Desordem persiste na Av. Beira-Mar

19.10.2014

Estrutura da feirinha de artesanato permanece por todo o dia no local. Obras de requalificação não se iniciaram

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Mais de 400 boxes têm autorização da Prefeitura. População reclama da falta de lugar para os feirantes guardarem os produtos
FOTO: NATINHO RODRIGUES
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Vendedores ambulantes, araras com roupas e carros de comerciantes deixam ainda mais restrita a área para transeuntes e coopistas
FOTO: FERNANDA SIEBRA

A tradicional feirinha da Beira-Mar, criada ainda na década de 1980, é uma das principais vitrines do artesanato cearense para os turistas do mundo inteiro que visitam a Capital. Mas, apesar de funcionar somente no período da noite, o espaço da feira no calçadão é ocupado durante todo o dia. Além dos mais de 400 boxes que funcionam com autorização da Prefeitura, chama a atenção a grande quantidade de vendedores ambulantes que ocupam o passeio, deixando ainda mais restrita a área para transeuntes e coopistas. Araras com roupas penduradas e carros de comerciantes estacionados nas vagas de veículos particulares, carregados de produtos, se transformam praticamente em lojas, representando a ocupação irregular daquele espaço urbano.

O odontólogo Henrique Marcolino, 54, diz que, se comparada a outras capitais, Fortaleza até preserva um espaço considerável para os pedestres. Porém, reclama da desordenação do espaço. “Os boxes poderiam estar melhor sinalizados e mais bem apresentados”, reclama. Ele se queixa do estado de conservação do calçadão, que está mal cuidado. “Este é um espaço importante e democrático, onde o pobre e o rico usufruem sem serem discriminados, deveria ser mais bem cuidado”, ressalta.

Iniciadas em março de 2013, as obras de requalificação da Avenida Beira-Mar ainda não contemplaram a tradicional feirinha. A Prefeitura não sabe informar o que será feito no local. Em nota emitida pela assessoria de imprensa, a Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor) se limitou a afirmar que “o espaço ganhará novo projeto paisagístico, além do atendimento de prioridades dos feirantes, após reunião com a Prefeitura”, ainda sem data para ser realizada.

A comerciante Francisca Maria Albuquerque, feirante há dez anos na Beira-Mar, diz que a requalificação do local é um sonho dos vendedores. “Essa história de monta e desmonta é um caos. É muito cansativo para a gente, é um trabalho braçal. Se fizerem como estão prometendo, vai ficar como uma loja física, mais organizada. Se realizarem a reforma que a gente espera, vai melhorar muito. Os políticos ficam dizendo que vai sair, que a verba já foi aprovada, mas até agora nada”, critica.

Praça

Outra queixa dos feirantes e dos turistas que visitam o espaço é em relação à falta de uma praça de alimentação (que hoje não existe), com preços mais acessíveis, além de banheiros e um local para os feirantes guardarem as suas mercadorias – que acabam acumuladas nos carrinhos em pleno calçadão, ocupando um espaço que poderia servir de usufruto da população.

José Borzacchiello, professor titular do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Ceará (UFC), observa que a Prefeitura ainda não conseguiu, em um plano de regularização da feira, resolver a questão da montagem e desmontagem rápida dos boxes, e nem a disposição de um local para os feirantes guardarem a mercadoria.

“Essa ocupação é conflitante com o uso do espaço, porque apesar de a feira ser efêmera, começar a partir das 17h, ela já se inscreve na tradição da cidade. A Beira-Mar é o grande passeio público de Fortaleza, além de ter a maior concentração hoteleira, então cabe à Prefeitura equacionar a feira no que tange a sua forma”, destaca.

O especialista defende que é preciso buscar, em termos de tecnologia, uma forma dela ser montada e desmontada de maneira mais prática, garantindo corredores entre as barracas. “Essa é a questão que está imposta à Prefeitura. O sujeito principal ali é o comerciante, o artesão que vai vender a sua arte. Isso tem que ser privilegiado, não se deve perder, pois seria um prejuízo enorme para a cidade. Se você percorrer outras orlas, em nenhuma tem essa vida, essa riqueza que a de Fortaleza tem, com essa variedade e fluxo já consolidado”, salienta Borzacchiello.

Em nota, a Secretaria Regional II, responsável pela manutenção e ordenamento da feira da Beira-Mar, informa que oito fiscais realizam o ordenamento urbano das mais de 400 barracas localizadas no passeio. O órgão assegura que todas as políticas públicas referentes à iluminação, limpeza e reparos são realizadas sistematicamente.

Esclarece também que, após acordo firmado entre a Prefeitura e o Ministério Público, os permissionários ficaram autorizados a manter as barracas no passeio, mesmo após o horário da feira. “Elas podem permanecer no local cobertas por capas, ocupando um pequeno espaço”, diz. Conforme o órgão, o acordo permanecerá até a requalificação da feira começar. A Setfor afirma que as obras estão previstas para começar em 2015, com término ainda no ano que vem.

Luana Lima
Repórter

 

Diário do Nordeste – Cidade – 19/10/2014

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