lusa ao fundo do poço?

Gazeta Press

Na Série B, 3 vitórias em 33 jogos
Na Série B de 2014, 3 vitórias em 33 jogos

Antes da Série B, a agremiação ainda tentou, em vão, paralisar o torneio. E como se concentrar no futebol, se ações inexplicáveis começaram a surgir nos tribunais? Pois sobrou até processos por parte do próprio Heverton e do ex-presidente Manuel da Lupa por danos morais contra a Portuguesa. O mesmo mandatário que esteve à frente do clube no ano do rebaixamento e, atualmente, tem cotada a sua expulsão do Canindé por parte de vários conselheiros, conforme apuração do ESPN.com.br, revoltados com tudo o que ocorreu.

Fora acordos obscuros assinados com terceiros que só aumentavam o rombo financeiro. Alguns jogadores, acuados, começaram a sair com ajuda jurídica. A Portuguesa, que tinha feito campanha heróica no final do ano passado e se safado dentro de campo do rebaixamento, agora caía em um abismo sem fim. Até os funcionários entraram em greve, e o hipnólogo contratado como salvador da pátria se mandou por falta de pagamento.

E à torcida, como explicar que um negócio bizarro que fará, na Justiça, a Portuguesa pagar oito vezes mais do que o valor acertado, por exemplo? Como explicar que o governo acusa o clube de ter bloqueado dinheiro público para quitar seus próprios débitos trabalhistas? Como explicar que, pela primeira vez em 94 anos, o time rubro-verde jogará a Série C? Ninguém sabe. Como ninguém ainda sabe explicar o que, de fato, ocorreu naquele dia 8 de dezembro de 2014. E, talvez, nunca saiba. É hora de esquecer… Afinal, vem aí a terceira divisão nacional. Boa sorte, Lusa.

 

Fonte : ESPN

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